Cobertura do Ecossistema de De-FI - TC

TC School / Criptomoedas

Cobertura do Ecossistema de De-FI

02/03/2021 às 16:00

TC School

Uma das grandes promessas do Ethereum são as finanças descentralizadas, ou De-Fi. A tentativa mira replicar de forma descentralizada e sem intermediários a infraestrutura bancária/financeira tradicional. A infraestrutura de De-FI iniciou no blockchain do Ethereum e atualmente grande parte do seu volume advém dessa criptomoeda. Para você entender melhor o tema, elencamos o artigo nos seguintes tópicos:

  • O que é De-Fi?
  • Soluções de De-Fi
  • O futuro do De-Fi

Boa leitura!

De-Fi: as finanças descentralizadas

Atualmente, a grande promessa do Ethereum são as finanças descentralizadas, ou De-Fi. Trata-se de replicar de forma descentralizada e sem intermediários a infraestrutura bancária/financeira tradicional.

De-Fi inclui: empréstimos P2P, negociação em corretoras descentralizadas, formação de mercado (market-making), derivativos, seguros, entre outros projetos. O Ethereum permite a tokenização de qualquer ativo, e criação de derivativos sintéticos, através da tecnologia de contratos inteligentes e, com isso, torna-se possível um universo de soluções.

Todos nós vimos o quanto o sistema financeiro tradicional pode favorecer determinados players quando a B3 parou a negociação dos papéis da empresa IRB Brasil (IRBR3) durante um dia inteiro, ou quando a corretora americana Robinhood proibiu a compra de determinados ativos que vinham sendo alvos de especulação de pessoas físicas nas redes sociais.

Ainda que as medidas venham sob o discurso de proteger o mercado financeiro, fica uma sensação de arbitrariedade e a dúvida de até onde uma organização privada centralizada deveria (ou poderia) mudar as regras do jogo de uma hora para a outra.

Eventos como esses fortalecem a tese da descentralização e dão sentido a uma infraestrutura financeira descentralizada, guiada única e exclusivamente por regras pré-definidas e as forças do mercado e seus usuários.

Têm sido realizados diversos testes e projetos-pilotos para a substituição da infraestrutura bancária pela infraestrutura em blockchain. Aqui, uso a palavra tentativa pois as soluções no início eram precárias, sub ótimas. Além de terem que ser rápidas e eficientes (o tempo de 10 minutos por bloco do Bitcoin por exemplo é um grande empecilho), as cadeias de bloco deveriam se comunicar de forma otimizada com essa infraestrutura complexa.

Por exemplo, no caso de corretoras descentralizadas, era preciso resolver questões como o livro de ordens e o order matching (casamento de comprador com vendedor), e o quanto disso ocorreria dentro da cadeia de blocos (soluções de primeira camada) ou fora (soluções de segunda camada).

Todavia essa tecnologia foi evoluindo e em 2019, De-Fi se tornou a principal discussão em torno do Ethereum. Atualmente o Ethereum possui mais de US$ 40 bilhões em valor em lockup na sua rede de De-Fi. (Fonte: The Block)

Fonte: The Block.

O que é De-Fi?

Antes de discorrer sobre cada uma das modalidades de De-Fi, vamos tratar de definir o que é De-Fi, ou seja, quais são as condições necessárias para que um projeto seja considerado De-FI. De acordo com a Messari Crypto no seu estudo “Crypto Theses for 2021”, os projetos de De-Fi devem:

  1. Possuir uso financeiro. Ser usado especificamente em aplicações financeiras como empréstimos, corretoras, derivativos, tokenização de ativos, asset management;
  2. Ser open-source. Qualquer um pode construir em cima das soluções existentes e propor soluções e novas tecnologias sem ter que pedir permissão;
  3. Ser pseudônimo: Ou seja, não há necessidade de as pessoas revelarem suas identidades para usar os protocolos;
  4. Não ter serviços de custódia de terceiros e não depender de facilitadores terceirizados; e
  5. Possuir governança descentralizada: decisões e privilégios administrativos não são definidos por uma única entidade ou existe um caminho confiável para removê-los.

A infraestrutura de De-FI iniciou no blockchain do Ethereum e atualmente grande parte do seu volume advém do Ethereum, todavia existem diversas plataformas de contratos inteligentes que também possuem sua infraestrutura de De-Fi. Alguns exemplos são o Polkadot e o Solana, duas blockchains semelhantes ao Ethereum.

Algumas soluções de De-Fi são:

  • Stablecoins Descentralizadas

O primeiro bloco desse quebra cabeça são as stablecoins. Stablecoins nada mais são que tokens sintéticos lastreados e cujo preço seguem 1:1 as moedas fiduciárias, geralmente o dólar.

