O que é o Ethereum: desenvolvimento tecnológico e aplicações - TC

TC School / Criptomoedas

O que é o Ethereum? – Introdução e análise

16/02/2021 às 16:15

TC School

Qual o valor e cotação do Ethereum? Como investir em Ethereum? Quanto tempo demora para minerar 1 Ethereum? Estas são algumas das inúmeras perguntas que o investir leigo no mercado de criptoativos se coloca, e para começar a esclarecer algumas destas dúvidas, trazemos no texto de hoje não apenas o conceito, mas também tudo por trás desta verdadeira plataforma de investimento.

Para entender o Ethereum, é fundamental entender a tecnologia de smart contracts (contratos inteligentes), o coração desta blockchain. Aliás, com frequência o Ethereum é descrito como uma plataforma de contratos inteligentes. Para facilitar a leitura, o texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • Plataforma de contratos inteligentes: Smart contracts
  • Ethereum e suas inovações
  • Ethereum 2.0
  • Considerações e críticas ao Ethereum

Boa leitura!

Plataforma de contratos inteligentes

Smart Contracts

Nick Szabo, um dos principais pensadores do meio BTC (alguns acreditam que ele seja o próprio Satoshi Nakamoto), criou o conceito de smart contracts: contratos inteligentes que executam suas cláusulas automaticamente, 100% programáveis por código. A ideia é automatizar e programar tudo aquilo que está no contrato, eliminando ao máximo a necessidade de juízes ou intermediários.

Em um exemplo simplista, Paulo e Pedro desejam apostar 1 Ethereum (ETH) em quem vai ganhar o jogo de futebol no domingo. Um contrato inteligente com as regras da aposta é programado. Paulo aposta no Palmeiras, Pedro aposta no Corinthians. Ambos mandam um ETH cada para o contrato inteligente. O contrato executa automaticamente, recebendo a informação de quem ganhou o jogo, e realiza o pagamento da aposta com o envio automático dos 2 ETHs para o vencedor conforme as cláusulas do contrato previamente programado.

Vitalik Buterin e uma equipe de desenvolvedores tiveram a ideia de criar um blockchain semelhante ao Bitcoin, mas ao invés de apenas transações de carteiras para carteiras, o novo blockchain permitiria também transações de carteiras para contratos inteligentes. O projeto foi proposto em 2013 pelo próprio Vitalik Buterin. Em 2014 houve um funding do projeto, e em 2015 estava operacional.

A aplicação mais famosa com o Ethereum foi um contrato que realizava uma espécie de crowdfunding de novos negócios, também conhecido como ICO (Initial Coin Offering). O usuário envia um Ethererum (ETH) para o contrato e o mesmo convertia os ethers para uma nova moeda, nativa, de um novo projeto. Elencamos abaixo estas e outras inovações permitidas pelo Ethereum.

Ethereum e suas inovações

Com a tecnologia de contratos inteligentes, e uma linguagem de código menos rígida se fez possível uma série de inovações no Ethereum, conforme descrito por Felipe Gaúcho em “Visions of Ether

No início, o Ethereum costumava frequentemente ser descrito como um Bitcoin 2.0, uma segunda geração dos blockchains. Essa visão é pouco usada atualmente à medida que o Bitcoin é intencionalmente mais rígido, pois prioriza a segurança e uma propriedade de reservas de valor. O Bitcoin foca em fazer uma coisa extremamente bem, preservar e transacionar valor. Enquanto isso o Ethereum dá mais ênfase a possibilidade de desenvolvimento tecnológico e aplicações em cima da sua rede.

DAO – Decentralized Autonomous Organization

Um exemplo desse viés de inovação tecnológica do Ethereum, e também um caso emblemático nas criptomoedas foi um experimento no Ethereum em 2016 chamado DAO (Decentralized Autonomous Organization). O DAO foi o primeiro passo visando alcançar organizações completamente autônomas.

Era um projeto de fundo de investimento de venture capital totalmente definido em código, com todas as suas regras de gestão escritas em contratos inteligentes, e independente de seres humanos para tomada de decisão.

A teoria deste projeto envolvendo o Ethereum, era que ao remover o poder delegado aos gestores e colocá-lo diretamente nas mãos dos proprietários, o DAO removeria a possibilidade dos gestores de fundos de direcionar erroneamente e desperdiçar os fundos dos investidores de acordo com seus vieses cognitivos. O projeto, ao ser lançado, funcionaria automaticamente através de dispositivos que ajustariam as suas ações e tomada de decisões para atingir o objetivo de maximizar retorno aos investidores.

