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Especial: Bolsonaro pediu a senadores para seguir vontade de Guedes com PEC, diz fonte

Postado por: TC Mover em 03/03/2021 às 21:21
Guedes e Bolsonaro - yields

São Paulo, 3 de março – Quando parlamentares e membros do governo davam por certa a retirada do Bolsa Família do Teto de Gastos na apresentação da Proposta de Emenda à Constituição Emergencial, PEC Emergencial, o presidente Jair Bolsonaro se viu obrigado a ceder à pressão do ministro da Economia Paulo Guedes e membros da sua equipe para não endossar a inciativa, disse uma fonte à TC Mover.


Bolsonaro mudou de opinião após visita de Guedes, disse fonte

Bolsonaro, que aparentemente já tinha cedido à articulação de senadores aliados e inclusive alguns ministros a favor da iniciativa, mudou de opinião após receber Guedes em visita no início da tarde, disse a fonte, que pediu anonimato para falar sobre o assunto. Os senadores envolvidos no plano, incluindo o líder do governo na Casa, Fernando Bezerra, foram notificados pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, da mudança de ideia de Bolsonaro, disse a fonte.

Guedes tinha sido alertado que alguns membros da sua equipe pediriam demissão se o plano de tirar o Bolsa Família do Teto fosse apresentado ou endossado pelo relator da pauta, o senador Márcio Bittar. O temor causado por mais tensões políticas e a apresentação da iniciativa derrubavam a bolsa mais de 3,5% e puxavam juros futuros e dólar para cima até o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmar, por volta das 17h00, que o Congresso Nacional não criaria nova exceção no Teto.


Ibovespa suavizou queda na última hora

O Ibovespa adicionou mais de 3 mil pontos em oito minutos, fechando em queda de 0,32%. O dólar reverteu curso e cedeu 1,12%, após a fala de Lira. Lira deu a declaração ao lado de Ramos, e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros. Antes, eles haviam se reunido com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e líderes partidários no Senado, de acordo com informações do site G1. “A explicação de Guedes sobre o impacto no câmbio, juros e inflação de fazer uma coisa dessas, além da reação do mercado, fez o presidente cair na real”, disse a fonte.

A situação mostra a fragilidade do apoio à política de Guedes de contenção de gastos. Contribuidores do TC e gestores disseram que, apesar da vitória de Guedes, há crescentes dúvidas quanto à sua capacidade de convencer Bolsonaro a manter sob controle as finanças públicas, especialmente se a economia continuar perdendo ímpeto ou a popularidade do presidente voltar a cair. O Ministério da Economia e o Palácio do Planalto não comentaram as informações.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Angelo Pavini e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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