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Bitcoin hoje: Por que dessa vez é diferente?

19/02/2021 às 11:10

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O investimento em Bitcoin atravessa ciclos como todo outro ativo. No Bitcoin esses ciclos ocorrem de acordo com a proximidade com os eventos de halving, quando a emissão de Bitcoin cai pela metade. Ou seja, o halving se refere a um evento no Bitcoin onde o prêmio por minerar um bloco diminui pela metade a cada 4 anos, fazendo com que a oferta de moeda se torne mais escassa.

Os mercados altistas do Bitcoin possuem diversas similaridades, e quem é investidor de longa data no ativo é capaz de perceber essas similaridades, principalmente no que diz respeito a sentimento e narrativas do mercado, mas também na dinâmica dos preços da criptomoeda. Todavia, o mercado altista atual (2020-2021) tem algumas particularidades relevantes em relação aos demais. Será então que dessa vez é diferente?

Nesse artigo elencamos 5 indicativos de que sim, desta vez é diferente pois é um ciclo motivado e liderado principalmente por investidores institucionais que nunca antes haviam se interessado pelo Bitcoin!

  1. Grayscale AUM
  2. Tickets mais altos sendo retirados das Exchanges
  3. Empresas de Capital Aberto alocando suas tesourarias em Bitcoin
  4. Grandes investidores estão investindo em Bitcoin
  5. A corrida pelo Bitcoin: varejo vs. institucionais

Boa leitura!

Bitcoin hoje seria o ouro digital?

Acho que o bitcoin (e algumas outras moedas digitais) se estabeleceram nos últimos dez anos como alternativas interessantes de ativos semelhantes ao ouro.Ray Dalio

Grayscale AUM

Grayscale é a empresa do Barry Silbert, um investidor que está envolvido com criptomoedas desde o início do Bitcoin. Eles possuem os veículos que atualmente são a preferência dos investidores institucionais. São investimentos no formato de trusts ou fundos fiduciários que investem em uma ou mais criptomoedas subjacentes. O principal deles é o gBTC que investe no Bitcoin, mas tem também o Ethe que investe no Ethereum, LTCN que investe no Litecoin, entre outros.

A captação do gBTC nos últimos meses tem sido extraordinária. Para se ter uma ideia, o gBTC foi fundado em 2013. No início de 2020 o fundo possuía aproximadamente US$ 2 bilhões em ativos sob custodia. O gBTC fechou 2020 com aproximadamente US$ 17.5 bilhões em ativos sob custódia, um aumento superior a 8x!!!

No gráfico a seguir podemos ver a quantidade de Bitcoins em posse do fundo. É seguro dizer que boa parte desse volume de captação primária vem de investidores institucionais, pois os pré-requisitos são: investimento mínimo de US$ 50 mil e ser um investidor profissional (o processo de KYC é minucioso e restritivo).

Grayscale Bitcoin Holdings

Fonte: CryptoQuant

Tickets mais altos sendo retirados das Exchanges

Um movimento que acompanhamos nas criptomoedas e que não é tão claro nos mercados de ações tradicionais é o volume de dinheiro retirado das corretoras. Através desses dados podemos visualizar a quantidade dos tickets de compra, à medida que, na maioria dos casos, as corretoras são utilizadas apenas para compra e venda, e não para custódia. Ou seja, um investidor compra criptos nas exchanges, e posteriormente retira suas criptos para uma carteira digital própria voltada pra armazenagem (ou alguma outra solução de custódia).

O gráfico abaixo mostra que em 2017, o ticket retirado de exchanges não costumava passar de 10 Bitcoins, enquanto atualmente existe uma frequência muito maior de retiradas entre 10-100 Bitcoins, indicando novamente a entrada de grandes gestores e institucionais.

Fonte: Glassnode

Já no gráfico a seguir podemos visualizar a quantidade de carteiras com mais de 1.000 Bitcoins:

Fonte: Glassnode

Empresas Ltda. alocando tesourarias em Bitcoin

Como vimos anteriormente, existem uma série de empresas de capital aberta, listadas em bolsas mundiais, que estão envolvidas na criptoeconomia. Essas empresas geralmente são de infraestrutura de pagamentos ou mineração. Agora, vimos uma empresa de outro segmento comprando Bitcoins. Sim, uma empresa de capital aberto americana investiu em BTCs.

Isso não apenas se tornou permitido pelo órgão regulador americano, como houve de fato um CEO de uma empresa listada na Nasdaq que optou por converter todo o seu caixa para Bitcoin. Mais do que isso, Michael Saylor se tornou um defensor ferrenho da sua tese, demonstrando em diversas mídias, a lógica por trás de seu investimento em Bitcoin.

Segundo ele, houve uma cuidadosa avaliação entre recompra de ações e/ou distribuição de dividendos, já que a empresa possuía um excedente relevante de caixa. Ele chegou a conclusão que não existe maneira melhor para preservar e criar valor pros seus acionistas, que converter o caixa em Bitcoin.

Traduzindo os tweets acima:

O sinal é expansão monetária em todo lugar. O problema é que as pessoas vão perder metade da sua riqueza em alguns anos. A solução é #Bitcoin.”

Todos os meus melhores investimentos foram em redes que todos precisavam, ninguém podia parar, e poucos entendiam, #Bitcoin é a rede monetária.”

Na página da Microstrategy você verá um painel que compara os retornos em BTC contra uma lista de moedas, commodities e ações, mostrando também métricas com o Índice Sharpe, que demonstram a superioridade do investimento no Bitcoin. Mais do que considerar o Bitcoin uma melhor reserva de valor, Michael Saylor acredita que a compra de Bitcoin é a melhor maneira de maximizar o retorno para o acionista, e opta por alocar os recursos em caixa da companhia no ativo ao invés de recomprar ações, fusões e aquisições, e/ou distribuir dividendos.

