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Os principais riscos de investir em Bitcoin

04/02/2021 às 17:13

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Investir em Bitcoin é, sem dúvida, um investimento de alto risco. É importante sempre enfatizar esta informação. Diante disso, é fundamental para o investidor entender os riscos implícitos na hora de investir na criptomoeda para que esteja confortável com a sua alocação (ou não) nesse ativo. Portanto, neste artigo iremos analisar alguns dos principais riscos que envolvem investimento em Bitcoin. Para tanto, elencamos os seguintes tópicos:

  • Riscos Regulatórios – O Bitcoin pode vir a ser proibido?
  • Riscos no Protocolo – O Bitcoin pode vir a sofrer um hack?
  • Concentração na mineração – Os mineradores podem fazer um ataque coordenado ao Bitcoin?
  • Concentração na distribuição de moedas – As baleias podem manipular preço?
  • Riscos Tecnológicos – A computação quântica pode “quebrar” o algoritmo de criptografia do Bitcoin?
  • Riscos nas Stablecoins – O Tether representa um risco sistêmico?

Boa leitura!

Investir em Bitcoin

Riscos Regulatórios: o Bitcoin pode vir a ser proibido?

Um dos principais riscos que afasta os investidores do investimento no Bitcoin é uma possível reação dos governos à medida que se sintam acuados pelo crescimento e notoriedade do Bitcoin.

Através do controle da moeda, os governos conduzem política fiscal, cobrando impostos dos cidadãos e posteriormente realocando recursos na sociedade, e também política monetária, controlando a quantidade de dinheiro em circulação e assim, estimulando a economia. Uma eventual ameaça a esse poder, deveria gerar uma resposta enérgica.

Até o momento, os governos não visualizam o Bitcoin como uma ameaça, mas vimos na proibição da Libra, criptomoeda do Facebook, até onde pode chegar a “mão pesada” regulatória dos governos quando de fato se sentem acuados.

Banco Central Europeu sobre Bitcoin:

A alta volatilidade no preço dos criptoativos, a falta de uma garantia dada pelos bancos centrais, e a limitada aceitação no comércio, previne os cripto ativos de serem atualmente utilizados como substitutos de dinheiro em espécie e depósitos, assim como torna muito difícil para os cripto ativos preencha os requisitos de um ativo monetário em um futuro próximo.”

Yves Merch, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (ECB), sobre Libra (cripto moeda de um consórcio formado por Facebook, Paypal e outros):

Libra poderia enfraquecer o poder do ECB de controlar o Euro, enfraquecer o mecanismo com que o ECB conduz a política monetária, afetando a posição de liquidez dos bancos da zona do Euro, e minar o papel internacional de uma moeda única.”

Já dizia em 1984 o economista austríaco Friedrich Hayek:

Eu não acredito que algum dia teremos um bom dinheiro novamente até que tiremos o poder das mãos dos governos, ou seja, não podemos tirar o poder de controle que o governo tem sobre o dinheiro de forma violenta, tudo que podemos fazer é de alguma maneira, através de um desvio, introduzir algo que eles não possam parar.”

O Bitcoin, ao não ser enxergado como ameaça, foi crescendo e ganhando robustez. A cada dia que passa, se torna mais complexo e caro para o governo proibi-lo.

Não apenas isso, mas uma eventual proibição do Bitcoin é de extrema dificuldade em ser enforçado. Lembre-se que o Bitcoin é descentralizado, ou seja, existem computadores no mundo todo rodando o Bitcoin. Para de fato conseguir proibir a rede, o governo teria que enforçar essa proibição em milhares de endereços. E mais, qualquer esforço de um país individualmente apenas faria com que a rede migrasse para um país onde é autorizado. A isso damos o nome de arbitragem regulatória.

Portanto qualquer esforço de proibição do Bitcoin teria que ser coordenado por todos os países. E qual a chance de todos os países concordarem em alguma coisa?

Outro ponto importante é que já tivemos proibições de outros ativos no passado, como por exemplo o ouro, e isso nem sempre significou que o ativo deixou de existir. Em 1933, o presidente Franklin Roosevelt, na ordem executiva 6102, proibiu a acumulação de ouro (na forma física ou de certificado) no território americano. Essa proibição só foi revertida em 1974. O comércio de ouro não deixou de existir, o Banco Central americano (FED – Federal Reserve Board) continuou com reservas em ouro, e o preço se manteve estável.

