Bitcoin: vale a pena investir? 5 críticas envolvendo a criptomoeda - TC

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Bitcoin: o que você precisa saber para evitar o FUD

21/01/2021 às 17:07

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O Bitcoin é um ativo relativamente novo, com características únicas e tecnologias pouco conhecidas pelo mercado financeiro. Como toda novidade, aparecem todos os tipos de críticas e também alguns mitos. Esse artigo se propõe a debater através de um ponto de vista técnico e agnóstico essas narrativas do mercado sobre o criptoativo, permitindo que o investidor tome uma decisão de investimento (ou não) com embasamento técnico acerca das criptomoedas. A seguir, abordamos 5 críticas envolvendo o bitcoin:

  • O bitcoin não tem lastro;
  • O bitcoin não pode ser uma reserva de valor porque ele é muito volátil;
  • O bitcoin é uma bolha como as tulipas holandesas;
  • O bitcoin é a moeda do crime, utilizada por hackers e para lavar dinheiro; e
  • O bitcoin pode ser facilmente superado por uma moeda melhor e mais tecnológica.

Boa leitura!

Investimentos em Bitcoin

O Bitcoin não tem lastro

Antes de discutir se o bitcoin tem lastro, é importante entender se as moedas fiat, moeda legal de qualquer país, como o real e o dólar, possuem (ou não) lastro e como isso se dá. Quando se fala em lastro, efetivamente queremos entender se aquele papel moeda possui uma garantia de valor.

Algumas das primeiras formas de dinheiro utilizadas pela humanidade foram commodities grãos, como trigo e cevada, em sociedades agrárias cerca 3000 AC. E, em um segundo momento, moedas feitas a partir de commodities metálicas (ouro, prata e cobre) cerca 700 AC, segundo dados do livro “The Nature of Money”, de Geoffrey Ingham.

Apesar de haver indícios de atividade bancária privada e emissão de notas promissórias na Idade Média, foi somente no final do século XVII que surgiu na Suécia o primeiro Banco Central da história. E já no século seguinte, na Inglaterra, iniciou-se a emissão de notas bancárias pelo Banco da Inglaterra. Os bancos centrais eram garantidores do valor daquelas notas.

Para garantir o lastro de suas notas, os bancos centrais deveriam ter em tesouraria a quantidade de ouro equivalente à sua emissão de papel moeda. Esse era o padrão ouro que existiu em toda a Europa do século XIX até as grandes guerras mundiais.

Tratado de Breton Woods

A partir de 1944, ao final da Segunda Grande Guerra, veio o Tratado de Breton Woods, determinando que os bancos centrais mundiais deveriam seguir o padrão dólar, ou seja, ter suas moedas lastreadas no dólar, enquanto o dólar deveria ser lastreado no ouro. Então de certa forma, o padrão ouro continuou mesmo que de forma indireta.

As moedas fiat

Em 1971 o Tratado de Breton Woods foi oficialmente abandonado por Richard Nixon. Assim, a partir de 1971, passamos a chamar as moedas nacionais de moedas fiduciárias (ou moedas fiat), pois elas deixam de possuir lastro no ouro (ou algum outro metal escasso), e os governos passam a ser garantidores do seu valor. O governo garante que será possível para o cidadão pagar os seus impostos com aquele papel moeda, e, para isso, existem as chamadas leis de curso forçado.

Alguns consideram isso um lastro, outros não. De qualquer forma, apesar de o governo garantir a validade do papel moeda, ela deixa de ser escassa e o indivíduo que a detém pode perder poder de compra com o aumento indiscriminado na sua oferta.

Já vimos este efeito em diversos choques inflacionários em países como Brasil, Argentina, Venezuela entre outros, e também de forma mais sutil em países de primeiro mundo, incluindo os EUA.

Para Saifedean Ammous, no livro The Bitcoin Standard: The Decentralized Alternative to Central Banking, “o dinheiro fácil de produzir não é dinheiro, e o dinheiro fácil não enriquece a sociedade; pelo contrário, torna-a mais pobre ao colocar toda a sua riqueza arduamente ganha à venda em troca de algo fácil de produzir.”

Há quem argumente também que o dinheiro nada mais é que uma construção social, e o seu valor advém da capacidade de atender as necessidades da sociedade. À medida que as pessoas têm confiança no valor de um papel contendo uma promessa de pagamento, ele se torna uma forma eficiente de moeda.

