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Como comprar criptomoedas e dicas de investimento no ativo

28/01/2021 às 17:00

TC School

Existem diversas formas para investir nas criptomoedas; seja pela compra à vista, seja por meio de contratos futuros, fundos de investimento regulados pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários, investimentos em cotas de mineração, e até compra de ações negociadas em bolsas mundiais com exposição ao mercado de criptomoedas.

Apesar dessa variedade de instrumentos, muitos deles ainda são desconhecidos, e os investidores acabam caindo facilmente em golpes como investimentos alternativos que garantem rendimentos mensais. O mercado de criptomoedas está repleto desses golpes.

Histórias de fraudes não faltam, e esses esquemas fazem com que as pessoas atrelem criptomoedas a golpes e pirâmides. É importante separar o joio do trigo, e que o investidor conheça alternativas sólidas de investimento com suas respectivas vantagens e riscos. Esse é o objetivo deste texto. Para isso, elencamos a discussão nos seguintes tópicos:

  • Compra e venda à vista
  • Compra e venda de futuros
  • Fundos de investimento – CVM
  • ETN’s, ETF’s e Trust’s internacionais
  • Investimento em mineração (mining)
  • Investimento em empresas com exposição a criptoeconomia

Boa leitura!

investimento em criptomoedas

Antes de investir nas criptomoedas

Antes de começar nosso artigo, queremos deixar uma mensagem bem clara: Não existe investimento em criptomoedas que garanta 5% ou 3% de rentabilidade por mês sem risco!

A taxa livre de risco no mercado é a Selic, e oportunidades relevantes de arbitragem nesse mercado já são exploradas por institucionais e robôs. Então, se alguém oferecer um investimento em criptomoedas que garanta essa rentabilidade para você, não interessa se for teu primo, tio, amigo de longa data, papagaio, etc… Pule fora!

Investimento em criptomoedas

Compra e venda à vista

A maneira mais simples de se expor com as criptomoedas é por meio da compra à vista. Basicamente, o usuário realiza uma transferência da sua conta bancária para uma corretora de criptomoedas, e compra o Bitcoin, por exemplo, utilizando uma stablecoin.

Os stablecoins são criptomoedas lastreadas em alguma moeda fiduciária, geralmente o dólar. Logo, o seu preço segue 1 para 1 a cotação da moeda subjacente. Ao comprar o bitcoin, o investidor então deve escolher uma solução de custódia, uma carteira digital para armazenar e ter o controle dos seus bitcoins. Falaremos delas em outro artigo, acompanhe nossa série sobre o mercado das criptomoedas. Por enquanto, vamos falar de quatro das principais corretoras de criptomoedas do mercado brasileiro:

Mercado Bitcoin

O Mercado Bitcoin é a corretora líder de mercado no Brasil. Fundada em 2013, a empresa conta com os principais pares de criptomoedas, além de mesa OTC, e uma ótima experiência de usuário. Aliás, o Mercado Bitcoin é também parceiro do TC.

Binance

A Binance é a principal corretora do mundo em trading de pares de “altcoins”. Com um volume de U$5 bilhões negociados mundialmente na plataforma todos os dias, a Binance é uma referência no mercado de criptomoedas. Recentemente, a corretora, que é sediada em Malta, abriu escritório no Brasil e já permite compra e venda de bitcoin, inclusive com cartão de crédito.

Foxbit

A Foxbit é outra tradicional corretora brasileira de criptomoedas. Era líder de mercado até 2018, quando um dia seu sistema caiu, e assim ficou durante meses. A corretora já demonstrou que se recuperou e segue sendo uma opção boa para converter seus reais em criptomoedas.

FTX

A FTX é a mais nova corretora internacional a entrar no mercado brasileiro. É uma corretora user-friendly e conta com produtos inovadores. A corretora oferece desde mercado à vista, ações “tokenizadas”, passando por derivativos e até tokens que replicam operações estruturadas. Tem uma experiência de usuário voltada para quem tem o perfil trader. A FTX agora aceita investidores brasileiros através do BRZ token, uma stablecoin que replica o valor do Real (R$).

Investimento em criptoativos

Compra e venda de futuros

Assim como no mercado de ações, no mercado cripto também são negociados derivativos, principalmente das principais criptomoedas: Bitcoin, Litocoin e Ethereum. Existe uma variedade considerável de produtos e formatos.

Alguns produtos são mais voltados para o investidor institucional que não pode ficar exposto com a criptomoeda à vista, mas pode comprar o derivativo. Já outros, são voltados para o investidor pessoa física que deseja alavancar e, frequentemente, não tem uma gestão de risco adequada.

Ressaltamos que essa modalidade de exposição não é recomendada para o iniciante em criptomoedas, pois os mercados de futuros voltados para pessoas físicas são praticamente cassinos, permitindo alavancagem de até 100x. Alavancagem alta em um ativo que historicamente possui volatilidade alta é a receita da ruína.

Bitmex

A Bitmex, fundada em 2014, foi durante muito tempo a principal corretora de criptomoedas em termos de volume negociado, até que em 2020 sofreu um duro golpe dos reguladores americanos, que proibiram o uso da plataforma nos EUA e acusaram a empresa de lavagem de dinheiro.

A famigerada corretora ficou conhecida como o cassino das criptomoedas, pois permite alavancagem de até 100x, e muitas vezes sofre instabilidade durante os grandes movimentos do ativo, “stopando” grande parte dos investidores alavancados sem que eles possam fazer nada. O derivativo usado na Bitmex é um inverse perpetual swap das principais cryptos, que nada mais é que um termo que nunca expira, e que é liquidado em Bitcoin (não em dólares). O principal par é o XBT/USD.

Chicago Mercantile Exchange (CME)

Do outro lado do espectro está a Chicago Mercantile Exchange (CME), que negocia contratos futuros de commodities voltados para investidores institucionais. É uma bolsa tradicional de commodities agrícolas que surpreendeu ao adotar derivativos de Bitcoin (e a partir de 2021, também o Ethereum). O contrato padrão da CME é um contrato futuro mensal de 5 BTCs, liquidado em dólares na última sexta-feira do mês.

Deribit

A Deribit oferece um meio termo para investidores que não possuem o ticket mínimo para operar na CME, mas também não querem se aventurar no cassino da Bitmex. Os contratos padrão têm o formato semelhante aos da Bitmex. Cada contrato de Bitcoin tem o notional de USD 10, sofrendo ajuste de posição todos os dias, sem data de vencimento e liquidado em Bitcoin na conta do cliente. No mais, a Deribit também oferece opções simples de compra e venda (calls e puts).

A plataforma como um todo possui uma experiência de usuário superior, integração com o Tradingview, e menos instabilidade que a Bitmex. Isso torna a corretora de criptomoedas líder em participação do mercado, como vemos no gráfico abaixo:

corretoras bitcoin

Fonte: Skew

Fundos de investimento em criptomoedas

Existe uma gama de gestoras de criptomoedas no mercado brasileiro. São fundos sérios, auditados e com a chancela da CVM. Diante disso, esses fundos possuem uma grande vantagem que é a praticidade, além de, em alguns casos, a gestão de experts do mercado. Estão disponíveis nas principais plataformas, cada um com sua respectiva estratégia.

A tributação é simples, como qualquer outro fundo e o usuário não precisa sair do sistema financeiro tradicional. Por outro lado, existe um público de crypto que possui resistência a fundos e produtos financeiros tradicionais, pois um dos princípios do criptoativo é que o indivíduo possua controle/custódia das suas chaves privadas, dos seus Bitcoins. Como dizem por aí: “Not your Keys, not your Bitcoin” (Sem suas chaves, sem bitcoins).

No final do dia é um tradeoff que o indivíduo escolhe, pois ao controlar suas chaves privadas, o investidor ficará responsável pelo armazenamento, gerenciamento de senhas, e declaração do imposto. Já no fundo, por sua vez, estas questões já estão resolvidas.

Abaixo, um gráfico comparativo de performance dos fundos, além da correlação entre eles e uma breve descrição das estratégias de cada uma das casas.

investimento criptomoedas

Antes de falar dos fundos individualmente, é importante falar que os fundos voltados para o investidor pessoa física não qualificados podem ter uma exposição de no máximo 20% para criptoativos. Entretanto, os fundos para investidores qualificados e/ou profissionais, são fundos offshore (sediados no exterior) e que investem 100% neste tipo de ativo.

Hashdex

A gestora mais conhecida atualmente, a Hashdex, possui fundos em todas as principais plataformas. Se distingue por possuir somente fundos passivos. O fundo Bitcoin Full 100 investe 100% em bitcoin e os demais fundos investem parte em CDI e a outra parte em uma cesta das principais criptomoedas, chamado HDAI com a seguinte composição:

criptomoedas 2021

BLP Crypto

A BLP Crypto, casa tradicional de São Paulo e pioneira na abertura de um fundo cripto, possui fundos com gestão ativa que investem predominantemente em bitcoins, mas também em moedas digitais com alto potencial. Além disso, são focados em gerar alpha em relação aos principais índices de criptomoedas. Nesse sentido, possui também o produto offshore para investidor profissional, bem como um produto voltado para o varejo.

QR Capital

A QR Capital é uma gestora 100% voltada para investimentos em criptomoedas e blockchain. Oferece um fundo 100% Bitcoin, assim como um fundo com gestão ativa de criptomoedas, voltado para investidores institucionais.

Vítreo

A Vítreo oferece fundos com gestão ativa baseados nas estratégias da QR Capital e da área de research de criptoativos da Empiricus. Possui como diferencial um fundo chamado metals blend que mescla investimento em ouro e prata, com investimento em criptoativos.

ETNs, ETFs e Trusts internacionais

Há alguns anos há tentativas de aprovar nos EUA um ETF para investimento em Bitcoin. O parecer da SEC (Securities Exchange Comission) sempre foi de bloquear o produto por conta de aspectos regulatórios. Entretanto, acredita-se que a aprovação está cada vez mais próxima, afinal o mercado já está mais regulado e maduro para um produto deste tipo. Além disso, a demanda institucional tem se intensificado bastante. Os principais proponentes de ETFs são os irmãos Winklevoss e a gestora VanEck.

Enquanto isso não ocorre, já temos alguns produtos disponíveis para investidores institucionais dos quais o principal é o Grayscale Bitcoin Trust, também conhecido como gBTC. A Grayscale montou um formato de truste para investimento em algumas das principais criptomoedas, mas o gBTC, que investe somente em bitcoin, foi o que obteve mais sucesso. O crescimento meteórico ocorreu principalmente nos últimos 3 meses de 2020, quando passaram de US$ 2 bilhões para US$ 17 bilhões em ativos sob custódia.

Importante mencionar também que o gBTC é negociado em mercados secundários. Além disso, o investidor pessoa física pode comprá-lo. Vale estar atento para o prêmio que se paga em relação ao NAV (net asset value) do truste. Ou seja, ao comprar o gBTC no mercado secundário, o investidor paga um ágio/prêmio injustificável entre o valor cotado e o valor dos bitcoins em posse do truste.

Ativos sob gestão da Grayscale

mercado bitcoin

Fonte: Grayscale

bitcoin 2021

Fonte: Ycharts.

Investimento em criptoativos

Minerar Bitcoin e outras criptomoedas

Os investimentos em criptomoedas são mais uma modalidade de investimento pouco recomendada para iniciantes. Ao entrar no negócio de mineração de bitcoins, toma-se uma nova camada de risco, referente à empresa mineradora dos bitcoins. Ou seja, a empresa pode ser de “fachada” e não possuir a infraestrutura de mineração anunciada.

