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Como analisar uma empresa do mercado financeiro?

18/11/2020 às 5:00

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Neste texto, vamos falar sobre como fazer a análise de uma empresa do mercado financeiro e como o TC Matrix pode te ajudar neste estudo.

Fazer a análise fundamentalista de uma ação é um tema importante na hora de começar a investir, pois a análise vai te ajudar a montar uma carteira de investimento com bons ativos, selecionando as melhores empresas para investir em 2021.

Se liga neste conteúdo bacana que preparamos para você, dividido nas seguintes partes:

  • Análise de empresa: tempo e dedicação
  • Como analisar uma empresa do mercado financeiro?
  • Análise da demonstração financeira
  • Avaliação

Boa leitura!

Análise de empresa: tempo e dedicação

Primeiro é importante deixar claro que analisar uma ação na Bolsa de valores demora um bocado. É preciso dedicar um tempo para pesquisar informações contábeis e ler relatórios de auditoria e balanço patrimonial, bem como fazer alguns cálculos do valor justo. Ou seja, é um processo trabalhoso. Agora, com o lançamento do TC Matrix, esta poderosa ferramenta facilitará e muito o trabalho do investidor em ações.

Vamos começar?

Quero que faça um exercício e se pergunte antes de comprar uma ação:  “Qual o objetivo desta empresa em minha carteira”? Antes de tudo, o ativo deve ter um objetivo na carteira, seja o recebimento de dividendos, crescimento ou exposição a um setor em específico.

Como analisar uma empresa do mercado financeiro?

Modelo de negócio

O primeiro passo na análise de uma ação do mercado financeiro é pensar no modelo de negócio e sua viabilidade. Ou seja, como a empresa gera caixa, ou melhor, como ganha dinheiro. Para isso, a dica é fazer uma pesquisa rápida no site de RI – Relações com Investidores, da companhia. É fácil fazer isso: digite no Google “RI + nome da empresa”.

No site de RI é preciso procurar entender como a organização está inserida em seu setor de atuação. Algumas empresas são bastante transparentes na divulgação das informações, o que gera uma sensação de confiança no processo de análise. É um ponto positivo na hora de escolher uma empresa do Bovespa.

Análise dos riscos

Ainda no site de RI, é interessante analisar a seção de riscos no formulário de referência, onde é relatado alguns fatores de risco que a empresa está exposta, mesmo que você julgue já conhecer o setor e as atividades da companhia. Há sempre as melhores empresas por setor para investir, e somente com uma análise aprofundada será possível encontrar tais companhias no mercado.

Análise da Governança

Atenção especial a este item! Afinal, mais importante do que os lucros, a análise da governança corporativa não deve limitar-se ao segmento de listagem da empresa. Primeiro é importante observar o quadro societário para saber quem são os sócios do negócio que pretende investir, em especial o acionista majoritário.

Uma outra dica importante neste tópico é verificar se a empresa realmente pratica a governança corporativa, pesquisando sobre acontecimentos recentes em jornais e sites especializados em mercado financeiro.

Análise da demonstração financeira

Demonstrações contábeis

E aí, está gostando do material? Bom, se a empresa que está analisando passar pelos filtros acima, saiba a próxima etapa irá exigir ainda mais dedicação e tempo.

Ao analisar as demonstrações contábeis de uma empresa da bolsa, o primeiro ponto que observamos é o relatório de auditoria: existem ressalvas? Se sim, qual a posição da administração? É uma ressalva recorrente? Faça um exercício e reflita sobre os números apresentados pela companhia.

Aqui vai uma dica de professor: tenho os dois pés atrás com as métricas “ajustadas”. Como contador/pesquisador, também analiso as escolhas contábeis feitas pela empresa na mensuração, reconhecimento e divulgação de determinados itens, como escolha entre custo x valor justo, ou possíveis lançamentos feitos de forma oportunista (em especial provisões x reversões). Se liga porque isso é importante na hora de analisar uma ação.

Análise dos ativos geradores de caixa

Percebe como a análise de uma ação na bolsa de valores é um processo minucioso? Bom, o importante é ter clareza na hora de montar a sua carteira, não é mesmo?

Após os processo de análise já descritos acima, caminhamos para o balanço patrimonial. O exercício aqui é avaliar como está evolução da posição financeira da companhia no decorrer do tempo, como variações no caixa, no PL, nas dívidas etc.

Além disso, é importante focar a atenção em quem são os ativos geradores de caixa da empresa, fazendo as seguintes perguntas:

É uma indústria? Alto imobilizado, necessidade de reinvestimento em maquinário e manutenção do existente. Risco de ociosidade etc.

