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Scoop Day: Paulo Guedes vê déficit zero em 2022 e acredita em solução para precatórios

Postado por: TC Mover em 03/09/2021 às 20:26
Paulo Guedes participa do Scoop day

São Paulo, 3 de setembro  – A política de contenção de gastos e a diminuição de gastos não recorrentes relacionados ao combate da pandemia do coronavírus devem levar o déficit primário do governo brasileiro a zerar no ano que vem. A informação foi dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista exclusiva no Scoop Day nesta sexta-feira, 3. Confira a

Paulo Guedes acredita que recuo do PIB no segundo trimestre seja uma “ligeira pausa”

Sobre o último resultado do Produto Interno Bruto, PIB, o ministro disse que “foi o trimestre mais trágico da pandemia no Brasil. Basicamente é uma ligeira pausa, foi de lado, caiu 0,05% e aí arredonda para 0,1%. Temos que ver os demais indicadores. Primeiros seis meses houve a criação de 1,5 milhão de novos empregos”.

Segundo Paulo Guedes, são 544 bilhões de investimentos acordados para os próximos 10 anos. “Os investimentos estão acontecendo, as expectativas podem ser afetadas, mas contratos já estabelecidos não”. Ele completou que “uma pausa em um trimestre é normal. É uma recuperação em V e ela vai se transformar em uma recuperação de crescimento sustentável”.

Com a pandemia, 38 milhões de “trabalhadores invisíveis” foram revelados, diz ministro da Economia

No Scoop Day, Paulo Guedes afirmou que foram descobertos 38 milhões de “trabalhadores invisíveis no mercado informal”. Somados aos 40 milhões de pessoas que trabalham na informalidade, há 46 milhões de brasileiros no mercado mercado informal e 20 milhões estão em programas sociais, disse. De acordo com ele, há 106 milhões de pessoas em idade de trabalho no Brasil.

“Estatísticas que mostravam desemprego ignoravam realidade que emergiu durante a pandemia, que foi a do emprego informal em massa, ou um desemprego disfarçado em massa. 40 milhões de brasileiros invisíveis que trabalham. Quando a pandemia bateu, esses guerreiros foram revelados. Agora com a vacina em massa avançando e eles voltando gradualmente ao trabalho deve haver aceleração dos empregos formal e informal”, disse.

“Esta foi a primeira recessão do Brasil que não destruiu empregos formais. Em 2016 de novo o PIB caiu, perdemos mais de 1 milhão de empregos, em 2021 criamos mais emprego do que perdemos durante a pandemia. O desempenho do Brasil foi vigoroso, foi recuperação em V. Os mesmos críticos que falam agora previram queda do PIB, os mesmos que duvidaram da volta em V, os mesmos que acham que não vamos crescer. Prefiro acreditar na economia e no vigor que ela tem exibido do que acreditar nos pessimistas de plantão”, afirmou o ministro.

Paulo Guedes prevê diminuição da dívida pública

“Houve um pessimismo muito grande, e é compreensível dada a tragédia que aconteceu no mundo. Nós saímos dos trilhos das reformas estruturantes e fomos para um combate direto à pandemia. Estamos cortando despesas de juros também, fizemos as privatizações, estamos desinvestindo, cortando gastos e todo mundo previu que a dividia iria para 100 do PIB previu errado. Esse ano a dívida já fechou em 81% e até o final do ano ela vem para baixo de 80%, quase onde estava quando começou a pandemia”, apontou.

“Há 40 anos a dívida em relação ao PIB está subindo todo ano. Havia uma falta de capacidade de controle nas despesas. Atacamos as despesas, os salários de funcionalismo que subiram 50% acima da inflação nos últimos 17 anos, tivemos que atacar os excessos de despesas. O último, que eu chamei de meteoro, veio do Judiciário. Como existe Teto para controlar excesso, quando vem algo de fora, como sentenças judiciais, sem entrar no mérito, porque é a justiça defendendo cidadão, isso se tornou imprevisível e inexequível para o orçamento. Estamos tentando via PEC, com iniciativa do próprio Judiciário que teve a bondade de nos ajudar”, afirmou Paulo Guedes.

“O nosso compromisso é cumprir o Teto de Gastos”, afirma ministro

“A Lei da Regra de Ouro não foi cumprida nos últimos seis anos porque uma coisa é o Teto de Gastos, outra é a regra. O Teto é para controlar o ritmo de expansão de gastos do governo. O teto impõe limites ao Executivo para não gastar demais, não fazer populismos e repetir erros do passado”, explicou.

