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Especial: Bolsonaro foca em Moraes e aguarda reação dos Poderes

Postado por: TC Mover em 07/09/2021 às 21:15
Reação dos Poderes a discursos de Bolsonaro no 7 de Setembro

Brasília, 7 de setembro – O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e não uma ruptura institucional, foi o principal alvo dos discursos que o presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira, 7, na capital federal e em São Paulo.

Em manifestações consideradas numerosas, porém pacíficas, o presidente afirmou que ele e seus apoiadores não admitirão que “pessoas como Alexandre de Moraes açoitem a democracia e desrespeitem a Constituição”. Com isso, o chefe do Executivo deu a entender que teme as ações de Moraes no comando do controverso inquérito das Fake News e quando o ministro assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, no ano que vem.

Mais cedo, em rede social, o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, deixou claro o endereçamento. O parlamentar disse que “não tem absolutamente nada a ver com ataque a STF ou Congresso” e “que os 10 do STF possam resolver internamente o único desestabilizador da democracia no momento”.

Todavia o ponto alto da fala presidencial realizada na Avenida Paulista foi Bolsonaro dizer que não respeitará decisões de Moraes, sugerindo que pode passar a desobedecer comandos judiciais.

Manifestações trouxeram um “bônus” ao presidente

Agora a tendência é que recaia sobre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, uma pressão para neutralizar Moraes no sentido que Bolsonaro classifica como jogo fora das “quatro linhas da Constituição”. Isso porque o Senado é a Casa parlamentar com prerrogativa de retirar um membro da Corte de seu cargo.

Na prática, o noticiário, ao alarmar acerca de um possível “golpe” de Bolsonaro, com base nas manifestações desta terça, permitiu um bônus ao presidente. Isto é, manter o tom observado em declarações anteriores, mas aparentar uma redução dele, com a não confirmação de tumultos e violência nos atos.

Assim, as manifestações governistas no Dia da Independência funcionaram em dois sentidos. Primeiro, demarcar um ato pré-eleitoral. Segundo, tentar melhorar a posição de Bolsonaro na negociação entre os Poderes e para 2022.

Atenção à reação dos Poderes

Ainda hoje e ao longo da semana será preciso ver reações cruciais do presidente do STF, Luiz Fux, de quem depende uma solução judicial aos precatórios. Além de Rodrigo Pacheco, de quem depende a conclusão da pauta econômica neste ano. E do presidente da Câmara, Arthur Lira, que tem na mesa cerca de 100 pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Entretanto vemos pouca chance de deposição do governo, de trancamento do diálogo institucional e de os Poderes seguirem um caminho de irresponsabilidade fiscal. Já as reformas seguirão sob a regência da oportunidade política de Pacheco e Lira.

A bola agora está com os chefes do Legislativo e do Judiciário, que terão que escolher entre acolher Moraes da ofensiva presidencial, tomando medidas para conter Bolsonaro, ou dar tempo para mais uma acomodação negociada.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Felipe Corleta e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinicius Martins / Mover

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