O fundo atingiu uma captação recorde até então, com mais de U$ 150 milhões de dólares enviados para os contratos inteligentes do The DAO. Tudo isso parecia fantástico, e as expectativas eram altíssimas, entretanto, na prática, poucos dias após o lançamento do DAO, foi encontrada uma vulnerabilidade no código que permitiu um hack de mais de U$ 50 milhões de dólares. Eventualmente foi necessário “desligar” o DAO para que o código não continuasse executando, um fracasso total.

O mais importante de todo esse episódio foi a discussão se o hack deveria ser desfeito e o dinheiro dos investidores devolvido, ou se a cadeia de blocos do Ethereum deveria continuar rodando como estava. Os projetos públicos em blockchain se colocam como imutáveis. O que está escrito no histórico dos blocos não deveria mudar. Por outro lado, como seguir após um hack tão significativo?

Esse conflito de governança levou a separação do Ethereum, que eventualmente desfez a transação através de um mecanismo chamado de hard fork, e o Ethereum Classic que seguiu com o blockchain original e as moedas hackeadas. Algumas pessoas acreditam que ao abrir o precedente de desfazer transações, o Ethereum perdeu a sua confiabilidade.

Foi um grande exemplo da enorme capacidade do Ethereum como um computador mundial, mas também de alguns dilemas que precisariam ser resolvidos antes que isso fosse possível.

De acordo com Lyn Alden, “O Ethereum se posicionou com o um computador global, como uma app store que não fosse controlada por nenhuma entidade central. É como um sistema operacional distribuído, com um sistema de tokens integrado, e programadores que podiam usar aquele ecossistema para criar aplicações descentralizadas (“DAPPs”) com seus respectivos tokens nativos”

Aplicações Descentralizadas

O Ethereum, com seu ecossistema mais ágil e linguagem mais amigável, se tornou uma plataforma para lançamento de aplicações decentralizadas. Foram criados todos os tipos de aplicação da tecnologia blockchain, que nem sempre faziam sentido, mas o Ethereum funcionou como uma grande testnet de projetos cripto. Para visualizar esses dApps veja o site www.dappradar.com, que mostra os principais projetos e seus respectivos volumes de usuários.

Foram criadas inúmeras aplicações desde casino, realidade virtual, controle de cadeia de suprimentos, redes sociais, economias compartilhadas, gaming, infraestrutura financeira, entre muitas outras. Assim o Ethereum progredia na sua tentativa de se tornar um “computador global”.

O mecanismo para lançamento dessas aplicações decentralizadas eram, na maior parte das vezes, através do modelo de ICO.

ICO – Initial Coin Offering

O modelo de ICO (Initial Coin Offering), nada mais é que um modelo de crowdfunding de aplicações decentralizadas na plataforma Ethereum.

Explicando de uma forma simplificada, o ICO funciona da seguinte forma. Uma equipe desenvolve uma ideia de negócio, preferivelmente decentralizado e utilizando de alguma forma a tecnologia blockchain. A partir desta ideia, desenvolve um White Paper técnico descrevendo com detalhe o projeto.

Em seguida, divulga esse projeto e faz um “roadshow” oferecendo o investimento para fundos de venture capital e plataformas para investidores pessoa física. Os investidores enviam ETH para o contrato do projeto, e na data prevista de lançamento, de acordo com o “roadmap”, o contrato faz a conversão dos ETH para o token nativo do projeto, e assim o projeto é lançado.

Percebam que o modelo de ICO difere e muito do Bitcoin. Esses tokens muitas vezes são liderados por fundadores e suas equipes, em modelos que não são necessariamente decentralizados. Além disso, frequentemente uma parte dos tokens vai para os fundadores antes mesmo do início da distribuição pública no que chamamos de “pre-mine”. Fundos também capitalizam comprando a tickets mais baratos e vendendo após o início da negociação em corretoras para pessoa física.

Esse modelo de ICO levou a criação de mais de 2000 moedas. A maioria delas morreu, outras poucas ainda existem: Tezos, Eos, Ziliqa, Stratis, Quantum, Nano, entre outras. Formou-se uma máquina de captação de dinheiro, com mais de U$14 bi captados em 2018.

