Como analisar e calcular a depreciação de um ativo - TC

TC School / Contabilidade financeira

Como analisar e calcular a depreciação de um ativo

13/04/2021 às 12:00

TC School

Neste texto, trataremos sobre a depreciação no mercado de capitais, apresentando como é o processo de depreciação e outros conceitos que envolvam o tema dentro da contabilidade financeira.

Para melhor guiar o leitor, o texto estará dividido nos seguintes tópicos:

  • Conceitos em contabilidade
  • Como calcular a depreciação?
  • Aplicação prática com análise da BRF (BRFS3)
  • Como contabilizar a depreciação?
  • A importância do conceito para a contabilidade

Boa leitura!

Depreciação

Conceitos da contabilidade

A depreciação é conceituada pelo CPC-27, como uma alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil, assim, devemos associá-la como um valor que vai deixar um ativo tangível com seu valor mais próximo da realizada.

Por exemplo, você comprou um carro e vai utilizá-lo por 5 anos, no final desses 5 anos, o carro não terá mais valor. Portanto, a cada ano, o valor do carro será reduzido em 20%, esse valor é a depreciação.

A vida útil

Outro conceito importante é o de vida útil. A vida útil engloba um determinado período no qual a companhia espera utilizar esse ativo tangível ou simplesmente o número de unidades de produção que a organização espera obter por meio da utilização desse ativo.

Valor depreciável

Já o valor depreciável é o custo de um ativo menos o seu valor residual. Este, por sua vez, representa o quanto a companhia espera obter da venda de um ativo após deduzir as despesas do processo de venda, além de considerar que esse ativo já estivesse no final da sua vida útil.

Assim, após entender os conceitos, apresentaremos como podemos calcular a depreciação.

Como calcular a depreciação

Existem diversos métodos de depreciação, o CPC-27 apresenta três deles que são:

  1. Linha reta;
  2. O método dos saldos decrescentes; e
  3. O método de unidades produzidas.

O primeiro método considera que a despesa será constante em toda a vida útil do ativo. Abaixo um exemplo que considera um ativo que custou R$ 100.000,00 não tem valor residual e tem uma estimativa de vida útil de 10 anos.

Já o método dos saldos decrescentes, a companhia irá mensurar o valor da despesa de forma descrente, durante a vida útil do ativo. Abaixo um exemplo, utilizando as mesmas premissas apresentadas acima:

O último método, vai considerar as unidades que a companhia produz com base no ativo depreciado. Abaixo um exemplo, utilizando as mesmas premissas apresentadas no método da linha reta.

Análise da BRF (BRFS3)

Para saber qual é o método que as empresas utilizam, o investidor deverá buscar nas políticas contábeis da companhia, que são disponibilizadas nos seus relatórios contábeis, abaixo o exemplo da política da BRFS3.

Ativo imobilizado

Fonte: Site RI da BRF

Como contabilizar a depreciação?

Após entender os tipos, apresentaremos o registro contábil da depreciação.

  • Débito – Despesa com Depreciação (Custos com depreciação)
  • Crédito – Depreciação Acumulada (Imobilizado)

Conforme acima, devemos fazer um lançamento a débito na conta de despesas (ou custos), para assim aumentar o valor dessas respectivas contas e fazer um lançamento a crédito em depreciação acumulada, que irá reduzir o valor do Imobilizado apresentado no balanço patrimonial.

O investidor que quiser identificar o valor da depreciação (despesa ou custo) deverá buscar a nota de Despesa/Resultado por natureza, abaixo, o exemplo da BRF (BRFS3):

Fonte: Site RI da BRF

Já a depreciação acumulada, pode ser observada por meio da nota de imobilizado, conforme a figura abaixo:

Fonte: Site RI da BRF

A importância da depreciação para a contabilidade

Por fim, depois de entender os conceitos que envolvem o tema, os tipos e como é a contribuição, falaremos agora da importância do conceito para a contabilidade.

Uma das importâncias do conceito para a contabilidade é que, com o registro da depreciação, os ativos tangíveis passam a ser representados em um valor mais próximo da realidade.

Outro ponto que muitas vezes é confundido é que a depreciação não tem efeito caixa. Conforme Martins (1999), ela nada mais é do que a alocação de um pedaço do caixa desembolsado (ou mesmo a desembolsar) na aquisição de um imobilizado.

Desta forma, o autor explica que a única diferença entre o efeito caixa e o registro é a diferença temporal entre o reconhecimento desse encargo e o respectivo reflexo financeiro ser grande.

Um exemplo, conforme elencamos no início do artigo, seria na compra de um carro, que terá vida útil de 10 anos e todos os anos as companhia fará o registro da depreciação. Entretanto, o efeito caixa dessa venda a um valor inferior ao custo menos a depreciação só será conhecido no final do processo.

Para entender isso matematicamente, sugiro a leitura do texto “Lucro, fluxo de caixa e accruals – não é um mero ajuste contábil sem efeito caixa“, escrito pelo Professor Felipe Pontes, Diretor Educacional e de P&D do TC.

Referências

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 27 ATIVO IMOBILIZADO Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 16. Disponível em www.cpc.org.br.

GELBCKE, Ernesto Rubens et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades de acordo com as normas internacionais e do CPC. 2018.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade versus fluxo de caixa. Caderno de Estudos, n. 20, p. 01-10, 1999.

Ígor Leite
Ígor Leite
Contador e Mestre em Ciências Contábeis pelo PPGCC/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC School

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