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Especial: Primeiro desafio de Ciro Nogueira na Casa Civil é preservar sua autonomia

Postado por: TC Mover em 28/07/2021 às 19:40
Ciro Nogueira na Casa Civil

Brasília, 28 de julho – O primeiro desafio do novo chefe da Casa Civil do governo, Ciro Nogueira, será garantir sua própria autonomia para firmar acordos que considera necessários com o Congresso Nacional. O embate pode colocá-lo em uma posição antagônica à ala ideológica do governo e, até mesmo, aos militares.

Os arranjos desejados por Ciro Nogueira e pelo Centrão visam preservar o mandato do presidente Jair Bolsonaro e sua possível reeleição. Além disso, a criação de um novo Bolsa Família e a aprovação de reformas estruturantes também estão na mira. Não necessariamente nesta ordem de importância.

Ciro Nogueira deve reorganizar equipes e agenda do governo

Com o presidente degastado nas pesquisas, é improvável que Ciro Nogueira não tenha pedido plenos poderes para reorganizar a tropa e a agenda do governo. Na prática, não é possível ser o responsável pela relação com o Parlamento sem poder efetivo sobre nomeações, emendas parlamentares e até para tratativas com setores econômicos. Um chefe da Casa Civil sem isso corresponde a mero mensageiro.

O Centrão, por sua vez, não tem o costume de acompanhar gestões impopulares até a forca da opinião pública, sobretudo, quando é ignorado após sugerir correções de rota. Assim, um embarque total do bloco pressupõe a tomada de algum comando sobre os processos políticos, mesmo que não haja uma garantia de fidelidade eleitoral plena.

Resistência da ala ideológica de Jair Bolsonaro pode virar um problema

Já está mais claro que um dos problemas de Ciro Nogueira deverá ser a resistência da ala ideológica do governo, autora do discurso do candidato Jair Bolsonaro contra o sistema político em 2018. Este grupo calcula que o presidente pode perder pontos entre seus apoiadores, ficando ainda mais vulnerável caso a união com o Centrão desande.

Por outro lado, há os militares, que conquistaram a coordenação de governo, o comando da reação à pandemia e quase suplantaram o ministro da Economia, Paulo Guedes, no começo da crise da Covid-19. Eles saem chamuscados da aventura política e perdem poder e prestígio junto ao governo.

Com Nogueira e o presidente da Câmara, Arthur Lira, Bolsonaro não deve sofrer impeachment, mas as entregas esperadas por Guedes e sua equipe dependerão também da autonomia exercida pelo novo chefe da Casa Civil e do seu necessário embarque na pauta econômica.

Texto: Leopoldo Vieira
Edição: Machado da Costa, Gabriela Guedes e Letícia Matsuura
Imagem: Divulgação

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