Dito tudo isso, temos visto sinalizações mistas de autoridades em relação a regulação criptomoedas. Aqui, é importante pontuar que a regulação pode ser positiva ou negativa. Uma regulação amigável permite inovação e cria o ambiente propício para a entrada de investidores institucionais que não poderiam entrar em um cenário de informalidade e alto risco sistêmico.

Por exemplo, se o governo americano aprovar um ETF, isso trará uma liquidez brutal para o mercado do Bitcoin, aumentando a demanda pela moeda e consequentemente o preço. Por outro lado, uma regulação pesada, cria ônus para os participantes da indústria, atrapalha a inovação, e dificulta a adoção, sendo negativo para o preço.

Do lado negativo, Christine Lagarde do Banco Central Europeu e Steve Mnuchin o secretário do tesouro da era Trump, se colocam claramente contra a criptomoeda. Mnuchin chegou até a passar uma regulação unilateral prejudicial as criptomoedas, dias antes de sair do poder. A medida tinha o intuito de acabar com a privacidade das carteiras custodiadas pelos próprios indivíduos.

Importante notar que essa medida também é dificilmente enforcável e contraventores possuem maneiras de contorna-las. Felizmente, a medida já foi congelada pela equipe de Biden.

Do lado positivo, temos congressistas americanos que já se declaram amigáveis ao Bitcoin como os republicanos Warren Davidson, do estado de Ohio; Josh Gottheimer, do estado de Nova Jérsei; e Stephen Lynch, de Massachussets, são alguns exemplos de políticos pró Bitcoin que inclusive fazem parte de forças tarefa pela regulação de tokens digitais como a “Token Taxonomy Act”.

Ainda outra sinalização positiva é a regulação do estado de Wyoming, que possui 13 leis/decretos relacionados a tecnologia blockchain.

O que sabemos até o momento sobre a equipe de Biden também é positivo. O futuro presidente da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, Gary Gensler, já deu aula de blockchain na Universidade de MIT. Ele substitui o ex-presidente anterior Jay Clayton, que era um crítico ferrenho das criptomoedas. A nova presidente da CFTC, agência que regula commodities nos EUA, incluindo o Bitcoin, nas suas próprias palavras, confirmou que vai adotar uma “mente aberta” em relação as critpomoedas.

Já Janet Yellen se mostrou mais dura em relação às criptomoedas na sua sabatina frente ao senado americano. Todavia, ela deu indícios de que não irá partir pra nenhum tipo de proibição, mas sim pautar-se na regulação voltada contra lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo. Veja o que ela falou:

Bitcoin e outras moedas digitais e criptomoedas estão provendo transações financeiras em todo o mundo. Como muitos desenvolvimentos tecnológicos, isso oferece benefícios potenciais para os EUA e nossos aliados. Ao mesmo tempo, também apresenta oportunidades para atores estatais e não estatais que buscam contornar o sistema financeiro atual e minar os interesses americanos. Por exemplo, o Banco Central da China acaba de emitir sua primeira moeda digital.

De acordo com Cathie Wood, CIO da ARK Investments, “O fato de que esta semana ela (Yellen) se concentrou no risco de potenciais atores nefastos em vez do risco para a soberania monetária dos EUA é tranquilizador.”

Notamos que é bastante desafiador prever o andamento da regulação de criptomoedas até porque envolve questões políticas e de comportamento humano. É fundamental que o investidor fique atento às sinalizações das autoridades, e também interprete corretamente esses sinais.

Um exemplo de como isso pode não ser trivial foi a proibição da corretora Bitmex nos Estados Unidos e a ordem de prisão para alguns de seus fundadores. O que de imediato aparenta ser catastrófico para a indústria, pode na verdade ser positivo. Isso porque a infraestrutura de criptomoedas ainda precisa evoluir, e alguns players, como essa corretora, não possuem a transparência e o nível de compliance necessário para atrair investidores que não pessoas físicas com má gestão de risco. Esses players precisam ser substituídos por novas opções. Sob esse aspecto, a regulação foi positiva.

