Crises ecônomicas mundiais - 1929, Tigres Asiáticos, Subprime - TC

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Conheça as principais crises econômicas mundiais

22/11/2021 às 16:37

Iris Sousa

A história do mundo é marcada por diversos acontecimentos que fazem parte de sua evolução. Grande parte desses ocorridos influenciam diretamente a economia mundial e, por consequência, o mercado de capitais.

Nesse sentido, a história do capitalismo conta com alguns marcos de crises mundiais – financeiras e econômicas, que foram importantes. Aliás, alguns pesquisadores utilizam desses períodos conturbados para estudar os efeitos sobre os investidores e as possíveis predições de uma crise econômica.

A ideia é não repetir os mesmos períodos e se espera que a identificação de crises mundiais e suas causas facilite o aprendizado e uma possível redução na frequência ou gravidade no futuro (Cheriyan e Kleywegt, 2016).

Nesse sentido, vamos te apresentar as principais crises econômicas e financeiras que afetaram o mercado financeiro que o mundo já presenciou. O texto se divide da seguinte forma:

  • O que são as crises mundiais?
  • Principais crises e seus efeitos
  • Conclusão e reflexões

Boa leitura!

O que são as crises mundiais?

No geral, podemos dizer que existem dois tipos de crise que impactam significativamente a conjuntura econômica e social, e por consequência, os mercados financeiros. São elas: as crises econômicas e as crises financeiras.

As crises econômicas ocorrem quando uma economia diminui significativamente (por um período de tempo prolongado) sua capacidade de gerar riquezas. 

No contexto econômico, a riqueza de um país é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB). Em pormenores, pode-se dizer que a riqueza é a quantidade de bens e serviços disponíveis para consumo da sociedade, oriundos do estoque de capital (equipamentos, softwares, máquinas, prédios etc.) e trabalho (população economicamente ativa) usando a tecnologia conhecida e dominada (resultados de pesquisas e inovação) por aquela sociedade. 

Já as crises financeiras são crises mundiais de liquidez do sistema, ou seja, quando ocorre a redução abrupta do valor de ativos (por exemplo imóveis, ações, negócios) da economia.

Sobretudo, essas duas crises se correlacionam e por isso muitas vezes são utilizadas como sinônimos. 

Isso porque uma crise financeira pode se tornar uma crise econômica dado que ela pode ocasionar aumento do desemprego e a redução dos investimentos produtivos, atingindo diretamente os elementos que geram riqueza numa economia: trabalho, capital e pesquisa e desenvolvimento.

Principais crises mundiais e seus efeitos

Agora que você já sabe a diferença entre esses dois tipos de crise, vamos te apresentar os principais acontecimentos que foram prejudiciais em grande escala para os mercados globais.

A grande depressão – 1929 

Esse evento foi uma forte recessão econômica que impactou o capitalismo internacional no final da década de 1920. Marcou o declínio do liberalismo econômico da época e teve como principal causa a superprodução e a especulação financeira.

Após a primeira Guerra Mundial, a economia dos EUA estava super aquecida e próspera. O consumismo se tornou habitual em decorrência da forte produção e expectativa positiva da população. 

Nesse contexto, as pessoas começaram a investir no mercado de ações com a expectativa de que o boom econômico da época valorizasse exponencialmente os ativos. Sobretudo, essas expectativas tomaram um caráter especulativo, levando à quebra da bolsa de New York. 

A quinta-feira 24 de outubro de 1929 foi o primeiro dia identificado como o Pânico de 1929.

Nesse dia, 12.894.650 ações mudaram de mãos – em princípio não havia compradores, só por preços cada vez mais baixos alguém podia ser induzido a comprar (Prado, 2011). O gráfico abaixo mostra o exato ponto da queda no preço do Índice Dow Jones, no dia mencionado.

crise de 1929

Fonte: Tradingview

Com essa queda brusca da Bolsa de New York, o país e o mundo passaram por um difícil período econômico.

A economia norte-americana teve recessão de 50% do seu PIB, além da alta do desemprego, falência de instituições, queda nas exportações e importações e etc. 

Os efeitos dessa crise mundial chegaram também no Brasil, pois os Estados Unidos é um grande parceiro comercial, e na época, era um dos maiores compradores de café brasileiro.

Com a crise, as importações diminuíram, forçando a queda do preço do café brasileiro, levando ao governo a tomar medidas drásticas como a compra e queima de café para evitar a depreciação excessiva em território brasileiro.

