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Especial: Bolsonaro não está levando o país à desordem institucional, diz ex-presidente Cardoso

Postado por: TC Mover em 15/03/2021 às 19:37
Fernando Henrique Cardoso

São Paulo, 15 de março – Apesar do presidente Jair Bolsonaro não transmitir a confiança e a liderança que o país precisa neste momento, ele não está levando o Brasil a uma “desordem institucional”, e não existe “razão objetiva” para pedir seu impeachment, disse hoje o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Anulação de acusações de Lula precipitou definição de candidaturas, disse Cardoso

Em entrevista exclusiva à TC Rádio, Cardoso disse que a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato, que aconteceu na semana passada de forma inesperada, criou um fator precipitador na definição das possíveis candidaturas para a eleição presidencial do ano que vem.

Para Cardoso, Lula sugeriu, em discurso após a anulação do seu processo, que será candidato à Presidência e que, por conta disso, seu nome “terá força” no pleito.


Ex-presidente se opõe a impeachment de Bolsonaro no momento

Por meses um ácido crítico de Bolsonaro, Cardoso tentou amenizar seus comentários em relação ao governo atual dizendo que “não se ouve falar de roubalheira” desde que o ex-capitão assumiu a presidência, mas atribui parte da conjuntura negativa à falta de condução política.

Em relação a opositores e antigos aliados pedirem o impeachment de Bolsonaro, Cardoso disse que “é preciso ter um pouco de paciência histórica. Acho que um impeachment não cabe, não há uma razão objetiva que leve a isso, não é bom para o país. É bom mantermos a paciência e o governo vigente”. No entanto, ele disse que Bolsonaro não parece “bem sentado naquela cadeira”, e que “o presidente deve ser o animador da nação, tem que mostrar que ele sabe o que está fazendo”.

Cardoso admitiu ser cauteloso nas críticas ao presidente por não caber a ele esse papel. Convidado de honra do dia de estreia da TC Rádio, o ex-presidente disse que não votaria em Bolsonaro. Ele eximiu o Congresso de responsabilidade pela crise política do momento, e disse que “no começo e no fim é o verbo, se você não expressa sentimento não consegue mandar” – se referindo à necessidade de os políticos comunicarem-se com o povo. “O país é grande, diverso, muito pobre e complexo, e o comando do presidente se repercute em tudo”, apontou.


Cardoso avalia que falta de privatizações não é alarmante

Em relação à economia, Cardoso disse que os sinais de aceleração da inflação são preocupantes e que a falta de privatizações – uma das críticas à gestão de Bolsonaro – não é alarmante. “É difícil privatizar”, disse, admitindo que ele somente vendeu ativos estatais nos seus oito anos de mandato obrigado pela grave situação fiscal da época.

“Na situação atual do Brasil o governo prometeu muitas privatizações e fez pouco. Há muita instabilidade política e estamos com muito medo ainda do solavanco. Em realidade, o importante é a concorrência. O mal da estatização é a falta da competição … o governo tem que favorecer a competição, e para fazer isso precisa privatizar”, afirmou Cardoso.

Em relação à bolsa, ele disse que “é natural das bolsas subirem e baixarem”, mas que “o importante é que elas funcionem”. Além disso, Cardoso acrescentou que “quanto mais pessoas puderem ter acesso à ação e ter confiança nelas, é melhor”.

Texto: Gabriel Medina e Mariana Galvão
Colaboração: Karine Sena e Felipe Corleta
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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