Riscos do Protocolo

Bitcoin pode sofrer um hack?

O outro risco mais mencionado por investidores das criptomoedas é o risco de hackers invadirem a rede bitcoin e adulterar blocos. Se no tema anterior o risco é relevante, aqui o risco é menor e existem alguns equívocos que precisam ser esclarecidos.

O Bitcoin existe há 12 anos e nunca houve um hack no seu protocolo. Inclusive, todo o seu modelo é projetado para maximizar segurança e descentralização, por se tratar de uma reserva de valor. Outras criptomoedas não têm o mesmo grau de segurança do Bitcoin, pois elas sacrificam segurança em troca de maior velocidade e escalabilidade.

Quanto mais descentralizada a rede, menos pontos de ataque ela possui. Lembre-se que existe um alto grau de redundância, com milhares de computadores rodando o mesmo registro. Consequentemente fica muito difícil adulterar o código, inserindo transações inválidas, pois quaisquer divergências seriam notadas pelas demais máquinas rodando o mesmo código.

Este teste do tempo é muito relevante. Tentativas de atacar o Bitcoin não faltaram, e a cada dia que passa, a rede vai ficando mais robusta e vai ficando mais caro atacá-la. Quanto mais blocos, mais longa a cadeia, mais segura a rede. Quanto mais poder computacional de mineradores validando transações, mais segura a rede. Abaixo, a evolução do poder computacional da rede ao longo do tempo:

Fonte: Glassnode

Portanto, o risco do Bitcoin ser atacado é baixo. Mas isso não significa que o risco de um usuário do Bitcoin ou de uma determinada corretora sofrer um hack seja baixo. Essa é uma diferença importante e precisa ser compreendida. Um ataque hacker a uma corretora, ou a uma carteira de Bitcoins é completamente diferente de um ataque ao código do Bitcoin. A segurança da sua carteira, quem faz é você, e a segurança da corretora é de responsabilidade da corretora.

É importante ressaltar que já houve inúmeros hacks a corretoras. No site Fortknoxter, você pode encontrar uma lista delas. Foram valores milionários levantados a partir de falhas de segurança do sistema da própria corretora. Em alguns casos os valores foram recuperados, mas na maioria deles, não.

O caso mais famoso foi o da Corretora Mt. Gox que ocorreu em 2014. Na época, como o Bitcoin não possuía uma ampla infraestrutura, a corretora correspondia por 70% do volume transacionado do ativo no mundo. Foram hackeados 460 milhões de dólares em Bitcoin, 36% do volume da corretora, um percentual altíssimo que teve um impacto brutal no preço do Bitcoin.

Perceba como uma entidade que representa um percentual tão grande da rede, se torna um alvo, um “central point of failure”, como são chamados. Um hack desses evidencia o quanto devemos nos preocupar em buscar soluções apropriadas de custódia, e que se não temos os controles das nossas chaves privadas, não temos controle dos nossos bitcoins. “Not your keys, not your Bitcoin”.

É claro que atualmente nenhuma corretora representa um volume tão grande e que existe um pré-requisito de segurança muito superior. Além disso, algumas das corretoras possuem fundos dedicados a cobrir eventuais perdas com hacks dos seus sistemas. A corretora Binance, por exemplo, possui o “Safu Fund” com centenas de milhões de dólares para atuar como um seguro para os seus clientes.

Concentração na mineração

Os mineradores podem fazer um ataque coordenado ao Bitcoin?

Um terceiro risco mencionado por investidores é a preocupação com o grau de concentração na mineração do Bitcoin. Este risco é frequentemente mencionado por críticos do Bitcoin como Nouriel Roubini, professor da universidade de Nova Iorque. A narrativa é que existem poucas empresas que controlam uma grande parte do poder de mineração da rede bitcoin, e que essas empresas poderiam se juntar e conspirar para realizar um ataque de 51% na rede do Bitcoin.

