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Especial: Brasil busca US$1 bilhão dos EUA para desmatamento, diz ministro Ricardo Salles

Postado por: TC Mover em 05/04/2021 às 18:06
Ricardo Salles

São Paulo, 5 de abril – Com a obtenção de US$1 bilhão por parte dos Estados Unidos, o Brasil conseguiria acelerar o combate ao desmatamento da Amazônia, disse o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O montante representa apenas 5% do que o presidente americano Joe Biden prometeu que destinaria às pautas de mudança climática.


Proposta será apresentada para o governo de Joe Biden em abril, segundo ministro

Em entrevista exclusiva à TC Radio, o ministro Ricardo Salles disse que o plano será apresentado no encontro que Joe Biden deve realizar com 40 líderes mundiais para debater a pauta climática, marcada para 22 de abril e 23 de abril.

“Estamos propondo US$1 bilhão, 5% do que Joe Biden citou em sua campanha que levantaria para a Amazônia, com dois terços para a parte de serviço econômico e como fonte de renda que não dependa de atividades ilegais, e um terço para fiscalização”, disse o ministro.

De acordo com o ministro Ricardo Salles, Joe Biden chamou o governo brasileiro para ajudar no combate às mudanças climáticas. O Brasil é responsável apenas por 3% das emissões de gases que causam efeito estufa.

Como contrapartida, o ministro Ricardo Salles disse que é necessário envolver os Estados Unidos – o segundo maior emissor de poluição do mundo, após a China – no combate ao desmatamento e na melhora das condições de vida na Amazônia. “Não somos os vilões das emissões, temos agricultura de baixo carbono, energia renovável, temos biomassa”, defendeu.


Ricardo Salles defendeu tese de que pauta ambiental foi inflada para atacar presidente

O ministro, que um ano atrás foi objeto de ataques por dizer que era hora de acelerar a mudança nas leis ambientais sem requerer a participação do Congresso, continuou defendendo sua tese de que a pauta ambiental foi inflamada para atacar o presidente Jair Bolsonaro. “Califórnia, África queimaram muito, mas só se falou de Amazônia e Pantanal. Mas também pararam de falar porque não estamos em período de seca, de queimadas”, disse na entrevista.

Segundo ele, entre 2006 e 2017, o Brasil reduziu 7,8 bilhões de toneladas de gás carbônico e não recebeu nada por isso. Usando os valores práticos no estado americano da Califórnia, de US$16 a tonelada, o Brasil teria um crédito a receber de US$133 bilhões, se levado em conta o Artigo V do Acordo de Paris.

Em 2019, o consultor nas áreas de carbono e energia Shigueo Watanabe Junior, pesquisador do Instituto ClimaInfo, disse que esses créditos projetados pelo ministro Ricardo Salles não representam um valor que de fato o Brasil teria a receber.

O mercado de carbono foi criado algumas décadas atrás como forma de estabelecer mecanismos mitigadores do aquecimento global entre países e empresas. Esse mercado permite que países e organizações emissoras de gás carbônico possam vender títulos, atrelados a créditos de carbono. Entretanto, a venda ocorre caso não consigam atingir suas metas de redução de emissões.


Combate ao desmatamento deve envolver desenvolvimento social, disse Ricardo Salles

O ministro Ricardo Salles reiterou que combater problemas ambientais na Amazônia sem resolver as condições de vida da população “é um convite à ilegalidade”. Para ele, o objetivo das políticas tem que ser o de deixar essas comunidades menos suscetíveis de serem cooptadas para atividades ilegais.

Por isso, o ministro defende que a estratégia deve ser dividida em duas frentes: a de combate ao desmatamento em fiscalização e a de políticas sustentáveis que envolvam desenvolvimento social para a região da Amazônia.


Ministro do Meio Ambiente elogiou ações do setor de proteína animal

O ministro elogiou o trabalho do setor de proteína animal nos temas de rastreabilidade do gado, de transparência em relação ao desmatamento e de índice de respeito às normas ambientais. Esse índice de respeito é “bastante elevado e isso deve ser enaltecido”, disse Ricardo Salles.

No entanto, um estudo realizado pela Chain Reaction Research no ano passado indicou relação alta entre imagens de incêndios e a localização de grandes frigoríficos, como JBS e Marfrig, e grandes silos de soja, controlados por gigantes como Bunge e Cargill, no Cerrado e na Amazônia brasileiras.


Para Ricardo Salles, regulação fundiária da Amazônia deve ser feita de forma rápida

“Desrespeitos pontuais devem ser punidos, mas isso não serve de desculpa para demonizar uma cadeia produtiva que faz um belo trabalho no Brasil”, disse o ministro Ricardo Salles. Ele alega que o desmatamento já foi quase três vezes maior em 2004, 2005 e 2006.

Ele também disse que a mídia demoniza a regulação fundiária da Amazônia. Além disso, defendeu fazer a regulação de forma mais rápida. Para o ministro, a regulação fundiária faz sentido porque não cabe ao Estado brasileiro ser dono de terras.

“Temos 15% da Amazônia como unidades de conservação federais, além disso tem percentuais grandes estaduais e de terras indígenas”, apontou o ministro Ricardo Salles.

Texto: Karine Sena e Vinícius Custódio
Colaboração: Leonardo Levatti
Edição: Guillermo Parra-Bernal, João Pedro Malar e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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