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Arthur Lira critica bravatas e excessos, mas não cita impeachment ou Bolsonaro

Postado por: TC Mover em 08/09/2021 às 15:24
Arthur Lira não cita impeachment

Rio de Janeiro, 8 de setembro – O presidente da Câmara, Arthur Lira, se pronunciou nesta quarta-feira, 8, sobre as manifestações do Dia da Independência e afirmou que não há “espaço para atos radicais e excessos”. Mas o parlamentar não citou o nome do presidente Jair Bolsonaro ou as falas do chefe do Executivo sobre o Supremo Tribunal Federal.

Com uma hora de atraso no pronunciamento, que dá o tom do clima tenso em Brasília, Lira não falou sobre o impeachment do chefe do Executivo. Mas criticou o que chamou de “eterno palanque”, que afeta a atividade econômica do país. E reiterou que é hora de dar “um basta a essa escalada de looping negativo”.

“Está na hora de dar um basta a essa escalada em um infinito looping negativo. Bravatas em redes sociais, vídeos em um eterno palanque deixaram de ser elementos virtuais e passaram a impactar o dia a dia do ‘Brasil de verdade’. Uma crise que, infelizmente, é superdimensionada nas redes sociais, que apesar de amplificar a democracia, estimula incitações e excessos”, ressaltou.

Arthur Lira defende urnas eletrônicas

O presidente da Câmara aproveitou o pronunciamento para voltar ao tema do voto impresso, uma das principais bandeiras de Bolsonaro. E reforçou que as eleições de 2022 se darão pelas urnas eletrônicas. Lira disse que “não pode admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas, como a do voto impresso”.

Ainda assim, o presidente da Câmara adotou um tom conciliador ao afirmar que a Casa mediará conflitos entre Poderes e que será um “motor de pacificação”. O deputado ainda pediu que os Poderes se concentrem, principalmente, no retorno aos trabalhos.

Mercado esperava fala de Lira

Arthur Lira foi duramente cobrado por aliados a se posicionar publicamente após Bolsonaro adotar um tom de ameaça contra o Supremo durante discursos em Brasília e São Paulo, na última terça, 7. O presidente da República disse que Moraes era “canalha”, e que não iria mais cumprir suas decisões judiciais, em uma referência ao inquérito das fake news conduzido pelo ministro.

Mais cedo, à CNN Brasil, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, que é inimigo declarado do presidente Bolsonaro, disse que a abertura de um processo de impeachment era “inevitável”. O parlamentar também afirmou que o ano legislativo do Executivo já tinha “acabado”.

As falas de Lira até chegaram a melhorar brevemente o humor da bolsa brasileira, que diminuiu levemente a queda para 2,47% em meio ao pronunciamento. Mas as paralisações de caminhoneiros em alguns estados do Sul pesam nos ativos locais. Por volta das 14h20, o Ibovespa caía para 2,80%, a 114.566 pontos, enquanto o dólar futuro também voltava a acelerar para 2,45%, a R$5,314.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Guilherme Dogo, Angelo Pavini e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinicius Martins / Mover


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