É uma financeira? Qualidade da carteira de crédito, qual o perfil da carteira? está concentrada em PFs, PJs, algum setor específico? qual o perfil de risco que a empresa costuma assumir.

Presta serviços? Seu principal ativo não está no balanço, pois é a mente de seus funcionários. Nesse caso, deve-se focar nas políticas de RH praticadas pela empresa. Existe programa de remuneração baseado em ações? Retenção de talentos, reconhecimento dos funcionários? Eles também são sócios do negócio, reduzindo assim conflitos de interesse?

É uma Holding? Quem são as subsidiárias? Sua geração de caixa advém dos investimentos, logo, a avaliação também envolverá (pelo menos em parte) as empresas em que a holding investe

Análise da liquidez

Aqui temos outro indicador fundamental na hora de analisar uma empresa do mercado financeiro. Afinal, o quão confortável está a liquidez da empresa? Para fazer este estudo, usamos os índices de liquidez corrente, imediata e seca.

Outra questão é em relação ao grau de alavancagem (Dívida/PL) do ativo. Afinal, qual o prazo de pagamento? Atenção especial para o perfil da dívida, se em moeda estrangeira, está protegida por algum tipo de derivativo?

Percebe a importância de saber analisar uma ação em todos estes aspectos? Estuda e conheça mais sobre o mercado financeiro. Você é capaz!

Analisar o ROE, ROA e ROIC

Analisar a rentabilidade e lucratividade da empresa por meio do ROE, ROA e ROIC, além das margens, são essenciais para o investidor obter sucesso com sua carteira de ações. O exercício aqui, entretanto, é decompor estes indicadores.

Isto porque movimentos atípicos no mercado de capitais, nas taxas de juros, nos preços das commodities, economia global e outros eventos podem afastar qualquer indicador da “normalidade”. Sem contar que a empresa pode ainda estar na fase inicial de seus projetos e negócios.

Desse modo, retornos baixos não necessariamente indicam que o negócio é ruim. O investimento pode estar ainda em fase de desenvolvimento ou simplesmente a empresa está passando por mudanças internas.

Análise da concentração de clientes e fornecedores

Na DRE – Demonstração do Resultado do Exercício, costumamos atentar para a fonte de receita da empresa, se existe a concentração com algum cliente, como são os contratos de receita (reajustados pela inflação, indexados ao dólar, etc).

Além disso, é importante que o investidor observe o que é realmente relevante na formação dos custos e despesas da empresa, se for exportadora/importadora, como é sua política de hedge, por exemplo.

Distribuição dos lucros

Na DMPL – Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido, avaliamos como está a distribuição dos lucros. Se a empresa está em fase de expansão/recuperação, está retendo seus lucros de forma adequada. Já, se é uma empresa que paga mais dividendos, está pagando com caixa operacional, ou está vendendo seus ativos e contraindo dívidas?

Se liga aqui, pois essa parte da análise de uma empresa no mercado financeiro deve ser feita olhando tanto para a DMPL quanto para a DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa.

Avaliação

Passadas as análises acima, a segunda etapa é achar um intervalo de “valor justo”. Claro que o mais completo é o FCD – Fluxo de Caixa Descontado, mas vai demorar um pouco a sua modelagem. Se adequado, o uso de múltiplos já facilita bastante.

Finalmente a pergunta que todos gostam de saber: a ação está barata? O preço em tela é plausível? Bom, neste momento o foco deve estar na distância entre o preço de tela e o que consideramos o valor justo da ação.

De acordo com a teoria de Graham em “Security Analysis”, quanto maior essa distância, maior a margem para compensar – desde erros na modelagem, imprecisão, eventos macroeconômicos até a “má sorte”. Feito isso, acompanhe os negócios da empresa e a volatilidade comum do mercado.

Por fim, não se prenda a pensamentos fixos, como “essa ação não anda”. Como não anda? Os negócios estão paralisados? Não está vendendo nada? A empresa vai encerrar as atividades?

Lembre-se de que, por trás do preço em tela existe um negócio complexo que está em funcionamento, com funcionários, investimentos e desenvolvimento das atividades da companhia. O preço de uma ação é importantíssimo, mas ele é o resultado do “consenso” entre a oferta e a demanda do mercado naquele momento. Portanto, não seja refém de suas oscilações.

Arlindo Souza
Arlindo Souza
Coordenador de Conteúdo | Cursos no TradersClub
Contador, Mestre em Ciências Contábeis. Foi professor/pesquisador do departamento de contabilidade da UFRN e atuou em contabilidade de S.A. É investidor com base em análise fundamentalista.

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