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Curva de Phillipis: o tradeoff entre inflação e desemprego

13/01/2021 às 15:15

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Para a economia de um país, o cenário ideal é uma taxa de inflação controlada com baixo índice de desemprego. Entretanto, essas duas variáveis em níveis baixos de forma conjunta podem não ser tão amigáveis assim. Desta forma, nesse texto vamos entender melhor a Curva de Phillips e a correlação entre a inflação e o desemprego.

  • Desemprego: o que é?
  • O que é inflação?
  • Inflação e desemprego: qual a relação?
  • A Curva de Phillips: o tradeoff entre a inflação e o desemprego
  • A relação entre inflação e desemprego: o que os dados mostram para o Brasil?

Boa leitura!

Curva de Phillips

O que é desemprego?

Frequentemente escutamos nos telejornais notícias sobre a taxa de desemprego do Brasil e até mesmo das principais economias do mundo. Isto porque a taxa de desemprego é uma variável macroeconômica chave e interfere não apenas na atividade econômica como um todo, mas também no nível de bem-estar da população.

Sabemos que o desemprego implica numa diminuição na renda e, consequentemente, no nível de consumo por parte da população. Por isso, no mundo dos investimentos é importante entendermos o que de fato é a taxa de desemprego. Em um primeiro momento pode até parecer trivial, mas há alguns detalhes em torno da definição da taxa de desemprego que devem ser observados com atenção.

Fonte: EXAME

Taxa de desemprego

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego engloba as pessoas que possuem idade para trabalhar. Ou seja, pessoas com idade acima de 14 anos que não estão trabalhando, mas buscam e possuem disponibilidade para algum tipo de emprego. Logo, o fato de não ter um emprego não faz da pessoa um desempregado.

Os estudantes que se dedicam exclusivamente ao estudo ou uma dona de casa que não exerce trabalho fora de casa, são exemplos de pessoas que não entram para a estatística dos desempregados.
Além disso, o desemprego pode ser causado por diversos fatores, tais como queda no nível de investimento, baixo nível de qualificação da mão de obra, entre outros fatores.

Fonte: Pixabay

Curva de Phillips

O que é inflação?

A inflação é uma outra variável macroeconômica bastante falada nos noticiários e bem conhecida dos brasileiros, especialmente a geração que nasceu antes da década de 1990, que foi o momento da hiperinflação no Brasil.

Desta forma, a inflação é o aumento contínuo e generalizado do nível geral de preços em uma economia de mercado, existindo diversos índices que buscam captar o aumento dos preços de forma geral na economia ou em setores específicos.

O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços (IGP) estão entre os mais conhecidos. A composição desses índices leva em consideração uma cesta de produtos. Logo, o aumento do preço de um produto em específico não é considerado inflação, embora possa impactar no resultado do indicador.

A inflação pode ser causada pelo excesso de moeda em circulação na economia, por causa dos custos de produção ou até mesmo porque os agentes acreditam que haverá inflação.

Aprofunde seus conhecimentos lendo o texto abaixo, disponível no TC School:

Inflação e desemprego: qual a relação?

O economista Alban Willian Housugo Phillips, em 1958, publicou um artigo sobre uma análise da relação entre o desemprego e a taxa de variação dos salários no Reino Unido. Phillips observou, a partir desse estudo, uma correlação negativa entre a inflação e o desemprego. Ou seja, quando a taxa de desemprego diminuía, a inflação aumentava e o contrário também era verdade.

Desta forma, Solow e Samuelson, dois ganhadores do prêmio Nobel de Economia, também verificaram essa mesma relação para os dados da economia dos Estados Unidos. Os autores argumentaram que tal relação ocorria porque um desemprego baixo estava relacionado a uma demanda agregada alta, resultando em uma pressão para o aumento dos preços dos salários e de toda economia.

Nesse sentido, quando o desemprego está alto, implica que as pessoas estão com menos renda. Logo, a demanda por bens e serviços diminui e as empresas não tem espaço para aumentar os preços. O mercado desaquece e as empresas precisam disputar espaço com demais concorrentes para conquistar os consumidores remanescentes. A mesma situação ocorre no sentido contrário.

Os autores Solow e Samuelson denominaram como “Curva de Phillips” essa relação entre a inflação e o desemprego.

Curva de Phillips

O tradeoff entre inflação e desemprego

Fonte: Introdução a economia (Mankiw)

Diante disso, a Curva de Phillips representa a relação de curto prazo entre a taxa de inflação e a taxa de desemprego.

Como é possível observa na imagem, a Curva de Phillips possui uma inclinação negativa para demonstrar a relação inversa entre a inflação e o desemprego. Sendo assim, a curva representa uma combinação de pontos entre taxas de inflação e taxa de desemprego onde o aumento de uma resulta na diminuição da outra.

Inflação x Desemprego

O que os dados mostram para o Brasil

Há diversos estudos que buscaram verificar tal relação não apenas para a economia brasileira, mas em diversas economias mundiais. Camargo (2018) analisou a taxa de desemprego e a taxa de inflação de serviços no período entre 2003 e 2017 no Brasil.

Fonte: Blog do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE).

A partir dos dados coletados é possível observar uma trajetória parecida com a Curva de Phillips. Ou seja, quando a taxa de desemprego estava em níveis baixos, a taxa de inflação estava em níveis mais elevados. À medida que a taxa de desemprego aumentou a taxa de inflação diminuiu no período analisado.

Importância da Curva de Phillips

A Curva de Phillips é um dos pontos chaves dentro da macroeconomia porque permite que os formadores de política monetária e fiscal possam entender a situação em que a economia do país está vivendo naquele momento e preparar as melhores soluções para manter uma economia mais estável.

Por fim, a Curva de Phillips também ajuda os investidores compreender a dinâmica econômica do país e, consequentemente posicionar os investimentos da melhor forma possível.

Referências

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. Cengage Learning, 2009.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. LTC, 2014.

Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Estagiário do TradersClub
Graduando em Economia pela UFPB. Membro do Projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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