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Moeda: o que é e qual a sua importância?

26/10/2021 às 16:49

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Olá, investidor (a)! Atualmente, as transações econômicas ocorrem em uma velocidade impressionante.

Cartão de crédito, débito, TED, DOC, PIX são algumas formas que utilizamos para transacionar bens e serviços. Mas você já se perguntou o que é moeda e quais características definem uma moeda?

Hoje, vamos falar um pouco sobre isso. Elencamos o texto nos seguintes tópicos:

  • Do escambo a criação da moeda 
  • Moeda metálica
  • Papel-moeda e moeda-papel: não é a mesma coisa? 
  • Do padrão ouro a moeda fiduciária 
  • Funções e tipos da moeda
  • A oferta de moeda 
  • De olho na oferta de moeda 

Boa leitura!

Do escambo a criação da moeda

Você já imaginou como seria o mundo sem as moedas? É certo que as transações econômicas aconteceriam, mas em uma velocidade baixa e com um nível de dificuldade muito grande. 

Antes do surgimento da moeda, as transações econômicas ocorriam por meio do escambo.

Nesse tipo de transação econômica, ocorre diretamente a troca de mercadorias por mercadorias. Com isso, já é possível imaginar a grande dificuldade. O primeiro problema é estabelecer a equivalência entre os produtos. Quantos quilos de arroz é equivalente a uma camiseta? Isso é um trabalho bem difícil. 

Além disso, outro problema é em relação aos próprios desejos, porque para que a transação ocorra por meio do escambo, é necessário que ambos os lados tenham interesse mútuo pelos bens. Uma pessoa que tem feijão e precisa de batatas, por exemplo, precisa encontrar outra pessoa que tem batatas e tem o interesse em possuir feijão. 

Moeda mercadoria: o que é? 

À medida que as transações ocorriam por meio do escambo, com o passar do tempo, algumas mercadorias eram mais demandadas. Ou seja, algumas mercadorias passavam a ser tornar mais aceitas, servindo então como meio de troca. Um exemplo é o sal na Roma antiga que, por ser escasso, era aceito como moeda.

Neste caso, o sal pode ser considerado uma moeda mercadoria. Entretanto, vale lembrar que essas moedas  mercadoria variavam de região para região, dado que depende também de fatores culturais e de utilidade, além da escassez.

Moeda metálica

A moeda metálica é conhecida por quase todos e está presente no mundo há muitos anos. Basicamente, a moeda metálica consiste em metais preciosos onde os governos cunhavam com o objetivo de exercer o controle sobre a circulação.

Adiante vamos discutir algumas características que as moedas devem possuir para efetivamente serem consideradas moedas, mas já adiantamos que as moedas metálicas possuem maior durabilidade, são divisíveis e possuem uma quantidade disponível limitada. 

Papel-moeda e moeda-papel: não é a mesma coisa? 

Embora só haja a inversão na ordem que as palavras são colocadas, não são a mesma coisa, mas são relacionadas. A moeda-papel surgiu no momento em que as pessoas que detinham ouro, por exemplo, guardavam o metal em casas especializadas como uma medida de segurança. 

Nesse sentido, tais casas especializadas emitiam certificados que validavam que a pessoa tinha X quantidade de ouro disponível na casa. Sendo assim, as pessoas detentoras dos títulos, tinham a possibilidade de comprar produtos e em troca, davam o título. Essa é a definição da moeda-papel. 

A origem do papel-moeda, por sua vez, foi por volta do século XVII, que foi quando surgiram os bancos comerciais. Nesse caso, os bancos comerciais privados emitiam notas ou recibos que serviam como moeda (papel-moeda). 

A origem dos Bancos Centrais ocorreu em decorrência disso também. Em 1964, foi fundado o Banco da Inglaterra por um grupo de banqueiros privados com o monopólio da emissão das notas bancárias com o objetivo de financiar os déficits da Coroa. 

Do padrão ouro a moeda fiduciária

Com o passar dos anos, o Estado passou a controlar a emissão do papel-moeda. O padrão adotado foi o ouro. Ou seja, a emissão de moeda por parte do estado estava lastreada em ouro. Sendo assim, só havia em circulação a quantidade de moeda equivalente à quantidade de ouro.

Dado que o ouro possui uma quantidade limitada e dado que o valor de toda a riqueza produzida supera o valor das reservas de ouro. Logo, o padrão-ouro começou a enfrentar dificuldades e foi abandonado em 1920. Em 1944, houve mais uma tentativa de condicionar a emissão de moeda a um lastro. 

O Acordo de Bretton Woods propôs que as moedas emitidas pelos países tivessem a paridade fixada no dólar, que, por sua vez, o dólar era lastreado no ouro.   Entretanto, em 1971, essa ideia foi colocada de lado e os países passaram então a emitir suas próprias moedas, agora denominadas de curso forçado ou fiduciária. Ou seja, a moeda passou a ser aceita por força da lei e sem lastro.

