Daniel Kahneman, Nobel de Economia - TC | TradersClub

Daniel Kahneman, Nobel de Economia

Apresentamos a seguir a biografia de Daniel Kahneman, responsável por contribuir para o desenvolvimento das finanças comportamentais. Aliás, muitos pesquisadores contribuíram para a formulação de diversas vertentes da teoria das finanças e investimento que conhecemos hoje.

O universo financeiro possui vários entendimentos que vão além da economia e contabilidade. Dentro desse contexto, temos o estudo das finanças sob o olhar do comportamento do investidor. Isso mesmo! Além de rendimentos, aplicações (e diversos outros termos da área), temos a figura da decisão do investidor frente aos seus investimentos. 

A implementação da psicologia no contexto financeiro ganhou mais evidência a partir da década de 70 a 80. Um dos grandes nomes responsáveis por isso é o Daniel Kahneman, Professor Emérito de Psicologia e Relações Públicas na Universidade de Princeton, ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2002.

No texto de hoje você vai conhecer um pouco mais sobre o Kahneman, bem como suas principais contribuições para o mundo das finanças. O texto se divide da seguinte forma:

  • Quem é Daniel Kahneman?
  • Trajetória acadêmica e profissional
  • Trabalhos e contribuições teóricas
  • Principais ligações com outros cientistas

Boa leitura!

Quem é Daniel Kahneman?

Origens e Importância

O Daniel Kahneman é israelita, nascido em 05 de março de 1934 na cidade de Tel Aviv. Entretanto, no decorrer de sua formação acadêmica, na década de 60, mudou-se em definitivo para os Estados Unidos.

O professor e doutor Daniel Kahneman é um grande precursor da chamada Finanças Comportamentais. Vertente de estudo que busca compreender o comportamento humano na tomada de decisões sobre os investimentos.

Os estudos de Daniel Kahneman foram primordiais para a desmistificação do que se entende por erros (ou vieses) no processo de “tomada de decisão”. Isso porque, para alguns estudiosos, a decisão dos investidores, em teoria, era perfeitamente racional e totalmente embasada nas informações disponíveis para todos no mercado.

Mas, será que os investidores realmente estão totalmente livres dos erros na hora de decidir sobre os seus investimentos? 

Para o Kahneman, a resposta para essa pergunta certamente é não. Com sua formação na psicologia conseguiu trazer fundamentos a essa afirmativa.

Trajetória acadêmica e profissional

A trajetória acadêmica do psicólogo, professor universitário, pesquisador e escritor Daniel Kahneman inicia em 1954 com a obtenção do bacharelado em Psicologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Logo em seguida, em 1958, Kahneman se mudou para os Estados Unidos, mas foi apenas em 1961 que fez seu doutorado em Psicologia pela Universidade da Califórnia, Berkeley.

Lecionou inicialmente na Universidade Hebraica de Jerusalém, mas, posteriormente, entre 1965 e 1966 ele foi pesquisador na Universidade de Michigan; ainda nos anos 60 ele foi professor na Universidade de Harvard por um ano.

Depois de lecionar na Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver (1978–86) e na Universidade da Califórnia, Berkeley (1986–94), Kahneman tornou-se Professor de Psicologia Eugene Higgins na Universidade de Princeton em 1993.

Conforme mostra em seu currículo disponível na página da Universidade de Princeton, Kahneman recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas (2002), concedido em decorrência dos achados da pesquisa mais notável de sua carreira: “Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk”, vamos falar um pouco dela no tópico a seguir. O Nobel foi concedido de forma conjunta a Daniel Kahneman e a seu parceiro de pesquisa Amos Tversky. 

Trabalhos e contribuições teóricas

Produções Científicas

No decorrer do seu trajeto acadêmico e profissional, o Kahneman foi e é um assíduo pesquisador com constância e contribuições valiosíssimas em seus achados. Algumas estatísticas breves confirmam isso.

