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Alavancagem: entenda os riscos

05/08/2020 às 15:31

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Neste texto, vamos falar sobre alavancagem, uma via de mão dupla que pode potencializar os retornos, mas pode também aumentar os riscos, tão esquecidos pelo mercado em geral. O texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • Alavancagem: uma via de mão dupla
  • Alavancagem com derivativos: o caso das opções
  • Exemplo: alavancagem via derivativos
  • Reflexão: uma nota de precaução

Boa leitura!

Alavancagem

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Alavancagem: uma via de mão dupla

Primeiramente, devemos lembrar que também existe o conceito de alavancagem operacional, que relaciona o nível dos custos fixos de uma empresa ou indivíduo com o nível dos custos variáveis. Nesse sentido, quanto maiores os custos fixos em relação aos custos variáveis, maior será a alavancagem operacional. Neste texto, estamos nos referindo a alavancagem financeira, geralmente operacionalizada via uso de dívida ou derivativos.

Se você já cursou alguma disciplina ou curso formal de finanças, ou se já leu algum livro mais técnico sobre investimentos, é possível que tenha se deparado com o gráfico abaixo. Não iremos entrar nos detalhes técnicos da sua elaboração, mas usaremos este gráfico para ilustrar o conceito de alavancagem financeira.

Para exemplificar, imagine que você montou uma carteira de ativos com risco. Essa carteira pode ter de tudo, desde ações, passando por títulos de dívida corporativa, fundos imobiliários e títulos do governo com algum risco, FIAs, FIMs e até fundos de investimento em ouro. Você espera ter um retorno de 15% e observou que essa carteira teve um risco (mensurado pelo desvio padrão) de 10% nos últimos anos. O ponto ilustra a localização do seu portfólio no gráfico, ao relacionarmos o risco da carteira (desvio padrão) com o Retorno de 15%.

Entretanto, após comentários de outras pessoas, você foi convencido de que o retorno esperado da sua Carteira Tranquila com 15% a.a e desvio padrão de 10% era pouco e que você deveria buscar um retorno maior!

Potencializando os retornos comprando mais ativos de risco

Existiriam duas formas de aumentar esse retorno. A primeira envolve aumentar a quantidade de ativos com risco, deslocando a sua carteira para um patamar de retorno esperado maior. Vamos dizer que, para fazer isso, você aumentou a quantidade de ações na sua carteira e reduziu os títulos corporativos e os fundos imobiliários. Afinal, as ações são mais arriscadas que os títulos e os fundos imobiliários.

Fazendo isso, por mais que você tente, vai chegar um ponto onde não será possível aumentar o retorno sem aumentar o risco. Abaixo temos uma representação de uma carteira mais arriscada. Note que retorno esperado aumentou, assim como o desvio padrão dos retornos. Todos os pontos da curva em vermelho são possíveis carteiras que aumentariam os retornos esperados e o risco.

Mas será que não existe uma forma de aumentar ainda mais os retornos? A resposta é sim! Porém, você teria que usar alguma alavanca para “fazer um esforço menor e movimentar mais peso”.

Vamos adicionar a possibilidade de emprestar e de tomar empréstimo.

Potencializando os retornos via alavancagem

Pense que você pode comprar um título do governo sem risco por 2% ao ano. A nossa taxa Selic, até o momento da escrita deste texto, estava por 2,25%. Logo, é razoável pensar uma taxa sem risco pagando 2% a.a. Assim, para REDUZIR o risco da sua carteira, você poderia investir mais na taxa livre de risco. Isso iria reduzir o retorno esperado, mas iria reduzir o risco também.

Agora, e se, do mesmo jeito que você pode comprar um ativo livre de risco, você também pudesse pegar emprestado por uma taxa similar para investir? Neste caso, você poderia pegar com a corretora por uma taxa de 2% também e aplicar na carteira mais arriscada, ou em qualquer carteira entre a Carteira Tranquila e a Arriscada. O gráfico abaixo, mostra o que aconteceria ao pegar empréstimo e investir na mesma Carteira Tranquila. Você poderia aumentar o retorno esperado (aumentando o desvio padrão), porém usando mais capital de terceiros.

Para os mais interessados, apresento a tabela que gerou os gráficos acima:

Até aqui, tudo bem. Você pegou um empréstimo, investiu e espera um retorno maior. Só tem um problema: quando você erra a mão. No geral, a corretora não vai te emprestar uma quantia que seja muito maior que o seu patrimônio, mas isso pode ser feito via derivativos. E neste caso, o risco pode ser ainda maior.

Alavancagem com derivativos: o caso das opções

Anteriormente, falamos da alavancagem financeira via tomada de empréstimo e mostramos como isso pode aumentar os retornos com um aumento do risco. Nesse sentido, também mostramos que as premissas que levamos em consideração são um pouco absurdas. Porém, é certo que o uso da alavancagem aumenta dos riscos da operação.

Agora, vamos falar sobre uma forma de aumentar a alavancagem via opções! Primeiramente, precisamos dizer que isso também aumenta o risco da operação. Logo, se você bateu um papo similar ao que ocorreu abaixo, é provável que algo de ruim aconteça com os seus investimentos no futuro! Olhe o potencial de perda e pondere se está disposto a fazer tal operação.

A alavancagem para um comprador de opções de ações está no fato de que você pode ter exposição a uma quantidade alta de ações por um valor muito abaixo da compra das ações. Simplificando, se você tivesse um capital para investir, você poderia ter um retorno esperado muito maior através da compra de opções do que através da compra das ações. Isso ocorre porque o custo dos contratos de opções são tipicamente muito menores que o custo do título subjacente, no entanto, você pode se beneficiar dos movimentos de preços no título subjacente da mesma maneira.

Exemplo: alavancagem via derivativos

Vamos supor que você tem R$ 1.000 para investir e deseja investir em ações da Empresa ABCD3, acreditando na sua valorização. Se as ações da Empresa ABCD3 forem negociadas por R$ 20, você poderia comprar 50 ações na Empresa ABCD3 com seus R$ 1.000.

Se o preço das ações subir (como você espera), você seria capaz de vender essas ações com algum lucro. Por exemplo, se elas subirem para R$ 25, poderia vendê-las com um lucro de R$ 5 por ação. Isso resulta em um lucro bruto de R$ 250, sem considerar os custos de transação. Nada mal, um retorno de 25%!

Agora, vamos supor que você decidiu investir em opções de compra de ações da empresa ABCD3, negociadas por apenas R$ 2,00.

Essas opções possuem um preço de exercício de R$ 20. Se o tamanho do contrato for de 100, você pode comprar cinco contratos a R$ 200 cada: o que significa que você efetivamente tem controle sobre 500 ações da Empresa ABCD3. Ou seja, 5 contratos, cada um cobrindo 100 ações. Isso significa que o uso de R$ 1.000 para opções de compra deu a você o controle de 10 vezes mais ações do que o uso de R$ 1.000 comprando diretamente ações a R$ 20 cada.

Com o preço da empresa ABCD3 subindo para R$ 25, você ganha muito mais com a venda de suas opções com lucro. Porém, se a opção não for exercida por estar fora do dinheiro (OTM – Out of the Money), você perderá todo o capital que investiu.

Abaixo, o quadro ilustra os lucros e os retornos das duas estratégias. É possível notar que o investidor conseguiu alavancar os seus ganhos usando opções. Porém, ele perderia todo o capital se a ação caísse de preço. Não tem fórmula mágica aqui.

Reflexão: uma nota sobre precaução

Como mostramos, neste e em outros textos, opções são ótimas para fazer hedge, para proteger contra quedas e para especular. Não há dúvida de que elas constituem um instrumento poderoso para realizar a gestão de risco. Porém, elas também elevam a sua exposição ao risco caso não sejam utilizadas de forma correta.

Nesse sentido, vale a pena olhar o quanto você estaria disposto a perder caso a operação não ocorra como esperado. Perder 25% nas ações é ruim, perder 100% é pior ainda. Se você colocou todo o seu patrimônio nas opções e sofreu uma queda de 100%, a culpa não é da opção, a culpa não é da ação da qual a opção deriva seu preço, nem de quem vendeu (fez short) nas ações ou de quem vendeu a opção para você. Por isso, entender os riscos associados a esse tipo de operação é importantíssimo.

Abaixo, temos uma tabela onde o investidor alocou de 1% até 100% do seu capital de R$ 100.000,00 em opções de compra. O restante, ele investiu em um título praticamente sem risco, rendendo 2,25% a.a. A opção, quando deu certo, rendeu 150%. Quando não deu certo, rendeu -100%. Quando maior a posição em opções, maior será o potencial de perda. Vale refletir sobre a sua aversão ao risco.

Nota. Investimento inicial de R$ 100.000,00. As opções foram aquelas mostradas no exemplo, com preço de exercício (strike) de R$ 20 e preço de R$ 2,0. Assumimos que tudo que não foi investido em opções foi investido na Selic, rendendo 2,25% ao ano. O retorno esperado da carteira de dois ativos é a média ponderada da carteira.

Até a próxima! Não esqueça de acompanhar este e outros textos no TC School!

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