Rafael Ferri, trader profissional, empresário e influenciador do TC

No texto a seguir apresentamos o perfil de investidor de Rafael Ferri, empresário e especulador da bolsa de valores. Falamos sobre o caso da empresa Mundial (MNDL3), sua formação, sociedades e investimentos, além de suas estratégias com uso de robôs no mercado de opções.

Se liga neste conteúdo que preparamos pra você! Está dividido da seguinte forma:

Boa leitura!

Quem é Rafael Ferri

Rafael Ferri atua no mercado financeiro desde 1997. É um dos investidores mais polêmicos, arrojados e irônicos da bolsa de valores brasileira. Avesso ao buy and hold, Ferri parece gostar mesmo é de estratégias com opções e trading.

Seja na bolsa ou nas redes sociais, Rafael Ferri gera sentimentos contraditórios nas pessoas. Por sua visão de mercado singular, ele é amado e odiado por muitos. Ao passo que desperta a admiração e o respeito de uma legião de fãs, é também repudiado por outros esquadrões que discordam da sua abordagem. Rafael Ferri não é ingênuo, é um investidor ambicioso que também gosta de especular na bolsa.

Em 25 de outubro de 2020, Ferri publicou em seu Instagram uma entrevista de Milton Friedman em que o economista diz: “é claro que nenhum de nós é ganancioso, são sempre os outros que são“. E se Rafael Ferri é polêmico, fala besteira ou não, fato é que ele tem experiência de trading e entende muito da visão macro do mercado, principalmente aplicando ao mercado de opções.

Adicionalmente, ele costuma dizer que foi formado na faculdade do trading, quando o perguntam sobre a sua formação mais “formal”. Mas o fato é que Ferri é um dos traders mais estudiosos do mercado. Ele lê tudo sobre questões políticas, econômicas e análises de empresas. Não daria para ter o resultado que ele tem sem isso.

Trader profissional

Rafael Ferri nasceu na cidade de Porto Alegre. É formado em Administração pela PUC-RS, com especialização em Mercado de Capitais pela UFRGS, MBA em Finanças pela FGV e MBA em Administração pela FIA.

Ainda jovem, por volta dos 18 anos, Ferri começou a carreira profissional como estagiário no Banco ABN Amro S.A. Já em 2000, ingressou como trainee no Banco Itaú. Conquistou 7 cargos em aproximadamente 6 anos, chegando a posição de Private Banker Regional.

No Itaú era responsável por carteiras de investimentos on-shore do banco, “obtendo retornos acima de 1.800%“, ostenta o trader em seu currículo no LinkedIn. Já em 2006, Rafael Ferri começou a sua empreitada no mundo dos negócios e fundou a TBCS Investimentos, uma empresa independente de corretagem, que movimentou bastante grana na época – sendo o segundo maior escritório de agentes autônomos do país, perdendo apenas para XP Investimentos, de Guilherme Benchimol.

O Trade de 80.000% de Rafael Ferri

Em 2016, quando voltou à bolsa brasileira, na época do impeachment da então Presidente Dilma Rouseff, Rafael Ferri transformou R$ 20.000,00 em uma fortuna de R$ 800.000,00 naquele ano operando opções de estatais. Nada mal, hein? O trader é ambicioso e arrojado, não tem jeito.

O mais intrigante desta história, é que Rafael Ferri fez este trade alavancado, com capital de terceiros. Nem mesmo ele recomenda este tipo de operação hoje em dia, pois é algo muitíssimo arriscado. Mesmo nos trades mais agressivos, é preciso tomar cuidado com o controle de risco, pois se não desse certo, haveria a perda do dinheiro, mas a dívida continuaria a existir.

O investidor Rafael Ferri

Você conhece muito bem o trader Ferri, que chama muito a atenção nas suas redes sociais. Mas aquele mesmo Rafael Ferri que execra o investimento de longo prazo, também é um investidor de longo prazo. Estranho? Não! Cada “caixa” de dinheiro segue uma estratégia de investimentos muito bem definida. Vamos entender nas próximas seções.

