Nova CGA - Mudanças da certificação - TC

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Nova CGA – Mudanças da certificação

13/10/2021 às 11:17

Iris Sousa

Até junho de 2021, quem desejava atuar profissionalmente como gestor de recursos de terceiros em fundos de investimento de renda fixa, ações, cambiais, multimercados, carteiras administradas e fundos de índice precisava ter a certificação chamada CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) 

Essa certificação visa testar os conhecimentos sobre a atividade de gestão nas classes de renda variável, renda fixa e no exterior, além de temas como legislação e tributação, entre outros.

Entretanto, a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), órgão responsável pela emissão dessa certificação, informou que a partir de agora a CGA se divide em três certificações:

  1. CFG (Certificação ANBIMA de Fundamentos em Gestão);
  2. CGA (Certificação de Gestores ANBIMA); e
  3. CGE (Certificação de Gestores ANBIMA para Fundos Estruturados).

Cada um com sua função e objetivos específicos. Assim, no artigo de hoje você vai entender melhor a mudança e as diferenças entre as três certificações. Sendo assim, o assunto será abordado da seguinte forma:

  • Por que houve a mudança?
  • Diferença entre CGF, CGA e CGE
  • Como ficam os CGA’s anteriores à mudança?
  • Encerramento da antiga CGA
  • Conclusão

Boa leitura!

Por que houve a Mudança?

Em nota, a Anbima trouxe explicações do porquê recorreu a essas mudanças. Os principais pontos dizem respeito à necessidade de atualização, dado que houve um crescimento e desenvolvimento significativo na indústria de investimentos. 

Atualmente, o Patrimônio Líquido da indústria de fundos brasileiro passa de R$ 5,7 trilhões em 21 mil fundos. Além disso, o  Brasil conta com 2.700 fundos estruturados com um patrimônio que ultrapassa de R$ 665 bilhões e mais de 3,2 milhões de contas investidoras. 

Vale salientar que os profissionais responsáveis pelo bom funcionamento desses veículos de investimento são gestores que devem ser certificados com a CGA. Entretanto, a antiga CGA foi criada há mais de 10 anos (2009).

Sendo assim, a Anbima buscou apoiar-se em conversas com diversos profissionais da área para melhor entender essas evoluções e a partir daí decidiu reformular a certificação para adequar melhor a realidade da indústria. 

Outro ponto observado foi sobre a dificuldade de definir a trajetória de carreira para aqueles profissionais que aspiram ser gestores. A Anbima informa que:

“Havia uma lacuna para se atestar conhecimento no setor para analistas, trainees e outros cargos de entrada. As gestoras de recursos tentavam suprir a lacuna com outras certificações, mas elas eram, geralmente, ou muito avançadas ou muito básicas para o cargo e pouco focadas na atividade principal do negócio: a gestão.”

Diferença entre CGF, CGA e CGE

Nesse sentido, a Anbima substitui a antiga CGA em três novas certificações: CFG, CGA e CGE. Em linhas gerais:

CFG: certificação para quem quer iniciar ou acelerar sua carreira na área de gestão de recursos de terceiros. O profissional certificado tem o conhecimento da base técnica do setor que é diferencial para ocupar diversos cargos em empresas de asset management.

Ser certificado com a CFG é pré-requisito para conquistar a CGA e/ou a CGE. A CFG não é obrigatória para nenhuma função e nem habilita o profissional a ser gestor. Se você tiver a certificação CFA (Chartered Financial Analyst) ou CAIA (Chartered Alternative Investment Analyst) não precisa realizar o exame CFG, basta solicitar a dispensa.

Essa é a porta de entrada para o mercado de gestão, não é obrigatória para nenhuma função e nem habilita o profissional a ser gestor. O profissional pode iniciar com a CFG e depois optar por seguir dois caminhos distintos, de acordo com os seus objetivos de carreira. As duas opções são:

CGA: habilita o profissional a atuar com gestão de recursos de terceiros em fundos de investimento de renda fixa, ações, multimercados e cambiais. O nome foi mantido em razão da relevância que ele já tem no mercado.

CGE: habilita profissionais serem gestores de fundos imobiliários (FII), fundos de investimento em participações (FIP) e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), também conhecidos como fundos estruturados.

A Anbima comunica em especial sobre a CGE, pois afirma que ela nasce para aumentar a qualificação de um setor que está em expansão.

A CGA atual já habilitava o profissional a atuar em FIIs, FIPs e FIDCs, mas o exame exigia que os candidatos se aprofundassem mais nos detalhes da gestão dos fundos tradicionais, que raramente faziam parte do dia a dia de quem trabalha com fundos estruturados”, conta o Executive Manager da Anbima, Daniel Pfannemüller.

Dessa forma, a CGE tem a prerrogativa de trazer sofisticação e especificidade necessárias para a qualificação destes profissionais.

De forma exemplificada, a nova sequência de certificação segue a imagem abaixo:

Fonte: Anbima

Validade

O prazo de validade das certificações CFG, CGA e CGE é de 3 anos a partir da data de aprovação no exame.

Os profissionais certificados precisam atualizá-las até a data de vencimento para mantê-las válidas por mais 3 anos. Para atualizar, é necessário realizar um curso online oferecido pela ANBIMA. Após a conclusão, a certificação é renovada automaticamente.

Entretanto, a Anbima informa que “os profissionais CGA que atuam como gestores de renda fixa, ações, cambiais, multimercados, carteiras administradas e fundos de índice em empresas aderentes ao Código ANBIMA de Certificação têm a certificação válida por tempo indeterminado enquanto continuarem atuando na função. O mesmo é válido para os profissionais CGE que atuam como gestores de Fundos Imobiliários (FII), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e Fundos de Índice em empresas aderentes ao Código de Certificação.

Todas as informações pormenorizada das três certificações são encontradas nas imagens abaixo:

Fonte: Anbima

Como ficam os CGA’s anteriores à mudança?

A nova CGA passou a ser aplicada a partir de 1 julho. Sendo assim, você pode ficar na dúvida de como ficaria a situação dos profissionais já certificados anteriormente às modificações.

Dessa forma, os profissionais que já têm CGA terão suas certificações convertidas automaticamente para o novo modelo, passando a ser detentores das três novas certificações, uma vez que ela já os autorizava a atuar em ambos os mercados da nova CGA e da CGE.

Encerramento da CGA no modelo antigo

Os exames da CGA no modelo atual serão descontinuados. A transição ocorreu inicialmente no período que decorreu até 16 de julho de 2021,  pois foi o prazo máximo de inscrição para aquelas pessoas que quisessem fazer a CGA no modelo antigo.

A partir dessa data, só poderá se inscrever quem já foi aprovado em um dos módulos do exame (no modelo antigo, o CGA era dividido em 2 módulos). Os profissionais nessa situação terão até 18 de novembro para finalizar o processo.

O cronograma de encerramento foi estabelecido da seguinte forma:

16/07/2021 – último dia de inscrição para todos candidatos

30/07/2021 – início do período de exames exclusivos para quem já foi aprovado em um módulo

05/11/2021 – último dia de inscrição para quem tem módulo pendente

18/11/2021 – último exame da CGA no modelo atual

Conclusão

Se você possui interesse nessa área profissional e deseja realizar os exames para certificação, deve ficar ligado em todas as mudanças e objetivos de cada exame, pois agora cada um dos mencionados aqui tem uma finalidade específica.

Iris Sousa

Estagiária do TC | TC School.

Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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