Seguindo o exemplo da Microstrategy, Elon Musk anunciou recentemente que comprou US$ 1.5 bilhões do seu caixa em Bitcoin, conforme matéria publicada no TC. Mais que isso, Elon Musk anunciou que a partir de agora vai ser possível comprar os carros da Tesla com Bitcoins. Musk postou o enigmático tweet: “In retrospect it was inevitable” (Olhando em retrospecto, foi inevitável)

Abaixo, é possível visualizar uma lista das empresas de capital aberto que possuem Bitcoins (BTC) na tesouraria:

Grandes investidores estão investindo em Bitcoin

Paul Tudor Jones, Stan Druckenmiller, Jim Simmons, Anthony Scaramucci e Bill Miller investiram em Bitcoin. E o JP Morgan agora tem um relatório sobre a criptomoeda.

Poucos paradigmas são mais difíceis de serem mudados como uma nova classe de ativo que se propõe a funcionar como reserva de valor. Somando-se a isso, é um ativo que não foi criado pelo mercado financeiro tradicional, e sim por especialistas em ciência da computação, criptografia e sistemas distribuídos. Introduziu uma série de novos conceitos e tecnologias jamais vistas pelo mercado financeiro tradicional, e que em certos aspectos ameaça o status quo do sistema financeiro. Por tudo isso, é surpreendente ver gestores renomados considerando Bitcoin como alternativa de investimento.

Traduzindo um tweet de 21 de novembro de 2017, de Nick Szabo, um dos pioneiros em criptoeconomia, escreveu o seguinte: “Primeiro eles dizem que é teoricamente impossível. Depois, que talvez seja possível, mas certamente não é prático. Depois que apenas grupos marginais estão utilizando. Eventualmente dizem que estão estudando o tema. Agora dizem que é o futuro e que estão aqui para regular e prover governança”.

Para quem não conhece esses nomes:

  • Jim Simmons é o gestor quant mais famoso do mundo, com retornos ao norte de 30% ao ano em média. Seu fundo Medallion preencheu formulários do órgão regulatório americano para comprar e vender futuros de criptomoedas.
  • Stan Druckenmiler foi o gestor e braço direito de George Soros, um dos investidores mais famosos do mundo. Conhecido pela aposta contra o Banco da Inglaterra, ao lado de Soros.
  • Paul Tudor Jones é mais um gestor sênior bilionário (em dólares), conhecido por prever o crash do mercado acionário americano em 1987 e por suas apostas em moedas, falou “Cheguei à conclusão de que o bitcoin seria o melhor dos negócios de inflação – os negócios defensivos”.
  • Anthony Scaramucci, que foi o diretor de comunicação da Casa Branca, é também um investidor ex- Goldman Sachs e o fundador da SkyBridge Capital com US$ 10 bilhões sob custódia.
  • Bill Miller, ex-CEO da Legg Mason, um dos mais conhecidos value investors, falou o seguinte sobre o Bitcoin : “É uma inovação tecnológica como nunca vimos antes e está ganhando aceitação a cada dia”.

Isso sem falar em empreendedores de tecnologia já reconhecidamente pró Bitcoin como Chamath Palihaptyia, Marc Anderseen, Jack Dorsey, entre outros.

Corrida pelo Bitcoin

O interesse do varejo em investir em Bitcoin veio depois do aumento de preços da criptomoeda e não antes, o rally veio dos investidores institucionais.

Outros rallys de Bitcoin foram motivados por FOMO (fear of missing out) do varejo. Um mix entre “Hodlers”, os investidores de longo prazo do BTC, que se recusavam a vender suas moedas, e especuladores seduzidos pela possibilidade de retornos expressivos, foram o combustível perfeito para os últimas altas do Bitcoin.

Entretanto, devido a grande quantidade de investidores que compraram o ativo no auge do último ciclo do Bitcoin, próximo das máximas, houve uma crise de confiança prolongada do investidor de varejo. Não à toa, tivemos um “Bear Market” longo e doloroso entre 2018 e 2020.

O interesse pelo Bitcoin só voltou a crescer após a alta dos preços, como podemos ver no gráfico do Google Trends abaixo:

Já no gráfico seguinte, vemos que as visitas às principais corretoras de pessoa física mais do que triplicaram entre dezembro e janeiro após o Bitcoin já ter mais que quadriplicado de valor do seu patamar no início de 2020.

Como elencamos acima, existe um interesse latente de investidores institucionais no Bitcoin. Talvez porque temos a tempestade perfeita para a tese de investimentos na moeda. Investidores em todo o globo estão preocupados com a impressão sem limites de bancos centrais, principalmente o americano. Abaixo a oferta de moeda dos EUA:

A expectativa é de que essa quantidade colossal de dinheiro possa causar inflação. Mas é mais do que isso. Muitas pessoas já percebem o quão disfuncional está o sistema financeiro, e o quanto o dinheiro está sendo mal distribuído, não chegando na ponta, e gerando caos social, revoltas, e um certo renascimento do socialismo. Nesse cenário, o Bitcoin é a fuga do mercado financeiro tradicional.

Por concluir, apresentamos abaixo relatório de janeiro de 2021, onde o JP Morgan destacou uma vantagem dessa classe do ativo:

Em relação a qualquer outra classe de ativos ou hedge de portfólio, as criptomoedas protegem exclusivamente as carteiras contra uma perda simultânea de fé na moeda de um país e em seu sistema de pagamento, porque são produzidas e circulam fora dos canais convencionais e regulamentados.”

Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

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