Funções e tipos da moeda 

As moedas são uma peça chave dentro da dinâmica econômica porque, como foi falado anteriormente, facilita e agiliza as transações econômicas. Entretanto, essa é apenas uma das funções da moeda, que é servir como meio de troca, mas ela possui mais, que são:

  1. Instrumento ou meio de troca: faz a intermediação do fluxo de compra e venda de bens e serviços na economia porque é amplamente aceita. Além disso, possui liquidez imediata;
  2. Denominador comum monetário: outra função da moeda é servir como um padrão de medida. Ou seja, permite que todos os bens e serviços sejam expressos em unidades monetárias; 
  3. Reserva de valor: a moeda precisa também possuir reserva de valor, ou seja, é necessário que a moeda mantenha o poder de compra de quem a detém. Sendo a inflação, um grande vilão. 

Além disso, as moedas podem ser definidas em três tipos, que são elas: 

  • Moedas metálicas: essas moedas são as emitidas pelo BC com um menor valor com o objetivo de facilitar as compras menores e o troco;
  • Papel-moeda: esse tipo de moeda são as notas que conhecemos e usamos no dia a dia que são emitidas pelo BC. 
  • Moeda escritural ou bancária: esse tipo de moeda é representada pelos depósitos em conta corrente nos bancos comerciais.

A oferta de moeda 

A moeda se configura como uma mercadoria como outra qualquer. Logo, a oferta e a demanda por moeda. As pessoas demandam moeda para realizar suas transações, demandam moeda por precaução, enfim, a demanda por moeda pode acontecer por alguns motivos. 

Por outro lado, a oferta de moeda é dada pelas autoridades monetárias e pelos bancos comerciais. A oferta de moeda é denominada também de meios de pagamento, que representa a quantidade total de moeda à disposição do setor privado não bancário e de liquidez imediata. 

Diante disso, os meios de pagamentos que possuem liquidez imediata e que não rendem juros são denominados de M1. Os demais ativos que têm uma certa liquidez e rendem juros são classificados em demais níveis. 

  • M1: moeda em poder do público e depósitos à vista nos bancos comerciais;
  • M2: M1, depósitos para investimento, depósitos de poupança e títulos privados; 
  • M3: M2, fundos de renda fixa e operações compromissadas com títulos federais; e 
  • M4: M3 e títulos públicos.

De olho na oferta de moeda 

Os dados relativos ao M1, M2, M3 e M4 são disponibilizados mensalmente pelo Banco Central do Brasil. Sendo assim, abaixo seguem alguns gráficos para que possamos analisar. 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Por meio do gráfico (dados mensais de janeiro de 2010 a julho de 2021) é possível observar a crescente na quantidade de moeda à disposição do público, bem como nos depósitos à vista.

Além disso, é possível verificar ainda que há uma sazonalidade, ou seja, em uma determinada época do ano, a quantidade de moeda aumenta. Essa época é no final do ano, no mês de dezembro.

Vale lembrar que há o pagamento do 13° salário, que implica em uma maior quantidade de moeda em poder público. 

A partir dessa observação, também é possível pensar que se as pessoas possuem mais moeda em mãos no final do ano, é provável que o nível de consumo também cresça. O interessante da economia é justamente toda essa conexão. 

Além disso, no gráfico outro ponto que chama a atenção é o outlier  no ano de 2020. A pandemia da Covid-19 trouxe consigo uma série de estímulos econômicos visando mitigar os impactos na pandemia.

O auxílio emergencial, por exemplo, pode ajudar a explicar essa crescente no M1 em 2020. Para facilitar a visualização, vamos dar um “zoom”. 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Olhando mais de perto, é possível observar a crescente no M1 justamente no período da pandemia, onde o volume fica bem acima da média do período. Entretanto, é possível observar também uma diminuição do M1 nos últimos meses. 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponibilizados pelo BC coletados no IPEADATA (2021).

Quando observamos os demais níveis (M2, M3 e M4) é possível observar por meio do gráfico que a crescente continua, mas de forma mais suave quando comparado ao M1. 

Sendo assim, como foi possível observar o aumento na oferta de moeda durante a pandemia, a moeda pode ser utilizada não apenas para permitir as transações econômicas, mas como medida de impacto na economia, visando, por exemplo, estimular a economia. 

Por fim, esses e outros dados você consegue baixar com facilidade no IPEADATA e é interessante ir acompanhando não só o andamento dos meios de pagamento, mas da inflação, poupança, investimento etc., para entender a realidade e também traçar cenários para as suas decisões de investimento. 

Referência  

GARCIA, MANUEL ENRIQUEZ; VASCONCELOS, MARCO A. SANDOVAL. Fundamentos de economia. Saraiva Educação SA, 2017.

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Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Vitor Nayron Moreira de A. Marques
Analista de Conteúdo do TC School | TradersClub
Graduando em Economia pela UFPB. Membro do Projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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