Crise dos Tigres Asiáticos – 1997

A crise que afetou países emergentes do sudeste asiáticos em 1997 (por isso o nome de tigres asiáticos) teve início na Tailândia no mês de julho. Consistiu em um colapso financeiro e evoluiu para uma recessão econômica.

Inicialmente, houve uma grande desvalorização da moeda tailandesa (baht), logo após o governo tailandês ter flutuado sua moeda devido à falta de moeda estrangeira para apoiar o seu câmbio fixo com o dólar dos Estados Unidos

No momento, a Tailândia contava com uma enorme dívida externa. À medida que a crise se espalhava, a maior parte do Sudeste Asiático e o Japão viram suas moedas em queda. Os mercados de ações e outros preços de ativos se desvalorizam, enquanto a dívida só crescia.

A Indonésia, a Coreia do Sul e a Tailândia foram os países mais afetados pela crise mundial. Hong Kong, Laos, Malásia e Filipinas também foram afetados pela recessão.

Tailândia, Malásia e a Coreia do Sul tiveram uma diminuição de 10% no PIB. A Indonésia sofreu maior impacto, tendo uma redução de 15% no PIB.

Os impactos mundiais iniciaram quando a Bolsa de Hong Kong teve forte queda de mais de 10%. Aqui no Brasil os efeitos marcaram os primeiros circuit breakers da história da bolsa brasileira, acionados em 28 de outubro e 7 e 12 de novembro de 1997.

Apesar do mecanismo ter levado ao fechamento em alta de 6,42%  no primeiro dia atingido, os dias 7 e 12 de novembro registraram queda. 

Crise Russa – 1998 

Essa crise foi ocasionada, de forma geral, pela fuga de capital investido no país de forma  intensificada. No período, a Rússia também foi afetada pela crise dos Tigres Asiáticos falando anteriormente.

Além disso, era a recém saída de um período turbulento de reformulações políticas internas e estava se expandindo ao novo sistema neoliberalista instaurado no país. 

Dado o contexto caótico, a Federação Russa se deparou com a desvalorização do rublo (moeda do país) e a impossibilidade de saldar as dívidas interna e externa do país, bem como a queda do preço do petróleo, que era um dos principais produtos exportados pelo país.

Com a situação, o governo Russo declarou moratória de sua dívida pública, afetando todas as economias mundiais e os seus respectivos mercados. 

A crise russa afetou principalmente os países considerados emergentes.

No Brasil, a principal consequência foi a fuga em massa capital investido levando o governo (que não mais conseguia sustentar o regime cambial da época) a desvalorizar o real, permitindo a  flutuação em 1999.

Bolha da Internet – 2000 

A crise ocasionada pela bolha da internet ocorreu em especial nos Estados Unidos e se deu, em linhas gerais, por uma grande especulação emanada pelos investidores que apostam de forma demasiada nas empresas com fins tecnológicos

Entre 1994 e 2000 foi o período em que o Nasdaq Composite teve uma grande injeção de capital, dado que é composto por empresas do setor de tecnologia e o período mencionado marcava a ascensão tecnológica com o crescimento ao acesso a internet comercial.

A crença dos investidores com relação ao crescimento da internet fez inflar uma bolha, dado que foram realizados diversos investimentos em empresas de tecnologia, gerando uma forte alta de preços embasados em especulação 

Em 10 de março de 2000, o Nasdaq Composite, chegou aos 5.132 pontos, sua máxima histórica até aquele período. Entretanto, empresas do índice perderam mais de 75% do valor até o final de 2000.

No gráfico abaixo você verifica as oscilações ocorridas no Índice Nasdaq no período mencionado e o crash da bolha entre meados de 2021.

crises mundiais

Fonte: Tradingview

Na época, o Brasil não possuía empresas do ramo tecnológico com capital aberto na bolsa. Dessa forma, não sofreu tantos impactos relacionados ao estouro da bolha da internet.

Sobretudo, dado o caráter comportamental dos investidores brasileiros frente o crash, o Ibovespa sofreu algumas oscilações no período, caindo em torno de 25% entre 2000 e 2001 (pico e crash da bolha).

Crise do Subprime – 2008 

A bolha, ou crise do subprime, foi uma crise financeira nos Estados Unidos. Em setembro de 2008 data-se o início da crise que teve impacto mundial e foi uma das piores desde a crise de 1929. Teve sua origem com a valorização desproporcional dos imóveis decorrente do volume de crédito concedido com taxas de juros baixas. 

O marco da crise se deu com a declaração de falência de uma das maiores empresas financeiras do país, o Lehman Brothers. O pânico de mercado se instaurou rapidamente e o Dow Jones registrou diversas quedas que afetam a economia geral do período.

