Macroeconomia: entenda os principais indicadores econômicos - TC

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Macroeconomia: conheça os principais indicadores

29/04/2021 às 13:51

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No dia a dia do mercado financeiro, o investidor individual pode se sentir sobrecarregado dentre a enorme quantidade de informações a respeito do nível de atividade econômica, reportados através de pesquisas, relatórios e dados governamentais.

Porém, o mais importante não é simplesmente acompanhar os dados, mas interpretá-los! Nesse sentido, o texto a seguir busca expor os principais drivers da atividade econômica do país, através dos principais indicadores da macroeconomia, como taxa de inflação, taxa de juros, PIB, consumo e taxa de desemprego.

Para facilitar a leitura, dividimos o texto nos seguintes tópicos:

  • Taxa de Inflação
  • Índices de preços: IPCA e IGP-M
  • Sistema de metas de inflação
  • Deflação e hiperinflação
  • Como se proteger da inflação?
  • Taxa de Juros
  • Produto Interno Bruto (PIB)
  • Renda e consumo
  • Índices de sentimento
  • Taxa de Desemprego
  • Considerações finais

Boa leitura!

macroeconomia

Macroeconomia: principais indicadores

Taxa de Inflação

A definição de inflação se dá pelo aumento de preços generalizados e persistentes. Muito provavelmente, a taxa de inflação é uma das que mais aterroriza o dia a dia do brasileiro, principalmente daqueles mais velhos, haja visto o passado de altas taxas de inflação (chegando aos milhares percentuais) anuais. Dessa forma, a inflação pode ser caracterizada como a depreciação da moeda, fazendo com que o preço dos produtos em geral suba.

Os 5 principais variáveis que influenciam na taxa de inflação são:

  1. Aquecimento da economia, quanto maior o consumo – mantendo a oferta constante – maior a inflação;
  2. Oferta de moeda, não necessariamente causada por políticas monetárias expansionistas (Ex: quantitative easing), mas pela expansão da quantidade de depósitos criados por Bancos, conhecidos por Agregados Monetários;
  3. Situação Fiscal do País. Quando há descompromisso fiscal do País, os investidores tendem a desinvestir no País, gerando uma oferta da moeda local, desvalorizando-a;
  4. Baixa da taxa de juros, ou seja, quando quando o “preço” da moeda é menor, tende-se a consumir no presente, ao invés investir para consumir no futuro; e
  5. Pass-through, que significa a “contaminação” da taxa de inflação, pelo aumento da taxa cambial. Como alguns produtos são importados, seu custo é atrelado ao dólar, consequentemente, provocando um aumento de preços.

Índices de preços

Nesse sentido, no Brasil, são utilizados dois principais índices de preços, responsáveis por identificar a inflação em determinado período, sendo eles:

  1. Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA); e
  2. Índice Geral de Preços (IGP-M).

Vale ressaltar que esses são os mais utilizados, porém, há variados índices com objetivos distintos, como o IPCA-15, IPCA-E, IPC, IGP-DI, INPC, etc., os quais possuem frequências e características variadas. Para saber exatamente como cada índice é composto, fizemos um texto no TC sobre cada um deles:

Não há um índice que seja melhor do que outro, pois cada um possui suas qualidades e determinados objetivos de análise, atribuindo um peso maior ou menor para aqueles principais fatores ditos acima. Abaixo, vamos citar as principais características de cada um dos dois indicadores:

  • IPCA

De modo geral, o IPCA possui o propósito de medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O IBGE é responsável pelo cálculo do índice. Além do indicador ser utilizado para projeções de inflação, é responsável pelo regime de metas seguido pelo Banco Central (Bacen), fazendo com que seja um dos indicadores mais importantes da economia.

Diferentemente do IGP-M, o IPCA possui objetivo de medir a variação de preços pela ótica do consumo agregado. Ou seja, o índice é formado por uma média ponderada entre as diversas categorias de serviços e produtos que compõem a cesta (alimentação, residência, comunicação, transporte, etc.). Desse modo, algumas categorias podem apresentar inflação, enquanto algumas apresentam deflação. Por sua vez, por ser bastante diversificada e depender bastante do consumo, o IPCA tende a ser menos volátil do que o IGP-M.