Segundo artigo no Wikipédia, um ataque de 51% é quando um minerador detém 51% ou mais do poder de mineração da rede. Neste caso hipotético, o contraventor seria capaz de impedir que novas transações obtivessem confirmações, e consequentemente interromper os pagamentos entre alguns ou todos os usuários. Eles também seriam capazes de reverter transações que foram concluídas enquanto eles estavam no controle da rede, o que significa que eles poderiam gastar moedas duas vezes.

A realidade em relação a mineração é que se considerarmos as empresas individualmente, o grau de descentralização entre mineradores não preocupa. Todavia, uma prática comum entre mineradores é se juntarem em pools, ou grupos de mineradores. Eles fazem isso para reduzir a variância das suas receitas.

Para entender isso, suponha que você tenha uma máquina ASICs apenas para minerar Bitcoins. Seu poder computacional em relação ao restante da rede é baixíssimo, logo a sua chance de ser a primeira mineradora a conseguir vencer a corrida pela mineração de um bloco é baixíssima.

Com isso, você ficará longos períodos sem minerar blocos e sem ter receitas. Ao se juntar em pools com outros mineradores, conseguimos ter um poder computacional maior, e minerar blocos com maior frequência. Assim temos receitas menores, porque temos que dividir com os demais participantes do pool, mas com mais frequência, e uma certa previsibilidade.

Se, ao invés de considerarmos as empresas individualmente, considerarmos os pools de mineração, aí sim, faz sentido afirmar que a mineração do Bitcoin é concentrada. Veja a seguir uma estimativa da concentração do poder computacional do Bitcoin dentre os pools, realizada pelo site blockchain.com:

Distribuição de Hashrate¹

Uma estimativa da distribuição de hashrate entre os maiores reservatórios de mineração:

Fonte: www.blockchain.com

¹Hashrate é a velocidade que estes mineradores conseguem processar dados.

Além da concentração em pools, existe também a concentração geográfica da mineração. Como a operação de minerar é intensiva em energia, as mineradoras são mais eficientes à medida que possuem custos de energia menores.

No mundo, o menor custo de energia está na China, e é lá que existe a maior concentração de mineradores. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, mais de 65% da mineração de Bitcoins ocorre na China, e 37% somente na província de Xinjiang, o que se torna preocupante caso essas empresas sofram algum tipo de proibição/perseguição do governo chinês.

Se depois de ler isso você está preocupado que o Bitcoin poderá sofrer um ataque dos mineradores, saiba que Satoshi já previu tudo isso no famoso White Paper do Bitcoin:

O incentivo pode ajudar a encorajar os nós a se manterem honestos. Se alguma entidade maliciosa for capaz de compor mais poder computacional do que todos os nós honestos, ele teria que escolher entre usar o seu poder para fraudar pessoas furtando seus pagamentos, ou emitindo novas moedas. Ele eventualmente irá perceber que é mais lucrativo seguir as regras do jogo, regras essas que favorecem ele com mais moedas do que os demais mineradores juntos, ao invés de trapacear e minar o sistema e a validade de sua própria riqueza.”

O segredo do Bitcoin que poucas pessoas se dão conta, é que se trata de um sistema em equilíbrio com incentivos perfeitamente alinhados para que os atores ajam honestamente, pois agir honestamente é o que vai maximizar seus respectivos lucros.

O economista Paul Sztorc, após analisar o Bitcoin falou a seguinte frase: “Tudo mudou quando percebi que a concentração de poder computacional não importa. Bitcoin é seguro não por ser impossível de ser atacado, mas porque é extremamente caro de ser atacado.

Colocando da forma mais simplificada possível, o minerador que desejar atacar o Bitcoin dominando seu poder computacional terá que gastar tantos recursos financeiros e trabalho para obter esse potencial, que para ele vai ser mais lucrativo utilizar esses recursos para minerar as moedas e obter a recompensa agindo honestamente.

Para quem quiser aprofundar no tema, recomendamos o paper: “Too Big to Cheat: Mining Pools Incentives to Double Spend in Blockchain Based Cryptocurrencies”, por Savolainen e Soria. Na tradução seria algo como: “Grande demais para trapacear: incentivos para pools de mineração dobrar os gastos em criptomoedas baseadas em blockchain.”

Concentração na distribuição de moedas

As baleias podem manipular preço?

