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CPC-16: Entenda o estoque na contabilidade financeira

07/04/2021 às 15:00

TC School

Nesse texto, trataremos sobre os estoques, apresentando resumo e o conceito ao investidor, e especialmente como pode ser feita a análise dos indicadores de estoque, custos, valor realizável líquido e outros termos que envolvem o tema dentro da análise fundamentalista de ações listadas em Bolsa de Valores. Assim, para melhor guiar o leitor, o texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • CPC-16: Estoques e conceitos relacionados
  • Como o investidor deve analisar os estoques
  • Indicadores de estoque
  • A importância do tema para o investidor?

Boa leitura!

CPC-16: Estoques

Conceitos relacionados

Os estoques são conceituados pelo CPC-16 como, todos os ativos que estejam mantidos sob gestão e controle da empresa para venda, em processo de produção para venda ou matéria-prima/suprimentos que serão utilizados no processo de produção para criar o produto/serviço que será vendido.

Depois de entender o conceito de estoque, devemos saber que esses itens podem ser mensurados de duas formas, que são:

  • Custo
  • Valor realizável líquido

Quando abordamos a mensuração pelo custo na gestão e controle da empresa, deve-se lembrar que essa mensuração deve incluir diversos aspectos, dentre eles destacam-se:

  • Custo de aquisição

O custo de aquisição é o preço de compra, incluído o tributos (exceto os recuperáveis), custos de transporte, seguro, e qualquer custo que esteja diretamente ligado ao processo de aquisição.

  • Custo de transformação

O custo de transformação é a parte que vai incluir todos os custos que envolveram o processo de transformar a matéria prima no produto, logo, os custos de transformação são aqueles ligados à linha de produção, como por exemplo, mão de obra da produção, energia, manutenção de máquinas do processo fabril, entre outros.

  • Outros custos

Já os outros custos, são aqueles que não são de transformação nem de aquisição, exemplos deles são, custos no desenho de produtos, custos com armazenagem, entre outros.

Como mensurar os estoques

Portanto, para mensurar o valor realizável líquido pressupõem que nem todos os estoques, que forem danificados ou que sofrerem algum processo que deixe o mesmo obsoleto, será vendido.

Logo, essa forma de mensuração vai representar o valor do ativo vendido, considerando um processo normal de venda e deduzindo todos os custos de conclusão da produção, bem como o da concretização da venda.

Assim, quando a empresa mensurar o valor de custo e o valor realizável líquido, o estoque será contabilizado pelo que tiver menor valor entre os dois.

Valorização dos estoques

Depois de entender como são mensurados, abordaremos agora como pode ser feito a valorização do estoque sob controle e gestão da empresa.

  • PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair)

A primeira forma é a do PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair), essa metodologia faz com que os ativos que serão vendidos, tenham sido os primeiros a serem produzidos, assim, os ativos que ficam mais tempo no estoque, são os que foram produzidos por último.

  • UEPS (Último a Sair, Primeiro a Sair)

A segunda é a do UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair), nessa metodologia, a logica é a inversa apresentada acima, na qual, faz-se se a baixa das vendas pelo custo da última mercadoria que entrou, apesar da existência dessa metodologia, ela não é aceita pelo CPC/IFRS.

  • Custo médio ponderado

Por fim, a terceira metodologia é a do custo médio ponderado, essa metodologia vai realizar médias ponderadas entre os itens produzidos, sendo assim, calcula-se o custo do estoque por meio da média dos ativos produzidos.

Política contábil para estoque

Caso o investidor tenha interesse em saber qual é a política contábil para os estoques, tanto para sua mensuração, quanto para a sua valorização, ele deverá buscar na nota explicativa de política contábil de cada empresa, abaixo, o exemplo da nota da BRF (BRFS3).

Estoques na nota explicativa da BRF S.A

Estoques são avaliados ao custo médio de aquisição ou formação dos produtos acabados e inferiores ao valor realizável líquido. O custo dos produtos acabados inclui matérias-primas adquiridas, mão de obra, custo de produção, transporte e armazenagem, que estão relacionados a todos os processos necessários para a adequação dos produtos em condições de venda.

Reduções ao valor realizável líquido dos estoques por obsolescência, deterioração, baixa movimentação e valor realizável pela venda são mensuradas e registradas em cada período conforme necessário. As perdas normais de produção integram o custo de produção do respectivo mês, enquanto as perdas anormais, se houve, são registradas diretamente na rubrica de Custo dos Produtos Vendidos sem transitar pelos estoques.

Como analisar os estoques?

Depois de entender os principais conceitos que envolvam os estoques dentro do CPC-16, apresentaremos algumas informações que o investidor poderá retirar da nota explicativa. Para fins de exemplo, utilizaremos os estoques da BRF (BRFS3).

Conforme a figura acima, o investidor pode perceber que houve um aumento expressivo no saldo de estoques da BRF (BRFS3), dentre eles, destacam-se o aumento das matérias-primas e dos produtos acabados.

Outra informação possível, é identificar quanto desse estoque ficou obsoleto, conforme a figura abaixo, nota-se que o saldo de estoque deteriorados caíram e os estoques obsoleto aumentou, porém, observamos que houve um aumento no saldo da redução ao valor realizável líquido dos estoques.

Além da análise feita de forma mais qualitativa, também podemos calcular o Prazo Médio de Estocagem (PME), esse indicador vai mensurar qual é o tempo que os produtos ficam no estoque da companhia, para calcular esse indicador, utilizaremos a seguinte formula:

Assim, com base nos dados de 2017 a 2020 da BRF, calcularemos o PME e faremos um comparativo com a média de 2020 a 2018.

Conforme a figura acima, nota-se que o prazo médio de estocagem dos ativos aumentou de forma considerável, terminando 2020 em 64 dias (+ 9 dias), da mesma forma, quando comparamos o índice a média dos últimos 3 anos, também temos um resultado superior em 4 dias.

Apesar do aumento, devemos lembrar que por causa da pandemia da Covid-19, a BRF (BRFS3) aumentou seus estoques e consequentemente, o prazo também aumentou, porém, passado esse período, os valores devem diminuir.

Por fim, de forma indireta, podemos evidenciar o impacto dos estoques na demonstração do resultado, por meio dos Custos de Mercadoria Vendidas (CVM) e também na demonstração do fluxo de caixa que vai evidenciar se os estoques aumentaram ou diminuíram o saldo de caixa da companhia.

Conforme a figura acima, evidencia-se que os estoques ajudaram a aumentar o caixa da BRF em um saldo de R$ 2,622 bilhões.

Já acima, evidencia-se o custo dos produtos vendidos que a companhia teve no ano de 2020 e 2019.

A importância do tema para o investidor

Assim, devemos lembrar aos investidores que a análise dos estoques, que é um dos itens que compõe o balanço patrimonial e tem sua relação tanto com a demonstração do resultado quando da demonstração do fluxo de caixa, pode fornecer informações importantes para o processo de análise do investidor.

Ígor Leite
Ígor Leite
Contador e Mestre em Ciências Contábeis pelo PPGCC/UFPB
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