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Análise Fundamentalista do Setor Varejista: como avaliar as melhores empresas?

20/07/2020 às 15:00

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Olá meu caro leitor, quer saber mais sobre ações do setor de varejo na B3? Então, se liga neste conteúdo bacana que preparamos com indicadores da análise fundamentalista para analisar as melhores empresas por setor.

Vamos dar continuidade a nossa série de conteúdos, e falamos hoje das empresas do segmento varejista listadas na Bolsa de Valores. Pois bem… Dessa forma explicarei as primeiras métricas de performance das empresas do setor de varejo no Brasil.

Estude e conheça a análise fundamentalista para avaliar as melhores empresas por setor. Hoje, os pontos principais da nossa análise setorial são:

  • O que é uma empresa de Varejo?
  • Varejo brasileiro: veja as principais empresas de varejo listadas na bolsa brasileira
  • Análise fundamentalista: indicadores do varejo

Boa leitura!

Antes de continuarmos, uma dica: baixe a nossa planilha para precificação de opções. Abordamos tanto o modelo Black & Scholes, quanto o modelo binomial.

Setor de Varejo na B3

O que é uma empresa de varejo?

Antes de tudo, esta é uma pergunta aparentemente fácil de responder, afinal o comércio varejista faz parte da nossa rotina. Certamente você já conhece inúmeras lojas e redes varejistas de sucesso, como Carrefour (CRFB3), Centauro (CNTO3) e C&A (CEAB3), etc.

Entretanto, creio que o leitor já percebeu que a tarefa não é tão simples assim, já que Carrefour (CRFB3) e Centauro (CNTO3) não são concorrentes, mesmo ambas sendo classificadas dentro do segmento varejistas. Cientes que a pergunta não é das mais fáceis, daremos procedimento ao texto, recorrendo à etimologia para elucidar nossa questão.

Em suma, Levy e Weitz (2000) recordam que a palavra retail (tradução de varejo para o inglês) deriva do francês retailler, que significa cortar um pedaço ou em pequenas quantidades. Para uma definição mais precisa, recorremos ao livro “Gestão de Atacado e Varejo” de Márcio Roberto Camarotto.

“Segundo Levy e Weitz (2000), um varejista é um negociante que vende produtos e serviços de uso pessoal ou familiar aos consumidores. Já para Parente (2000), o varejo consiste em todas as atividades que englobam o processo de venda de produtos e serviços que atende a uma necessidade pessoal do consumidor final. Ou seja, o varejista é qualquer instituição cuja atividade principal consiste na venda de produtos e serviços para o consumidor final.”

Apesar de utilizar uma definição formal, o conceito de varejo ainda permanece muito amplNOOo. Vamos buscar exemplos do dia a dia dos brasileiros, observando os grandes comércios varejistas de empresas brasileiras listadas em bolsa.

Leia mais sobre análise fundamentalista de setores:

Varejo na B3: Melhores empresas por setor

As principais empresas do varejo brasileiro listadas na bolsa

Como foi dito, o conceito de varejo é muito amplo; podemos classificar duas companhias como varejistas mesmo sem elas serem concorrentes. Na classificação da B3, não existe um subsetor “Varejo”, estando as companhias espalhadas principalmente entre o segmento de comércio e distribuição.

Por outro lado, é interessante salientar que existe um índice de consumo na B3 (ICON), porém ele não possui apenas as varejistas.

Essa carteira teórica tem o objetivo de ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade dos setores de consumo cíclico, consumo não cíclico e saúde.

