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Balança Comercial: As exportações e importações brasileiras

24/11/2021 às 14:26

Iris Sousa

A balança comercial é um indicador econômico extremamente importante para análise do saldo e da situação financeira de um país frente a outras nações. Além disso, a balança comercial tem uma relação direta com o Produto Interno Bruto (PIB).

Como sabemos, um investidor deve se manter atento à conjuntura econômica e os possíveis efeitos em seus investimentos. Nessa perspectiva, estar atento à balança comercial e suas especificidades é um ótimo caminho para estar por dentro das relações comerciais e seus impactos na economia nacional.

Pensando nisso, trazemos no texto de hoje uma análise da balança comercial brasileira, apontando sua composição e relações. O texto a seguir se divide da seguinte forma:

  • Como é calculada a Balança Comercial?
  • Exportações e Importações: o que é melhor para um país?
  • Relação da Balança Comercial com PIB e investimentos
  • Análise da Balança Comercial Brasileira
  • Conclusão

Boa leitura!

Como é calculada a Balança Comercial?

Para calcular o saldo da balança comercial, deve-se observar a diferença entre as exportações e importações de um país. Ao fazer essa subtração, em caso das exportações serem superiores às importações, haverá um superávit, do contrário, haverá um déficit.

Além disso, há a situação chamada de equilíbrio comercial, quando as operações se igualam nos valores operacionalizados entre exportações e importações.

Quando falamos de exportações, estamos nos referindo aos produtos que foram produzidos em território nacional e vendidos para outros países. Já as importações, são os produtos produzidos em outros países e comprados pelo Brasil.

Nessa perspectiva, a balança comercial é o resultado das exportações e importações feitas por um determinado país.

Sobretudo, é essencial analisarmos esses dois fatores e suas composições sem preocupar-se apenas com o déficit ou o superávit, pois os produtos importados e exportados falam muito sobre o desenvolvimento econômico e tecnológico de um país.

Exportações e Importações: o que é melhor para um país?

Um breve histórico

A constituição histórica de uma nação decorre em diversos períodos distintos em que as movimentações sociais e econômicas se diferenciam pelas suas características. 

Quando falamos de balança comercial, remetemos diretamente ao rastilho histórico do mercantilismo, período vigente na Europa entre os séculos XV e XVIII. Esse período compreende um conjunto de práticas e ideias econômicas consideradas “ideais” à época.

Essas práticas e ideias estavam baseadas na intervenção do Estado na economia, no metalismo (busca por metais preciosos), na balança comercial favorável, no incentivo à manufatura e no protecionismo econômico.

Para nosso entendimento, iremos focar no aspecto da balança comercial favorável. Os ideais trazidos pela época é de que uma nação sempre deveria exportar mais do que importar, pois assim seria uma nação mais rica e com balança comercial sempre favorável. 

Essa idealização foi uma sumidade em diversos instantes e até hoje, há uma forte mentalidade de que se uma balança comercial está em superávit, haverá uma nação rica e desenvolvida.

Sobretudo, devemos fazer um adendo aqui: quando falamos de desenvolvimento econômico, estamos falando também de desenvolvimento de uma nação. 

Dessa forma, apenas o saldo positivo de exportações não é capaz de informar sobre a viabilidade econômica de um país, pois existem outros fatores relacionados como, por exemplo, o tipo do produto exportado, o ambiente nacional e o nível de protecionismo industrial, a tecnologia disponível no país e etc., que são primordiais para o desenvolvimento ou não de uma economia. 

Então… Exportar não é melhor do que importar? Assim como praticamente tudo na economia: depende.

Exportar ou Importar?

Nas relações comerciais, abrangidas pelas exportações e importações, existem alguns fatores ou componentes que influenciam diretamente essas comercializações. São eles:

  • Taxa de Câmbio

Quando a moeda nacional está valorizada em relação as moedas estrangeiras, isso significa que as importações são mais baratas. Isso também é verdade quando a moeda nacional se deprecia (está desvalorizada).

Nessas ocasiões, as exportações podem se beneficiar porque os produtos nacionais se tornam mais baratos e mais competitivos para os compradores internacionais.

  • Oferta e demanda

A relação entre a oferta e a demanda está presente além da conjuntura econômica de um país, se mostrando relevante também nas relações comerciais.

Isso ocorre pois um determinado parceiro comercial pode estar passando por situações como recessões e expansões econômicas que demandem mais ou menos produtos a serem importados (ou exportados), influenciando diretamente a oferta por parte de seus parceiros comerciais. 

Por exemplo, se os parceiros comerciais de um determinado país estão passando por um cenário de recessão econômica, eles poderão demandar menos mercadorias e o número de exportações do país poderá diminuir.

  • Protecionismo

A principal característica do protecionismo é a dificuldade para produtos e serviços estrangeiros entrarem no país, com o propósito de proteger o mercado interno. Para esse fim, o governo pode aumentar as taxas de imposto de importação, estabelecer barreiras tarifárias políticas, econômicas e subsidiar a indústria ou agricultura nacional.

Além desses fatores que são fortes influenciadores da balança comercial, há outro conceito de suma importância para delimitarmos sobre essas relações. Estamos nos referindo ao conceito de valor agregado.

Em linhas gerais, nações consideradas grandes potências com economia super desenvolvida tendem a exportar produtos de alto valor agregado. É o caso de produtos relacionados com tecnologia, indústria de transformação, medicamentos, vacinas e automóveis. 

Em contraponto, países emergentes ou subdesenvolvidos normalmente exportam produtos primários, que possuem baixo valor agregado, resultantes das atividades econômicas da agricultura, pecuária e extrativismo.

Não podemos afirmar de forma generalizada que exportar ou importar é melhor em detrimento de outro. É fato que quanto mais exportações, maior é o saldo positivo da balança comercial, e consequentemente, também há maior quantidade de moeda estrangeira e recursos financeiros no país, sendo bom para a economia local. 

Dessa maneira, recursos advindos do superávit tem o seu impacto positivo na economia. Por exemplo, o saldo positivo da balança comercial tem impacto direto sobre o balanço de pagamentos. Esse, por sua vez, também é um importante componente dentro da economia, pois trata-se da poupança externa, que gera impacto não só no financiamento do país, mas também sobre o câmbio.

Sendo assim, existem diversos fatores que são passíveis de ponderação para delimitar o que é mais adequado para uma nação, sendo primordial a consideração dos produtos que mais são utilizados nas comercialização e a utilização a longo prazo dos recursos oriundos do superávit.

Relação da Balança Comercial com PIB e investimentos

A balança comercial de um país está diretamente relacionada ao produto interno bruto (PIB). Quando a produção e as exportações de um país aumentam, seu produto interno bruto também pode  aumentar, e quando as exportações diminuem, o produto interno bruto do país pode diminuir.

Isso ocorre porque o PIB é calculado a partir da soma: consumo das famílias, investimentos, gastos do governo e saldo da balança comercial.

Nesse sentido, acompanhar esse indicador é essencial para os investidores, pois além do impacto de forma macro na economia, alguns setores e empresas da bolsa de valores estão totalmente ligadas às exportações e/ou as importações. Corroborando ainda para tendências de alta ou baixa em alguns ativos no mercado financeiro.

Além disso, é possível observar os movimentos de superávit ou déficit para criar estratégias de investimentos, bem como do tipo de produto exportado/importado, os países que possuem maior parcerias e os efeitos que possam ter na economia interna.

Por exemplo, se a economia estiver calculando superávit, pode ser interessante direcionar estratégias de investimentos em empresas que estão com altas demandas de exportação. Ou ainda, se um país parceiro está sofrendo recessões e demanda menos produto que, por sua vez, é mais exportado, pode indicar a necessidade de alerta e estratégias de investimentos adequadas à situação. 

Análise da Balança Comercial Brasileira

O governo federal disponibiliza todos os dados referentes à balança comercial, no site do Ministério da Economia você encontra os relatórios mensais, resumos e detalhes dos dados de importações e exportações. 

Além disso, você também pode acessar a Comex Stat, plataforma integrada ao Ministério da Economia em que constam todas as informações da balança comercial de 1997 a 2021.

A partir dos dados concedidos na página do Comex Stat, fizemos algumas análises de todo o período de 1997 a até setembro de 2021 (último mês de dados disponível na plataforma) para que você possa conhecer mais das movimentações e composições das relações comerciais brasileiras.

O gráfico abaixo mostra em US$ Milhões a quantidade de exportações e importações mensais de 1997 a 2021. Perceba que em grande parte de todo o período, o Brasil fez mais exportações (linha azul) do que importações (linha vermelha). De 297 meses entre 1997 a 2021, apenas em 22% (65 meses) do período a balança comercial apresentou déficit.

Nessa perspectiva, podemos observar que apesar de o Brasil ser um país considerado emergente, há um grande quantitativo de exportações ao longo do tempo, sendo relevante para a atividade econômica. 

Balança comercial brasileira

Fonte: elaboração própria a partir de Comex Stat (dados coletados em 05/11/2021)

Sobretudo, lembre-se de observar os pormenores. A análise prévia pode trazer inferências equivocadas, dado que o que temos aqui é apenas o quantitativo bruto.

Pensando nisso, para enriquecer a análise, trazemos abaixo os 10 principais países parceiros das relações comerciais brasileiras, tanto na exportação quanto na importação, divididos de cinco em cinco nos 25 anos de análise.

Exportações brasileiras

exportação brasil

Fonte: elaboração própria a partir de Comex Stat  (dados coletados em 05/11/2021)

Importações brasileiras

importações brasil

Fonte: elaboração própria a partir de Comex Stat (dados coletados em 05/11/2021)

Tanto na exportação, quanto na importação, a China e os Estados Unidos são fortes parceiros comerciais do Brasil, como vemos nos gráficos acima. Outro fato interessante é que ao longo dos anos, as relações com China e Estados Unidos foram crescendo, ao passo que os outros países se mantiveram ou diminuíram.

Essa análise mais aprofundada é muito importante quando observamos pela lente dos investidores. Apesar desses países serem considerados como potenciais mundiais e, por consequência, economias epicentrais, há uma forte relação direta com o comércio internacional brasileiro. 

Dessa forma, mudanças políticas e/ou econômicas que tenham intervenção nos produtos importados ou exportados, certamente irão impactar a balança comercial brasileira, acendendo um alerta para o investidor.

Como falamos anteriormente, além de se observar o saldo da balança comercial, é interessante estar por dentro dos produtos que mais estão presentes nessas relações, pois é possível aplicar o conceito de valor agregado para analisar de forma mais concisa a economia do país.

Pensando nisso, trazemos nas tabelas abaixo os dois produtos mais exportados e importados pelo Brasil para os seus principais parceiros:

balança comercial

Fonte: elaboração própria a partir de Comex Stat  (dados coletados em 05/11/2021)

Perceba que quando falamos de exportação brasileira, vemos a figura expressiva de produtos considerados de baixo valor agregado, como é o caso da soja exportada para a China. Em contraponto, o Brasil importa produtos advindos da indústria de tecnologia, como é o caso das células solares. 

Além disso, também vemos a figura dos óleos brutos de petróleo sendo representativo nas exportações para os Estados Unidos, e em contrapartida, há uma grande importação de gasóleo e gás natural liquefeito. 

Por fim, é importante destacar que com a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, a importação desses produtos se torna mais custosa para o Brasil.

Portanto, apesar de haver um grande quantitativo de exportações transacionadas em moeda estrangeira, há importações realizadas na mesma moeda estrangeiras, também agregando um custo maior para quem importa.

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Iris Sousa

Estagiária do TC | TC School.

Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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