Startups BR

Com a saída do mercado e impedido de operar na bolsa, pelos eventos relacionados à empresa Mundial que comento no final do texto, Ferri passou a empreender em startups. Primeiro idealizou o Portal Invest, um site de mídia alternativa com informações e notícias sobre economia e mercado financeiro.

Em 2012 investiu capital na startup MyTraining, um app para celular que ajuda na rotina das pessoas com os exercícios físicos. O empresário acredita no projeto: “É uma rede social, mas é diferente de tudo o que há no mercado hoje”, diz o investidor anjo. Hoje o aplicativo fitness já está presente em mais de 70 países.

Outro investimento de longo prazo que Rafael Ferri se orgulha de ter feito foi o TC, anteriormente conhecido como TradersClub. Este investimento vale uma seção específica e separada, não acha?

TradersClub Rafael Ferri

Ainda no âmbito dos seus investimentos de longo prazo, pela Startups BR, Rafael Ferri fundou o TradersClub junto com Pedro Albuquerque e Israel Massa. Ou seja, além de influencer e contribuidor do TC, Ferri é também investidor da plataforma.

O TC é um serviço de inteligência de mercado voltado a investidores pessoa física, sendo hoje a maior comunidade de investidores da América Latina. Tudo isso só foi possível porque a comunidade foi construída por investidores de verdade, para investidores de verdade.

A primeira coisa é começar a aprender

Ao lado dos sócios, Ferri acompanhou o nascimento do TradersClub. O conselho que ele dá para quem está iniciando na Bolsa é que “a primeira coisa é começar a aprender. Se tu não sabe nada, tem que começar a aprender“, reforça.

Café com Ferri

Quem acompanha o perfil @cafecomferri nas redes sociais sabe como o cara é malicioso em seus comentários e este é um dos fatores que faz com que muita gente o ame, mas também não goste dele. Rafael Ferri não perde a chance de provocar e não economiza nos seus tweets ácidos, comentando sobre macroeconomia e as expectativas para o mercado financeiro.

Um exemplo disto é a icônica frase “fico feliz que podemos dar opinião. Ainda não viramos a Venezuela”, alfineta em reportagem da Veja sobre os efeitos da FinTwit nas recentes “bolhas” da bolsa que algumas pessoas comentaram entre 2020 e 2021.

Como ele mesmo escreve em seu perfil, “contém ironia”.

Mas além de irônico, o trader Rafael Ferri é corajoso. No auge da pandemia da Covid-19, no início de 2020, Ferri fez um vídeo bastante provocativo com os 10 motivos para comprar ações na bolsa de valores:

Toda semana, em seu canal no Instagram, Ferri faz uma live com o balanço das melhores oportunidades. Aliás, se você é um investidor iniciante já fica esperto. Se liga em todo conteúdo que temos aqui no TC School. Antes de se aventurar com trades, estude e conheça o mercado. Como diz Warren Buffett, “o risco vem de não saber o que você está fazendo”.

Especulação na Bolsa

Não é de hoje que o mercado financeiro se depara com bolhas especulativas. A história das bolhas na bolsa remetem aos tempos da Monarquia, vejam só! Conhecida como a “crise do encilhamento”, por volta de 1889, tivemos uma grave bolha de crédito por conta de estímulos à industrialização do Brasil.

E quem não se lembra da bolha da Internet, entre 1994 e 2000, com a forte alta das ações de empresas de tecnologia? Além da bolha X das empresas de Eike Batista, até as recentes altas da MMXM11.

Neste sentido, Rafael Ferri foi acusado injustamente, segundo ele e seus advogados, de ser um dos responsáveis pela Bolha do Alicate, como é pejorativamente chamado o caso da empresa Mundial.

Não há muito espaço na mídia para que ele dê o seu ponto de vista. Contudo, em outubro de 2020, o jornalista Duda Garbi o convidou para uma das conversas mais íntimas e sinceras que você pode encontrar com Rafael Ferri na internet, em que ele deu a sua visão sobre a história do caso da Mundial.

