Decifrando a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) - TC

TC School / Contabilidade financeira

Decifrando a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)

24/08/2021 às 11:33

TC School

Nesse texto, faremos uma continuação sobre a Demonstração dos Fluxos de Caixa abordando o que significam as movimentações que compõe cada fluxo de caixa e as informações possíveis de serem obtidas na demonstração do fluxos de caixa. Assim, para melhor entendimento, o material será apresentado da seguinte forma:

  • Tipos de DFC;
  • Variações nos saldos;
  • Fluxos de caixa;
  • Qual importância dessa informação para o investidor.

Boa leitura!

DFC

Tipos de DFC

Antes de nos aprofundarmos na demonstração propriamente dita, apresentaremos os dois tipos de métodos para elaboração da demonstração de fluxos de caixa: o método direto e o método indireto.

Esses dois modelos de demonstração de fluxo de caixa apresentam diferenças no modo que o fluxo de caixa operacional (FCO) é calculado.

Método Direto

O método direto, como o próprio nome já diz, vai ser elaborado por meio das movimentações que impactaram o caixa diretamente, assim a DFC vai ser elaborada por meio das movimentações realizadas nas principais contas contábeis de recebimentos brutos e pagamentos brutos (CPC 03, 2010).

Outra característica da DFC do método direto é que só são utilizadas informações referentes ao Balanço Patrimonial, diferente do outro método que também utiliza informações da Demonstração do Resultado.

Porém, as companhias brasileiras fazem mais o uso da DFC do método indireto, uma vez que caso a companhia opte pelo método direto, além da DFC também deverá adicionar uma nota explicativa apresentando a conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais.

Método Indireto

Por sua vez, o método indireto vai ser elaborado por meio das movimentações que impactam o caixa indiretamente, nesse sentido, esse modelo vai realizar ajustes de itens que impactaram o caixa indiretamente como:

  • Lucro/prejuízo do exercício;
  • Depreciação;
  • Provisões;
  • Tributos diferidos;
  • Ganhos e perdas cambiais não realizados;
  • Resultado de equivalência patrimonial;
  • Entre outros.

Assim, no método indireto são apresentadas as informações do fluxo de caixa operacional em que são evidenciadas as variações do fluxo de caixa operacional acrescidos de efeitos causados pelas transações não caixa e pelos efeitos de diferimentos por competência sobre recebimentos de caixa ou pagamento em caixa operacional.

Diferença entre os dois métodos

A única diferença existente no momento da elaboração desses dois métodos é quanto às informações apresentadas no fluxo de caixa operacional: no método direto é apresentado de forma direta as variações entre as entradas e saídas de caixa, e no método indireto são adicionados itens que indiretamente afetam o fluxo de caixa operacional.

Apresentação dos Fluxos de Caixa

Depois de entender que existem duas maneiras de elaborar a DFC, apresentaremos o significado dos três fluxos que a compõe. É importante ressaltar que mesmo elaborados em modelos diferentes (direto ou indireto), os fluxos devem apresentar o mesmo valor quando ou se comparados no método direto e indireto.

As informações contidas no fluxo de caixa operacional são referentes as atividades operacionais da companhia que devem ser de onde a empresa vai ser capaz de gerar a sua receita. Além disso, outras atividades que não classificadas como atividades de investimento ou financiamento (CPC 03,2010).

Já as informações contidas no fluxo de atividades de investimentos fazem referência às, por exemplo, aquisições ou vendas de imobilizado e intangíveis, bem como outros tipos de investimento (CPC 03, 2010).

Por fim, no fluxo de atividades de financiamento são apresentadas as atividades de financiamento, ou seja, atividades que têm relação com alterações no patrimônio líquido (capital próprio) da companhia ou no passivo da companhia (capital de terceiros) (CPC 03, 2010).

Variações nos saldos

Agora, depois de entender os tipos de DFC e o que significa cada fluxo de caixa, apresentaremos como analisar as variações nos saldos que são divulgadas na DFC. Para fins de exemplo utilizaremos os dados divulgados pela Lojas Renner (LREN3).

Conforme a figura acima, evidencia-se que a companhia utiliza o método indireto. Agora, analisando a DFC se ressalta que antes de apresentar propriamente a variação dos ativos e passivos, a companhia fez a conciliação do lucro com o fluxo de caixa.

Depois de evidenciar os ajustes, a companhia vai apresentar as variações nos itens do ativo e passivo. Antes disso, para melhor entender os sinais utilizaremos a figura abaixo.

AumentaramDiminuíram
Contas de Ativo+
Contas de Passivo+

Fluxos de Caixa

A explicação para os sinais pode ser feita da seguinte maneira: quando a companhia compra estoque (conta de ativo) ela realizará um desembolso financeiro para fazer essa compra, por isso, na DFC apresentam-se aumentos de estoque com o sinal negativo.

Caso a companhia diminua a quantidade de estoques que ela possui, significa que ela vendeu, logo o efeito é positivo aumentando o caixa.

Por sua vez, quando a companhia faz uma compra a prazo – fornecedor (conta de passivo), significa que ainda não houve o desembolso financeiro. Dessa maneira, na DFC será apresentado um sinal positivo. Quando o sinal aparece negativo, significa que a companhia realizou o pagamento e tem um efeito negativo no caixa.

Depois de entender as variações, voltemos ao exemplo da Renner. Nesse caso, a companhia teve um impacto positivo no saldo de contas a receber, recebendo R$ 240 milhões em caixa, da mesma forma, quando observamos o saldo de fornecedores, a companhia realizou o pagamento de fornecedores em R$ 335 milhões.

Já na figura acima, é evidenciado o fluxo de caixa de investimentos. Como a companhia fez aquisições de imobilizados e intangíveis (ativos) o saldo negativo de R$ 494 milhões representa um desembolso financeiro. Por sua vez, o recebimento por vendas de ativos fixos, apresentado com um sinal positivo, evidencia que a companhia recebeu os R$ 246 mil.

Por fim, o último fluxo de caixa é o de financiamento, sendo assim, com base na figura, evidencia-se que a companhia captou R$ 1,315 bilhão, sinal positivo, uma vez que com a captação o dinheiro vai entrar no caixa, trazendo um impacto positivo.

Ao mesmo tempo, a amortização de empréstimos é apresentada com um sinal negativo de R$ 1,310 bilhão evidenciando que a companhia realizou um desembolso para pagar essa amortização.

Além disso, observa-se o impacto do aumento de capital que a companhia fez em R$ 3,911 bilhões, sinal positivo, uma vez que esse dinheiro entrou no seu caixa.

Assim, depois de apontar os três fluxos, a empresa vai apresentar possíveis efeitos da variação cambial sobre o saldo de caixa e equivalentes de caixa e, em seguida, apresentar o aumento ou redução no caixa e equivalentes de caixa, bem como o saldo inicial e final de caixa e equivalentes de caixa.

Qual importância dessa informação para o investidor

Este texto dá continuidade à série de artigos que o TC School vem fazendo sobre contabilidade financeira.

Aqui, abordamos informações a respeito da demonstração dos fluxos de caixa, como a existência de dois modelos para elaboração da demonstração, o que são os fluxos de caixa que compõe essa demonstração e como fazer a leitura das variações dos saldos na demonstração.

Assim, com base nesse texto, o investidor poderá ter uma melhor visão do funcionamento da DFC, como os fluxos que a compõe, bem como a forma para realizar a leitura do demonstrativo em questão.

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Ígor Leite
Ígor Leite
Contador e Mestre em Ciências Contábeis pelo PPGCC/UFPB
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