TC School / Análise Fundamentalista

A empresa está cara? Aprenda como calcular o crescimento implícito no preço

07/12/2020 às 15:00

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Você já pode ter escutado “não compro essa ação, pois está muito cara” ou “há uma grande expectativa de crescimento da empresa para justificar o preço desta ação”. É evidente que um dos fatores que influenciam os preços das ações é o crescimento que o mercado espera que a companhia apresentará no decorrer do tempo.

Neste texto, nós vamos aprender como ter uma ideia do crescimento que está implícito no preço de uma ação, com exemplos práticos, analisamos as ações da WEGE3, MGLU3 e TAEE11.

Estude e conheça mais sobre o mercado financeiro com este estudo que preparamos para você, dividido nas seguintes partes:

  • Valor e crescimento
  • Uma proposta para medir o crescimento implícito no preço
  • Medindo o crescimento implícito de WEGE3, MGLU3 e TAEE11
  • Reflexões para os investidores

Boa leitura!

Valor e crescimento

Antes de iniciarmos o debate neste texto sobre crescimento implícito no preço de uma ação na Bolsa de valores, é importante e imprescindível que você tenha conhecimento de assuntos já abordados no TC School.

Primeiro, leia o texto como é estimado o valor intrínseco de uma ação na bolsa de valores. Em seguida, aprofunde seus conhecimentos entendendo o custo de capital (WACC). E, claro, entenda tudo sobre valuation para estimar taxas de crescimento. Por fim, dedique-se a estudar o modelo de fluxo de caixa descontado.

O valor de um ativo financeiro

O valor de um ativo é o valor presente de sua capacidade de geração de caixa no futuro, descontada por uma taxa que reflita os riscos associados a esse ativo. Nesse sentido, o valor justo de uma ação é o valor presente de seus fluxos de caixa futuros, descontados pelo seu custo de capital (WACC):

Se você já fez modelagem de alguma empresa, sabe que as variáveis mais sensíveis em uma avaliação são a taxa de desconto (WACC) e a taxa de crescimento dos fluxos de caixa. Qualquer alteração, por menor que seja nessas duas variáveis, vai influenciar bastante no valor.

Uma proposta para medir o crescimento implícito nos preços

Rearranjando o modelo acima, nós podemos mensurar o crescimento do período explícito que está embutido no preço, assumindo que o valor seja igual ao preço em tela, e que a taxa de crescimento no período explícito (agora “X”) satisfaça a relação abaixo:

Sem adentrar na matemática financeira, o que queremos descobrir acima é:

“Qual é a taxa X que os fluxos de caixa devem crescer para que se justifique o preço em tela no momento da avaliação?”

Resolvendo o modelo acima, nós temos uma ideia do crescimento que o mercado está esperando para determinada ação. Aqui, cabe a cada um avaliar se a empresa de fato possui capacidade (e espaço) para entregar este crescimento.

Análise das ações  WEGE3, MGLU3,e TAEE11

Medindo o crescimento implícito de WEGE3, MGLU3 e TAEE11

Agora vamos colocar em prática o nosso modelo de crescimento implícito. Para facilitar as coisas, estou deixando a planilha que utilizei nesse exemplo disponível para você fazer o download a estudar com mais calma.


Lembrando que estamos utilizando as empresas apenas para fins educacionais, não se tratando assim de recomendações de investimento.

Antes de avançarmos, utilizaremos as seguintes premissas para o nosso estudo:

  • Custo de capital (WACC) de 10%
  • Duração do período explícito de 10 anos (esse será o período que será aplicada a taxa de crescimento “X”)
  • Crescimento na perpetuidade de 2,5% a.a. (PIB projetado Focus edição 23/11/2020)
  • Fluxo de caixa livre da firma. Usei como base o ano de 2019

Note que simplifiquei ao máximo as premissas. Meu intuito é o de apresentar a essência do crescimento implícito nos preços, indico inclusive que você aprimore as premissas para cada caso em específico. E olha só que bacana, obtive todos estes dados no TC Matrix, que contém muitas informações sobre as ações do índice Ibovespa.