Já falamos sobre a concentração na mineração dos Bitcoins, agora vamos falar sobre a concentração na propriedade das moedas. Ora, qualquer sistema capitalista tem uma distribuição desigual de riqueza baseado em algum tipo de meritocracia (não é o escopo deste artigo discutir se são sistemas justos ou não). No Bitcoin isto não é diferente.

Mas frequentemente ouvimos na imprensa a manchete de que 2% dos endereços possuem 95% dos Bitcoins, como neste artigo da Bloomberg. Felizmente o blockchain é extremamente transparente e todos os dados são facilmente verificáveis. Esse dado em particular é uma falácia e vamos explicar o porquê a seguir!

Através da análise forense do blockchain as “baleias”, como são definidas as entidades com mais de 1.000 Bitcoins, não representam mais que 50% de todas as moedas emitidas. Veja no gráfico abaixo com a evolução da participação por tamanho de carteira:

Fonte: Glassnode

Além disso, a informação de número de Bitcoins por carteira é enviesada já que existem carteiras com milhares de Bitcoins que são carteiras de corretoras, que não são de fato as donas daquelas moedas.

Um estudo da universidade de Cambridge estimou em mais de 100 milhões de usuários de corretoras de criptomoedas ao redor do mundo, que conjuntamente são donas dessas moedas nas carteiras das corretoras.

Existem também carteiras com Bitcoins perdidos, carteiras de mineradores, e a carteira do próprio Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin que minerou o primeiro bloco, que não deverá movimentar Bitcoins.

Realizados os devidos ajustes nos dados acima, de acordo com o especialista “Willy Woo” a divisão da posse de Bitcoins mostra que mais da metade dos usuários não são “baleias”:

Em relação a possibilidade de manipulação de preços, à medida que aumenta o volume de BTCs negociados nas corretoras, e com a entrada de players institucionais, isso se torna cada vez mais semelhante aos mercados mais maduros de ações.

Segundo o site Metrics, o volume diário do Bitcoin atualmente está próximo de U$10 bilhões de dólares, ou seja, um valor superior ao volume médio negociado do índice Bovespa. Além disso, uma grande parte dos BTCs negociados são em mercados de balcão OTC (over the counter) e não estão inclusos neste dado.

Atualmente, ordens grandes ainda são capazes de mover preço. Porém com o crescimento da demanda institucional, este efeito é cada vez menor. O último estudo realizado acerca de liquidez, pela Coinmetrics, avaliou a capacidade de mover preço de ordens acima de 1 milhão de dólares a mercado em cada uma das exchanges. Perceba que nas corretoras mais utilizadas, o efeito é relativamente pequeno. (Coinbase, Binance, Bitstamp):

Variação percentual no preço como resultado de um milhão de pedidos de compra ou venda no mercado de Bitcoin para as principais corretoras (em Dólar)

Fonte: Coinmetrics

Outra medida importante de liquidez é o bid-ask spread², ou seja a diferença entre a melhor oferta de compra para melhor oferta de venda no livro de ordens. Perceba como as corretoras se comparam com o mercado tradicional de ações:

Bid Ask Spread nos mercados de Bitcoin nas principais corretoras

Fonte: Coinmetrics

² spread bid-ask é uma variação que compara ofertas de compra e venda.

Riscos Tecnológicos

A computação quântica pode “quebrar” o algoritmo de criptografia do Bitcoin?

Existe um risco legítimo de que a computação quântica torne os padrões atuais de criptografia triviais. Ou seja, com a adoção da computação quântica, solucionar problemas matemáticos criados pela criptografia atual seria fácil, e consequentemente, conseguir atacar o Bitcoin se tornaria barato.

Uma análise aprofundada da Microsoft, identificou que computadores quânticos de fato terão a capacidade de lidar com números primos de forma muito eficiente, através de um algoritmo chamado Shor Algorithm. Porém, é estimado que isso leve 20 anos para acontecer.

No caso que isso aconteça, todas os endereços do Bitcoin com chaves públicas conhecidas, o que equivale a aproximadamente 25% dos Bitcoins estariam vulneráveis, de acordo com estudo da Deloitte.

