TC School / Análise Fundamentalista

Análise das empresas do setor de siderurgia na B3

24/02/2021 às 15:30

TC School

O setor de siderurgia na B3 ganha destaque neste início de 2021. Impulsionado pela alta no preço do minério de ferro e ciclo das commodities, as principais ações do setor são CSNA3, GGBR4, GOAU3 e USIM5. Para ajudar o investidor analisar melhor as siderúrgicas no mercado financeiro, elencamos abaixo um histórico das usinas siderúrgicas no Brasil, o mercado mundial do aço, além de uma breve análise das siderúrgicas que compõem o Ibovespa.

  • O que fazem as siderúrgicas?
  • A dinâmica setorial da siderurgia
  • Cenário global do mercado de aço
  • Siderurgia na B3

Boa leitura!

O que fazem as siderúrgicas?

As usinas siderúrgicas são responsáveis pela fabricação de aço, um insumo que está presente na vida da grande maioria dos brasileiros. O aço é um insumo fundamental na fabricação de eletrodomésticos, automóveis e amplamente utilizado na construção civil.

A história do aço na humanidade e no Brasil

Para entender bem o surgimento do aço e sua importância para o desenvolvimento da humanidade, precisamos voltar à Idade dos Metais (3300 a.C. – 1000 a.C.). Essa era foi marcada pela ampla utilização dos metais (daí o nome) e surgimento das primeiras metalúrgicas e siderúrgicas da história da humanidade, podendo ser dividido em três subperíodos:

  1. Idade do Cobre;
  2. Idade do Bronze; e
  3. Idade do Ferro.

Cada período recebeu esse nome devido ao aperfeiçoamento nos instrumentos feitos de determinado metal. O primeiro amplamente utilizado foi o cobre, em seguida o bronze (formado por uma mistura de cobre com estanho) foi descoberto e tornou-se popular devido a sua maior resistência e, por fim, o manuseio do ferro foi dominado por volta de 1200 a.c.

A humanidade só viria a descobrir o aço (uma liga metálica formada principalmente por ferro e carbono) apenas em 1.856, provocando uma grande mudança na dinâmica mundial, já que o aço é mais resistente que o ferro fundido e permite uma produção em larga escala.

No Brasil, a primeira siderúrgica foi criada em 1921, a Companhia Siderúrgica Mineira. Entretanto, diante de um período conturbado para a economia mundial, marcado pela Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, ficou evidente o risco de ser dependente da importação de insumos básicos.

Dessa forma, em 1941 é assinado o decreto pelo Presidente Getúlio Vargas que oficializa a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O primeiro forno seria aceso apenas em 1946.

Siderurgia e o setor siderúrgico

Entendendo a dinâmica setorial

Dentro da cadeia do aço, as usinas produtoras são classificadas de acordo com os seus processos produtivos ou de acordo com os produtos que são mais produzidos na usina, como por exemplo aços planos, aços longos, aços especiais, entre outros.

Existem três fases básicas no processo de fabricação do aço: redução, refino e laminação. Na primeira etapa, ocorre a redução do minério de ferro e outros componentes no ferro gusa, um metal líquido com alto teor de carbono. Após esse processo, ocorre o refino, que visa transformar o gusa e a sucata em aço líquido, removendo as impurezas e parte do carbono contido no gusa. Por fim, após a solidificação do aço líquido, ocorre a laminação onde os blocos e lingotes são transformados nos mais diversos produtos siderúrgicos.

Dessa forma, as usinas podem ser classificadas em integradas quando operam todos os três processos básicos (redução, refino e laminação); semi-integradas quando atuam apenas no refino e na laminação e adquirem o ferro gusa, a sucata metálica ou outra matéria-prima de terceiros; e não integradas quando atuam em apenas uma parte do processo.



Cenário global do mercado de aço

Diferentemente de outros setores da Bolsa, cujo desempenho está atrelado mais a fatores internos, como o setor de varejo, o cenário global afeta bastante toda a cadeia do aço. Afeta não só pelo fato do setor externo ser um forte demandante, principalmente a China, como também por ser um forte ofertante, podendo manipular bruscamente a cadeia de aço global.

