TC School / Análise Fundamentalista

Active Returns, Active Risk e Information Ratio

17/02/2021 às 16:00

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Investidores aportam em fundos ou fazem gestão ativa com o objetivo de bater o mercado. Este artigo busca apresentar algumas ferramentas para que o investidor avalie o retorno e o risco da gestão ativa em comparação com uma estratégia passiva. Elencamos o tema nos seguintes tópicos:

  • Investir de forma ativa ou passiva?
  • O que é o “Active Return”
  • O que é o “Active Risk”
  • O que é “Information Ratio”

Boa leitura!

Como bater o mercado

Investir de forma ativa ou passiva?

Diversos investidores aportam em fundos com o objetivo de bater o mercado, ou seja, obter maior retorno ajustado ao risco em comparação com algum benchmark. Para exemplificar, imagine que você deseja investir no mercado de ações e considera as seguintes opções:

  • Investir de forma passiva:

Neste caso, você vai aportar em um ETF ou fundo passivo que segue algum índice de mercado, como o índice Bovespa (IBov) ou o índice Brasil 100 (IBrX 100).

  • Investir de forma ativa:

Neste caso, você vai montar uma carteira e gerir os seus investimentos ou vai delegar a terceiros. Como é o caso de um Fundo de Investimento em Ações (FIA).

Qual você vai escolher? No primeiro caso, o seu dinheiro irá render de acordo com o retorno do índice: se o Ibovespa subir, o seu ETF que acompanha o Ibovespa e irá subir também. No segundo caso, a decisão quanto ao número de ações, valor aportado em cada e a forma de escolha das ações depende do gestor do fundo.

No primeiro caso, por ser um investimento passivo, os custos de administração e os tributos são menores. No segundo caso, temos maiores custos de transação e tributação. Além disso, podemos ter uma alta taxa de administração em caso de fundos. A ideia é que: ao investir de forma ativa, o retorno da estratégia adotada supere os seus custos e despesas.

Falando em fundos, o gestor do fundo utiliza um amplo ferramental para atingir este objetivo: alguns usam análise técnica, traçando tendências e pontos de entrada/saída, alguns usam análise fundamentalista e técnicas de avaliação. Outros fundos usam a teoria econômica de fatores de risco ou algoritmos para selecionar ativos de for sistemática.

Agora, temos o seguinte problema: caso tenha escolhido a segunda opção (seja investindo por conta própria ou via fundo de ações), como saber se o investimento compensa o risco?

Neste caso, o ideal seria usar o Information Ratio para quantificar essa resposta. Essa métrica depende de outras duas métricas: a Active Returns e a Active Risk. Vamos ver cada uma delas a seguir.

O que é “Active Returns”?

A métrica de Active Return quantifica o quanto de retorno foi obtido com uma estratégia de investimento ativa acima do benchmark em um determinado período. Ele é a parcela dos retornos (que podem ser lucros ou perdas) que pode ser atribuída diretamente às decisões de gestão ativa tomadas pelo gestor da carteira. O benchmark utilizado é o retorno que poderia ser obtido pelo investidor ao optar pela abordagem de investimento passivo.

Expressando de forma simples, o Active Return é dado pela fórmula abaixo.

Active Return = Retorno da Carteira – Retorno do Benchmark

Como exemplo, vamos comparar dois fundo de investimento em ações (FIA) como estratégia ativa e vamos usar o Ibrx 100 como benchmark para a estratégia passiva. Abaixo, temos o gráfico do começo do ano de 2016 o final de 2020.

O Fundo B bate o IBrX 100, não é? Quem investiu R$ 1,00 no fundo A em 2016, terminou com R$ 2,13 em 11 de fevereiro de 2021. Quem investiu R$ 1,00 no fundo B, terminou com R$ 3,31 e quem investiu no IBrX, terminou com aproximadamente R$ 2,79.

Desta forma, se olharmos apenas os retornos, valeu a pena o investimento no Fundo B. Porém, precisamos olhar o risco e em qual dele o gestor apresentaria uma melhor habilidade em escolher ativos para a carteira.

O que é “Active Risk”?

Existem diversas métricas para quantificar o risco. O desvio padrão (volatilidade) dos retornos foi uma das primeiras. Apesar das críticas quanto ao uso da volatilidade para comparar o risco entre classes de ativos (o assunto isso fica para outro artigo), o uso da volatidade dentro das classes de ativos é largamente utilizado no mercado e na academia.

O Active Risk mensura o quanto a estratégia ativa é volátil em relação a estratégia de investimento passiva. Como fórmula, podemos escrevê-lo como o desvio padrão da diferença entre os retornos da carteira ativa menos os retornos do benchmark.

Simplificando, temos:

Ative Risk = Desvio Padrão (Prêmio pela Gestão Ativa)

Porém, usando a fórmula apresentada, teríamos um desvio padrão de 1,63% ao dia para o Fundo A e 1,67% para o IBrX 100.

Information Ratio (IR)

Com o Active Return e Active Risk podemos calcular o Information Ratio (IR). O Information Ratio (IR) é o Active Return dividido pelo Active Risk. Uma vez que este índice considera o desvio padrão anualizado de ambas as séries, o índice mostra o excesso de retorno ajustado ao risco da carteira em relação ao benchmark.

Quanto maior o índice, maior o excesso de retorno da carteira, dado o grau de risco envolvido, e melhor é o gestor de carteira. O Information Ratio (IR) é semelhante ao índice de Sharpe, porém o Sharpe compara o retorno de um ativo com o retorno livre de risco, já o IR compara o retorno em excesso ao índice de referência (benchmark).

Para calcular vamos anualizar as duas séries de retorno e risco. Os retornos estão em dias. Logo, para calcular anual é preciso aplicar a seguinte fórmula abaixo:

De 4 de janeiro de 2016 até 12 fevereiro de 2021, tivemos 1.335 dias de negociação.

Já para anualizar a volatilidade, usamos a fórmula a seguir:

A tabela abaixo, mostra o retorno e a variância anualizada e o do active return e do active risk anualizados. O Information Ratio dos fundos está no final.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que o fundo B apresentou retorno acima do benchmark com um Information Ratio positivo. Indicando que o gestor apresenta alguma habilidade em escolher ações para formar a carteira.

Por outro lado, o fundo A apresentou tanto um desvio padrão quanto um retorno menor que o benchmark. Isso indica que o investidor poderia ter obtido um retorno maior com uma estratégia passiva ao investir em um ETF que replicasse o IBrX 100.

Sendo assim, antes de investir em fundos, busque entender qual é o benchmark e o quanto o gestor consegue superar consistentemente a referência. O Information Ratio não é garantia de que o fundo sempre irá desempenhar acima do benchmark, porém vai acender uma alerta para excluir aqueles que nunca conseguiram o feito.

Por fim, podemos resumir que o Active Return é a diferença de retorno obtido de forma ativa. Quanto maior, melhor. Já o Active Risk é a diferença de risco da estratégia ativa vs. a passiva. Quanto menor, melhor. E por conseguinte, o Information Ratio é a remuneração do retorno da estratégia ativa pelo risco da estratégia. Quanto maior, melhor.

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Analista de conteúdo do TC School

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