Captação ICOs mês a mês

Fonte : ICOBox

No começo era uma festa (muita gente acreditava que essas criptos se tornariam novos bitcoins em capitalização de mercado). Depois o hype foi diminuindo de tamanho até que, em 2019, a SEC (Securities Exchange Comission – a CVM americana) acabou com a festa.

A SEC se envolveu porque na prática muitos desses projetos estavam fazendo ofertas públicas de mercados de capitais disfarçadas de projetos cripto, e assim acabavam escapando da regulação vigente. Esses investimentos de fato se parecem muito mais com IPOs e outros instrumentos de captação de recursos, do que um protocolo decentralizado para reserva e transação de valor, como é o Bitcoin.

Além disso, por não ser um mercado regulado, investidores caiam em vários tipos de golpes. Projetos se aproveitavam da ignorância de alguns acerca do tema, e da inexperiência de outros. Um verdadeiro faroeste, sem nenhum tipo de KYC/AML adequado.

E para piorar, muitos investidores achavam que estavam adquirindo sociedade nos projetos, mas na verdade esses tokens não davam garantias e direitos nenhum para eles. Na prática, espera-se que essas moedas se apreciem à medida que o projeto ganhe em adoção. O nome que se dá para esses tokens é “utility token”.

O que é um “utility token”?

Segundo o dicionário Merriam-Webster, “um token digital de criptomoeda que é emitido para financiar o desenvolvimento da criptomoeda e que pode ser usado posteriormente para comprar um bem ou serviço oferecido pelo emissor da criptomoeda”.

No gráfico abaixo você pode comparar a lucratividade dos novos criptoativos de acordo com o ano de lançamento. Ou seja, investidores que entraram em criptoativos lançados em 2011 multiplicaram o capital por 10^4. Enquanto isso, investidores que entraram em 2018, no final da bolha dos ICOs, tiveram seu capital destruído.

Regulamentação e alternativas (IEOs, Airdrops e STs)

Acabada a “festa” dos ICOs, foram propostas algumas soluções alternativas para substituir o modelo de crowdfunding que foi capaz de movimentar tanto capital:

Airdrops

  • Airdrops basicamente são distribuições gratuitas de tokens. A ideia é que ao receber esses tokens, as pessoas irão utilizá-los e se envolver com o respectivo projeto. Algo análogo a compra de usuários por empresas tech.

IEO (Initial Exchange Offering)

  • Dado que o principal problema dos ICOs foi regulatório, com a fiscalização principalmente da SEC, as corretoras, fazendo o que chamamos de arbitragem regulatória, passaram a fazer emissões de tokens elas mesmas. Isso porque as exchanges são sediadas em locais como Chipre, Malta, e Singapura, onde os órgãos reguladores são mais lenientes. Exemplos de IEOs são: One, Matic, e FET, todos eles emitidos pela corretora Binance.

Security Tokens

  • Alguns grupos de empreendedores com experiência no mercado tradicional desenvolveram projetos de emissão de tokens 100% regulamentados e cujos tokens davam de fato direito a sociedade nos respectivos projetos. Os emissores preenchem todos os formulários e pré-requisitos das agências reguladoras. Projetos como o Polymath e, mais recentemente o INX visam resolver essa “dor” do mercado, permitindo um modelo de captação regulamentado utilizando a tecnologia blockchain. Porém, até o presente momento, nenhum dos projetos obteve tração, pois não houve interesse dos investidores.

DeFi – Finanças descentralizadas

Atualmente, a grande promessa do Ethereum e de outras plataformas de contratos inteligentes, são as finanças decentralizadas, ou De-Fi. Trata-se de replicar de forma decentralizada e sem intermediários a infraestrutura bancária/financeira tradicional. Defi inclui: empréstimos (lending p2p), negociação em corretoras decentralizadas, market-making, derivativos, seguros, entre outros projetos. O Ethereum permite a tokenização de qualquer ativo, e criação de derivativos sintéticos, através da tecnologia de contratos inteligentes.

Desde o início foram experimentadas soluções nessa linha de utilizar a tecnologia blockchain para substituir a infraestrutura bancária. Aqui uso a palavra tentativa pois as soluções no início eram precárias e sub ótimas em questões como o livro de ordens e o order-matching (casamento de comprador com vendedor).

Todavia, essa tecnologia foi evoluindo e em 2019, De-Fi se tornou a principal discussão em torno do Ethereum. Atualmente o Ethereum possui aproximadamente U$ 23 bilhões de dólares em valor “lockupados” na sua rede de De-Fi.

