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Custo de oportunidade em economia e investimentos

31/05/2021 às 17:00

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Na economia, temos um conceito muito importante chamado custo de oportunidade. O significado é como o próprio nome diz, ou seja, o custo de se fazer alguma coisa (oportunidade). Em termos mais claros, é o processo decisório no qual um indivíduo escolhe entre diversas opções qual é a melhor, sendo tudo o que ele deixou de fazer o seu “custo” e a escolha a “oportunidade”.

Esse termo pode ser utilizado tanto em termos financeiros quanto não financeiros. Em termos financeiros temos como o custo de oportunidade de investir em ações não usar o dinheiro para ir viajar, por exemplo. Em termos não financeiros, temos que o custo de oportunidade de ir jantar com os amigos pode ser não ir jantar com seus pais. Outro exemplo é quando você decide ir com amigos no shopping ou no restaurante, a decisão de ir no shopping tem como custo de oportunidade ir em um restaurante. Já a decisão de ir no restaurante tem como custo de oportunidade não ir ao shopping.

No artigo a seguir, discorremos sobre este importante tema para o investidor. Você irá encontrar:

  • Custo de oportunidade na economia
  • Custo de oportunidade de investidores
  • Custo de oportunidade no governo

Boa leitura!

custo de oportunidade

Custo de oportunidade na economia

Na economia, vemos o custo de oportunidade em diversas situações na qual o indivíduo deve fazer escolha, é através desse conceito que é montada a curva de demanda na economia, com a escolha de indivíduos para fazer suas compras e decidir em quais bens ele vai gastar para maximizar sua utilidade (bem estar de um indivíduo).

Diversos outros fatores da economia são influenciados por esse conceito. A inflação é um exemplo. Como a inflação é uma diminuição do poder de compra através do tempo, uma inflação maior eleva o custo de oportunidade de poupança para gastos no futuro. Deste modo, um cenário de deflação é um desestímulo ao consumo.

Outro tipo de custo de oportunidade é a taxa de juros. A taxa de juros é o valor do dinheiro no tempo, ou seja, quanto ele vale como rendimento ou empréstimo. No Brasil, ela é associada à Selic e ao CDI, Selic é a taxa de juros do governo, já o CDI é uma taxa que acompanha a Selic.

Devido à taxa de juros alta histórica, frequentemente vemos alguém falar, “meu investimento em tal fundo rendeu sei lá quanto por cento do CDI”. Como essa taxa é utilizada como referência, vemos o rendimento de outros títulos de renda fixa que têm sempre sua comparação atrelada ao CDI.

Custo de oportunidade de investidores

Como investidores podemos ver isso diariamente, já que comprar ações da Via Varejo significa não comprar ações da Vale, por exemplo. Mesmo quando há venda de um ativo pelo outro, a diferença da alta dos ativos é o custo oportunidade, quer dizer que se você vender Itaú para comprar Petrobrás e a primeira subir 5% e a segunda 2%, houve um custo oportunidade de 3% nessa operação.

É importante notar que o custo de oportunidade não é sempre algo tangível ou mesmo é visto de forma real já que a “perda” de 3% não existiu na conta deste investidor. Mesmo se o investidor não tivesse vendido Itaú, tendo que escolher entre as duas ações, o custo de oportunidade seria de 3%.

O conceito não se aplica única e exclusivamente às decisões das pessoas físicas ou dos investidores. Ele pode ser usado na lógica empresarial e também pode ser mensurado. Por exemplo: suponha que uma empresa dispõe de R$500 mil e tenha três projetos que demandam R$500 mil em investimentos cada ao mesmo nível de risco. O projeto A tem um retorno esperado de R$700 mil; o projeto B tem um retorno esperado de R$400 mil; e o projeto C tem um retorno esperado de R$0.

Em qual dos três projetos você investiria os R$500 mil? No projeto A, não acha? Afinal, o projeto A representa a melhor alternativa de investimento porque ele mais do que retorna o investimento inicial, com o mesmo nível de risco envolvido no negócio. Dos dois projetos descartados, B e C, o projeto B é a segunda melhor alternativa.

Custo de oportunidade no governo

O governo tem que tomar diversas decisões levando em consideração esse conceito. Com a situação fiscal complicada (mesmo se não estivesse), há sempre um processo no qual deve-se escolher entre dois projetos. Vemos que se investir em educação, há menor investimento em saúde ou segurança, por exemplo. Em exemplos atuais podemos ver tanto a reforma da previdência e a privatização da Eletrobrás.

Com relação à previdência temos que há um custo de oportunidade geracional, onde investir mais em previdência significa investir mais na população mais velha e menos na população mais nova, países mais jovens como o Brasil, costumam ter que investir mais em educação, e por isso temos um dos motivos da importância da reforma da previdência.

Podemos ver um paralelo semelhante com a privatização da Eletrobrás sendo votada no congresso. Com a exclusão de jabutis, temos que ao privatizar a empresa, há uma receita nova no qual podemos investir em outros setores sem prejudicar a empresa que está sendo vendida.

Temos também que não há mais a necessidade de gastar dinheiro do governo para a manutenção da empresa, ou seja, o custo de oportunidade de se privatizar é a troca de gastar com energia para gastar em outros setores. Por fim, tiramos os custos de indicações políticas e dependemos das vontades do governante em alterar os preços e políticas internas da empresa.

Por fim, vemos em análise do site Poder 360 que a demora de 19 anos para a privatização trouxe uma destruição de valor de R$350 bilhões, isto é, 350 bilhões de reais de custo de oportunidade. Do mesmo modo, o site estima que a privatização pode trazer R$10 bilhões a mais por ano em investimentos, ou seja, há um custo de oportunidade de não privatizar de R$10 bilhões em investimentos.

Conclusão

O cálculo do custo de oportunidade pode ser subjetivo em alguns casos. Mas não em finanças – existem indicadores confiáveis que servem de parâmetro para descobrirmos se fizemos uma boa decisão financeira.

Geralmente usamos os juros como métrica para esse fim. No Brasil, os juros mais comuns são a taxa Selic e a taxa interbancária, o CDI. Eles são indicadores por meio dos quais um determinado valor pode ser corrigido ao longo do tempo. São medidas relativamente boas para calcular se o seu investimento está dando um retorno superior aos dois principais custos de oportunidades a serem considerados.

Lembre-se de duas coisas quando for investir: em vez de olhar apenas as vantagens da sua escolha, analise os benefícios daquilo que você escolheu renunciar; procure sempre medir o custo das suas escolhas.

Deste modo, vemos que o custo de oportunidade está incluso em todas as nossas decisões no dia a dia, sendo um mecanismo importante para o processo de decisões. Da mesma forma, governos devem fazer escolhas sobre o que devem investir.

Bruno Suslik
Bruno Suslik
Estagiário TC Matrix Macro.
Cursando Economia no Insper.

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