Para se ter uma noção do tamanho da China nesse mercado, das 161 milhões de toneladas de aço bruto produzidas pelo mundo em outubro de 2020, 92 milhões foram produzidos pelas siderúrgicas chinesas. Portanto, acompanhar a economia chinesa é imprescindível para quem deseja se expor a esse setor (Fonte: World Steel Association).

Siderurgia na B3

Quais os principais representantes da siderurgia na Bolsa de Valores brasileira?

Atualmente, as principais empresas ligadas ao setor de siderurgia são a Gerdau (GGBR4), a qual é controlada pela Metalúrgica Gerdau (GOAU3), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) e a Usiminas (USIM5). Todas fazem parte do índice Bovespa.

CSN (CSNA3)

A CSN (CSNA3) é uma empresa caracterizada pelo endividamento excessivo e que possui uma operação muito relevante na área de mineração, o que justifica a sua rentabilidade e margens acima dos concorrentes. A companhia é focada em aços planos, muito utilizado para produção dos equipamentos linha branca e pelo setor automotivo; suas vendas concentram-se no mercado doméstico.

Inclusive, a operação de mineração da CSN, a CSN Mineração (CMIN3) realizou seu IPO recentemente. Dessa forma, quem desejar se expor diretamente ao segmento de extração e exportação de minério de ferro no setor de mineração ganhou mais uma opção além da Vale (VALE3).

Usiminas (USIM5)

Assim como a CSN, mineração e siderurgia são as duas principais linhas de negócio da Usiminas (USIM5) e a empresa é focada nos aços planos. A companhia é a que possui a estrutura de capital mais conservadora dentre as comparáveis, o que é uma vantagem já que se trata de um setor cujas receitas estão muito atreladas a fatores macroeconômicos voláteis. O destaque para a Usiminas é o crescimento da participação do mercado externo na receita (17% para 29%). O ponto negativo é a inconsistência na geração de caixa.

Gerdau (GGBR4)

Diferente da Usiminas e da CSN, a siderurgia é a principal atividade da Gerdau (GGBR4) e sua operação de mineração é utilizada apenas para suprir a necessidade de matéria-prima para produção de aço, o excedente que é vendido não representa uma parcela significativa dos resultados da companhia.

Outra diferença da Gerdau para as duas primeiras diz respeito ao tipo de aço, enquanto tanto a CSN como a Usiminas são mais focadas em aços planos, a Gerdau se especializa em aços longos (utilizados em grandes obras) e aços especiais (com maior valor agregado, demandados principalmente pela indústria automotiva) e possui operações verticalmente integradas, o que potencializa os retornos em ciclos favoráveis, mas pode ser uma dor de cabeça quando as coisas não saem como o esperado.

Como o minério de ferro é produzido internamente, a Gerdau precisa se atentar aos custos de importação do carvão (já que o carvão brasileiro possui uma qualidade baixa) e da obtenção da sucata.

Todas as três empresas citadas neste texto já divulgaram os resultados referentes ao quarto trimestre de 2020.

Reflexão aos investidores no setor

O setor siderúrgico possui bastante história na Bolsa de Valores brasileira, com empresas tradicionais e importantes no desenvolvimento do Brasil. Entretanto, é preciso conhecer os riscos que são inerentes ao segmento antes de investir nessas empresas.

Não deixe de consultar o TC Matrix, nossa ferramenta de análise fundamentalista, para embasar o seu estudo no setor siderúrgico e outras empresas da B3. Por fim, esperamos que este texto tenha ajudado você a conhecer um pouco mais sobre as siderúrgicas brasileiras!

Referências

Instituto Aço Brasil
CSN: uma decisão política

Lucas Costa
Lucas Costa, CGA
Analista TC Matrix. Graduando em Economia pela UFPB
Membro do Projeto Quantum e vencedor do Prêmio Calouro Destaque em 2018

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