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Entrevista exclusiva: Para Eurasia, pandemia dominará ritmo da agenda econômica

Postado por: TC Mover em 20/01/2021 às 15:00
Silvio Cascione - Eurasia

Brasília, 20 de janeiro – Os investidores iniciaram o ano temerosos com a sustentabilidade da dívida pública, o respeito ao Teto de Gastos e o andamento das reformas e privatizações. A pandemia adiou o ajuste fiscal e a pauta econômica para 2021, antessala da sucessão presidencial de 2022. Para Silvio Cascione, analista sênior da Eurasia Group, o Teto de Gastos deve ser preservado como âncora fiscal, e as reformas dependerão do quanto a pandemia dominará o assunto político. Confira a entrevista exclusiva que Cascione concedeu ao analista político da TC Mover Leopoldo Vieira.

 

TC Mover: A eleição da presidência da Câmara, presencial e em 1 de fevereiro, ajuda mais a candidatura de Arthur Lira ou de Baleia Rossi? Como ficam as reformas com Lira ou Rossi no poder?

 

Silvio Cascione: Lira é favorito porque conta com o apoio de muitos dissidentes na base do adversário. Rossi só conseguirá virar o jogo se conseguir conter essas dissidências. O Teto de Gastos deve ser preservado como âncora fiscal, independentemente do vencedor.

 

TC Mover: Há possibilidade ou não do processo de impeachment correr contra o presidente Jair Bolsonaro no Congresso, com com novo comando no Congresso?

 

Cascione: A probabilidade continua bastante baixa. Mais importante do que o nome do presidente da Câmara é a popularidade do presidente, e o mais provável é que, mesmo com a pandemia, ele mantenha uma base razoável de aprovação, num contexto bem polarizado.

 

TC Mover: Em relação ao auxílio emergencial, você enxerga a volta do benefício ou equivalente com riscos ao Teto de Gastos?

 

Cascione: O risco de o auxílio emergencial voltar existe, por causa da pandemia, com Lira ou com Rossi. Mas, para isso acontecer, a piora tem que ser muito severa. Mas, se isso ocorrer, será um auxílio mais curto, e possivelmente com valor menor.

 

TC Mover: Bolsonaro tem chance de se reeleger ou sua chance caiu? O bloco Maia e oposição pode estar unido em 2022?

 

Cascione: Bolsonaro segue competitivo para as eleições de 2022. Mas não chegará como franco favorito. Vai depender muito da velocidade de recuperação da economia. O bloco de Maia com a esquerda é apenas para a eleição da Câmara, não para 2022. Então o centro corre sério risco de ficar fora do segundo turno se não encontrar um nome capaz de conquistar votos tanto de ex-bolsonaristas quanto de esquerda.

 

TC Mover: Como que andarão as reformas e privatizações no Congresso em 2021? Qual o maior obstáculo para as privatizações?

 

Cascione: A eleição de Lira aumenta a chance de privatizações. A da Eletrobras tende a ser a prioridade. Mas, como todo o resto da agenda, vai depender muito de quanto a pandemia vai dominar as atenções. Se houver uma nova calamidade, o debate fica adiado por meses. E, ao longo do ano, depende de que o presidente não perca muita popularidade. Se ele fica mais impopular, mesmo que evite um impeachment, acaba numa posição mais vulnerável para negociar com o Congresso.

 

TC Mover: A onda de direita, antipolítica, está perdendo força. Isso pode ser o suficiente para recolocar a esquerda no poder? Qual sua visão?

Cascione
: Haverá alternância de poder em algum momento, só não sabemos em qual eleição. É improvável que seja logo em 2022, porque a esquerda tem tido dificuldades de superar a imagem negativa do PT. Mas, dependendo do perfil do candidato de esquerda, é possível que seja competitivo a ponto de derrotar Bolsonaro num segundo turno.

 

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Guillermo Parra-Bernal, João Pedro Malar e Letícia Matsuura
Foto: Exame / TC Mover

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