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Como a eleição desponta nos principais centros urbanos do Brasil

Postado por: TC Mover em 15/10/2020 às 10:58
A corrida aos votos pelo comando de prefeituras e vagas nas câmaras de vereadores, em contexto inédito da pandemia e suas restrições sanitárias, bem como seus efeitos econômicos, prometem influenciar a escolha dos eleitores e a consolidação de alternativas como a nova direita em alguns dos maiores centros urbanos.

São Paulo, 15 de outubro – A corrida aos votos pelo comando de prefeituras e vagas nas câmaras de vereadores, em contexto inédito da pandemia e suas restrições sanitárias, bem como seus efeitos econômicos, prometem influenciar a escolha dos eleitores e a consolidação de alternativas como a nova direita em alguns dos maiores centros urbanos.

Uma dessas influências é adiar não só reformas de ajuste fiscal no plano federal, como dificultar a aprovação delas nos estados, como em São Paulo e Rio Grande do Sul, cujos governos apresentaram propostas de contenção de gastos e renúncias fiscais. Os governadores, no entanto, têm sofrido para conseguir viabilizá-las nas Assembleias Legislativas devido ao timing político. No caso de São Paulo, o projeto do governador João Dória conseguiu ser aprovado apenas na madrugada de 14 de outubro.

Com centro-direita em vantagem, direita radical perde espaço na eleição

Somente 19% dos entrevistados dizem que o apoio de Bolsonaro aumentaria a vontade de votar em um candidato

Se antes o presidente Jair Bolsonaro e a direita de costumes que ele representa planejavam concorrer em raia própria, com a legenda Aliança pelo Brasil dando um tom ideológico e polarizante ao pleito, agora, com o fracasso na coleta de assinaturas do novo partido, o enfraquecimento da ala mais radical – liderada pelo pensador Olavo de Carvalho – e a construção de uma base parlamentar com o Centrão, esta tendência vai mudando de contornos, com os eleitores mais focados em problemas locais.

Conforme a pesquisa Exame-Ideia, divulgada em 9 de outubro, Bolsonaro lidera em todos os cenários para a sucessão presidencial de 2020, e mantém aprovação entre 35% a 40%, mas tem se mostrado um cabo eleitoral ruim: somente 19% dos entrevistados dizem que o apoio dele aumentaria a vontade de votar em um candidato, 41% são indiferentes e 36% asseguram que diminuiria sua chance de voto.

No contexto atual, a centro-direita está em vantagem. O DEM, dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, está na frente em duas das cinco principais capitais: Salvador e Rio de Janeiro – neste último, seguido pelo prefeito Marcelo Crivella, que conta com apoio do presidente Bolsonaro.

O candidato Celso Russomano, que também é apoiado por Bolsonaro, lidera na maior cidade do país, São Paulo, com a vice-liderança ocupada pelo tucano e opositor do presidente, Bruno Covas, que postula a reeleição. Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil, que tenta ficar no cargo, está na dianteira das pesquisas representando o PSD, que compõe a base governista nacional.

Já em Porto Alegre, a esquerda desponta com Manuela D´Ávila, comunista aliada com o PT, mas, todavia, com desfecho incerto. Para os prefeitos de São Paulo, Rio e Porto Alegre, a tentativa de reeleição esbarra na alta rejeição, em média 30%, de acordo com recentes pesquisas do Ibope.

No Nordeste, tradicional reduto da oposição a Bolsonaro, principalmente do PT ou de lideranças de outros partidos de esquerda, porém referenciadas no lulismo, a situação está mais favorável ao centro-direita do que em pleitos passados.

Em Fortaleza, governada por Camilo Santana, do PT, e terra dos irmãos ex-ministro Ciro e senador Cid Gomes, o candidato apoiado por Bolsonaro, Capitão Wagner, marca 35% das intenções de voto, com a ex-prefeita petista, Luizianne Lins, com distantes 14,9%, segundo pesquisa do instituto Paraná Pesquisas no começo deste mês.

Em São Luís do Maranhão, Eduardo Braide lidera com 43%, com Duarte Júnior na vice-liderança com 14%, conforme pesquisa Ibope realizada entre 12 a 14 de setembro.

Já em Natal, o Ibope de 4 a 6 de outubro apontou Álvaro Dias com 33%, na frente e o segundo com longínquos 12%.