A economia norte-americana apresentou alta no desemprego e a falência de uma série de empresas. Foi uma situação insustentável para o governo americano. Dado que os Estados Unidos tem uma figura central na economia mundial, as repercussões nos mercados internacionais foram perceptíveis.

O crash da bolha do subprime pode ser visto no gráfico abaixo, em que consta a cotação do Índice Dow Jones no período da crise.

crise subprime

Fonte: Tradingview

Os efeitos também chegaram ao Brasil. A economia nacional entrou em um período de recessão, iniciado no último trimestre de 2008, estendendo-se até o ano de 2009. Com a desaceleração da economia, as indústrias de comércio externo foram prejudicadas com queda de aproximadamente 16% na exportação.

Ainda no Brasil, o primeiro semestre de 2008 foi marcado por um grande aumento no preço das commodities, o que proporcionou uma situação favorável às empresas brasileiras. Entretanto, com o estouro da bolha americana, o Brasil foi tomado por uma grande deflação de preços resultando na queda do valor destas.

crises financeiras econômicas

Fonte: Tradingview

O gráfico acima mostra as variações nos preços do Ibovespa no período da crise e sua queda no segundo semestre de 2008. Podemos notar os efeitos negativos que a crise do subprime teve sobre o mercado financeiro brasileiro.

Coronavírus – 2020 

A crise do coronavírus foi impactante para toda a economia mundial, afetando o desempenho econômico e o mercado financeiro de diversos países.

Os períodos mais conturbados no mercado brasileiro ocorreram entre março e abril de 2020, mesmo período em que há aumento dos casos do novo vírus e a Organização Mundial da Saúde declara como pandemia a doença do surto de coronavírus no mundo. 

Além da grande turbulência destacada no Ibovespa, podemos mencionar, por exemplo, o índice de referência dos Estados Unidos o S&P 500 que perdeu 35% de seu valor em relação ao seu máximo histórico alcançado em 19 de fevereiro de 2020. E, em poucos dias, a magnitude desse declínio tornou-se comparável à crise financeira de outubro de 2008 e o início da Grande Depressão em outubro-novembro de 1929 (Lyócsa et al, 2020).

No gráfico abaixo, podemos ver a forte queda no Ibovespa, marcando os reflexos negativos da crise no mercado brasileiro. 

queda bolsa

Fonte: Tradingview

Conclusão

Como pudemos ver, em diversos pontos da história mundial houveram crises financeiras e/ou econômicas que abalaram os mercados financeiros globais. O cenário das crises mundiais muitas vezes é utilizado pelos investidores e pesquisadores para estudar seus efeitos e causas.

Na parte das pesquisas, há uma forte linha de estudos que aborda sobre as causas comportamentais e de euforia ou pânico nos mercado, atribuindo às bolhas/crises o aspecto decisório e os possíveis vieses dos indivíduos. 

Sobretudo, compreender sobre o processo que levou a formação de crises mundiais é uma rica fonte de informações que pode ser utilizada para agregar conhecimento no mercado financeiro. Conhecer as  possibilidades que levaram a um evento catastrófico nos auxilia a evitá-los e não os repetir.

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Referências

CHERIYAN, Vinod; KLEYWEGT, Anton J. A dynamical systems model of price bubbles and cycles. Quantitative Finance, [s. l.], v. 16, n. 2, p. 309–336, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14697688.2015.1119009.

LOPES, Patrick Fernandes; COSTA, Daniel Fonseca; CARVALHO, Francisval de Melo; CASTRO JÚNIOR, Luiz Gonzaga de. Desempenho Econômico e Financeiro das Empresas Brasileiras de Capital Aberto: um Estudo das Crises de 2008 e 2012. Revista Universo Contábil, [s. l.], n. 35, p. 105–121, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.4270/ruc.2016106

LYÓCSA, Štefan et al. Fear of the coronavirus and the stock markets. Finance Research Letters, [s. l.], v. 36, n. August, p. 101735, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.frl.2020.101735

SILVA, Daniel Neves. Crise de 1929. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/crise29.htm. Acesso em 11 de novembro de 2021.

PRADO, Luiz Carlos Delorme. A Grande Depressão e a Grande Recessão: Uma comparação das crises de 1929 e 2008 nos EUA. Revista Econômica. v 13, n 2, p. 9-44. disponível em: https://doi.org/10.22409/economica.13i2.p26.

Iris Sousa

Estagiária do TC | TC School.

Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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