As stablecoins são importantes à medida que são, como o nome diz, estáveis, com pouca volatilidade. A negociação fica mais palpável pois há uma referência para cotação do preço de tokens, precificar seguros, empréstimos e toda a infraestrutura financeira no blockchain. Mais prático e funcional do que tentar fazer isso com uma criptomoeda com a volatilidade do Ethereum, por exemplo. Imagina tomar um empréstimo em ETH e ver o preço do ativo subir 1000% em três meses.

Stablecoins são pontes facilitadoras que ligam a economia real à economia cripto. As stablecoins centralizadas são lastreadas por empresas da economia real e suas respectivas reservas. Já as stablecoins decentralizadas, possuem seu colateral em criptomoedas de uma grande quantidade de usuários que ficam em lockup.

  • Corretoras descentralizadas (Uniswap, Sushiswap, 0x, Kyber Network, Bancor)

Entender como funcionam as corretoras descentralizadas não é tarefa simples. Porém, existem dois conceitos fundamentais que são a base de tudo: o mecanismo de swap ou troca entre os agentes, e o mecanismo de livro de ordem que agrega as ofertas pelos ativos sendo negociados.

A origem das corretoras descentralizadas advém de uma maneira revolucionária com que ativos são trocados e enviados do comprador pro vendedor. A isso se dá o nome de atomic swap. Essa tecnologia permite que durante todo o processo de troca, que as moedas não saiam da posse do vendedor até que sejam creditadas para o comprador.

As moedas são enviadas para um contrato inteligente que só libera a operação quando aberta pelas chaves privadas do comprador e do vendedor simultaneamente. Ou seja, faz com que a negociação seja inteiramente peer to peer, sem a necessidade de um terceiro fazendo a custódia e compensação.

No entanto, essa tecnologia por si só resolve apenas parte do problema, pois a parte de order matching, isto é, encontrar compradores para cada vendedor, e a velocidade com que todo esse processo é conduzido ainda fica aquém do esperado.

As corretoras tradicionais, como a B3, trabalham com o que chamamos de um livro de ordens central, que combina todos os lances e ofertas (limit order) de acordo com a prioridade de preço e tempo. Esse tipo de livro de ordens permite que todos os usuários negociem entre si, em vez de serem intermediados por um revendedor.

Corretoras descentralizadas, por outro lado, têm o desafio de definir como serão os livros de oferta e o envio e recebimento das ofertas para o blockchain. Ou seja, como projetar uma mecânica eficiente utilizando a cadeia de blocos, mantendo a agilidade e a baixa latência dos sistemas das corretoras centralizadas.

Se cada ordem tivesse que ser validada em cada bloco até ser executada, isso demoraria tempo demais para que uma corretora funcionasse, e ainda abriria espaço para front running. Assim, surgiu a solução de Automated Market Making (AMM) inovação da corretora descentralizada Uniswap, que já havia sido proposta anteriormente pela Bancor.

A solução consiste em depositar tokens em pools de liquidez. Os tokens ou stablecoins ficam em lockup enquanto estão nos pools e recebem recompensa (taxas) pelo “trabalho” de formação de mercado. Enquanto isso, os pools, que possuem pares de tokens (ex: ETH/DAI), servem como provedores de liquidez para os pares da corretora à medida que ocorrem negociações.

Dessa forma, os formadores de mercado automatizados auxiliam e agilizam o processo de swaps entre compradores e vendedores.

Outro ponto importante é que as corretoras descentralizadas negociam na sua maior parte tokens de projetos blockchains ou tokens sintéticos que replicam ativos da economia real. Assim, toda a parte de liquidação e compensação permanece dentro da blockchain ou “onchain”. (Fonte: The Block)

Fonte: The Block.

Como vemos acima, o volume das corretoras descentralizadas vem crescendo com o tempo, mesmo com todas as dificuldades de interface e experiência de usuário. É esperado que se tornem cada vez mais relevantes nos próximos anos.

  • Empréstimos colateralizados (Compound, Dydx) e Flash Loans (AAVE)

Fonte: The Block.

Outro caso de uso da tecnologia descentralizada são as operações de empréstimos e financiamentos, que podem ou não ser colateralizados.

Os empréstimos colateralizados são a modalidade mais simples, e o protocolo mais conhecido é o MakerDAO. Análogo a um depósito no banco, um credor deposita tokens (dinheiro) em um contrato (conta) e imediatamente passa a receber juros por isso.

