John C. Bogle, um dos grandes gestores de Wall Street

Apresentamos a biografia de John Bogle, CEO e fundador do The Vangard Group. Um investidor e gestor pioneiro nos investimentos em fundos mútuos e fundo de índices (ETFs) da Bolsa de Nova Iorque.

No texto a seguir, falamos sobre a sua formação, investimentos, fortuna, livros, ensinamentos e frases de John Bogle, que a revista Fortune intitulou, ao lado de George Soros, Peter Lynch e Warren Buffett, como um dos quatro maiores investidores do século XX.

Se liga neste material bacana que preparamos para você, dividido nos seguintes tópicos:

  • John Clifton Bogle
  • The Vangard Group e o primeiro fundo de índices
  • Livro “O investidor de bom senso”
  • Frases de John C. Bogle

Boa leitura!

John Bogle

John Clifton Bogle nasceu em 8 de maio de 1929 em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e faleceu por complicações de um câncer em 16 de janeiro de 2019.

Formação

John Bogle estudou Economia e Investimentos na Princeton Academy e conclui a formação com a da tese “The Economic Role of the Investment Company” ou na tradução “O papel econômico da Empresa de Investimentos”, que aliada à sua força de vontade, foi a grande responsável por lhe tornar um mártir de mercado que é hoje, principalmente para os investidores pessoas físicas. John Bogle, sem dúvida, revolucionou o modo como as pessoas investem na Bolsa de Valores.

A elaboração da tese ocorreu após Bogle ser captado por um artigo da Fortune, uma revista de negócios americana, o qual tratava da indústria de fundos mútuos avaliada em mais de US$ 3 bilhões. Assim, inspirado em uma indústria que chamou sua atenção, John Bogle em sua tese da faculdade não só destrinchava por completo tal indústria e seu papel, como também cobrava de seus agentes, menores custos para maior expansão e melhor eficiência do mercado de capitais norte-americano.

Após terminar a sua formação acadêmica e elaborar sua tese, John Bogle buscava se inserir no mercado de trabalho. E, para isso, já sabendo de grandes nomes corporativos no mercado financeiro de sua época, Bogle decidiu produzir uma cópia de sua tese e enviá-la para Walter L. Morgan, fundador do Wellington Fund.

Impressionado com o conhecimento e abordagem de John Bogle, Walter Morgan lhe ofereceu um emprego na Wellington Management Company em 1951, justificando sua contratação entre os funcionários e colegas com a afirmação de que Bogle já sabia mais do que aqueles que viviam o dia a dia do mercado de Fundos Mútuos.

Em 1958, John Bogle foi o grande responsável por diversificar o Wellington Fund. E, com seu exímio desempenho dentro da companhia, já em 1965, John Bogle foi promovido a vice-presidente da Wellington Management Company. Tanto que, em linha com o seu perfil de gestão, passou a inserir outros ativos dentro do portfólio do fundo, como títulos públicos, por exemplo. Além disso, 1 ano depois de assumir o novo cargo, liderou a fusão da Wellington Management com a Thorndike, Doran e a Paine & Lewis.

Esta última operação foi a responsável por projetar John Bogle para o cargo de CEO da Wellington Management Company. No entanto, em meados da década de 1970, quando se estava vivendo o mercado de baixa, a fraca performance da gestão de Bogle e do Wellington Fund gerou uma intriga entre os executivos da companhia. Em consequência, ocorreu a demissão de John Bogle de um dos primeiros fundos mútuos da história do mercado financeiro.

Apesar do episódio negativo, John Bogle se interessava tanto pelo mercado de fundos mútuos que nem mesmo cogitou abandonar sua carreira aos 45 anos e, por já possuir patrimônio considerável, decidiu por lançar o seu próprio fundo mútuo, o The Vanguard Group. As operações do fundo começaram já em 1975, 1 ano após sua demissão, e com US$ 1,8 bilhão de capital sob gestão que seriam alocados nos mais variados ativos.

The Vanguard Group

A atuação The Vanguard deveria se basear em uma missão determinada por John Bogle: — gerar valor para seus clientes sem precisar cobrar elevadas taxas de gestão e performance. Ou seja, ser um fundo mútuo, mas acima de tudo de baixo custo, independentemente de outros fatores ou pessoas renomadas que estivessem ali operando. E justamente por essa missão adotada por John Bogle, que o mercado de fundos mútuos passaria por fortes mudanças estruturais.

Na visão de John Bogle, o Vanguard Group poderia trazer ao mercado de fundos múltiplos o racional de que este mercado é mais do que um conflito corporativo para a persuasão de clientes e geração de receitas, mas um mercado que atuaria de forma independente de cada um dos concorrentes para buscar então, entregar benefícios aos seus clientes.

