Crise hídrica: governo federal aponta 'relevante piora' - TC
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Crise hídrica no Brasil: Ministério de Minas e Energia aponta “relevante piora”

Postado por: TC Mover em 25/08/2021 às 12:00
Crise hídrica e elétrica

São Paulo, 25 de agosto – O Ministério de Minas e Energia apontou “relevante piora” no cenário da crise hídrica no Brasil. A avaliação ocorre após reunião de autoridades no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, CMSE. A seca tem aumentado custos de geração de energia elétrica e pressionado os resultados de empresas com ativos hidrelétricos.

Diante da piora no cenário, foi proposto um programa visando redução voluntária no consumo de energia elétrica por clientes, principalmente residenciais, por meio de incentivo econômico. O assunto foi enviado pelo CMSE para avaliação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética, um órgão criado pelo governo federal para gerenciar a crise hídrica no Brasil.

Impacto da crise hídrica sobre o IPCA-15

Sob a pressão da escassez de chuvas, que exige uso de termelétricas mais caras para atendimento à demanda, o aumento dos preços da energia elétrica foi o fator de maior impacto na prévia da inflação de agosto. O IPCA-15 avançou 0,89% na base mensal, acima do consenso de analistas, que era de 0,82%. A crise hídrica também tem mostrado impactos negativos sobre balanços de companhias que operam hidrelétricas, como Cesp, AES Brasil e Engie.

Crise hídrica pode se arrastar para 2022

O consultor da Tempo Presente Ricardo Lima disse à Mover que os incentivos à redução do consumo por clientes residenciais e pela indústria são necessários. Isso porque a crise hídrica no Brasil é grave e poderia inclusive se arrastar para 2022, segundo o especialista.

“Ainda é tímido, acho que falta coragem de assumir o verdadeiro tamanho da crise. As medidas estão sendo tomadas muito lentamente. Essa crise não apareceu agora em agosto, desde abril já se caracterizava uma situação preocupante”, explicou.

Os efeitos sobre a elétricas

Ricardo Lima acrescentou que uma eventual redução na demanda dos consumidores com os incentivos previstos pelo governo geraria efeitos negativos sobre elétricas. Estas já têm sofrido com a menor geração de suas usinas com a crise hídrica no Brasil, e os incentivos trariam efeito negativo sobre fluxos de caixa de distribuidoras de energia elétrica.

Em entrevista à TC Rádio na última terça-feira, 24, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, disse que a companhia não sofreu com a crise hídrica nos dois primeiros trimestres do ano. Mas afirmou que deverá ver algum impacto entre julho e setembro, assim como suas rivais. “O terceiro trimestre está sendo desafiador para todas as empresas do setor”, afirmou. Slaviero destacou que o déficit de geração hidrelétrica previsto para o período está em níveis “nunca vistos na história”.

Texto: Luciano Costa
Edição: Karine Sena e Stéfanie Rigamonti
Imagem: Mover


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