Ações de Varejo na Bolsa de Valores

Todavia, como não existe uma classificação específica, selecionamos as empresas classificadas no subsetor “Comércio” e “Comércio e Distribuição” e obtivemos a tabela abaixo:

NomeCódigoSubsetor
Arezzo CoARZZ3Comércio
B2W DigitalBTOW3Comércio
BattistellaBTTL3Comércio
Cea ModasCEAB3Comércio
CentauroCNTO3Comércio
GrazziotinCGRA4Comércio
GuararapesGUAR3Comércio
Le Lis BlancLLIS3Comércio
Lojas AmericanasLAME4Comércio
Lojas MarisaAMAR3Comércio
Lojas RennerLREN3Comércio
Magazine LuizaMGLU3Comércio
Saraiva LivrariasSLED4Comércio
Via varejoVVAR3Comércio
Wlm Ind ComWLMM4Comércio
P.Açúcar-CBDPCAR3Comércio e distribuição
Carrefour BRCRFB3Comércio e distribuição
DimedPNVL3Comércio e distribuição
HyperaHYPE3Comércio e distribuição
ProfarmaPFRM3Comércio e distribuição
RaiaDrogasilRADL3Comércio e distribuição
Fonte: Economática

Leia mais sobre análise fundamentalista de setores:

Dessa forma, podemos encontrar desde companhias que são referência no varejo de moda (ex: Arezzo, Lojas Renner) até companhias que se destacam no varejo de medicamentos, como a RaiaDrogasil.

Mas se liga! Existem companhias que estão no segmento de comércio e distribuição, mas não podem ser classificadas como varejistas, a exemplo da Hypera.

Nesse sentido, é perceptível a necessidade de uma análise qualitativa por parte do investidor para julgar se a companhia pode ser, ou não, considerada uma varejista.

Estude e conheça as melhores empresas por setor com o conteúdo do TC School. A seguir, iremos discutir um pouco sobre os indicadores setoriais específicos do varejo.

Análise setorial do comércio varejista na B3

Como fazer análise fundamentalista do varejo?

Como qualquer setor, o varejo possui alguns indicadores específicos, que podem nos ajudar bastante nas decisões de investimento entre as empresas. Nesse sentido, falarei dos seguintes indicadores do varejo:

  1. Gross Merchandise value
  2. Same Store Sales
  3. Like-for-Like Sales

Gross Merchandise Value (GMV)

Em suma, a definição de Gross Merchandise Value, também conhecido como Gross Merchandise Volume, é o valor total de mercadorias vendidas. Nesse sentido, ao falar valor total das mercadorias vendidas o GMV inclui as vendas de produtos da própria companhia e dos produtos do marketplace.

É um indicador que se popularizou bastante com a ascensão do e-commerce, utilizado para medir o potencial de uma plataforma. Abaixo, apresento a informação extraída do release de resultados da B2W (BTOW3) do 1T20:

Tabela de análise de preços de produtos no varejo

Fonte: RI B2W

Antes de prosseguirmos, cabe um adendo para alguns leitores que possam ficar em dúvida do que são “produtos do marketplace”.

As grandes varejistas não vendem apenas os seus produtos nas suas plataformas, elas abrem espaço para que outros vendedores ofereçam seus produtos, em troca de comissões. Para demonstrar, iremos utilizar mais uma vez o exemplo da B2W (BTOW3):

ações varejo lojas de e-commerce

Fonte: Submarino

Se liga, e preste atenção! Leia portais de notícias. Um exemplo é estudar como foram as vendas online durante a pandemia, bem como ficar ligado em datas comerciais como a Black Friday e o Natal. Ou seja, além de usar indicadores da análise fundamentalista, é importante o investidor iniciante na bolsa manter-se sempre informado!

Same Store Sales (SSS)

Por outro lado, o Same Store Sales é uma métrica muito utilizada no varejo, a qual indica o crescimento das lojas que estão em operação há um ano ou mais. Dessa forma, é de extrema importância saber o SSS de uma companhia de varejo, principalmente de uma companhia em expansão.

Uma empresa pode reportar aumentos subsequentes na receita apenas inaugurando novas lojas, sem desenvolver as existentes, caracterizando um crescimento sem qualidade.

Nesse sentido, agora que sabemos a importância do crescimento de venda das mesmas lojas, ou same store sales, vamos a um exemplo prático.

