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Chance de golpe já não é mais ‘delírio paranoico’, avalia Gustavo Franco

Postado por: TC Mover em 06/09/2021 às 19:44
Gustavo Franco sobre Chance de golpe

Brasília, 6 de setembro – Em meio à escalada de tensão entre Poderes, às vésperas das manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro para 7 de Setembro, uma chance de um golpe no país não é mais “delírio paranoico”, diz o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco na carta mensal da gestora Rio Bravo.

No texto divulgado sexta-feira, o sócio da gestora também avaliou que a atmosfera política “pesada” prejudica a atividade econômica, mais assemelhando-se a uma “corrida armamentista”.

Gustavo Franco considera que escalar tensão política seja “irresponsabilidade absoluta”

Para ele, o tensionamento entre instituições não constitui mais um “jogo de pôquer de sucessivas bravatas”, mas sim um assunto que talvez tenha ficado “incontrolável”. O desfecho, segundo ele, pode ser que o trágico caso não haja recuos coordenados.

“Foi uma irresponsabilidade absoluta escalar as tensões até onde estamos. A economia sofre, os mercados apanham e a ansiedade é tão generalizada quanto desnecessária”, avaliou.

Ex-presidente do Banco Central teme golpe com presença maciça de policiais em 7 de setembro

Ao comentar especificamente sobre o 7 de Setembro, o ex-presidente do Banco Central alertou para a apreensão em torno da presença maciça de policiais armados entre os manifestantes, e não tanto entre os que vão reprimir os excessos dos manifestantes.

“Fala-se até de golpe, o que, infelizmente, já não é mais tomado como delírio paranoico”, complementou. Ele também lembrou que os resultados dos eventos de 7 de setembro e de 12 setembro, data prevista para manifestações contra o governo, serão indicadores importantes para dar o tom do restante do mandato do presidente Bolsonaro.

De acordo com Gustavo Franco, a sociedade e o mercado aguardam a sequência de iniciativas capazes de promover um recuo coordenado. No entanto, em meio ao prosseguimento da escalada de tensão, a política econômica do governo vai perdendo lógica e funcionalidade.

Não há clima político para reformas econômicas, avalia Gustavo Franco

Em sua visão, não há clima político para nenhuma reforma econômica com incertezas girando em torno da manutenção do regime democrático no país. Citou, também, o recrudescimento da pandemia, com a variante Delta, a escalada de preços, a iminência da crise hídrica e o risco fiscal como fatores que pesam.

“O ministro da Economia parece tratar dos temas da inflação, crise hídrica e variante Delta como se fossem assuntos fora de sua alçada”, afirmou, em referência ao titular da pasta, Paulo Guedes.

Sobre a Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios e a Reforma do Imposto de Renda, Franco avaliou que ambas repercutiram negativamente, podendo ser aprovadas em versões piores às originais. Ainda de acordo com ele, o governo perdeu a iniciativa no campo fiscal, e tem o desafio de moderar “tentações eleitoreiras”.

Problema no mercado brasileiro é local, afirma ex-presidente do Banco Central

Ao fim, Gustavo Franco avaliou que os ventos dos mercados estrangeiros são favoráveis, mencionando os comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, acerca do “tapering”, processo de redução de estímulos à economia, no evento de Jackson Hole, no mês passado. “O problema é local, e político.”

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Angelo Pavini e Letícia Matsuura
Arte: Mover


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