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Especial: Adiamento da Reforma do Imposto de Renda embute risco de sustentação política a Paulo Guedes

Postado por: TC Mover em 18/08/2021 às 12:34
Adiamento de reforma do imposto de renda

Brasília, 18 de agosto – O adiamento da votação da Reforma do Imposto de Renda para a semana que vem acende um alerta não apenas sobre a capacidade do governo em formar maiorias ágeis para aprovar matérias complexas − como quase todas daqui em diante −, mas, também, sobre a própria sustentação política do ministro da Economia, Paulo Guedes, e de sua agenda.

O revés do presidente da Câmara, Arthur Lira, que ventilava a ideia de que projeto de lei já tinha maioria antes do recesso parlamentar e defendia que a votação ocorresse na última terça-feira, 17, é evidente com o seguimento das polêmicas do Imposto de Renda contra sua manifesta vontade.

Há também o aumento do tom do Senado em resistência à proposta. No entanto, são as possibilidades de avanço da agenda de Paulo Guedes, não dos chefes do Congresso, que estão em jogo.

Adiamento da Reforma do Imposto de Renda pode impactar na retomada

Quanto mais inviável for ao Ministério da Economia caminhar com a pauta que idealizou, menos ela poderá impactar positivamente a retomada, o equilíbrio fiscal e a visão liberal como um diferencial do campo governista em 2022, como acredita o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros.

O fracasso das articulações fortalece a oposição. Seja ao centro, com candidaturas que poderão se valer dos tropeços de Paulo Guedes para se venderem como melhores propulsores do liberalismo na economia. Seja à esquerda, que, por ora, não faz concessões às reformas em curso, ao Teto de Gastos e às privatizações, além de ter no petista Luiz Inácio Lula da Silva o líder em pesquisas para 2022.

Consenso sobre Reforma Tributária será impossível, diz Arthur Lira

Na semana passada, Paulo Guedes disse que a Reforma do Imposto de Renda possuía sustentação política. O ministro da Economia também comentou que o substitutivo do relator, deputado Celso Sabino, era um texto equilibrado, justamente devido às críticas que recebia.

Em coletiva na última terça-feira, 17, antes da sessão, Arthur Lira sinalizou que o projeto ainda não havia conquistado maioria para ser votado. O presidente da Câmara apontou impasse na taxação de dividendos, e alertou que um consenso será impossível sobre a Reforma Tributária, argumentando em favor de votar o Imposto de Renda.

Seguidos adiamentos da Reforma do Imposto de Renda sobem juros

Com os seguidos adiamentos, subiram os juros longos e a bolsa acumula cerca de 10% de perda ante o nível recorde de junho. É possível que a reação negativa acabe sendo “muito barulho por nada”, após encontros previstos para esta quarta-feira, 18, entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Contudo, o fato é que as forças do sistema político, sobretudo do centro, poderão escolher diversos caminhos no próximo ano. Por isso, a possibilidade de ser formado um novo consenso nacional que rejeite o caminho da austeridade e a liderança do setor privado como as respostas a serem dadas pelo sistema político continua no radar.

Texto: Leopoldo Vieira e Machado da Costa
Edição: Karine Sena, Letícia Matsuura e Anderson Lima
Arte: Vinícius Martins / Mover


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