Calculando no Excel®

Usando a planilha que deixei para download acima, basta seguir os passos abaixo:

  • Preencher o fluxo de caixa livre da firma
  • Preencher o campo “dívidas”
  • Digitar a informação “caixa e equivalentes”
  • Indicar a quantidade de ações. Essa informação é obtida na nota explicativa do Patrimônio líquido

Após isso, vamos usar a função “atingir meta” do Excel®.

Essa função vai nos ajudar a encontrar o “X”, taxa de crescimento implícita no preço. Então, usaremos os seguintes argumentos na caixa de diálogo do atingir meta:

  • Definir célula: célula “Vlr ação”
  • Para valor: digitar o preço de cotação da ação
  • Alternando célula: célula que está a informação do crescimento implícito no preço

Clicando em “ok”, o Excel® encontrará a solução para o nosso modelo, apresentando então o crescimento implícito no preço da ação avaliada:

Crescimento da WEGE3

No caso da Weg, nós podemos observar que, para se atender aos parâmetros por nós estabelecidos, a empresa deve apresentar um crescimento de 33% ao ano, durante 10 anos, justificando assim o seu preço de tela.

Note que, seguindo esse crescimento, a companhia apresentaria um crescimento acumulado de 1656% nos próximos 10 anos.

Crescimento da MGLU3

Vamos verificar agora o crescimento implícito nas ações da Magazine Luiza.

Já a Magazine Luiza apresenta um crescimento implícito ainda maior, na ordem de 35% a.a., nos próximos 10 anos. Seguindo esse crescimento, está implícito um crescimento acumulado nos próximos dez anos de 1958%.

Crescimento da TAEE11

Agora vejamos uma empresa madura, com geração de caixa mais estável e com menos espaço para crescimento. Para este perfil, eu escolhi a Taesa.

Aqui nós vemos um crescimento bem menor que Magazine Luiza e Weg, visto que a Taesa tem menos espaço para crescimento. Empresas com este perfil costumam ter um alto pagamento de dividendos em relação ao seu lucro líquido (alto payout).

Por que crescimentos tão diferentes?

É fácil notar que existe uma diferença bastante significativa entre os crescimentos implícitos nos preços das três empresas que utilizei em nosso exemplo. Vamos analisar essas diferenças a partir do gráfico abaixo:

No caso da Wege e Magazine Luiza, seu modelo de negócios permite a expansão em várias regiões geográficas, por meio de aquisições e lançamento de novas unidades geradoras de caixa. Se estes investimentos apresentarem retornos acima do custo de oportunidade, então o valor dos ativos será elevado. Consequentemente, a melhora dos fundamentos destes ativos deverão ser refletidos em maiores preços.

Por outro lado, o modelo de negócios da Taesa impõe certas limitações a um crescimento acelerado, visto que esta empresa possui limitações geográficas e regulatórias. Ela até consegue crescer adquirindo empresas menores, mas esse modo de expansão pode ser mais demorado, em virtude dos processos de aquisições.

Reflexões para investidores

Por último, meu intuito com o texto não é desmotivar o investimento (nem muito menos apostar contra) as empresas de alto crescimento, mas sim demonstrar uma forma de mensurar o crescimento que o mercado está esperando de determinada empresa.

Saliento novamente para as limitações contidas nos exemplos acima. Para facilitar, usei o fluxo de caixa livre de 2019, mas Magazine Luiza e Weg já apresentaram crescimento em 2020, então lembre-se sempre de estudar a fundo as premissas nas análises.

Finalmente, de posse dessa informação, o investidor pode tomar as melhores decisões de investimento, confrontando as expectativas de mercado com a real capacidade da empresa apresentar crescimento. Essa real capacidade de apresentar crescimento pode ser mensurada por algumas métricas, as quais eu discuti neste texto: valuation, estimando taxas de crescimento.


Arlindo Souza
Arlindo Souza
Coordenador de Conteúdo | Cursos no TradersClub
Contador, Mestre em Ciências Contábeis. Foi professor/pesquisador do departamento de contabilidade da UFRN e atuou em contabilidade de S.A. É investidor com base em análise fundamentalista.

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