Algumas soluções de De-Fi são:

  1. Corretoras decentralizadas;
  2. Seguros;
  3. Crédito e empréstimos colateralizados; e
  4. Infraestrutura Financeira

Fonte: www.defipulse.com

Ethereum 2.0

Atualmente o Ethereum está passando por uma espécie de upgrade no seu protocolo. Ao escalar, vários gargalos foram percebidos no protocolo, como podemos ver na frase da Ethereum.org abaixo:

“A alta demanda está aumentando as taxas de transação que tornam o Ethereum caro para o usuário médio. O espaço em disco necessário para executar um cliente Ethereum está crescendo rapidamente. E o algoritmo de consenso de prova de trabalho subjacente que mantém o Ethereum seguro e descentralizado tem um grande impacto ambiental”.

Gráfico com blocos do Ethereum

O gráfico abaixo mostra também que a capacidade dos blocos do Ethereum está chegando próximo do limite.

Fonte: Messari

A ideia nesse upgrade é basicamente tornar o Ethereum mais escalável, com transações mais rápidas, maior espaço nos blocos e maior potencial de crescimento. O Ethereum 2.0 (Eth 2.0) pretende fazer isso alterando o mecanismo de consenso usado para minerar blocos, e utilizando a tecnologia de sharding para executar tarefas simultâneas na cadeia.

A alteração do mecanismo de consenso de prova de trabalho para prova de participação. Ou seja, ao invés de realizar trabalho para minerar blocos, os validadores têm que enviar dinheiro para um contrato e ficar em lockup durante o período para validar transações. Caso valide corretamente recebe de volta seu dinheiro mais um prêmio, caso valide incorretamente é punido.

Já a tecnologia de sharding, se refere a uma solução que envolve dividir uma rede blockchain em fragmentos que contêm os seus próprios dados, separados de outros fragmentos. Assim, esses fragmentos executam tarefas em paralelo, aumentando a velocidade de transações por segundo na blockchain.

O upgrade é um processo extremamente complexo, entre outros motivos, porque o processo deve ser sequencial e o blockchain precisa continuar funcionando ao longo de todo o processo. Serão 4 fases e a expectativa é que isso leve até 2 anos. Você pode ver o processo aqui:

Fonte: @trent_vanepps

Considerações e críticas ao Ethereum

Se no Bitcoin possuímos uma estrutura rígida, de poucas melhorias ao longo do tempo, no Ethereum temos um ecossistema ágil, que fomenta o desenvolvimento tecnológico e abre o leque de possibilidades para aplicações de tecnologia de blockchain. Lembrando que tudo isso poderia ser feito no blockchain do Bitcoin, inclusive existem propostas e desenvolvimento neste sentido mas, por opção, o Bitcoin se propõe a se manter mais rígido e decentralizado, focando em ser a melhor reserva de valor possível. São escolhas e focos diferentes.

Já o Ethereum não possui vocação para ser um ouro digital, como o Bitcoin se propõe. Sua oferta não é escassa e com inflação decrescente, como é o Bitcoin, embora existam propostas nesse sentido (ver EIP 1599).

Além disso, muitas das aplicações construídas em cima do Ethereum não possuem vantagens comparativas em relação às suas alternativas centralizadas e consequentemente não possuem uma base relevante de usuários ativos.

Existem críticos mais ferrenhos do Ethereum que apontam que boa parte das aplicações do Ethereum que possuem uma base relevante de usuários, como os projetos de De-Fi, o fazem apenas para se livrar de regulação, e esse diferencial não se sustentará à medida que órgãos reguladores percebam.

Dito tudo isso, o Ethereum é um dos projetos mais promissores já construídos. Algumas das aplicações sendo construídas na rede Ethereum são ambiciosas e revolucionárias, principalmente nas áreas de finanças e economias compartilhadas. Seu potencial de desenvolvimento é imenso, caso consiga resolver questões de escalabilidade.

Por fim, a inovação e a comunidade de desenvolvimento que ocorre no ecossistema do Ethereum também são notáveis e consistem em um importante “moat” para o Ethereum.

Acompanhe todos artigos publicados sobre o mercado de criptomoedas.

TC Hub Cripto

Descubra como aproveitar as oportunidades exponenciais e potencializar ainda mais seus investimentos com o TC Hub Cripto, o novo lançamento do TC! Teste 7 dias grátis com 50% de desconto.

Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

TC School

A sua escola como investidor.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub