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O que é o DI Futuro?

12/03/2021 às 10:03

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O DI Futuro é um contrato futuro de taxa média de depósitos interfinanceiros de um dia. Ou seja, é um contrato desenhado para negociar a taxa de juros acumulada nos Depósitos Interfinanceiros – DI com o prazo de um dia. O DI Futuro não é tão acessível para pequenos investidores, por isso é negociado por bancos e fundos de investimento.

O DI futuro representa a expectativa dos grandes players do mercado quanto à movimentação da taxa básica de juros, a SELIC. É um produto característico do mercado brasileiro e possui especificidades que tornam sua operacionalidade e suas formas de cálculos únicas.

Por ser um derivativo, o seu uso é recomendado para a montagem de estratégias de proteção. Porém, muitos traders utilizam o Futuro de DI para especular no mercado de juros. Portanto, para nos aprofundarmos no tema, este artigo introdutório irá explicar o DI futuro e como esse contrato de futuro de taxa de juros é negociado a partir dos seguintes tópicos:

  • Derivativos: uma breve revisão
  • O motivo de usar derivativos
  • Contrato futuro da taxa de juros
  • Para o que serve o DI Futuro
  • Traders e o DI Futuro

Boa leitura!

Derivativos: uma breve revisão

O contrato de futuro é um dos muitos contatos que estão no grande grupo dos “Derivativos”. Por derivativos, incluímos os contratos futuros, as opções, os contratos a termo e swaps. O nome derivativo indica um instrumento financeiro cujos resultados e valores são derivados ou dependentes de outro elemento. Este elemento é conhecido como ativo primitivo ou subjacente.

Por exemplo, no nosso texto Derivativos – entenda o funcionamento das opções, abordamos com mais detalhes o mercado de opções e mostramos como as opções de ações, que são um derivativo, funcionam. O valor de uma opção de compra depende do valor da ação subjacente sobre a qual a opção foi lançada. Por envolverem ações, cujo retorno esperado é algo que deve ser estimado, as opções de compra são exemplos complicados de derivativos.

Porém, alguns derivativos são mais simples, como os contratos de futuros, contratos a termo ou swaps.

Qual o motivo de usar derivativos?

Os derivativos são ferramentas para alterar a exposição da empresa e dos investidores ao risco. Quando um investidor ou empresa reduz sua exposição ao risco, usando derivativos. Dizemos que o investidor está fazendo um hedge. O hedge visa a neutralizar (ou reduzir, no caso do hedge parcial) o risco da empresa, bem como o risco de um projeto, por meio de uma ou mais operações nos mercados financeiros.

Os derivativos também podem ser usados para aumentar a exposição de uma empresa ou investidor ao risco. Ao fazer isso, falamos que a empresa ou investidor está especulando na movimentação de algumas variáveis econômicas – aquelas que estão associadas ao derivativo.

Vamos a um exemplo prático para facilitar a compreensão. Se alguém compra um derivativo atrelado à taxa de juros — cujo valor aumentará se as taxas de juros aumentarem, e se essa mesma pessoa não tiver exposição às alterações nas taxas de juros, ela especulou que as taxas de juros aumentariam e gerariam um lucro em sua posição de derivativos.

Ou seja, usar derivativos com base em uma opinião é o oposto de fazer hedge, é incrementar o risco. A maioria das experiências malsucedidas com derivativos ocorreu devido a seu uso como especulação. Portanto, estude e conheça mais sobre estratégias do mercado de opções. Se liga só, por exemplo, nesse artigo que fala sobre o long & short straddle. Acessa lá!

Contratos de DI futuro

O contrato futuro de Taxa de Juros

O mais importante instrumento derivativo de juros é o contrato de DI-1, o contrato de futuros de DI de um dia. Esse produto é característico do mercado acionário brasileiro e possui especificidades que tornam sua operacionalidade e suas formas de cálculos únicas e diferente dos derivativos de juros negociados em outras bolsas mundiais.

Como já dissemos, o Contrato Futuro de DI de Um Dia é um contrato desenhado para negociar a taxa de juros acumulada nos Depósitos Interfinanceiros – DI com o prazo de um dia. Esses depósitos são realizados entre as instituições financeiras para troca de reservas no curtíssimo prazo e usualmente acompanham as oscilações da “Taxa Selic” formada nas operações de curtíssimo prazo com títulos públicos.

Em outras palavras, o Depósitos Interfinanceiros (DI) se assemelha a um empréstimo. Em contrapartida ao empréstimo, a instituição tomadora emite um título de renda fixa para outra instituição financeira. Na operação esse título terá uma determinada taxa de juros. Por conseguinte, a taxa DI será obtida através do cálculo da média ponderada entre as diferentes taxas de juros praticadas nesse tipo de empréstimo.

É importante que o investidor saiba que tanto a Taxa Selic, quanto o Futuro de DI representam um referencial importante para as demais taxas de juros do mercado brasileiro.

Para o que serve o DI Futuro?

No Brasil, os derivativos de juros, como é o caso do DI Futuro, são utilizados principalmente pelos agentes do mercado financeiro para proteger investimentos em títulos públicos pós-fixados. As pessoas realizam operações com contratos futuros de DI com a finalidade de fazer hedge contra oscilações na taxa de juros de algum contrato financeiro.

Como funciona o DI futuro?

A cotação do contrato é feita em taxa de juros efetiva anual. Neste caso, usamos 252 dias úteis. Porém, o registro da operação é feito pelo seu Preço Unitário (PU). Por convenção, no seu vencimento, o contrato futuro de DI de um dia tem um PU de 100.000 pontos, sendo cada ponto igual a R$1,00 (Um Real).

Sendo assim, o valor futuro do contrato no vencimento equivale a 100.000 pontos (R$100.000,00 = 100.000 pontos * R$ 1,00). O Valor Presente do Contrato é o seu Preço Unitário, do qual é dado pelo Valor Futuro do contrato no vencimento, 100.000 pontos, trazido para valor presente, à taxa de juros efetiva, na data da negociação. A fórmula abaixo, indica como é feita a precificação de um contrato de DI futuro.

Em que,

  • PU é o Preço Unitário do Contrato de Futuro de DI;
  • i é taxa de juros pré-fixada equivalente ao DI Futuro % ao ano; e
  • n é o número de dias úteis até o vencimento.

Por essa fórmula, podemos ver que a taxa de juros i e o PU têm comportamentos inversamente proporcionais: quando ocorre um aumento da curva de juros, ocorre uma queda no valor PU, já que a base de desconto cresce. Da mesma forma, ocorre uma redução na taxa de juros, ocorre um aumento no valor do Preço Unitário do Contrato de Futuro de DI.

Mantendo o período n fixo em 30 dias, a figura abaixo mostra a reação entre o PU e a taxa de desconto:

Fonte: Elaboração própria

Como compramos ativos no mercado financeiro que acreditamos que vão aumentar de valor e vendemos ativos que acreditamos que vão diminuir de valor, ao o Preço Unitário do Contrato de Futuro de DI variar de forma inversa com a taxa de juros, podemos dizer que, ao vender PU, estamos comprando taxa e, ao comprar PU, estamos vendendo taxa.

Ao negociar uma taxa, gera-se um PU em posição contrária ao negociado em pregão. Portanto, a compra de taxa gera um PU vendido e a venda de taxa gera um PU comprado.

DI Futuro

O ajuste diário

As posições em aberto ao final de cada pregão, depois de transformadas em Preço Unitário do Contrato de Futuro de DI, são ajustadas com base no preço de ajuste do dia, estabelecido conforme regras da Bolsa de Valores, com liquidação financeira (pagamento dos débitos e recebimento dos ganhos) no dia útil subsequente (D1).

O ajuste diário é calculado até a data de vencimento de acordo com as seguintes fórmulas:

  • Ajuste das operações realizadas no dia:

  • Ajuste das posições em aberto no dia anterior:

Em que,

  • ADt é a ajuste diário em reais, referente à data t;
  • PAt é o preço de ajuste do contrato na data t para o vencimento respectivo;
  • M é o valor, em reais, de cada ponto de PU, estabelecido pela B3;
  • N é o número de contratos e fct é o fator de correção do dia t, definido por uma fórmula elaborada pela B3*.

*A apresentação da fórmula elaborada pela B3 foge do escopo deste artigo.

Se o valor do Ajuste diário for positivo, ele será creditado ao comprador da posição em PU e debitado ao vendedor da posição em PU. Se o valor for negativo, será debitado ao comprador da posição em PU e creditado ao vendedor da posição em PU.

Trader de DI Futuro

Como traders ganham (ou perdem) dinheiro com isso?

Apesar de ser um instrumento voltado para proteção (hedge), alguns especuladores utilizam o DI Futuro para realizar operações de derivativos de taxa de juros. No geral, o investidor que mantém a sua posição até o vencimento, recebe ou faz pagamentos de acordo com essa variação diária.

Se o trader fizer operações intradiárias, ele tentará entrar e sair da operação antes que o ajuste de acabar o pregão, já que ao acabar o dia ele terá que reembolsar ou receber a variação de acordo com o ajuste diário. O objetivo do trader de futuros de taxa de juros é especular e ganhar dinheiro em cima das variações na taxa de juros que ocorrem ao longo do pregão.

Neste caso, por ter alta liquidez, o Futuro de DI é um dos contratos mais negociados entre os operadores de day trade. Esses operadores aplicam desde técnicas mais simples de análise técnicas e gráficas, passando pelo tape reading e análise de fluxos, até a aplicação de modelos quantitativos mais robustos.

O TC School tem um material simples e descomplicado para você aprender a investir e melhorar a rentabilidade dos seus investimentos. Queremos o desenvolvimento de cada um, do seu jeito, com responsabilidade e segurança.

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Referências

Varanda Neto, J. M. Santos, J. C. S. Mello, E. M. (2019). O Mercado de Renda Fixa no Brasil: Conceitos, Precificação e Risco. Saint Paul., 1º Ed.

Lucas Nogueira
Lucas Nogueira
Analista de conteúdo do TC School
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB

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