Caso da Mundial (MNDL3)

Em 2011 Ferri sofreu processo da CVM no caso da Mundial, também conhecido como a Bolha do Alicate – caso especulativo envolvendo a empresa Mundial S.A. (MNDL3). As ações subiram mais de 2.000% no ano. Houve acusação de insider trading e manipulação de mercado.

Rafael Ferri foi absolvido em 2019 da acusação de insider trading, mas condenado por manipulação de mercado e ficou impedido de operar por 5 anos na bolsa. Sobre a acusação de manipulação de mercado, Ferri sempre ressalta que está sub judice, com muita chance de ganhar, dado que outras pessoas envolvidas já foram absolvidas.

Aliás, esta foi apenas uma das sete vezes em que, por questões de trades equivocados, Ferri saiu da bolsa brasileira. Porém da última vez que voltou, em 2016, Ferri explica que não sairá mais, porque aprendeu a gerenciar melhor o seu risco nos trades com as operações erradas que fez no passado.

Para entender melhor o caso da Mundial, que envolveu diversas pessoas, além de Rafael Ferri e Michel Ceitlin, vale conferir a entrevista que Ferri concedeu ao jornalista Duda Garbi no YouTube. O próprio Rafael explica o caso em detalhes e os processos que sofreu. Vamos ver os destaques? No final você ainda poderá assistir ao vídeo na íntegra.

A entrevista mais técnica sobre o Caso da Mundial

Iniciando a conversa, o jornalista Duda Garbi propõe realizar a melhor “entrevista técnica” com o investidor Rafael Ferri, com intuito de falar do caso da Mundial.

Rafael Ferri conta que tinha ações de uma empresa fabricante de alicates, chamada Mundial, que faturava R$ 400 milhões por ano, mas tinha uma dívida enorme – à época entendida até como potencialmente impagável.

Em meados de 2010, Ferri conta que a empresa estava valendo algo em torno de R$ 20 milhões na bolsa – uma coisa que o trader considerava muito barata: “isso aqui tem que valer no mínimo o faturamento, né? Eu comecei a comprar ação, comprar, comprar, comprar… Comprei, sei lá, 4% da companhia na época, na pessoa física. Aí falei para alguns clientes, olha esse papel tá muito barato, o pessoal comprou também“. 

Rafael Ferri como investidor ativista

No Brasil ainda não é comum termos investidores ativistas, que são aqueles que buscam tentar “interferir” na gestão das companhias em que eles investem, de modo a melhorar o negócio e todo mundo ganhar junto. Sobre o seu papel como investidor ativista, Ferri comenta que tentou fazer com que a empresa “botasse a cara no mercado”, para que todos pudessem entender melhor o que a companhia estava fazendo e quanto ela de fato valeria – até que finalmente houve uma reestruturação geral na Mundial.

Ferri comentou que após estes eventos, o valor de mercado da Mundial saiu do patamar de R$ 25 milhões para algo em torno de R$ 400 milhões, por conta da reestruturação que Michel Ceitlin fez. Segundo o trader, dentre outros fatores, os listados abaixo fizeram diferença para que o mercado conseguisse identificar o valor que estava escondido:

  • Foco em bons processos de relações com investidores;
  • Organização da empresa; e
  • Mostrar ao mercado o que estava sendo de fato feito

Rolling Short Squeeze na Mundial

Por volta de junho de 2011, a bolsa estava caindo por volta de 30% no ano e as ações da Mundial continuavam a subir. Na entrevista com Duda Garbi, que você pode encontrar a íntegra no final deste texto, Ferri comenta que a empresa sendo negociada por volta dos R$ 400 milhões era “razoavelmente justo”. O trader complementa que se fizesse R$ 50 milhões de EBITDA, poderiam até valer R$ 500 milhões razoavelmente.

Mas a alta não parou nos R$ 500 milhões. A companhia continuou valorizando até R$ 1 bilhão, conforme Ferri comentou na entrevista. Isso fez com que o mercado agora ficasse de olho em uma operação short, apostando na queda das ações.

