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Entrevista exclusiva: Cenário do governo é ampliar Bolsa Família, não estender auxílio, diz Barros

Postado por: TC Mover em 02/02/2021 às 17:23
Barros - governo

Brasília, 2 de fevereiro – O governo conseguiu eleger os candidatos que apoiava para presidir a Câmara, com Arthur Lira (PP-AL), e o Senado, com Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Entre os deputados, Lira obteve 302 votos em uma das eleições mais disputadas dos últimos tempos. Porém, os partidos de centro que apoiavam seu oponente Baleia Rossi (MDB-SP) votaram em massa em Lira, apontando que pode haver uma reunificação destas legendas centristas no período seguinte.

Será que agora o ajuste fiscal, os gatilhos do Teto de Gastos e as esperadas reformas, sobretudo as que conseguiriam conter o crescimento das despesas, serão aprovadas pelo Congresso?

Em entrevista exclusiva ao analista político da TC Mover, Leopoldo Vieira, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) disse que o cenário atual é de ampliar o Bolsa Família, e não de estender o auxílio emergencial. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

TC Mover – Líder, eleito Arthur Lira, na Câmara, e Rodrigo Pacheco, no Senado, quais serão as prioridades do governo neste primeiro semestre?

Ricardo Barros
– As prioridades são instalar a Comissão da Reforma Administrativa, ver se publicamos o relatório da Reforma Tributária para iniciar os debates aqui na Casa. Aguardamos do Senado o Pacto Federativo, PEC Emergencial. Privatizações e autonomia do Banco Central, são as matérias prioritárias que nós devemos enfrentar já no início dos trabalhos.

TC Mover – O senhor acha possível aprovar o projeto de privatização da Eletrobrás em 2021?

Barros
– Precisa haver um acordo que preserve os investimentos em regiões mais difíceis como o Norte, por exemplo. O Nordeste e o Norte têm déficit muito grande de linhas de transmissão, que são caríssimas porque estão sobre florestas muito longas. Então acho que não teriam dificuldade a privatização da Eletrobras desde que asseguradas as proteções necessárias.

TC Mover – O Orçamento tem gordura para ser cortada e acomodar um novo auxílio emergencial? Esse é o cenário em análise?

Barros
– Não, o cenário em análise é a ampliação do Bolsa Família. Não podemos mais socorrer pessoas porque tínhamos famílias com 4, 5 recebendo auxílio. É preciso socorrer famílias, então eu penso que, sim, votar o Orçamento é fundamental, é uma das matérias importantes do Congresso, não da Câmara. Mas votar o Orçamento e dentro do Orçamento encontrar um espaço para ampliar o Bolsa Família e atender mais brasileiros.

TC Mover – Líder, haverá reforma ministerial após essas eleições no Congresso. Quais mudanças o senhor gostaria ou poderia antecipar para o investidor?

Barros
– Não vejo ambiente para reforma ministerial. Eu penso que haverá o deslocamento do ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania) para a Secretaria-Geral da Presidência.

TC Mover – Deputado, como o senhor vê o papel de Rodrigo Maia após essa derrota para o comando da Câmara. As reformas podem ser prejudicadas pelo bloco derrotado?

Barros
– Não. Não vejo isso. O Democratas já está alinhado com o governo. O MDB também está alinhado com o governo e o PSDB é um partido que não será base do governo, mas tem compromisso com as reformas. Compromisso programático, então votará reformas conosco. Não vejo dificuldades na articulação para formação de maioria e votar as reformas que o Brasil precisa.

TC Mover – Como o senhor avalia o papel do centro para além das legendas que já compõe a base aliada? Pode haver uma reunificação do centro em torno da agenda econômica?

Barros
– Com certeza. Eu coordeno reunião de líderes da base do governo e todos os partidos participam desses debates onde nós alinhamos as matérias que serão votadas em cada semana. Eu não vejo que isso vá mudar. Não tenho nenhuma expectativa que qualquer dos partidos, o Democratas, o PSDB ou o MDB, deixem de participar das reuniões de líderes.

TC Mover – Nós sabemos que há uma série de iniciativas urgentes fora da agenda econômica. Quais são elas em sua visão e quais as iniciativas urgentes da agenda econômica?

Barros
– A agenda econômica é a autonomia do Banco Central, agora, em princípio, não é? Depois desindexação, descarimbar o dinheiro público, que é o Pacto Federativo, que está no Senado. E os gatilhos, que nós precisamos estabelecer para que as despesas públicas sejam contidas. Se nós não contivermos as despesas, não vamos conseguir manter o teto de gastos.

TC Mover – Como está a interlocução com o Judiciário? No que é que o governo está de olho? Pode ter algum problema por conta da Reforma Administrativa?

Barros
– O Judiciário tem feito o seu papel. Há uma harmonia institucional agora do presidente da República com o presidente do Supremo (Tribunal Federal) e o Procurador-Geral da República. Eu não vejo maiores questões. Obviamente, haverá um enfrentamento aos privilégios do Judiciário e nós esperamos que o Congresso tenha sucesso nisso.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Letícia Matsuura
Arte: TC Mover

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