Fizemos uma busca nas duas principais plataformas acadêmicas que reúnem informações científicas do mundo inteiro: a Web of Science e Scopus. No meio científico, esses sites são bases que reúnem dados dos artigos publicados em revistas de extrema relevância para a área de pesquisa, possibilitando que os pesquisadores consultem esses trabalhos ou resumo deles. 

Ao fazer essa consulta, constatamos a importância dos achados científicos do Kahneman: 188 pesquisas científicas públicas entre 1957 e 2021.

Vale salientar que algumas dessas pesquisas possuem colaboração de outros cientistas. Iremos falar um pouco das parcerias do Daniel Kahneman mais a frente.

Entretanto, todos os trabalhos trazem achados e discutem sobre efeitos cognitivos, decisões, expectativas e vieses que podem influenciar de forma inconscientemente a tomada de decisão das pessoas. De forma exemplificativa, a imagem abaixo reúne as palavras mencionadas nos artigos do Daniel Kahneman. 

A Pesquisa do Nobel

O Nobel de Economia foi concedido a Kahneman em 2002, entretanto, a pesquisa que levou ao prêmio foi realizada em 1979.

A “Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk”   (traduzida como Teoria do Prospecto: uma análise da decisão sob risco) abriu os horizontes da pesquisa sobre finanças comportamentais e serviu de arcabouço para diversas constatações sobre erros de avaliação na hora de tomar decisões de investimento.

Na pesquisa, são descritas várias classes de problemas no processo de escolha dos indivíduos que violam sistematicamente os axiomas da teoria da utilidade esperada. Teoria essa que é muito importante para a teoria econômica sob incerteza, presente na maior parte dos modelos econômicos tradicionais que modelam situações de risco.

Por esta razão, muitos pesquisadores consideram que as finanças comportamentais são uma vertente oposta às finanças tradicionais, ao passo que outros pesquisadores consideram complementar, pois inclui a variável do comportamento humano aos estudos.

A Teoria do Prospecto

A Teoria do Prospecto (Kahneman e Tversky, 1979) afirma que não se analisa a situação financeira do indivíduo baseado em sua riqueza, mas a partir das mudanças nessa riqueza. Sendo assim, faz as seguintes constatações:

  • As probabilidades consideradas nas finanças devem ser substituídas por pesos de decisão e os valores dos pesos precisam ser atribuídos aos ganhos e as perdas ao invés de serem relacionados aos resultados finais;
  • A função de valor (importância que um indivíduo dá ao ativo e consequentemente o quantifica) é côncava no domínio dos ganhos e convexa no domínio das perdas, ou seja, a percepção de valor aumenta lentamente e diminui de forma acelerada, comparando o mesmo valor para ganhos e perdas;
  • Os indivíduos são mais sensíveis a estímulos negativos do que positivos, pois possuem uma menor percepção de aumento de valor, desta forma tendem a arriscar menos;
  • Por outro lado, com o aumento de ganhos e pequenas quedas (num cenário de resultados negativos) há uma forte tendência a se arriscar mais, em virtude do amplo aumento na percepção de valor, desconsiderando os resultados negativos, e, gerando um excesso de confiança.

Dessa forma, podemos sumarizar que a teoria do prospecto vai nos dizer que mesmo havendo informações disponíveis no mercado e os agentes tiverem conhecimento dela. O processo de decisão irá levar em consideração diversos fatores que podem partir de julgamentos e experiências próprias, bem como ocasionados por vieses comportamentais.

Essas descobertas proporcionaram diversos desdobramentos no mundo dos investimentos. Por exemplo, quando Daniel Kahneman afirma que os os indivíduos são mais sensíveis a estímulos negativos, quais estímulos seriam esses?

Bom, no universo das pesquisas, diversas variáveis são consideradas para buscar essa explicação, como: notícias negativas sobre uma determinada empresa ou setor; menções negativas à conjuntura econômica de um país, etc.