Rafael Ferri explica este movimento de “rolling short squeeze” com o exemplo mais recente da alta expressiva que foi experienciada pelas ações da MMX (MMXM3). Abaixo você pode conferir a transcrição desta parte da entrevista:

“(…) Esses dias a MMX estava um real, um e cinquenta, daí subiu para 3 reais. Subiu 100%, o que os caras fazem? Ah, subiu demais, não tem sentido. O cara vai lá e vende pra ganhar na queda. Aí, o papel continua subindo. Saiu de três para sete, oito, dez… Aí esse cara que vendeu no três tem que “stopar”, concorda?

Porque ela está perdendo dinheiro, vendeu no três para recomprar no dois, foi lá e teve que pagar sete na ação. Quando ele pagou sete, o que ele fez? Teve que comprar de um outro cara que também estava vendendo a descoberto porque a ação não faz sentido ter esse preço. Aí essa ação foi do sete para o 15. Tô te dando um caso real, tá? A MMX, aconteceu na semana passada.

Esses caras que compraram ação nos sete, foram os caras que venderam a ação descoberta no três. E no 15, esse cara que vendeu a descoberto no sete, “stopou” no quinze. Para ele recomprar essa ação, ele entra comprando. Quando ele compra, ele compra de quem? De um outro cara que também está vendendo essa ação a descoberto porque o papel subiu demais e não tem sentido. E foi para o 30!! E no 30, quem comprou?.. A ação chegou a 60 reais. Então a ação do Eike que saiu de R$ 1,30 para 60 reais em três, quatro dias”.

Segundo Ferri, foi exatamente isso que aconteceu no caso da Mundial: um rolling short squeeze. É um investidor “stopando” o outro. Neste processo de rolling short squeeze, houve uma denúncia anônima de que Ferri estava manipulando as ações da companhia. Foram três acusações contra Rafael Ferri, das ele já foi absolvido de duas, enquanto que Ceitlin já foi absolvido de todas.

Acusação de manipulação de mercado

Rafael Ferri explica na entrevista que foi acusado de manipulação de mercado porque usava robôs para efetuar as suas operações em bolsa.

Sobre isto, Ferri costuma dizer que hoje todo mundo usa robôs sem maiores preocupações e que quem está no mercado está sujeito a questionamentos:

“Toda semana alguém questiona algo na CVM contra mim. Ou seja, se eu fizer uma reclamação anônima, a CVM obrigatoriamente terá que investigar. Vai ser aberto um processo mesmo que não haja absolutamente nada contra o acusado”.

Ferri explica que para existir a manipulação que causou o seu processo, precisaria existir uma fraude – o que não houve:

“(…) a única coisa que fiz foi comprar e vender com robôs, o que eu continuo fazendo até hoje. E todas as pessoas físicas que operam pesado na bolsa fazem. Eu fiz 3% do volume total da Mundial e jamais alguém com 3% do volume vai poder alterar artificialmente o preço. No entanto, o episódio teve uma repercussão tão grande que eu tive uma condenação moral. Esse processo ainda está na justiça, vai ser julgado em segunda instância, e eu vou perder, vou ganhar, vai para terceira, quarta instância.. vai demorar para acabar, mais cinco, dez anos. Mas é uma condenação muito bizarra, muito absurda”.

Abaixo, veja o próprio Rafael Ferri dando a sua visão dos fatos do Caso da Mundial (MNDL3) no vídeo:

Para finalizarmos o texto, destaco uma outra frase citada durante a entrevista:

“Comprar e vender ações com robôs, ‘ultra high frequency’ é a coisa mais natural do mundo. Como alguém pode ser condenado por isso? Não existe essa condenação, é bizarra, absurda. E eu tenho que conviver com isso. Todos os dias os caras mandam piadinha e é uma coisa que eu vou ter que conviver infelizmente”.

redator seo
Danilo Hadek
Redator do TC School
Formação em Relações Públicas pela UNESP/Bauru com especialização em Comunicação Organizacional pela ECA/USP. Fundador do site Muita Viagem. Investindo em viagens, conhecimento e renda variável.

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