Eleições de 2022 e oportunidades de agenda dos candidatos - TC
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Especial: Confira os candidatos da eleição de 2022 e as oportunidades de suas agendas

Postado por: TC Mover em 03/09/2021 às 15:53
Candidatos da eleição de 2022

Brasília, 3 de setembro – O resultado da eleição de 2022, apesar do processo poder ser turbulento para a bolsa, pode oferecer diversas oportunidades de investimentos, e elas estão presentes nas propostas das principais forças políticas que se apresentam para disputar a presidência da República.

A possível reeleição do presidente Jair Bolsonaro, mantido o rumo impresso na pauta econômica pelo ministro Paulo Guedes, favorecerá um ambiente de continuidade de reformas, privatizações e novos marcos regulatórios pró-mercado.

Os juros, o câmbio e o risco fiscal tenderiam a cair. Combinado com isso, deve crescer a agenda social impulsionada pelo Auxílio Brasil e maior investimento público em obras a partir de maior espaço no Teto de Gastos. Isso seria possível devido aos ganhos na arrecadação e pela inflação na atual gestão federal.

Jair Bolsonaro tenta mobilizar eleitorado para a eleição de 2022

Para ter chances de vencer a disputa, Jair Bolsonaro alterna momentos de maior ou menor tensão institucional. Ele faz isso para mobilizar seu eleitorado fiel e chegar ao segundo turno. Enquanto isso, aumenta sua aliança ao centro, preservando apoio ao ministro da Economia e ampliando o poder do bloco conhecido como Centrão.

Com predomínio do centro político, seja governista ou da chamada terceira via, o Parlamento já dá sinais de que não será mais permissivo com o progresso da pauta econômica ao mesmo tempo em que o presidente sustenta ruídos altos para proteger um piso mínimo de competitividade.

Terceira via depende de prévias do PSDB, dizem analistas

A terceira via ainda patina para ser competitiva, mas isso passará, segundo analistas, pelas prévias do PSDB em novembro. O principal desafio dos tucanos será unificar a legenda em torno de um nome. Até o momento, isso não foi alcançado em disputas anteriores, seja ele o do governador paulista, João Dória, ou do gaúcho, Eduardo Leite. Em seguida, será testada a capacidade do PSDB de reconquistar o eleitorado de centro-direita perdido para Bolsonaro em 2018.

Conseguindo êxito, uma terceira via de orientação liberal, capaz de vencer a eleição de 2022 e, por isso, impor um ambiente de pacificação, atenderia às maiores preocupações do mercado com a orientação da economia. O problema é ultrapassar Jair Bolsonaro e ir ao segundo turno. Mesmo a pandemia não foi capaz de derrubar a aprovação dele abaixo de 20%.

Focado em gasto público, programa de Lula pode potencializar consumo

Favorito nas pesquisas neste momento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva constrói alianças no centro partidário discretamente, sobretudo no Nordeste. No entanto, até aqui, não sinaliza que irá repetir uma “Carta aos Brasileiros” para tranquilizar o investidor, como em 2002. Todavia, seu programa com foco em gasto público pode trazer benefícios também para setores como indústria, habitação, comércio e serviços, além de potencializar o consumo.

Resta saber se em Lula prevalecerá um perfil mais próximo ao seu primeiro governo ou uma versão que incorpore, para além de discursos de campanha, as visões econômicas das gestões Dilma Rousseff, o que traria maus presságios aos índices da bolsa.

Eleição de 2022 deve trazer disputa pelo equilíbrio e responsabilidade fiscal

O aumento do custo de vida, causado pela inflação e reflexo provável da crise hídrica, o desemprego elevado, a projeção de baixo crescimento da economia em 2022, o isolamento do presidente Bolsonaro em seu eleitorado fiel nas pesquisas e os conflitos recentes com Poderes e agentes econômicos de peso se apresentam como os grandes problemas para tentativa de reeleição e para a negociação atual da pauta econômica.

A possibilidade de que a austeridade seja substituída por uma agenda de mais gastos públicos cresce a cada dia. Isso ocorre, seja por escolhas do governo e do Congresso, seja pelos cenários até aqui traçados para a eleição de 2022 em pesquisas.

O que parece estar em disputa realmente é o lugar do equilíbrio e da responsabilidade fiscal dentro de uma eventual virada. No entanto, o avanço da atual pauta econômica contribuirá com um “legado liberal possível” para o presidente reeleito ou o eleito no próximo ano como ponto de retomada ou entrave a uma excessiva tentação estatista.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Guillermo Parra-Bernal, Anderson Lima e Letícia Matsuura
Arte: Mover

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