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Especial: Mudança ministerial favorece alinhamento entre Paulo Guedes e Lira

Postado por: TC Mover em 29/03/2021 às 19:37

Brasília e São Paulo, 29 de março – O aprofundamento do conflito entre a ala ideológica do governo e o bloco conhecido como Centrão, que busca alinhar o presidente Jair Bolsonaro com um figurino pragmático e eleitoralmente viável em 2022, abriu espaço para uma reforma ministerial que fortalece o ministro da Economia, Paulo Guedes. É o que apontam fontes da TC Mover com conhecimento direto no assunto.


Seis substituições em um dia

As trocas iniciaram nesta tarde com a saída do chanceler Ernesto Araújo. Então, seguiram as substituições na Casa Civil e no Ministério da Defesa, além de na Advocacia-Geral da União. As mudanças indicam um processo em que todos os auxiliares que em algum momento disputaram posições com Guedes poderão deixar seus cargos. Além destas pastas, também houve troca no Ministério da Justiça e Segurança Pública e na Secretaria de Governo da Previdência da República.


Braga Netto assumirá Ministério da Defesa

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, por exemplo, foi o pivô do escândalo da compra de leite condensado para consumo das Forças Armadas. Também é cogitado que o próprio ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, desafeto de Guedes e chamado por ele de ministro fura-teto, venha a ser alvo de exoneração.

Indo para a Defesa, o general Walter Souza Braga Netto, até então na Casa Civil, deixará de disputar com Guedes a condução das reações do governo às crises sanitária e econômica. Como quando o militar defendeu um programa de recuperação econômica considerado gastador, a exemplo de experimentos petistas malsucedidos.

A deputada federal Flavia Arruda, ligada ao presidente da Câmara Arthur Lira, cujo viés é parecido, vai assumir o lugar do general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira na Secretaria do Governo. Ramos vai mudar de sala no Palácio do Planalto e se instalar no antigo gabinete de Braga Netto.

No Itamaraty, o embaixador Carlos Alberto Franco França passará a comandar o Ministério das Relações Exteriores. E, enfim, o novo líder da Advocacia-Geral da União será André Luiz de Almeida Mendonça, que era ministro da Justiça. Este Ministério passa a ser dirigido pelo delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres.


Reforma ministerial aconteceu com aval dos presidentes do Congresso, dizem fontes

A reforma ministerial, segundo as fontes, não aconteceu sem o carimbo dos atuais presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, ainda em suas campanhas de eleição. O entendimento foi que os dois novos homens-fortes do Congresso participariam das indicações. Ou, ao menos, não seriam pegos de surpresa com as mudanças.

Além das mudanças já anunciadas, há ainda uma crise sem solução em torno da aprovação do Orçamento de 2021. O ministro Rogério Marinho, junto dos senadores Márcio Bittar, relator do orçamento, Davi Alcolumbre e Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, articularam para inflar emendas. Assim, driblariam o Teto de Gastos. Segundo uma pessoa que trabalha na interlocução entre Planalto e Câmara, Marinho entrou na lista negra do Centrão, na qual já constava um outro nome: Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Assim, é esperado que esta reforma não venha a fortalecer a ala ideológica e muito menos arroubos populistas de Bolsonaro. Será concebida, isto sim, como a crescente consolidação da concertação para governar o país na travessia até 2022 entre o Centrão, Guedes e figuras-chaves da confiança presidencial.

De modo geral, a mudança deve fortalecer o pragmatismo político de Bolsonaro e da gestão. O equilíbrio fiscal, apesar da pandemia, e a governabilidade dos projetos do Executivo também devem ser beneficiados.

Texto: Leopoldo Vieira e Machado da Costa
Edição: Angelo Pavini e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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