O caso do Bitcoin

O bitcoin de fato não possui governos ou exércitos garantindo seu valor. É o contrário, trata-se de uma rede descentralizada onde os próprios usuários são incentivados a agir honestamente, em um mecanismo validado por teoria dos jogos. O que confere valor ao bitcoin é a energia e os recursos empregados para validar as suas transações, em um mecanismo chamado de “prova de trabalho”. É esperado (e comprovado) que indivíduos que dispenderam recursos e trabalho para proteger a rede, estejam motivados a agir honestamente para preservar o valor do seu trabalho.

Além disso, o protocolo do bitcoin, com uma oferta de moeda pré-determinada e limitada, e com emissão cada vez menor ao longo do tempo, replica as propriedades de escassez do ouro, tornando-o uma espécie de “hard money”, um dinheiro difícil de produzir.

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O bitcoin é uma bolha como as tulipas Holandesas

O fenômeno das tulipas holandesas foi um episódio no século XVII onde tulipas, bens com pouca utilidade, se tornaram uma febre e atingiram preços exorbitantes, entretanto, alguns meses depois, os preços sofreram um crash. As tulipas chegaram a ser negociadas por dez vezes o salário de um trabalhador da época. Esse episódio se tornou um exemplo clássico de como os mercados podem se tornar irracionais.

Apesar do preço do bitcoin, por vezes exibir comportamento de bolha, é importante distinguir o bitcoin das tulipas. Primeiro porque as tulipas não tinham função, ou utilidade que justificasse o seu valor, enquanto o bitcoin possui utilidade dentre outras coisas, para proteger contra inflação e perda de poder de compra. Segundo porque a bolha das tulipas durou seis meses e após o crash, as tulipas nunca voltaram a valer valores relevantes.

Já o bitcoin apesar de possuir pequenos ciclos de bolha, se apreciou desde o início. Seus topos e fundos são ascendentes ao longo do tempo, e a sociedade cada vez mais percebe valor neste ativo. Se analisarmos o último crash do ativo no final de 2017, seguido de três anos de recuperação até atingir novas máximas no final de 2020. Dessa forma, fica ainda mais claro que esta é uma das críticas mais frágeis à cotação do bitcoin. Qual bolha de repente ressuscitaria sem motivo?

Abaixo, há um gráfico dos topos e fundos ascendentes do bitcoin:

O gráfico seguinte mostra um comparativo das bolhas mais emblemáticas que tivemos na história, incluindo as tulipas holandesas, a bolha da internet, e também a bolha dos mares do sul na Inglaterra no século XVIII, comparadas com o bitcoin.

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Bitcoin não pode ser uma reserva de valor porque é muito volátil

Esta é uma das críticas mais pertinentes ao bitcoin. De fato, a volatilidade do bitcoin é superior a do ouro. Abaixo, o gráfico de volatilidade de 60 dias do bitcoin (em vermelho), comparado com ouro (em amarelo):


Ao comparar com ações, a Nasdaq conduziu um estudo, em novembro de 2020, que concluiu que a volatilidade do bitcoin de 90 dias, é menor do que apenas aproximadamente um quarto das ações do índice.

Essa volatilidade se dá principalmente porque trata-se de um ativo novo, que até pouco tempo atrás não tinha um volume relevante de negociação, o que facilitava manipulação de preço do bitcoin, e atraia muito capital especulativo. Em que pese o capital especulativo ainda existir, atualmente o ativo já é mais maduro e como podemos ver na tendência ao longo do tempo, sua volatilidade vem caindo.

Perceba também que o ouro, teve anos de extrema volatilidade nos primeiros anos em que deixou de ser obrigatório que os bancos centrais manterem reservas em ouro equivalentes a quantidade de moeda.

Entretanto, mais importante do que a volatilidade para a reserva de valor, é de fato a preservação do valor ao longo do tempo. Percebe-se na curva azul, do preço do bitcoin em escala logarítmica, que existe sim uma preservação do poder de compra, aliás, existe inclusive apreciação relevante em relação ao dólar, basta escolher uma janela longa o suficiente.

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O bitcoin é a moeda do crime

A história do Bitcoin se mistura com episódios dúbios, sem dúvida. No início, o bitcoin era a moeda da deep web, o dinheiro de hackers, utilizado em um mercado ilegal chamado “Silk Road” onde se negociava drogas de todos os tipos. Atualmente, isso mudou consideravelmente.