Até em Recife, governado pelo PSB há muitos anos, apesar da liderança de João Campos com 23%, filho do ex-governador falecido Eduardo Campos, o ex-ministro da Educação do governo Michel Temer, Mendonça Filho, aparece encostado com 19%, conforme Ibope de 30 de setembro e 2 de outubro.

Eleição em São Paulo

1. Pesquisas

Ibope: Celso Russomanno (Republicanos), 26%; Bruno Covas (PSDB), 21%; Guilherme Boulos (PSOL), 8%; Márcio França (PSB), 7% – Levantamento feito entre 30 de setembro e 01 de outubro.

Datafolha: Russomanno, 27%; Covas, 21%; Boulos, 12%; França, 8% – Levantamento feito nos dias 5 e 6 de outubro.

2. Tendências

Improvável que Boulos e França desidratem Russomano a ponto de tirar-lhe a vaga no segundo turno, e em cima de sua própria base. Covas, com base na máquina pública local, tende a representar o centro e o voto crítico de esquerda na etapa decisiva.

Eleição no Rio de Janeiro

1. Pesquisas

Ibope: Eduardo Paes (DEM), 27%; Marcelo Crivella (Republicanos), 12%; Martha Rocha (PDT), 8%; Benedita da Silva (PT), 7% – Levantamento feito entre 30 de setembro e 2 de outubro.

Datafolha: Paes, 30%; Crivella, 14%; Martha Rocha, 10% – Levantamento feito nos dias 5 e 6 de outubro.

2. Tendências

O atual prefeito Marcelo Crivella ser reeleito no segundo turno, aglutinando a maioria do eleitorado de baixa renda do PT/esquerda, em confronto com Eduardo Paes.

Eleição em Belo Horizonte

1. Pesquisas

Ibope: Alexandre Kalil (PSD), 58%; João Vitor Xavier (Cidadania), 4%; Áurea Carolina (PSOL), 3%; Bruno Engler (PRTB), 3%; Nilmário Miranda (PT) e Rodrigo Paiva (Novo), 2% – Levantamento feito entre 30 de setembro e 2 de outubro.

Datafolha: Kalil, 56%; Xavier, 6%; Áurea, 3%; Engler, 3%; Miranda e Paiva, 2% – Levantamento feito nos dias 5 e 6 de outubro.

2. Tendências

Vitória do prefeito Alexandre Kalil, com alta probabilidade de encerrar o pleito no primeiro turno.

Eleição em Porto Alegre

1. Pesquisas

Ibope: Manuela D’Ávila (PC do B), 24%; José Fortunati (PDT); 14%; Sebastião Melo (MDB), 11%; Nelson Marchezan Júnior (PSDB), 9% – Levantamento feito entre 30 de setembro e 2 de outubro.

2. Tendências

Um segundo turno polarizado entre Manuela D’Ávila e um nome de centro-direita, cuja decisão de quem José Fortunatti apoiará será determinante.

Eleição em Salvador

1. Pesquisas

Ibope: Bruno Reis (DEM), 42%; Pastor Sargento Isidório (Avante), 10%; Major Denice (PT), 6%; Olívia Santana (PCdoB), 6%; João Carlos Bacelar (Podemos), 5%; Cezar Leite (PRTB), 3%; Hilton Coelho (PSOL), 2% – Levantamento feito entre 3 e 4 de outubro.

2. Tendências

Vitória de Bruno Reis, candidato do atual prefeito ACM Neto, com alta probabilidade de encerrar o pleito no primeiro turno.

Eleição no nordeste

Tendências

Crescimento das forças governistas ligadas ao Centrão, em movimento que poderá ser considerado um revés da oposição em seu principal reduto.

Calendário Eleição 2020

27 de outubro: prazo para partidos, coligações e candidatos divulgarem relatório sobre transferências do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha;

15 de novembro: dia da eleição (primeiro turno);

29 de novembro: dia da eleição (segundo turno);

Até 15 de dezembro: data final para o encaminhamento à Justiça Eleitoral do conjunto das prestações de contas de campanha do primeiro turno e, onde houver, do segundo turno;

Até 18 de dezembro: Diplomação dos candidatos eleitos em todo país, salvo nos casos em que as eleições não tiverem sido realizadas.

Eleições americanas

Além das eleições municipais no Brasil, o mercado também acompanha o desdobramento das eleições para a presidência dos Estados Unidos.

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Texto: Leopoldo Vieira 

Edição: Ana Carolina Amaral

Artes: TC Mover

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