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O que são commodities?

12/01/2021 às 15:24

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Você sabe qual a definição de commodity? Estamos acostumados a escutar notícias nos jornais e redes sociais sobre as exportações do Brasil e o preço das commodities no mercado financeiro. Mas, o que são as commodities? Você sabe dizer o significado deste termo?

Para esclarecer estas dúvidas, neste texto discutimos um pouco sobre o que são commodities, quais os tipos de commodity e a sua presença no mundo dos investimentos.

  • O que são commodities?
  • Classificação das commodities
  • O cenário das commodities no Brasil
  • Preço das commodities
  • Ciclo das commodities
  • Índice de Commodities Brasil (ICB B3)

Boa leitura!

O que são commodities?

A palavra “commodity” vem do inglês e significa mercadoria, mas nem toda mercadoria é uma commodity. Para que um produto seja considerado uma commodity é necessário que este possua algumas características específicas. Vamos entender melhor?

Padronização

Dentre as características das commodities está a padronização do produto. Ou seja, uma commodity precisa possuir uma certa homogeneidade. Logo, mercadorias com grande diferenciação de marca ou qualidade, por exemplo, não entram na classificação de commodity.

Ser pouco perecível

Além da homogeneidade no produto, as commodities não podem ser muito perecíveis. Isto ocorre pelo fato de que frequentemente essas mercadorias precisam ser armazenadas e transportadas a longas distâncias.

O governo não coloca o dedo

Caso o governo tabele ou impeça a circulação livre dentro do país ou entre diferentes países, tal mercadorias não é classificada como uma commodity. Ou seja, as commodities precisam necessariamente de uma liberdade comercial dentro e entre os países. Os preços são formados em bolsas de mercadorias nos países levando em consideração a lei da oferta e demanda.

Possui um grande mercado consumidor

Um produto pouco consumido não resultaria em grandes volumes de negociações. Sendo assim, as mercadorias classificadas como sendo uma commodity possuem um grande mercado consumidor, ou seja, as pessoas e as empresas demandam de tal produto em escala.

Matéria-prima

Por fim, uma commodity não possui um processo ou um sistema de fabricação complexo. Ou seja, são produtos com um baixo valor agregado, mas que serve de base para a produção de outros produtos e/ou são muito demandados

Classificação das commodities

As commodities podem ser classificadas em cinco categorias, que são:

  • Agrícola;
  • Financeira;
  • Energética;
  • Mineral; e
  • Química.

Commodity agrícola

Como o próprio nome sugere, as commodities são formadas pelos produtos agrícolas que se encaixam nas características citadas anteriormente. Além disso, entra também nessa classificação o boi gordo.

Dentre os principais exemplos, estão: milho, café, soja, além do boi gordo.

Commodity financeira

Os principais exemplos de commodities financeiras são as moedas (dólar, principalmente), os índices de ações, além dos títulos públicos.

Commodity energética

As commodities energéticas estão entre as mais faladas principalmente por causa do petróleo, que é um insumo muito utilizado em todo mundo. Além do petróleo, também faz parte dessa classificação o gás natural e a energia elétrica.

Commodity mineral

O ouro, a prata e o minério de ferro estão entre as commodities que entram nessa classificação.

Commodity químico

A commodity química é menos falada, mas também existe. Dentre os produtos que entram nessa classificação, temos os lubrificantes, os sulfatos e o urânio.

O cenário das commodities no Brasil

O Brasil é caracterizado por ser um grande player mundial quando o assunto são as commodities.

A soja foi o principal produto de exportação pelo Brasil em 2020. Foram exportadas 82.978.952 mil toneladas de soja, o que representou um aumento de 12% quando comparado ao ano de 2019. Além disso, a exportação de soja representa 63,2% das exportações do setor agropecuário.

Em segundo lugar no ranking das exportações de commodities brasileiras está o minério de ferro.

Como é possível observar na imagem acima, foram exportadas 341.124.717 mil toneladas de minério de ferro. Além disso, foi o produto número um no ranking nas exportações da indústria extrativa.

Preço das Commodities

Fatores de impacto

Há diversos fatores internos a um país, mas também fatores do contexto internacional que impactam de forma positiva ou negativa no preço das commodities. Dentre esses fatores estão:

  • Dólar (câmbio);
  • Crises internacionais ou regionais;
  • Mudanças climáticas (no caso das commodities agrícolas); e
  • Demanda internacional.

Esses são alguns fatores dentre outros que impactam no preço de uma commodity. Um real depreciado, ou seja, um dólar mais caro, por exemplo, estimula as exportações por parte dos produtores brasileiros aumentando a oferta do produto no mercado internacional.

Nesse sentido, toda a dinâmica econômica (interna e externa) ocasiona uma significativa volatilidade nos preços. Sendo assim, a volatilidade no preço de uma commodity está relacionada à baixa elasticidade-preço da oferta. Ou seja, as respostas de curto prazo em relação às oscilações econômicas são lentas. Por isso costumamos ouvir falar sobre o ciclo das commodities.

