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Especial: Entenda porque Arthur Lira e Centrão se colocam como entraves ao aumento de gastos

Postado por: TC Mover em 14/04/2021 às 19:23

Brasília, 14 de abril – O presidente da Câmara, Arthur Lira, rechaçou a possibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição, PEC, para tirar do Teto de Gastos novas despesas com a pandemia, como solução ao Orçamento de 2021, segundo apuração da TC Mover sobre reunião nesta terça-feira no Palácio Planalto.

 

Arthur Lira já havia indicado visão do Centrão após aprovação da autonomia do Banco Central

Estiveram presentes no encontro o presidente Jair Bolsonaro, os ministros Paulo Guedes, da Economia, Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, e Flavia Arruda, da Secretaria de Governo.

A pergunta que vale um montante de recursos capaz de furar o Teto de Gastos é: por que, por meio de Arthur Lira, o bloco conhecido como Centrão, que sempre foi acusado de trocar apoio político por cargos em governos, coloca-se como entrave para a mal-falada “PEC fura-Teto”?

A resposta foi antecipada pelo próprio deputado, em seguida à aprovação do projeto de autonomia do Banco Central. À época, postou no Twitter que “muito se especulou que a eleição das novas mesas do Congresso significariam o triunfo da politicagem em sua pior acepção”. Mas, segundo ele, “a realidade está mostrando o contrário”.

 

Bloco político busca mostrar ao mercado que pode aprovar agenda de reformas

Antes e depois de sua vitória na disputa pela presidência da Câmara, Arthur Lira também buscou encontros com empresários e investidores. O objetivo era fortalecer seu compromisso com a agenda econômica e fiscal esperada pelo mercado.

Foi outro expoente do Centrão, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, quem deixou claro, em entrevista exclusiva à TC Mover, que a agenda liberal é vista como um diferencial na sucessão presidencial contra uma possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ou seja, Arthur Lira e o Centrão buscam mostrar ao mercado que são um caminho seguro para levar adiante a agenda de reformas. Com isso, fariam parte também de uma aliança para reeleger Jair Bolsonaro em 2022.

 

Sinais sugerem que Arthur Lira assumiu responsabilidade para resolver o Orçamento

Surgido o impasse em torno do Orçamento de 2021, as consultorias do Senado e da Câmara divulgaram notas negando risco de Jair Bolsonaro cometer crime fiscal. Um gesto que sugere que o Congresso e, sobretudo, o presidente da Câmara chamaram para si a responsabilidade política para resolver o Orçamento.

Afinal, quem julgará a questão, se ela vier a surgir, é o Parlamento. “O Orçamento é crucial e será tratado por mim e pela Câmara com responsabilidade”, escreveu Arthur Lira também nesta terça-feira. Contemplando suas bases, superando a busca de culpados pelos erros do texto orçamentário e acelerando a vacinação, acreditam que a busca do equilíbrio fiscal poderá ser feita mais velozmente.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Bárbara Leite e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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