Podemos ver que a RaiaDrogasil (RADL3) vem fazendo um bom trabalho, entregando um crescimento de receita das mesmas lojas bem acima da inflação em quase todos os períodos. Isso é importante porque mostra que o aumento da receita da companhia não vem apenas da abertura de novas lojas, mas do crescimento do faturamento das lojas existentes também.

ações varejo grafico 2020

Fonte: RaiaDrogasil 1T20

Leia mais sobre análise fundamentalista de setores:

Like-for-like sales (Vendas LFL)

De certa forma, Vendas LFL e Same Store Sales representam a mesma coisa. Entretanto, pode haver sutis diferenças entre ambos. No cálculo do LFL Sales, podem ser excluídos da base de cálculo novos produtos, a fim de verificar o crescimento apenas dos produtos existentes na mesma loja.

Em geral, o indicador mais comum é o Same Store Sales, porém existem algumas empresas que utilizam as Vendas LFL, como o Carrefour:

ações varejo 2020-21

Fonte: release de resultados do Carrefour 1T20

Dessa forma, analisando os dados do Carrefour, é possível perceber a separação do crescimento em Vendas LFL e expansão. O aumento da receita do Atacadão foi de 13,6% no 1T20, desse total, 6% foi devido à expansão, com a inauguração de 4 novas lojas. O restante, (7,6%, obtido pela média do LFL com e sem o efeito calendário) foi devido ao crescimento nas lojas já existentes.

Indicadores 1P e 3P

Dois termos que se tornaram muito comuns com a digitalização do segmento de varejo são o 1P e o 3P. Enquanto 1P refere-se aos produtos do estoque da companhia comercializados digitalmente, o 3P é composto pelos produtos de outras lojas (também designados como terceiros, sellers) vendidos no marketplace da companhia.

Fonte: release de resultados 3T20 Via Varejo

Analisando o desempenho da Via Varejo (VVAR3), é possível ver que a empresa segmenta seu GMV em 1P e 3P, facilitando a análise do investidor. Podemos notar um crescimento expressivo do GMV 1P, o que é benéfico para empresa, já que possui margens maiores.

Total Payment Volume (TPV)

Apesar de ser mais comum para empresas que trabalham diretamente com meios de pagamento, como Cielo, Stone, Paypal e outras, o volume total de pagamentos (Total Payment Volume em inglês) é outra métrica que adquiriu significância com a transformação digital sofrida pelo varejo. Atualmente, os investidores utilizam esse indicador para avaliar o potencial de uma plataforma ou marketplace, já que ele mensura a quantidade de dinheiro transacionado naquele ambiente.


Ações do Varejo e a Análise Fundamentalista

Pontos para uma boa análise fundamentalista do Varejo

Por fim, apesar de estarmos buscando entender o conceito de varejo, o investidor não precisa se prender aos detalhes rigorosos da definição, mas buscar analisar o contexto. O objetivo do texto é agregar informações aos interessados no mundo dos investimentos, especialmente nos indicadores do varejo.

Por exemplo, se você acredita que o varejo de medicamentos é um setor com oportunidades, não tem para que excluir a Hypera (HYPE3), apenas por não se tratar de um comércio varejista. Mesmo não sendo uma varejista de medicamentos, o negócio da Hypera Pharma (HYPE3) depende bastante das farmácias, como Panvel e RaiaDrogasil.

Referências

CAMAROTTO, Márcio Roberto. Gestão de atacado e varejo. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009.

LEVY, Michael.; WEITZ, Barton A. Administração de Varejo. Tradução Erika Suzuki, revisão técnica José Ernesto Gonçalves, José Bento do Amaral Júnior. São Paulo: Atlas, 2000.

PARENTE, Juracy. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000.

Lucas Costa
Lucas Costa, CGA
Analista TC Matrix. Graduando em Economia pela UFPB
Membro do Projeto Quantum e vencedor do Prêmio Calouro Destaque em 2018

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