Todavia, até lá, já estão sendo desenvolvidas formas avançadas de criptografia que possam ser a prova de computação quantum. Ou seja, trata-se de um evento altamente previsível em que temos tempo para nos preparar e desenvolver soluções. Uma vez solucionada essa questão, bastaria executar um upgrade no protocolo do Bitcoin, também conhecido como soft-fork, e o problema estaria resolvido.

Perceba que estamos falando de cenários hipotéticos, distantes e com riscos mitigáveis, mas é inegável que existe um componente de risco acerca do tema.

Riscos nas stablecoins

O Tether possui risco?

A resposta imediata é sim. O Bitcoin não garante que entidades que a utilizam, incluindo corretoras que emitem stablecoins estejam seguros. É importante entender que o risco de uma stablecoin não é inerente ao Bitcoin, mas sim ao seu emissor, e, portanto, se faz necessário auditar os balanços das empresas que o fazem.

Existem uma série de stablecoins na cryptoeconomia, e cada uma delas possui um componente de risco específico do seu emissor. Uma das mais utilizadas é o Tether, também conhecido como USDT, a stablecoin emitida pela empresa Tether, dos mesmos sócios da corretora Bitfinex.

Mercado do Tether

Atualmente, a capitalização de mercado do Tether é de cerca de USD25 Bilhões. Ou seja, por volta de 25 bilhões de dólares sintéticos foram emitidos para a compra de criptomoedas, e espera-se que esse alto valor não tenha sido impresso a esmo, mas que exista os 25 bilhões na tesouraria da Tether, no caso, no banco Deltec, que é o banco responsável pelas reservas da companhia.

Saldos atuais

Todavia, já faz alguns anos que circulam rumores de que a corretora Bitfinex tem problemas de compliance, e, pior, de solvência. A promotoria de Nova Iorque (NYAG), inclusive investiga a corretora acerca de um rombo de U$ 850 milhões nas suas reservas, e o banco Wells Fargo, que até então geria a conta da companhia, passou a bloquear as suas atividades.

A principal preocupação é se de fato existem os US$ 25 bilhões, e segundo, se esse valor está em caixa ou equivalentes. Se não existirem as reservas então a Bitfinex seria uma fraude completa e estaria imprimindo dinheiro imaginário para manipular e inflar artificialmente o preço do Bitcoin. Essa possibilidade seria catastrófica, mas é remota.

Uma possibilidade mais plausível é de que uma parte das reservas estariam em ativos de risco como Bitcoin, um ativo volátil e que carrega riscos para a solvência da empresa. O próprio CIO do banco Deltec, Hugo Rogers, admitiu recentemente que o banco fez uma compra grande de Bitcoins no ano passado quando o preço do BTC estava em US$ 9,300. Mas vale lembrar que a Bitfinex/Tether não é o único cliente do banco Deltec.

O próprio CEO do banco Deltec apareceu publicamente em uma entrevista ao “Unchained Podcast” de Laura Shin atestando publicamente que a companhia Tether possui os US$ 25 bilhões em reservas.

Gregory Pepin, explica que seu banco realiza um due dilligence detalhado dos seus clientes e que a sobrevivência do seu próprio banco depende disso. Em seguida, ele explica que a Tether é regulada pela própria Fincen – Financial Crimes Enforcement Network, responsável por enforçar as leis de KYC/AML no sistema financeiro americano. Confira na integra a entrevista:

O mercado acompanha de perto os desenvolvimentos dessa investigação. Caso sejam confirmadas irregularidades, isso pode ter impacto negativo no preço dos criptoativos. Principalmente se ficar comprovado algum tipo de manipulação de preços.

Veja o “antes” e “depois” da participação do Tether nos endereços de Ethereum:

Ironicamente, um dos principais prejudicados com algum tipo de irregularidade com o Tether seria o Ethereum, pois, com o crescimento de seus protocolos de finanças descentralizadas, e a necessidade de moedas que repliquem o valor do dólar nesses protocolos, aumentou e muito a dependência do Tether.

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Paulo Boghosian
Paulo Boghosian
Graduado em Administração de Empresas pelo Insper-SP, MSc Digital Currencies pela Universidade de Nicosia-Chipre e foi instrutor pela Blockchain Academy.

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