Em 1976, 1 ano após a fundação do Vanguard, John Bogle entrou para história ao lançar o primeiro Exchange Traded Funds – ETF, ou apenas fundo índice. A ideia de Bogle por trás dos ETF estava à luz da missão que ele possuía com o Vanguard Group: gerar de forma passiva retornos de longo prazo crescentes de forma eficiente e de baixo custo comparado àqueles fundos de gestão ativa.

Atualmente conhecido como Vanguard 500 Index Fund, é um dos maiores ETF’s do mercado global. No entanto, o seu reconhecimento atual está bem distante da realidade de quando foi lançado, pois mesmo sendo um fundo renomado, muitas pessoas desacreditam que um fundo passivo poderia ser rentável a longo prazo. Dessa forma, na época de sua emissão, o primeiro ETF coletou apenas US$ 11 milhões.

John Bogle acreditava que um fundo composto por boa parte das principais ações do mercado, facilmente entregaria o retorno médio do mercado, o que superaria o desempenho de boa parte dos fundos geridos ativamente. Portanto, o fundo estaria indexado ao desempenho de um determinado portfólio. Além disso, a nomenclatura de fundo índice se dá porque o portfólio utilizado remete a alguma categoria ou a uma classificação específica.

Por exemplo, o fundo índice de small caps que temos no Brasil. É um fundo que replica o desempenho por um portfólio composto apenas por ações consideradas small caps. Esse portfólio de ativos é denominado ETF, ou seja, é composto apenas por uma determinada categoria de ativos, ou ativos que atendem a uma seleção específica. Neste exemplo, o índice de small caps da B3.

Com a missão de democratizar o mercado de fundos, em 1977 Jonh Bogle zerou todos os custos que cobrava aos seus clientes para investirem nos fundos, por mais que fossem abaixo dos preços praticados no mercado.

Ao perceber que o novo produto financeiro iniciava uma revolução no mercado, com cada vez mais investidores interessados, muito provavelmente por se depararem com um fundo passivo ter tamanha performance, melhor que diversos fundos ativos da época, John Bogle decidiu em 1986 introduzir o seu fundo índice também para investidores individuais.

Em 1990, a empresa de Bogle já possuía US$ 56 bilhões sob gestão. Em 1992 um de seus fundos, o Total Stock Market Index Fund se tornou o maior fundo do mundo, avaliado em US$ 343 bilhões. Finalmente em 1996, aos 67 anos de idade, John Bogle decidiu aposentar-se da presidência e do Conselho de Administração da Vanguard.

  • Peter Lynch, investidor e gestor do Fidelity Management & Research

Livros de John Bogle

O Investidor de bom senso

Segundo Warren Buffett, “em vez de dar ouvidos às falsas promessas de gerentes de investimentos, os investidores (grandes ou pequenos) deveriam ler esse livro de John Bogle”. Essa frase está na capa do livro O investidor de bom senso que Bogle escreveu e em 2020 foi traduzido para o português.

Ao longo do livro, John Bogle aborda temas como educação financeira, ativos para investimentos e gestão de portfólio. Além disso, traz uma abordagem detalhada ao longo dos capítulos sobre o mercado de fundos de investimentos.

Com a experiência que adquiriu no mercado e como gestor de fundos, John Bogle traz uma série de dicas e curiosidades para os seus leitores, especialmente pelo modo como ele operava na Bolsa de Valores para ter bons resultados a um baixo custo.

Por fim, Bogle defende que as pessoas sejam os próprios gestores ativos de seus portfólios, ao invés de delegar a gestão da carteira de ações para terceiros. Além de abordar a questão de diversificação de portfólio e a filosofia de investimentos para longo prazo.

Enough: true measures of money business and life

Além do livro acima, um outro clássico do investidor é a obra “Enough: true measures of money business and life.” Neste livro, John Bogle enfoca a obsessão dentro do sucesso financeiro.

Escrito nos seus últimos anos de vida, ao longo da obra o megainvestidor elenca cuidadosamente o que “suficiente” realmente significa quando nos referimos a dinheiro, negócios e vida. A publicação foi inspirada nas palestras que John Bogle deu a grupos de profissionais e estudantes universitários ao longo de sua carreira.

Frases de John Bogle

A especulação leva você para o caminho errado. Ela permite que você ponha suas emoções em primeiro lugar, enquanto o investimento tira as emoções da jogada.”

O tempo é seu amigo, o impulso é seu inimigo.

O mercado de ações é uma grande distração para o negócio de investimentos.

Investir não é tão difícil quanto parece. O investimento bem-sucedido requer fazer algumas coisas certas e evitar erros graves.

Existe pouca certeza em investir. Como investidores de longo prazo, no entanto, não podemos deixar que as possibilidades apocalípticas nos afugentem dos mercados. Sem risco, não há retorno.

Aprenda todos os dias, mas principalmente com as experiências das outras pessoas. É mais barato!

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Pablo Paz
Pablo Paz
Estagiário do TradersClub
Estudante de Economia da UFPB e membro do Projeto Quantum

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