Imagine uma propriedade com uma plantação de milho que renderá 100 toneladas de milhos. Diante disso, ocorre uma mudança no contexto econômico onde a demanda por milho fica em torno de 200 toneladas. No curto prazo, não é possível produzir outras 100 toneladas de forma que atenda naquele momento determinada demanda. Desta forma, o ajuste ocorre via preço. Ou seja, como no curto prazo geralmente não é possível suprir tal demanda, o preço da commodity milho (neste exemplo) aumenta pra regular o mercado.

Ciclo das commodities

Os ciclos das commodities ocorre quando há um aumento na demanda por esses produtos e, consequentemente, há um aumento da cotação das commodities nas bolsas mundiais. Isso acontece quando há algum choque, como por exemplo a retomada do crescimento econômico após a pandemia do Covid-19 ou, no caso China, com o seu grande crescimento e sua grande demanda crescente por commodities.

Ao observarmos a trajetória do preço do minério do ferro ao longo dos últimos quinze anos, é possível verificar esses ciclos no preço das commodities. O preço do minério atinge a máxima em abril de 2008, mas sobre uma forte queda com a crise do sub prime em 2008. O preço do minério de ferro retoma a partir de maio de 2009 e mais a frente sofre outra queda com chegando a mínima em dezembro de 2015 em meio a uma economia global desaquecida.

Por fim, já em 2020 é possível observar a queda no preço em decorrência da pandemia do novo coronavírus e, logo após, uma forte retomada, como temos observado neste início de 2021 na recente alta das ações da Vale (VALE3).

Ciclo das commodities no mercado financeiro

Diante desse cenário, algumas empresas que estão intimamente ligadas as commodities, como a Vale (VALE3) e a Petrobrás (PETR4), por exemplo, são empresas que possuem uma correlação positiva com o preço do minério de ferro no caso da Vale, e com o preço do petróleo no caso da Petrobrás.

Dessa forma, uma melhor performance do preço dessas commodities implica, teoricamente, em um melhor resultado para essas companhias, visto que o preço do produto de interesse e a demanda global estão maiores.

Commodity: a negociação nas bolsas mundiais

Diante do exposto, as commodities são negociadas nas bolsas mundiais. A Chicago Board of Trade (CBT) é uma bolsa de mercado criada em 1848 nos Estados Unidos com o objetivo de possibilitar aos comerciantes operações de hedge, já que perdiam dinheiro com a instabilidade dos preços. Atualmente, a CBT é líder no mercado de futuros.

No Brasil, tínhamos a BM&F (Bolsa de Mercado e Futuros), que passou a se chamar B3. Dentre os produtos negociados na B3, estão:

  • Açúcar cristal
  • Boi gordo
  • Café arábica 4/5
  • Café arábica 6/7
  • Etanol anidro e hidratado
  • Milho
  • Ouro
  • Soja

Embora esses produtos sejam negociados na Bovespa, geralmente não ocorre a entrega física da commodity. O que está em jogo são os contratos futuros.

Contrato Futuro: Commodity

Um contrato futuro pode ser entendido como um compromisso de entrega ou recebimento de uma commodity ou ativo financeiro (moeda, índice) dentro de um contrato pré-estabelecido na Bolsa de Valores. Sendo assim, há uma negociação entre as partes e, consequentemente, a “assinatura do contrato” onde se comprometem a negociar o ativo-objeto (commodity) em uma data futura por um preço determinado hoje.

Saiba mais sobre contratos futuros lendo o texto disponível no TC School:

Vale a pena investir em commodities?

Os investimentos no mercado futuro requerem uma série de cuidados porque se tratam de operações financeiras mais arriscadas. Logo, é necessário possuir uma experiência ampla e um ótimo entendimento acerca do funcionamento desse mercado para evitar grandes prejuízos.

Índice de Commodities Brasil (ICB B3)

A B3 possui o Índice de Commodities Brasil (ICB B3) que serve como uma referência para os investidores nesse tipo de ativo. O índice é composto por commodities que possuem um contrato futuro negociados na Bovespa — Brasil, Bolsa e Balcão.

Referências

Pereira, F. D. S., & Silva, M. F. D. O. (2014). Panorama setorial 2015-2018: indústria química.
Sessa, C. B., Simonato, T. C., & Domingues, E. P. (2017). O ciclo das commodities e crescimento regional desigual no Brasil: uma aplicação de equilíbrio geral computável (EGC). Anais do, 44.
de Toledo Filho, J. R. (2020). Mercado de capitais brasileiro: uma introdução. Cengage Learning.

Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Estagiário do TradersClub
Graduando em Economia pela UFPB. Membro do Projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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