Valuation - tipos de avaliação de empresas (Parte III) - TC

TC School / Análise Fundamentalista

Valuation – tipos de avaliação de empresas (Parte III)

22/09/2021 às 11:00

TC School

Olá investidor! Hoje seguimos estudando métodos de avaliação de empresas dentro da análise fundamentalista. Nossa série de textos vêm abordando a teoria de Aswath Damodaran. Confira o que já publicamos sobre o tema:

  1. Como avaliar ações na bolsa de valores
  2. Incertezas e complexidade do valuation
  3. Valuation – tipos de avaliação de empresas (Parte I)
  4. Valuation – tipos de avaliação de empresas (Parte II)

O texto a seguir irá tratar sobre a abordagem de avaliação constantemente utilizada por analistas e investidores: a Avaliação Relativa ou por múltiplos!

Elencamos o artigo a seguir nos seguintes tópicos:

  • Avaliação Relativa ou por múltiplos
  • Vantagens e desvantagens nesse tipo de avaliação

Boa leitura!

Avaliação Relativa ou por múltiplos

Diferentemente do meio acadêmico, onde o modelo de DCF é predominantemente ensinado e estudado, no dia a dia do mercado a maioria dos ativos é avaliado com base na comparação entre comparáveis, ou seja, avaliação relativa.

De maneira prática, quando você vai comprar um carro, por exemplo, neste tipo de abordagem, o tomador não irá buscar auferir o quanto se pagar por aquele carro, mas sim, irá abordar o quanto se pede em carros semelhantes para saber se vale a pena ou não adquirir tal carro no preço em que se negocia.

Com os ativos ocorrem da mesma forma, porém, com mais implicações. Uma delas é que por se tratar de empresas, ou seja, entidades que se perpetuam ao longo do tempo, você pode identificar rapidamente qual empresa entre os pares está descontada e pode lhe entregar maior retorno ao longo do tempo em que ocorrer o fechamento desse GAP (diferença, distanciamento).

Dessa forma, diferentemente da avaliação por DCF, o valor de um ativo pela ótica da Avaliação Relativa é determinado pela derivação da precificação de ativos comparáveis padronizados a partir de uma variável comum.

Dentro da Avaliação Relativa existem dois componentes principais: a noção de ativos comparáveis ou similares e a noção de preço padronizado. 

Ativos comparáveis

Do ponto de vista avaliativo, isso se traduz em ativos que possuam fluxo de caixa, risco e potencial de crescimento similares. Mas, na prática, é convencional utilizar-se empresas que estão no mesmo ramo/setor, e, de forma mais específica, aquelas de mesmo setor e modelo de negócios semelhantes.

Preço padronizado

Que é nada menos que os múltiplos. Já que, como bem argumentado por Damodaran, os preços das ações são arbitrários, pois depende da quantidade de ações emitidas pela companhia.

Portanto, é possível dividirmos os preços das ações ou o valor de mercado da companhia por alguma medida que tenha relação com esse valor, chegasse a um preço/valor padronizado que reflete a natureza da companhia avaliada.

Compreendendo esses dois componentes da avaliação relativa é possível deixar de lado a busca pela estimação do valor justo de uma companhia.

Em seguida, de acordo com o mercado, identificar o quanto a companhia em questão pode valer através de seu valor padronizado. E, principalmente, tomar sua decisão de investimento ao identificar aquela que possua a maior assimetria.

Como vimos nos textos anteriores, a Avaliação Relativa é mais objetiva no quesito peculiaridades de avaliação, a qual um Fluxo de Caixa Descontado. Por isso, já que não há muitas peculiaridades e óticas avaliativas. 

Vantagens e desvantagens nesse tipo de avaliação de empresas

Uma das vantagens de se utilizar os múltiplos, é que se torna muito mais fácil e prático de obter estimativas para o valor das empresas. Porém, isso deve estar condicionado ao fato de que o mercado está em média precificando corretamente a pluralidade de empresas que existem, e, principalmente, as que são comparáveis diretamente.

Como também, outra vantagem da Avaliação Relativa é encontrar empresas que estejam aquém da média do setor (subestimadas), e, geralmente “balançam” menos que o setor, beneficiando as carteiras que possuam este ativo, já que ele se mostra menos arriscado que o mercado/índice.

Em contrapartida, os múltiplos podem ser facilmente manipulados.

Um exemplo seria um analista que, sabendo da subjetividade do conceito de empresas comparáveis, usa disso como forma de manifestar seu viés sobre o valor de empresa. Manipula a escolha das empresas comparáveis utilizadas na avaliação relativa para gerar uma visão positiva sobre o ativo avaliado.

Esse risco também ocorre no DCF, mas como já aprendemos em pill’s anteriores, no DCF você deve fundamentar a premissa utilizada, diferentemente dos múltiplos, que fazem comparação direta e tornam mais fácil a manipulação.

Enfim, como toda avaliação, cada uma possui seus riscos! E, é dever do analista se prestar à gestão desses riscos para possuir uma avaliação objetiva e não falha.

Por mais que seja muito mais prática e convidativa, a Avaliação Relativa é capciosa ao ponto de acreditar que o mercado está precificando corretamente aquele setor ou aqueles ativos, o que levando-se em consideração a hipótese do mercado eficiente, se mostra altamente audaciosa.

Portanto, já que não há julgamento de valor, a Avaliação Relativa se mostra muito eficiente na hora de confrontarmos os ativos e tomarmos decisões de curto prazo com base na precificação do mercado.

Introduzida acima, a Avaliação Relativa o valor de uma ativo é baseado na similaridade com que os ativos são precificados no mercado. Mas, apesar de aparentar ser extremamente fácil de utilizá-lo, esse tipo de avaliação possui suas abordagens!

E, essas variações derivam justamente de como identificar se as empresas de fato são comparáveis e como gerir essas diferenças. A seguir podemos conhecer e compreender algumas delas:

Comparação direta

Nesta abordagem, o analista busca encontrar empresas comparáveis diretamente à empresa avaliada, e, busca encontrar o seu valor com base no que o mercado precifica as comparáveis.

O ponto crítico dessa abordagem é obter as empresas que sejam comparáveis e encontrar o valor da empresa avaliada.

Média do grupo de pares

Aqui, os analistas já possuem os múltiplos calculados tanto das empresas quanto setorial, e, se confronta a empresa objeto com o múltiplo do setor para auferir se aquela empresa está negociando abaixo do múltiplo setorial (barata, subestimada) ou acima do múltiplo setorial (cara, superestimada). Note que, essa abordagem considera que o múltiplo setorial representa o que seria uma empresa “típica” do setor em questão.

Média de Grupo de pares ajustado para as diferenças

Esta abordagem funciona mais como um ajustamento das outras duas abordagens, pois, como falamos na pill anterior, existe a dificuldade de identificarmos quais empresas de fato são realmente comparáveis entre elas.

Dessa forma, essa abordagem busca gerir as diferenças entre as empresas para tornar possível a compreensão entre elas.

De maneira prática, já existem múltiplos como o PEG, que ponderam o crescimento das companhias para poder comparar aquelas que possuam taxas diferentes.

Em outros casos, a estatística e ferramentas como a regressão, serão as ferramentas utilizadas para tornar companhias diferentes em comparáveis.

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Pablo Paz
Pablo Paz
Estagiário do TradersClub
Estudante de Economia da UFPB e membro do Projeto Quantum

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