Por outro lado, um tomador de empréstimo deposita seus tokens em um contrato e recebe um empréstimo em outra moeda ou token, utilizando como colateral aqueles tokens que ele depositou.

Fonte: The Block.

Vale dizer, geralmente o tomador de empréstimo possui token ou moedas mais voláteis como o Bitcoin, mas precisa de um empréstimo rápido, mas não quer liquidar seus bitcoins, então, faz uma operação de empréstimo no qual ele receberá, na maioria das vezes, uma stable coin.

Existe um outro tipo de empréstimo chamado de Flash Loan. Trata-se de um conceito revolucionário das blockchains e até contra intuitivo. Flash loans são empréstimos sem colateral, e, para tanto, são muito rápidos, a devolução deve ocorrer no mesmo bloco em que foi emprestado o recurso para evitar risco de contraparte.

Esses empréstimos extremamente rápidos servem para aproveitar oportunidades de arbitragem. Ou seja, o tomador recebe uma quantidade X de tokens, os tokens são rapidamente utilizados para se aproveitar de uma oportunidade de arbitragem, por exemplo, entre duas corretoras descentralizadas que estão negociando preços diferentes em um mesmo par.

A operação é rapidamente remunerada, no qual, o tomador fica com o lucro da arbitragem, o provedor fica com os juros do empréstimo e as corretoras ganham mais eficiência nas operações. Uma transação única que faz todo o giro de capital acontecer de forma rápida e descentralizada, usando apenas arbitragem das informações.

  • Yield Farming

Yield Farming é um conceito inteiramente novo que surgiu justamente em De-FI. São protocolos automatizados que buscam os melhores retornos em projetos de De-Fi. Lembrando que ao disponibilizar seu dinheiro, ou seus tokens, eles podem ser usados para prover liquidez em corretoras, para empréstimos que pagam juros, entre outras modalidades de geração de yields.

Fonte: Messari.

Os contratos inteligentes de yield farming estão monitorando constantemente para buscar as melhores taxas e alocar os tokens nos respectivos pools das oportunidades encontradas. Acima, podemos ver alguns protocolos que fazem yield farming e as taxas que pagam.

  • O futuro do De-Fi

As soluções descentralizadas do ecossistema De-Fi estão longe de serem ideais, tanto em termos de experiência de usuário quanto em funcionamento do produto per se. É inegável que uma Binance funciona melhor do que sua equivalente descentralizada Uniswap, por exemplo. Mas é uma questão de tempo até que as corretoras descentralizadas alcancem as corretoras tradicionais, tanto que a própria Binance já lançou sua própria corretora descentralizada.

Fonte: The Block.

Todavia, essa nova tecnologia traz novos riscos. Alguns riscos já mapeados são:

  1. As taxas pagas podem não justificar o risco que o usuário está correndo. Nesse caso, recomenda-se fazer uma análise usando o prêmio pelo risco para determinar a taxa real;
  2. Risco sistêmico de ocorrer bugs e vulnerabilidades nos contratos inteligentes. Já tivemos alguns casos de fundos sendo drenados desses contratos, de forma semelhante ao que ocorreu no DAO. De acordo com a corretora Kraken, estima-se que esse risco esteja em 0,58%;
  3. Risco de liquidez, ou seja, não há controle da entrada e saque dos tokens, então é possível, por exemplo, que todos os usuários saquem seus tokens simultaneamente. Esse é um risco baixo na medida em que o padrão é “over-collateralization” ou seja possuir mais garantia do que necessário para ter um colchão de liquidez nos contratos; e
  4. Risco de que a volatilidade abra spreads nos preços entre pools e corretoras, que venham a ser arbitrados, gerando o que chamamos de “impermanent loss ” para os detentores de tokens nesses contratos.

Confira mais informações no blog Kraken.

Por fim, outro ponto importante é a discussão entre pessoas buscando resistência a censura e ao mesmo tempo contornar processos regulatórios. Alguns pensadores como Lyn Aldyn criticam essa característica do De-Fi:

“[…] Muitos deles estão replicando serviços, como corretoras ou créditos, que funcionam tão bem quanto sem usar um blockchain. Então, muito do crescimento parece ser sobre contornar KYC, para se tornar um pouco ‘não permissionado’ “.

Já outros consideram uma grande vantagem não estar sujeito a processos regulatórios. Há, todavia, que se ter em mente que é questionável se isso é sustentável. A regulação é uma questão de tempo.

TC Hub Cripto

Descubra como aproveitar as oportunidades exponenciais e potencializar ainda mais seus investimentos com o TC Hub Cripto, o novo lançamento do TC! Teste 7 dias grátis com 50% de desconto.

Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

TC School

A sua escola como investidor.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub