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Carros elétricos e uma análise do mercado brasileiro

22/07/2021 às 16:42

TC School

Os carros elétricos são um tema bastante tratado hoje em dia ao redor do mundo, pois além de representarem a materialização de um futuro que era bastante esperado pelas pessoas e comumente retratado nos filmes, eles trazem consigo uma ruptura de como a sociedade lida com os automóveis e a mobilidade urbana. Assim, surge a problemática de inserção do carro elétrico em uma sociedade estruturada em carros movidos a combustão.

Tanto que, até mesmo os governos do exterior, pensando em um mundo mais verde, buscam estimular fabricantes de veículos e consumidores a utilizarem carros elétricos com o intuito de reduzir a elevada emissão de poluentes causada pelos tradicionais motores a combustão.

O exemplo mais recente, foi a determinação do governo do Reino Unido, a partir de Boris Johnson, para que de 2030 em diante só sejam produzidos carros elétricos naquele país.

Superficialmente, fica evidente que este é um avanço bastante significativo para a sociedade e para a mobilidade urbana que se encaminha a um patamar menos agressivo ao meio ambiente.

No entanto, por se tratar de uma transição, existe uma série de custos a curto prazo que a sociedade precisa incorrer e assim posteriormente se consolidar nesses novos padrões. Dentre eles, o mais evidente, será a construção de uma matriz energética no país que seja suficiente para o mercado de carros elétricos existente.

Assim, o que do lado do consumidor pode ser interpretado como uma dificuldade (a curto prazo), para as empresas, pode ser uma avenida de crescimento a ser explorada pelas companhias que se encontram em segmentos alheios ao setor automotivo!

Antes de tudo, para facilitarmos o entendimento sobre carros elétricos, o texto será estruturado da seguinte forma:

  • Tipos de carros elétricos
  • Carros elétricos no Brasil (segmentar em mais pontos)
  • A oferta de carros elétricos no Brasil
  • Carros elétricos e bolsa de valores
  • Considerações finais

Boa leitura!

carros elétricos

Tipos de carros elétricos

Nos carros de motores a combustão temos variadas motorizações indo desde os atuais 3 cilindros turbo que visam a baixa emissão de poluentes e extração máxima de eficiência desses motores até os clássicos motores de 10 e 12 cilindros que não buscavam tanto assim a baixa emissão de poluentes mas uma marcante experiência na direção, como foi o caso de terem sido utilizados nos carros de Fórmula 1.

De forma quase que semelhante a isso ocorre nos carros elétricos, e, dentre os principais tipos de carros elétricos temos as seguintes siglas: EV, HEV, PHEV e FCEV. Confiram abaixo o que cada uma representa:

FCEV – Full Cell Electric Vehicle

Veículos que possuem motorização elétrica, mas, para que a bateria possua a energia necessária ao seu funcionamento temos a ela acoplada uma espécie de combustor.

E, nele, temos o hidrogênio líquido pressurizado que ao entrar em contato com o ar, gera a energia necessária para a alimentação da bateria e funcionamento do veículo. Enfim, apesar de possuir uma espécie de motor a combustão em seu funcionamento, os elementos químicos envolvidos não emitem poluentes durante seu processo.

Esse tipo de veículo é raro no mundo todo, pois foi um projeto de motorização para carros que não teve evolução relevante no mercado e por isso, só é adotado em países como Estados Unidos e Japão.

O Toyota Mirai e o Hyundai Nexo são dois expoentes mais recentes desse tipo de veículo.

HEV – Hybrid Electric Vehicle

Veículos que possuem motorização elétrica, mas também, atuam em conjunto com o tradicional motor a combustão. Nesse caso, a motorização híbrida pode atuar tanto de forma independente quanto de forma complementar entre os motores.

Esses carros, apesar da presença da motorização elétrica, não se carrega a bateria diretamente, pois, o próprio carro possui tecnologias para conversão de outras energias utilizadas em seu funcionamento em energia elétrica para as baterias.

Os modelos mais conhecidos com exemplares no mercado brasileiro são o Toyota Corolla Hybrid, o Ford Fusion Hybrid, as primeiras versões do Toyota Prius e afins.

PHEV – Plug-in Hybrid Electric Vehicle

Veículos que são praticamente iguais aos HEV citados anteriormente, no entanto, existe uma diferença marcante no quesito carregamento de baterias.

Como citamos, os HEV possuem desenvolvimento tecnológico o suficiente para reutilizar e transformar outras energias utilizadas em funcionamento em energia elétrica que recarrega sua bateria.

A questão é que dentro dos limites de projeção do carro elétrico e eficiência na conversão de energias, a bateria empregada nos HEV são menores.

Assim, temos o PHEV como uma alternativa aos HEV, pois agora, esses carros híbridos possuem baterias maiores e mais eficientes, que para isso, passam a ser carregadas via carregadores para carros.

O nome de “Plug-in” vem justamente da facilidade para fazer isso, pois o que antes era toda uma engenharia para conversão de energias e recarregamento da bateria, agora é apenas um carregador que se encaixa na “tomada” do carro elétrico e na fonte de energia para carregá-lo.

Os modelos mais conhecidos com exemplares no mercado brasileiro são os carros elétricos da Volvo como o XC90, XC60, assim como, BMW I3, Porsche Cayenne E-Hybrid e afins.

EV – Electric Vehicle

Veículos que possuem motorização completamente elétrica, seja por um ou mais motores, desde que utilizem exclusivamente energia elétrica. Dessa forma, ao acabar o combustível utilizado, no caso a energia elétrica, eles só podem ser carregados via carregadores elétricos para carros, popularmente conhecidos como chargers.

Alguns modelos de carros elétricos também possuem a funcionalidade de reaproveitamento de energias envolvidas no seu funcionamento para transformação das mesmas em energia elétrica e recarregamento da bateria, no entanto, nos EV, essa tecnologia é empregada mais para aumento de autonomia da bateria e não seu carregamento, que sempre será via chargers.

Os modelos mais conhecidos com exemplares no mercado brasileiro são os modelos da marca Tesla, a exemplo, o Model S, Model X e de outras marcas como o E-Tron da Audi, o Taycan da Porsche e afins.

Carros elétricos no Brasil

Embora mundialmente conhecidos e comercializados, os carros elétricos ainda não são realidade no mercado brasileiro. Isto porque  especialmente no Brasil, existem uma série de custos elevados e barreiras sociais que segmentam esse tipo de veículo para uma camada da sociedade de renda mais elevada. Contudo, antes de tratarmos dessas questões, vamos dar um overview de como se encontra a situação dos carros elétricos no Brasil.

Os dados que forem citados abaixo refletem o somatório de vendas de HEV, PHEV e EV, já que tais classificações compõem o conjunto de carros elétricos.

Na segunda semana de julho de 2021, na época em que esse texto foi produzido, estávamos aproximadamente 1 ano de 4 meses desde o início da pandemia, a qual, além de afetar a sociedade também afetou fortemente o setor automotivo, seja por falta de peças, linhas de produção paradas, atrasos de entregas, preços inflacionados e afins.

Apesar disso, o primeiro semestre de 2021 ficou marcado por alguns recordes de crescimento de emplacamentos de veículos elétricos no Brasil.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico – ABVE, somente no primeiro trimestre de 2021 foram emplacados no Brasil 13.899 carros elétricos, o que representa um forte crescimento de 84% frente a 2020.

Dentre esse total, o veículo mais vendido foi o furgão eT3 da marca BYD, que somou 82 unidades emplacadas. Curiosamente, todas essas unidades foram adquiridas por uma única empresa, a TB Green, que possui frotas de aluguel e prestação de serviços, sendo todos os eT3 destinados aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Um dos motivos para essa concentração no sudeste são os incentivos a esse tipo de veículo, como é o caso da capital de SP. Na cidade de São Paulo, foi sancionada a Lei Nº 17.563, a qual, pratica um excelente incentivo fiscal para a utilização de veículos elétricos (sejam carros ou não), pois: aqueles carros elétricos que foram emplacados e estão em circulação no município recebem um cashback do valor do IPVA pago referente ao veículo, seja por depósito do valor ou por desconto da quantia no valor a ser pago de IPTU pelo titular.

O próprio Estado de São Paulo em si é marcado por outros programas de estímulos do governo para que a sociedade em geral adote o uso dos carros elétricos. É lá também que de acordo com os termos da PL 1256/2019 , os veículos que possuem tal motorização recebem o incentivo fiscal de ter o seu IPVA isento em 50%, assim como, tais veículos possuem a isenção de participação em rodízios.

Por fim, em termos de expectativa de como o mercado brasileiro de carros elétricos pode performar, na visão da ABVE é que até o fim de 2021 tenhamos mais de 28 mil veículos elétricos emplacados no país, entregando assim um crescimento de 42% frente a 2020. Essa expectativa positiva é fundamentada basicamente pelo positivo desempenho recente do mercado brasileiro de carros elétricos.

Dentre os dados recorde, temos o primeiro quadrimestre de 2021 que entrou para a história como o melhor quadrimestre de emplacamentos desses veículos desde que se criou a série histórica em 2012.

Não só isso, mas o ano de 2020 também foi o melhor ano de crescimento da eletro mobilidade brasileira, com uma expansão da base de veículos em 66% frente ao ano de 2019.

Mesmo se esperando um crescimento 24 pontos percentuais menor do que no ano anterior, temos evidente que esse mercado é bastante resiliente, já que, a população brasileira ainda sofre muito com a retração econômica provocada pela pandemia, e, somando-se isso à contração mundial do setor automotivo, os dados positivos de 2021 evidenciam o potencial de crescimento do mercado de carros elétricos.

Notem que apesar de todo esse cenário citado anteriormente, os emplacamentos de carros elétricos no Brasil ao fim do mês histórico de abril, representavam apenas 1,6% do total de emplacamentos de veículos no Brasil.

Tipos de carros elétricos mais vendidos no Brasil

Se formos mais detalhistas nesses dados (buscando mensurar um possível perfil de consumo do mercado brasileiro), temos a seguinte distribuição dos emplacamentos entre os tipos de carros elétricos ao fim do primeiro quadrimestre de 2021:

  1. Híbridos (HEV): 3869 veículos ou 53% do total;
  2. Híbridos plug-in (PHEV): 2993 ou 41%;
  3. Elétricos (EV): 428 ou 6%.

Esse detalhamento fundamenta outra tese da ABVE, pois, a efeito comparativo, se observarmos os dados mundiais temos um cenário disruptivo.

De acordo com os dados apresentados no relatório da Global EV Outlook em 2020, a proporção de carros elétricos comercializados em relação ao total de carros comercializados mundialmente foi de 4,6%.

No entanto, esse dado representa apenas o somatório das classificações de EV e PHEV, desconsiderando os HEV.

Assim, basta fazer uma comparação direta entre o mercado mundial. De acordo com o levantamento da ABVE, se somarmos apenas o total de carros elétricos e híbridos plug-in, desconsiderando os híbridos que não possuem recarga externa, em dados de 2020, esse somatório representa apenas 0,2% do total de veículos comercializados no Brasil.

Ou seja, comparando o cenário mundial de 4,6% e o Brasil em 0,2%, há uma enorme avenida de crescimento para o mercado de carros elétricos no Brasil.

Mas é lógico que, para que esse crescimento seja captado pelo Brasil e pela própria sociedade, há necessidade de que nossa política tributária seja mais estimulante do que detratante, seguindo os estímulos que são comumente aplicados no exterior.

A própria ABVE cita que as principais medidas que o governo brasileiro pode tomar com o fito de estimular o mercado de carros elétricos no Brasil, são:

  • O avanço na aplicação do programa Rota 2030, para assim, os incentivos a carros de elevada eficiência energética sejam aplicados;
  • A equiparação do IPI incidente sobre os carros à combustão e carros elétricos (se compararmos os de mesma eficiência, o IPI dos elétricos é mais elevado e pode chegar a uma alíquota de 20%);
  • E o mais custoso, que porém, poderá surtir muito efeito já que é o adotado por governos pelo mundo, seria a implementação de uma Plano Nacional de Eletromobilidade para a conversão da frota brasileira de carros à combustão em carros elétricos.

Com relação à questão do IPI sobre os carros elétricos, essa pode ser uma das vias mais práticas de aplicação ao estímulo desses carros, pois, cada estado possui a autonomia de aplicar suas políticas de incentivos fiscais sem necessariamente recorrer à instância do governo federal.

De acordo com a pesquisa da Mobility Now, realizada no primeiro trimestre de 2021, o Brasil apresentava a seguinte estrutura de incidência de IPI sobre elétricos:

  • Isenção total de IPI para carros elétricos: Apenas nos estados de Maranhão, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe;
  • Isenção parcial de IPI para carros elétricos: Apenas nos estados de Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro;
  • Projetos de isenção parcial de IPI para carros elétricos em tramitação: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rondônia;
  • Não possuem projeto ou isenção de IPI para carros elétricos em tramitação: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Paraíba, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

A oferta de carros elétricos no Brasil

Desde que foi montada em 2012, a série histórica de dados de vendas/emplacamentos de carros elétricos no Brasil vem apresentando significativo crescimento (vide imagem abaixo), mas o questionamento que surge é, quais são os carros elétricos à venda no Brasil e seus preços?

vendas e emplacamentos

Fonte: ANFAVEA/ABVE

Como esse texto também compartilha da missão da ABVE para estimular a venda dos carros elétricos no Brasil, farei a listagem dos modelos ofertados em ordem crescente de seus preços, para compreendermos diretamente a partir de quantos reais um brasileiro já pode adquirir um carro elétrico.

Mas não só isso, iremos argumentar se seus preços são justos ou não.

Na listagem abaixo, a média dos preços mais baratos (o top 5), não é popularmente acessível a boa parte da população brasileira, já que possuem um preço bastante elevado se comparado aos preços dos carros populares no Brasil.

No entanto, pelo mesmo motivo que citamos anteriormente de baixo desenvolvimento desse setor pelo mundo e especialmente no Brasil, esse tipo de carro fica segmentado para uma parte da população com renda mais elevada.

Mas vejam que, fazendo uma avaliação comparativa (assim como a avaliação por múltiplos no mercado financeiro) entre os carros elétricos citados e os carros à combustão com o mesmo nível ou nível semelhante de entrega seja em acabamento seja em eficiência do motor, é possível perceber que os carros elétricos estão bem precificados.

E, além disso, os carros elétricos possuem vantagens (que na economia podem ser conhecidas como prêmios) frente aos carros à combustão, que traremos um pouco mais à frente no texto.

TOP 15 carros elétricos mais baratos do Brasil*

*Lembrando que todos os preços mencionados serão de veículos 0km!

preço dos veículos

Feito esse mapeamento geral da oferta de carros elétricos no Brasil, a partir do momento em que temos os carros 0 km comparáveis (aqueles à combustão e com eficiência comparável aos elétricos) com um preço médio cada vez mais elevado, o qual, se encaminham ao encontro dos preços de carros elétricos, caso nossa população seja devidamente educada, podemos facilmente (considerando que os indivíduos sejam racionais) ver uma migração do perfil de consumo dos brasileiros a serem mais propensos à carros elétricos.

Isso porque, o mesmo trás consigo uma série de prêmios. Considerem um mundo ideal em que os carros à combustão e os carros elétricos possuem o mesmo preço de mercado.

Sabendo que os carros elétricos possuem a vantagem de menores custos fixos como combustível, manutenção preventiva, IPVA, e, incentivos fiscais dos governos para o seu consumo. Além disso, também há o papel social dos carros elétricos, que contribuem para um meio ambiente mais sustentável.

Assim, por quais motivos os indivíduos teriam que buscar adquirir um carro à combustão ao invés de um carro elétrico?

Uma das primeiras respostas que pode vir à mente de você leitor novamente deve ser a “inviabilidade” de se utilizar esse tipo de carro aqui no Brasil, e, lógico, é uma boa resposta. Mas, será mesmo que é inviável? Confiram abaixo alguns casos reais do mercado brasileiro, em que empresas adotaram o benefício do carro elétrico em suas operações.

Carros elétricos e bolsa de valores

No Brasil, apesar de possuirmos fabricantes de automóveis e algumas delas possuírem capital aberto, suas ações não possuem negociação no Brasil.

Entretanto, esse movimento de carros elétricos não impacta somente as empresas do setor automobilístico, até porque, esse é um tipo de indústria que para o seu pleno funcionamento, são demandados vários insumos de outros setores (tecidos, borrachas, metais, ligas e afins).

No tocante a carros elétricos no Brasil e empresas com listagem em bolsa, temos dois principais setores que podem se beneficiar/se beneficiam com essa movimentação: o de energia elétrica e o de locadoras.

Isso porque, diferentemente do exterior, aqui no Brasil ainda possuímos uma estrutura principiante para o uso dos carros elétricos e os players que atuam nos setores citados podem captar crescimento com essa demanda.

Veja, mesmo que os carros elétricos possuam uma elevada autonomia comparada com os veículos à combustão de alto desempenho, não temos uma rede de postos para recargas de carros elétricos.

O mercado de carros elétricos

Além disso, falta ainda um planejamento para como a energia que alimenta esses carros possa ser distribuída em alguma rede de postos: será por revenda do mercado aberto das geradoras para os carros demandantes ou será via concessionária elétrica de cada estado comercializando energia em suas próprias redes de “postos elétricos”? Ainda não temos essa resposta.

Mas, como os carros elétricos já são uma realidade no Brasil, as próprias ofertantes desses carros aqui no país trataram de tomar medidas paliativas tanto para que esses carros elétricos de seu portfólio sejam vendidos quanto tenham capacidade de serem recorrentemente utilizados.

Onde recarregar o carro elétrico?

Uma das vias que já começou a ser explorada pelos próprios vendedores de carros elétricos no Brasil e redes de shoppings que recebem em seus estacionamentos carros que se alimentam de energia elétrica: os chargers, nada menos que as bombas de combustível que vemos nos postos, mas, obviamente, alimentadas de energia elétrica para atender aos carros elétricos.

Apesar disso, temos uma série de outras adversidades a enfrentar quando se trata de postos de recarga para carros elétricos:

  1. a primeira delas seriam os adaptadores, pois, para cada fabricante de carro elétrico, podemos ter diferentes plugs e diferentes volts e amperes utilizados no carregamentos das baterias reduzindo a eficiência e usabilidade desses chargers; e
  2. isso gera outra adversidade, o tempo da recarga consideravelmente demorado a depender da capacidade de cada charger.

Locação de carros elétricos e o setor de energia

E, essa assimetria entre o funcionamento ideal e a capacidade atual de funcionamento que o Brasil possui, cria oportunidades de crescimento e de geração de valor para que as empresas da bolsa de valores possam explorar.

Lógico que não podemos ignorar a atuação de startups e de pequenas empresas nesse ramo, mas, dada as proporções do Brasil e o potencial de crescimento desse mercado, é válido segmentar a análise para empresas listadas no mercado de ações, pois elas já exploram e possui conhecimento desse potencial de geração de valor e até mesmo por questões ESG, vamos conferir abaixo alguns casos reais no mercado brasileiro.

Um exemplo disso foi a parceria firmada entre a Unidas ( $LCAM3 ) e a EDP Energias do Brasil ( $ENBR3 ).

De um lado temos a líder brasileira na terceirização de frotas e vice-líder da locação de veículos, e, do outro, temos uma multinacional geradora, transmissora, comercializadora e prestadora de serviços de energia elétrica.

No segundo trimestre de 2020, a Unidas surge com uma nova linha de negócio em seu portfólio, o aluguel de carros elétricos através da compra inicial de 57 unidades do Volkswagen Golf GTE, híbrido da marca alemã que teve 99 unidades importadas para o Brasil.

Em linha com o refino do conceito de mobilidade urbana, a Unidas identificou que há um público significativo de pessoas que buscam transitar pelas ruas de maneira mais sustentável, e, por isso, decidiu investir nessa frota de carros elétricos.

Não só isso, mas os carros elétricos também possuem a vantagem de na média possuírem custos de combustível e manutenção menores, devido à capacidade de eficiência desses motores frente aos de combustão, que por serem uma máquina térmica, boa parte da energia empregada no seu funcionamento é dissipada.

E, visando solucionar as adversidades do uso de carros elétricos no Brasil, a Unidas firma a parceria com a EDP justamente para a elétrica fornecer toda a base necessária de energia e infraestrutura que os carros elétricos demandam.

Assim, a EDP se responsabilizou por atender à frota da Unidas com carregadores elétricos adaptativos, gestão de carregamento de cada ativo da frota elétrica, fornecimento de energia e afins.

Distribuída por estados como São Paulo e Distrito Federal, essa frota inicial de 200 veículos já é um teste adaptativo de ambas as companhias para o fornecimento desse tipo de serviço no país.

Não só isso, mas já sabendo e comunicando ao mercado que esse segmento tem alta demanda e potencial de crescimento, tanto Unidas quanto EDP já mapeiam formas de expandir esse negócio, a exemplo da parceria firmada com a ABVE para expandir seu mercado de atuação com esse projeto.

Função social e ambiental

A partir dessa abordagem de mobilidade urbana mais eficiente e menos poluente, somado à concepção do carro elétrico, o mesmo possui caracteristicamente essa função social e ambiental de agredir menos o mundo.

E, é justamente por isso que ele pode ser utilizado como uma ferramenta ESG por empresas da bolsa, um exemplo disso foi a Via Varejo ($VVAR3)

A Via Varejo é uma grande varejista brasileira detentora de empresas como Casas Bahia e Ponto Frio, e, para que tenha uma boa capilaridade de vendas, a companhia precisa de uma boa estrutura logística para realizar suas entregas.

Nesse sentido, e, à luz das boas práticas demandadas por uma gestão da companhia mais iluminada pelo ESG, a partir do segundo trimestre de 2021 a companhia passou a adotar uma frota de 20 veículos elétricos para as suas entregas no estado de São Paulo.

Essa movimentação apesar de não ter sido percebido por outras empresas da bolsa, possui alto potencial de em um futuro próximo ser adotado por outras empresas listadas na B3.

Isso porque, boa parte delas, principalmente as listadas no Novo Mercado, possuem a missão de reduzir as suas emissões de carbono até o ano de 2025. E, aquelas que precisam de frotas em seu operacional, podem facilmente adotar veículos elétricos para alcançar essa missão e reforçar suas práticas ESG com tal ferramenta tão hábil.

Considerações finais

Enfim, podemos ver que o segmento de carros elétricos possui um alto potencial de crescimento, no entanto, em razão disso, existem uma série de custos (como a ampla oferta dos chargers, a viabilização do fornecimento de energia a ser comercializada e utilizada por esses carros) a serem incorridos para que se tenha ao fim de todo esse processo uma mobilidade urbana adaptada aos carros elétricos.

A problemática dos carros elétricos

Lembrem-se que a problemática dos carros elétricos vão além da mobilidade urbana e do setor automotivo, pois tais veículos trazem uma forte renovação do modus operandi da sociedade.

Por exemplo, se algum carro elétrico pegar fogo, as pessoas e as autoridades possuem conhecimento ou treinamento de como apagar o fogo do incidente? Essas e outras questões que envolvem uma mobilidade urbana exposta aos carros elétricos precisam ser respondidas.

Mas enfim, essa trajetória dos carros elétricos pode trazer consigo um futuro promissor para os padrões de mobilidade urbana e o meio ambiente agradecerá.

Pablo Paz
Pablo Paz
Estagiário do TradersClub
Estudante de Economia da UFPB e membro do Projeto Quantum

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