A frequência do indicador é mensal, podendo ser consultada pelo próprio site do IBGE. Além disso, o acompanhamento, juntamente com suas expectativas, podem ser consultadas a partir do Relatório Focus, reportado pelo Banco Central, numa frequência semanal.

  • IGP-M

Por outro lado, o IGP-M é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), numa frequência mensal. Diferentemente do IPCA, o IGP-M captura as variações pela ótica da oferta, ou seja, por parte da produção industrial.

Devido ao seu maior peso ser dado ao Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o IGP-M consegue capturar muito bem a variação de preços de matéria prima agrícolas e industriais. Dessa forma, o IGP-M é bastante sensível à variação da taxa de câmbio, resultando numa maior volatilidade frente ao IPCA.

Sistema de metas de inflação

A Meta de Inflação é um sistema adotado por Bancos Centrais, a fim de estabelecer um comprometimento em manter o poder de compra e a estabilidade da moeda.

Nesse sentido, o Bacen estabelece uma banda de inflação (entre 3% e 5%, por exemplo), a qual ele julga ser ideal para estimular a economia sem gerar um descontrole inflacionário, sendo sua principal ferramenta, o ajuste da taxa de juros (Selic). Assim, o Sistema de Metas de Inflação está dentre uma das ferramentas mais importantes de política monetária, podendo ser acompanhada através do Relatório Focus.

O que é deflação e hiperinflação?

A deflação é o oposto da inflação. Ou seja, é quando há uma diminuição generalizada de preços. Tal “fenômeno” acontece, principalmente, quando há um baixo consumo. A deflação acontece quando há uma taxa negativa nos indicadores de inflação, ou seja, uma valorização da moeda, em relação aos bens e serviços ofertados na economia. Vale citar aqui que a deflação não significa algo necessariamente bom.

Por outro lado, a hiperinflação é caracterizada por períodos de inflação incontroláveis. Tais períodos tendem a ser causados por uma má gestão do governo, através de descontrole fiscal e excessivo estímulo fiscal, conhecido popularmente como “impressão de dinheiro”.

Como se proteger da inflação?

Como muitos sabem, guardar uma quantia considerável de dinheiro em espécie em casa não é algo muito interessante. Isso porque a cada dia que passa, seu dinheiro está perdendo valor devido à inflação – mesmo que seja pouco. Dessa forma, um dos principais motivos que leva alguém a investir o dinheiro, é justamente se “proteger” da inflação.

Nesse sentido, há diversas formas de se proteger da inflação, algumas delas são:

  1. Através de fundos imobiliários, os quais possuem aluguéis reajustados por índices de inflação (IGP-M ou IPCA);
  2. Investir em títulos de renda fixa indexados à inflação (NTN-B, títulos privados, etc.); e/ou
  3. Investir em empresas através do mercado de ações, as quais possuem suas receitas indexadas à inflação, como: elétricas, seguradoras, bancos, etc.

Taxa de juros

Dentre uma das principais ferramentas de controle de Metas de Inflação, está a taxa de juros básica da economia – a Selic. A taxa em si é controlada pelo Banco Central, podendo ser acompanhada através do Relatório Focus semanalmente.

A decisão ocorre a cada 45 dias através do Comitê de Política Monetária (COPOM). Nessa reunião, é abordada a visão do Bacen em relação ao nível da taxa de juros. Apesar deste ter retirado o forward guidance (ferramenta a qual possui o fim de sinalizar a taxa de juros por um determinado período) da política monetária.

Você muito provavelmente já ouviu falar que a Selic não consegue “chegar” ao consumidor final, pois o custo dos financiamentos e empréstimos continuam altos. Isso, em partes, é verdade, a Selic não consegue influenciar 100% no custo do empréstimo de uma instituição financeira, por exemplo. Entretanto, como todo instrumento de política monetária, devemos entender que ela, por si só, não consegue impactar diretamente a atividade econômica (consumo).

No entanto, a Selic é uma taxa que remunera um título público chamado de Letra Financeira do Tesouro (LTF ou Tesouro Selic). Esse título é altamente negociado entre instituições financeiras devido seu baixo risco – haja visto que é um título pós-fixado, o risco da taxa de juros dele é baixíssima – com o objetivo principal de servir como “colateral”.

Ou seja, todos os dias, os bancos precisam manter um nível mínimo de reservas (ativo utilizado pelos bancos para efetuar operações de empréstimo e financiamento) estipulado pelo Banco Central e quando um banco não possui reservas suficientes, ele vai no mercado interbancário em busca de reservas, e em troca, entrega LFTs. Essa oferta e demanda por LFTs determina a taxa DI, a qual é muito parecida com a Selic.

Para concluir, como o custo principal por reservas bancárias – utilizada para emprestar dinheiro, e assim, alavancar a rentabilidade do banco – é dado pela taxa DI, quando há uma alta da taxa Selic, presume-se que o custo do banco aumentará, e assim, para manter seu spread, ele aumenta o custo de empréstimos e financiamentos.

  • PIB

O Produto Interno Bruto (PIB), mais comumente caracterizado como toda riqueza gerada por uma nação, é o valor total de todos os produtos e serviços finais produzidos em um País em determinado período de tempo. O PIB pode ser mostrado, principalmente, em duas formas: pelo valor total ou pelo PIB per capita (dividido pelo total de habitantes).

O indicador é calculado pelo IBGE e possui frequência trimestral, porém, como ele só é divulgado trimestralmente, muitos analistas utilizam um dado de maior frequência, o IBC-Br, calculado pelo BC, com frequência mensal. Abaixo, as principais diferenças entre ambos:

  • PIB: Utiliza a metodologia tanto da Demanda, quanto da Oferta. Pelo lado da demanda, podemos calcular o PIB desta forma:

PIB = C + I + G (X – M)

Onde,

C = Consumo

I = Gastos de Empresas

G = Gastos do Governo

X = Exportações

M = Importações

  • IBC-Br: Adota a metodologia de cálculo pela ótica da oferta, ou seja, da produção dos três setores econômicos (agricultura, indústria e serviços).

Figura 1: Variações interanuais de PIB e IBC-Br

banco central macroeconomia

Fonte: Banco Central.

Podemos ver o porquê do IBC-Br ser tão utilizado por analistas. Possui pouca divergência com o PIB e ao mesmo tempo, possui uma frequência maior (mensal). Vale citar que, apesar do PIB ser o indicador mais importante da economia, ele tem pouca utilidade para previsões, haja visto que é um indicador atrasado (lagging indicator).

Dentre uma das variáveis mais interessantes para se analisar o Ciclo de Mercado, que está presente dentro do cálculo do PIB, é o Investimento de Empresas (I), também conhecido como capital spending. Ele mensura o investimento em capital fixo das empresas.

Geralmente, esses investimentos acontecem em topos de ciclos de mercado, uma das justificativas do por quê das companhias pertencentes ao setores industriais serem tão voláteis aos ciclos econômicos, como explicitado no livro Ahead of The Curve: A Commonsense Guide To Forecasting Business and Market Cycle. Recomendamos a leitura!

Consumo

Dentre os indicadores responsáveis por mensurar o consumo e a renda do País, estão alguns dos leading indicators mais interessantes, pois é através da renda que o consumo é gerado.

Figura 2: Ciclo entre renda e consumo

indice macroeconomia

Fonte: Elaborado pelo autor. Baseado em Beating the Business Cycle, 2004.

  • Renda real média

O IBGE/PNAD divulga, numa frequência mensal, os dados relacionados à renda mensal dos habitantes. Esse dado é bastante significativo, haja visto que é um dos principais drivers do consumo. Sua metodologia é baseada em pesquisas amostrais feitas em domicílios. Por se tratar de um indicador real, ele possui como deflator o índice IPCA que vimos anteriormente.

  • Consumo

Dentre os principais indicadores de consumo, estão as pesquisas mensais de comércio de vendas do varejo. Esses indicadores são calculados pelo IBGE/PMC e possuem categorias de consumos separadas, por exemplo: varejo ampliado, materiais de construção, artigos de uso pessoal, artigos farmacêuticos, etc.

  • Utilização de Capacidade Instalada

A UCI, calculada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consiste num indicador que mede a capacidade utilizada em relação ao seu limite de produção, ou seja, o quanto a empresa está produzindo em relação ao quanto ela pode produzir.

Esse indicador é utilizado, também, como um termômetro de inflação, por exemplo, uma alta UCI e uma alta inflação, significa que mesmo com a indústria produzindo o máximo possível, a demanda ainda é maior, o que pode significar uma inflação alta mais prolongada.

Índices de sentimento

  • PMI

O PMI é um indicador que abrange diversos segmentos: manufatura, indústria e serviços. Ele é calculado pela IHS Markit, uma empresa especializada em pesquisas e análises financeiras. Sua metodologia é baseada numa pesquisa em forma de questionário, assim como os índices de sentimento, o qual é enviado para algumas empresas, a respeito dos níveis de pedidos, e demandas em geral.

  • Confiança do Consumidor

O índice de confiança do consumidor mais utilizado é o ICC, calculado pela FGV IBRE, o qual possui frequência mensal. A metodologia utilizada pelo indicador parte de uma pesquisa a respeito da pretensão de consumo das famílias.

  • Confiança da Indústria

Dentre os indicadores de sentimento da indústria, estão: Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), o qual é calculado pela CNI e o Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pela FGV.

Como indicadores de sentimento, são baseados em pesquisas, as quais são feitas a empresários da indústria a respeito da demanda, como por exemplo, novos pedidos de consumidores. No caso do ICEI, um nível acima de 50 representa um aumento na confiança, e um nível abaixo, uma desconfiança em relação ao período anterior. Ambos indicadores possuem frequência mensal.

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego é um dos dados mais relevantes dentro do mercado financeiro, responsável por mexer nas bolsas do mundo inteiro. No Brasil, possuímos duas metodologias bastante distintas de se calculá-la, as quais são:

  • CAGED

O CAGED é calculado pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia e possui frequência mensal. O dado tende a ser bem mais preciso do que o PNAD pois é calculado a partir das informações que as empresas fornecem, de seus empregados com carteira assinada. Assim, é o somatório do saldo total líquido de pessoas admitidas menos as pessoas desligadas.

  • PNAD

O PNAD é calculado pelo IBGE e possui frequência mensal, trimestral e anual. Diferentemente do CAGED, o PNAD é calculado através de uma pesquisa amostral, o que diminui bastante sua precisão. Porém, sua abrangência é maior, pois ele considera tanto trabalhadores formais quanto informais.

Considerações finais

Diante disso, podemos ter uma boa noção da enorme quantidade de variáveis macroeconômicas que circundam o dia a dia do investidor individual. Dar conta de tudo isso é praticamente impossível, por isso, muitos investidores acabam terceirizando esse trabalho através de serviços de casas de análise, por exemplo.

Referências

ELLIS, Joseph H. Ahead of The Curve: A Commonsense Guide To Forecasting Business and Market Cycle. Harvard Business Review. 2005.

ACHATHAN, Lakshman; BANERJI, Anirvan. Beating the Business Cycle: How to Predict and Profit From Turning Points in the Economy. 2004.

Banco Central. Aspectos Metodológicos e Comparações dos Comportamentos do IBC-Br e do PIB. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/conteudo/relatorioinflacao/EstudosEspeciais/Metodologia_ibc-br_pib_estudos_especiais.pdf>. Acesso em: 20 de Abril de 2021.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA. Disponível em: <http://www.ipeadata.gov.br>. Acesso em: 20 de Abril de 2021.

Daniel Santos
Daniel Santos
Estagiário do TradersClub
Graduando em Ciências Contábeis pela UFRN. Ex-membro da Liga de Finanças e vencedor do 1º Campeonato de Análise Fundamentalista do TC.

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