Além disso, a empresa pode possuir equipamentos que com o passar dos anos ficam obsoleto por condições de mercado, com novos equipamentos de mining. A mineradora pode também sofrer alterações na sua estrutura de custos e/ou sofrer com uma queda no preço do bitcoin que faça com que o custo marginal de mineração se torne deficitário, e, com isso, seja forçada a parar a operação.

Portanto, se você optar por investimento em bitcoin mining, recomenda-se atenção redobrada escolhendo empresas reconhecidas no mercado de mineração, até porque, trata-se de um investimento fora do país na maioria das vezes.

Abaixo, podemos ver a lucratividade da mineração na rede do Bitcoin ao longo do tempo. Perceba que houve momentos, principalmente em meados de 2020, que minerar se tornou muito pouco lucrativo.

mining bitcoin

Gráfico: Histórico da lucratividade do Bitcoin ao longo dos anos. | Fonte: https://bitinfocharts.com

Diante do exposto, o investimento em criptomoedas se assemelha mais ao investimento em uma empresa. Investidores compram uma cota das máquinas que mineram bitcoins, conhecidas como ASICs miners — Application Specific Integrated Circuits, e recebem dividendos mensais, geralmente em bitcoins, referente aos minerais que essas máquinas conseguem minerar.

De forma simples, o lucro ou dividendo da operação se dá em função do custo de energia do minerador, eficiência de suas máquinas, dificuldade de mineração na rede e o valor do bitcoin. Observe que os custos são em dólares, mas as receitas da operação são em bitcoins.

Empresas com exposição a criptoeconomia

Existe uma série de ações de empresas envolvidas direta ou indiretamente com o mercado crypto. A maioria dessas ações negociam na Nasdaq, mas também na Bolsa de Valores de Toronto (TSX). Investir nesses papéis é uma boa alternativa para quem deseja obter exposição a essa classe de ativos, mas sem de fato comprar o ativo, a criptomoeda. Vou listar algumas delas:

Microstrategy ($MSTR)

A empresa vende software de Business Intelligence (BI). São lucrativos, geram caixa, e possuem uma quantidade relevante de caixa excedente. Ao avaliar todas as alternativas, o CEO da companhia, Michael Saylor optou por converter todo o caixa da empresa para bitcoins. Apesar de ser uma decisão polêmica em termos de governança, deu muito certo.

Abaixo, o gráfico do preço da ação. Repare o comportamento do preço após o dia 11 de agosto, data em que foi anunciado o investimento.

minerar bitcoin

Cotação das ações MSTR na Nasdaq. | Fonte: Google Finance

  • Galaxy Digital ($GLXY): Empresa do gestor bilionário Michael Novogratz é uma asset e também uma provedora de serviços financeiros pro ecossistema crypto. Eles cuidam de carteiras públicas e privadas de investimento na criptoeconomia.
  • Square ($SQ) e Paypal ($PYPL): Ambas empresas já são bastante conhecidas no setor de infraestrutura de pagamentos que aceitam bitcoin como meio de pagamento e permitem a compra e venda de criptomoedas.
  • Riot ($RIOT) e MARA ($MARA): Duas mineradoras de grande porte da rede do Bitcoin que são negociadas na Bolsa americana Nasdaq.
  • Canaan ($CAN): Fabricante das máquinas utilizadas na mineração de bitcoins, as ASICs miners. A empresa produz a Avalon Miner, segunda em market share, que concorre com a tradicional Antminer da chinesa Bitmain.

Por fim, como puderam ver, existem muitas formas de obter exposição ao mercado cripto. É importante que o investidor faça uma análise de prós e contras para determinar qual tipo de investimento mais se adequa ao seu perfil de risco!

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Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

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