Desdobramentos dos estudos de Daniel Kahneman

Muitos desses estudos buscam evidenciar os fatores que estariam por trás desses erros de avaliação por parte dos investidores ao tomarem essas decisões equivocadas, que, por sua vez, proporcionam malefícios, como por exemplo a precificação equivocada de um ativo e a consequente perda de capital. Nesse sentido, uma sequência de vieses comportamentais vêm sendo estudados a partir das pesquisas, como: 

  • Efeito manada – esse efeito considera que os investidores possuem predisposição a seguir uma tendência, formando uma espécie de repetições de comportamento. Alguns cientistas consideram esse efeito um dos mais perigosos para  o mercado, podendo levar até mesmo à formação de bolhas especulativas (Yan W. et al, 2012).
  • Efeito do Excesso de Confiança – de modo geral, esse efeito nos diz que alguns fatores podem gerar uma confiança excessiva por parte dos investidores, fazendo com que eles tenham julgamento que estejam superestimados.

Principais ligações de Daniel Kahneman com outros cientistas

Como falamos anteriormente, o Daniel Kahneman realizou diversos artigos em parceria com vários autores ao longo de sua carreira. Essas parcerias o possibilitaram fazer descobertas no campo da economia, pois apesar de seus trabalhos, toda sua formação foi na área da psicologia. 

As parcerias mais significativas do Kahneman no que tange as descobertas no campo da economia comportamental, foram com o Amos Tversky e Richard Thaler, ambos com pesquisas na área da psicologia econômica. A parceria de pesquisa com o Tversky foi muito forte na década de 70 e 80 e com o Thaler, na década de 90, décadas em que as finanças comportamentais ganharam mais força.

A imagem abaixo mostra os nomes dos cientistas que formam a rede de cooperação mais significativa das pesquisas do Daniel Kahneman, revelando também os anos em que essas parcerias ocorreram de forma mais significativa.

Cada cor corresponde a um período específico, datado na barra inferior direita.

Daniel Kahneman

Fonte: elaboração própria (2021)

Essa rede de cooperação é fortemente compostas por cientistas renomados no campo da psicologia como a Anne Treisman, Ilana Ritov e David Schkade bem como economistas (Jack Knestch, Richard Thaler), além de grandes nomes como Cass R Sunstein e Donald Redelmeier. 

Podemos dizer que as contribuições do Kahneman foram muito significativas e primordiais para as posteriores descobertas no campo da economia comportamental, e, graças às suas parcerias valiosas, foi possível ter essa multidisciplinaridade de áreas e conhecimentos que são super relevantes e utilizáveis para que os investidores estejam cientes dos possíveis erros na tomada de decisão, e por consequência não caiam nas pegadinhas comportamentais.

Conclusão

Muitas vezes, os investidores estão muito habituados a focar apenas nos aspectos técnicos e formais sobre o mercado, deixando de lado o aspecto comportamental. Entretanto, essa humanização das decisões de mercado é primordial para que os investidores consigam tomar melhores decisões frente a possibilidade do enviesamento do seu julgamento.

O Daniel Kahneman, a partir de parcerias valiosas com outros renomados cientistas, trouxe o despertar para essa vertente de estudos e hoje, temos a possibilidade de enxergar as decisões de mercado munidos do aspecto comportamental. Aqui no TC School você encontra uma sessão completa de textos sobre as finanças comportamentais para ficar sempre ligado no assunto.

Referências

KAHNEMAN, Daniel; TVERSKY, Amos. Prospect Theory: An Analysis of Decision Under Risk. Econometrica, [s. l.], v. 47, n. March, p. 263–292, 1979. Disponível em: https://doi.org/10.2307/1914185

YAN, Wanfeng; WOODARD, Ryan; SORNETTE, Didier. Leverage bubble. Physica A: Statistical Mechanics and its Applications, [s. l.], v. 391, n. 1–2, p. 180–186, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.physa.2011.07.013

Iris Sousa
Iris Maria Oliveira de Sousa
Estagiária do Tradersclub | TC School
Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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