Podemos dizer que hoje a infraestrutura do bitcoin é bem mais regulada e segura. Recentemente uma decisão do governo americano tornou as corretoras de criptomoedas mais reguladas até do que os bancos tradicionais, com procedimentos bastante criteriosos de KYC – Know Your Client e AML – Anti Money Laundering.

Além disso, órgãos governamentais já são capazes de rastrear e associar carteiras de bitcoin a CPFs de pessoas físicas. Ou seja, já não consideramos o bitcoin uma moeda anônima, mas sim, uma moeda pseudônima, onde identidades estão protegidas até que se consiga associar uma chave criptográfica ao seu proprietário. Para aqueles que desejam cometer crimes, existem moedas com maior anonimato e proteção de identidade, como por exemplo as criptomoedas Monero e Zcash.

Gostou do assunto? Quer aprofundar-se no tema? Se liga nos estudos que saíram recentemente em alguns institutos de pesquisa sobre criptomoedas:

Todos relatórios concluem que o percentual das transações de bitcoin utilizado em atividades ilícitas é irrisório. Fala-se em percentuais menores que 1% para o crime. Esse percentual é menor do que o percentual de dinheiro em espécie utilizado para atividades ilegais, enterrando quaisquer narrativas nesse sentido.

Se todos esses estudos não forem suficientes, a Money Laundering Financial Action Task Force (FATF) do G-7 publicou a seguinte frase : “Cryptocurrency [represent a] “low risk” for money laundering and terrorist financing activities”.

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O bitcoin será superado por uma moeda melhor e mais tecnológica

Você sabia que mais de 6.000 alternativas ao bitcoin já foram criadas? Algumas mais rápidas, outras mais avançadas tecnologicamente, outras garantidas por equipes PhDs de universidades estreladas. Por que então nenhuma delas superou o bitcoin?

São alguns motivos que conferem ao bitcoin o status de benchmark do mundo crypto (mineral). O primeiro é o chamado “first mover advantage”, ou seja, a vantagem pelo fato de ser a primeira moeda do ecossistema. Por se tratar de dinheiro, além de requerer um alto grau de confiança, existem muitas externalidades de rede que levam a adoção deste ativo. Ou seja, quanto mais pessoas usam, mais incentivos e utilidade um novo usuário terá em usá-la também.

Tempo de existência

O fato de existir há mais tempo do que as demais moedas também depõe a favor do bitcoin. Em 1964, Albert Goldman descreveu o que chamamos de Lindy Effect. Um teorema de que a expectativa de vida de bens não perecíveis como tecnologia é proporcional a sua idade. Ou seja, quanto mais “velho” o bitcoin, mais tempo ele tende a durar. Na história das redes digitais, nunca houve uma rede que tenha sido superada por outra após atingir o valor de mercado de US$ 100 bilhões, e a capitalização de mercado hoje do bitcoin ultrapassa U$700 bilhões.

Nível de segurança

Um terceiro ponto para se ter em mente é que a propriedade “velocidade” ou “tecnologicamente avançada” não é necessariamente a mais importante para uma nova modalidade de dinheiro. Para que o dinheiro seja eficiente, espera-se que ele tenha uma maior segurança que os demais. Espera-se que tenha confiabilidade, durabilidade, e, por fim, que seja de fato descentralizado, e não liderado pela diretoria de uma companhia privada. O bitcoin maximiza essas características necessárias para moedas e reservas de valor.

Immaculate conception

Finalmente existe um conceito quando se fala em bitcoin que é chamado de “immaculate conception” (concepção imaculada). Trata-se de uma figura de linguagem que faz referência ao fato que quando o bitcoin nasceu, houve uma série de elementos que conspiraram a favor do seu nascimento, a saber:

  • O seu criador conseguiu se manter anônimo. Até hoje ninguém sabe quem é Satoshi Nakamoto. Logo, não existe uma figura que pode ser atacada ou sabotada;
  • Na tecnologia de cadeia de blocos, no início, os primeiros blocos são baratos e fáceis de serem explorados. À medida que novos blocos vão sendo criados, vai se tornando mais complexo e caro sabotar a rede;
  • O Bitcoin ficou um bom tempo “escondido” sem atrair possíveis sabotadores;
  • O Bitcoin ficou longe também da vista dos governos e órgãos regulatórios nos seus primeiros anos de vida. Atualmente é uma rede mundial, onde regulações específicas de países individualmente não são capazes de acabar com o BTC.

Todas essas características citadas acima atualmente seriam impossíveis de replicar.

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Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies
pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

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