“O nosso compromisso é cumprir o Teto de Gastos. Saímos do trilho na hora que a doença chegou e fomos apagar o incêndio imediatamente. Em meio a pandemia somos o único país do mundo que não parou com as reformas. Aprovamos o Banco Central independente, Marco Regulatório do Gás, Saneamento, Lei das Startups, Privatização de Eletrobras, Privatização de Correios, Reforma Tributária”, disse. As reformas seguem e os investimentos estão sendo feitos. Em um dia o setor privado comprometeu r$50 bilhões em investimento. Somos uma economia de mercado, fomos prisioneiros de uma mentalidade equivocada por décadas”, disse.

Paulo Guedes elogia presidente da Câmara

Em relação aos parlamentares, Paulo Guedes disse que “temos mantido conversas frequentes com todos eles”. Arthur Lira, presidente da Câmara, “está fazendo um brilhante trabalho, conduzindo os trabalhos com eficiência. O Senado dividiu as atenções, mas tenho certeza de que vai colaborar com as reformas. Vai haver lobby, da mesma forma que houve uma pressão enorme na Câmara, justamente de quem não pagava impostos e vai pagar. São os mais afluentes, os mais influentes também no Brasil, estão sempre em Brasília, políticos sempre visitam”, disse.

Prioridades: Desemprego, inflação e eleição de 2022

Paulo Guedes explicou que desemprego, inflação e eleição de 2022 são assuntos de prioridades, mas não saber dizer a ordem. “A inflação temos o BC independente para fazer esse controle. Preços da comida, de materiais de construção sobem no mundo inteiro e agora o desafio está lançado. De um lado o fiscal, estamos segurando firme as despesas e ao mesmo tempo a arrecadação aumenta, e o do outro o Banco Central”.

“Acredito que o pior da inflação estamos enfrentando agora esperamos que esse ano feche em torno dos 7% e que no final do ano que vem vai para 4% é o que estamos tentando. Há desafios como a crise hídrica. Falando para os empresários façam uma convocação dizendo olha vai subir o custo de energia, mas não adianta ficar chorando, vamos continuar trabalhando”, apontou.

Para Paulo Guedes, foi equívoco Senado derrubar programas de geração de emprego

“O Senado derrubou três programas de geração emprego muito importantes, um equívoco. Fizemos não só o auxílio emergencial como também mantivemos 11 milhões empregos via bem. Temos todos digitalizados. Mantivemos isso por mais de 1 ano. Pedimos a extensão do ‘Bem’ e o Senado derrubou, além disso queríamos criar 2 milhões de vagas para jovens entre 18 e 28 anos recebendo 550 reais durante 4 por dia nas empresas. Esse programa foi derrubado ontem no Senado lamentavelmente”, criticou Paulo Guedes. Segundo ele, a queixa dos parlamentares é que “os programas chegam em cima da hora. A mídia chama de pacotão trabalhista”.

“Temos que trabalhar pelo interesse do Brasil. Isso é um programa de qualificação profissional e isso está sendo negado para o jovem porque a própria mídia que não tem a menor vergonha de pedir desoneração da folha chama de pacotão trabalhista. Mesmo a esquerda no senado vai estar preocupada com o desemprego e vai querer permitir que os jovens participem de um programa de qualificação profissional. Isso não tem direita ou esquerda”, disse o ministro.

Auxílio emergencial depende do avanço da Covid-19, segundo Paulo Guedes

O auxílio emergencial “não está considerado, mas tudo depende da doença, quem dá o timing das reformas é a política. Mas, quem dá o timing do auxílio é a pandemia. Isso não é uma ferramenta de política, é uma ferramenta de proteção para população sob o ataque do vírus”, explicou.

Paulo Guedes ainda afirmou que “se a pandemia estiver branda não há razão para voltar o auxílio emergencial, mas não é o que estamos vendo no momento. O que vemos é que a segunda onda está sendo controlada com a vacinação em massa”.

Texto: Simone Kafruni, Bruna Narcizo e Machado da Costa
Edição: Guillermo Parra-Bernal, Gabriela Guedes, Karine Sena e Letícia Matsuura
Arte: Vinicius Martins / Mover


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