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A hipótese da renda permanente de Milton Friedman

20/10/2021 às 16:35

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Você já projetou seu nível de renda para frente? Já fez conta para determinar quanto poderia gastar hoje dada a sua situação financeira?

Quando um indivíduo tem uma alteração no seu nível de renda, todas as suas decisões de consumo/poupança são alteradas.

No texto de hoje, vamos falar da hipótese da renda permanente, que buscou explicar como os agentes econômicos tomam decisões de consumo ao longo do tempo.

  • A hipótese da renda permanente 
  • A renda permanente
  • A definição formal
  • Escolha Intertemporal
  • Implicação na formulação de políticas públicas
  • Conclusão

Boa leitura!

milton friedman

A Hipótese da Renda Permanente

A Hipótese da Renda Permanente ou permanent income hypothesis foi formulada por Milton Friedman em 1957 como alternativa para explicar como os agentes econômicos tomam a decisão de poupar ou consumir.

Segundo Keynes, principal nome da época, o que explicava o consumo de um indivíduo era sua renda presente. Tornando efetiva uma série de políticas fiscais que visavam aumentar o consumo no curto prazo.

Friedman, por sua vez, acreditava que a renda presente advinda de programas do governo temporários era em sua maioria poupada, tornando ineficaz a maior parte das políticas Keynesianas. Para ele, programas governamentais que buscavam estimular a demanda só surtiriam efeito se afetassem a renda permanente dos consumidores. 

A renda permanente

A renda permanente é a renda média esperada pelo consumidor para o futuro.

É como se você como trabalhador projetasse uma certa remuneração média para frente e com essa média em mente, tomasse a decisão entre consumir ou poupar.

Para entender a hipótese, é importante ressaltar a importância das expectativas. Os agentes não apenas consideram a renda provisória do presente, mas passam a considerar as suas expectativas futuras de renda para tomar sua decisão.

Tanto a hipótese da renda permanente quanto a teoria do ciclo de vida de Modigliani assumem que o consumo está diretamente relacionado a uma medida de renda de longo prazo.

A definição formal

A definição formal da hipótese veio no livro “The theory of the consumption function” de autoria de Milton Friedman. Como dito anteriormente, o economista buscava entender a relação entre consumo e renda. Para definir consumo e renda, fragmentou ambas as variáveis entre componentes permanentes e transitórios:

Milton Friedman

Onde:

  • y: Renda por um período de tempo, digamos que um ano.
  • y(p): Componente permanente da renda.
  • y(t): Componente transitório da renda.
  • c: Consumo por um período de tempo, digamos que um ano.
  • c(p): Componente permanente do consumo.
  • c(t): Componente transitório do consumo.

O consumo permanente era então relacionado com a renda permanente através da equação abaixo:

renda permanente Milton Friedman

Onde:

  • c(p): Componente permanente do consumo.
  • i: Taxa de juros ou conjunto de taxas de juros a quais o consumidor poderia emprestar ou pegar emprestado
  • w: Riqueza do indivíduo
  • u: Preferência do indivíduo entre consumir ou poupar

Dessa forma, existia um modelo um pouco mais complexo para a época.

A renda permanente dependia da taxa de juros, da riqueza do indivíduo em questão e de uma variável (u) que determinava a preferência do mesmo entre poupar e consumir.

As mudanças transitórias no nível de renda (positivas e negativas) eram anuladas no longo prazo, sendo o crescimento da renda explicado por mudanças na renda permanente.

Escolha intertemporal

É comum o conceito de renda permanente aparecer em modelos de escolha intertemporal, neles, a renda permanente é denominada de “riqueza ao longo da vida” ou “lifetime wealth” e representa a restrição orçamentária do consumidor (AB, DE e FG):

teoria da renda permanente

Fonte: Macroeconomics, Stephen Williamson, 6th Ed. Pearson

A equação também aparece de forma diferente:

fórmula da renda permanente

Onde:

  • we: Riqueza ao longo da vida
  • y: Renda corrente
  • y’: Renda futura
  • r: Taxa de juros real 

O que faria o consumidor com um aumento temporário na renda

aumento na renda

Vamos supor que um consumidor tenha uma renda média esperada de R$ 3.000,00 por mês até o fim de sua vida. Um certo mês, ele jogou no jogo do bicho e recebeu R$10.000 reais a mais em um único mês.

Isso faria com que ele aumentasse seu nível de consumo? Gastasse tudo em uma moto ou numa bicicleta? Para Friedman, não.

Isso porque o consumidor saberia que teve um aumento temporário e único na renda, não interferindo na sua renda permanente de R$ 3.000,00 por mês.

Dessa forma, o seu nível de consumo provavelmente se manteria em linha com sua renda permanente. Os R$ 10.000 poderiam ser, por exemplo, poupados.

O que faria o consumidor caso perdesse temporariamente sua renda

renda mensal

Vamos supor que o mesmo consumidor com uma renda média esperada de R$ 3.000,00 por mês perdeu seu emprego.

Mesmo desempregado, ele espera conseguir um novo trabalho (com o mesmo salário) em 6 meses. O desemprego faria com que ele diminuísse abruptamente seu nível de consumo? Segundo a hipótese da renda permanente, também não.

Isso porque para o ele, o desemprego seria temporário, também não interferindo na sua renda média esperada de R$ 3.000,00 por mês.

Dessa forma, o seu nível de consumo se manteria o mesmo de antes. Se, por exemplo, o indivíduo não possuísse poupança para manter seu nível de consumo anterior, recorreria ao mercado de crédito.

Implicação na formulação de políticas públicas

Suponha então que o governo resolva cortar impostos, esse corte poderá ser temporário ou permanente. Se o corte for permanente e por consequência aumentar a renda permanente dos consumidores, o consumo agregado aumentará.

Porém, se o corte for temporário, o aumento no consumo será menor, pois os consumidores guardarão parte do orçamento que sobrou. Para Friedman, os consumidores preferem suavizar seu nível de consumo ao longo do tempo ao invés de consumir toda a renda extra que receberam no presente.

Conclusão

A hipótese da renda permanente teve grande importância para o campo da teoria do consumidor, foi um dos primeiros estudos a considerar o papel das expectativas futuras nas decisões de consumo e poupança dos agentes econômicos.

Apesar da hipótese ter falhado algumas vezes quando confrontada com dados (Mankiw,1981), foi de grande valia para a formulação da teoria econômica moderna, com conceitos e ideias relevantes até hoje.

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Referências

Friedman, M. (1957). The Permanent Income Hypothesis, NBER Chapters, in: A Theory of the Consumption Function, pages 20-37, National Bureau of Economic Research, Inc.

Williamson, S. D. (2002). Macroeconomics. Boston: Addison Wesley.

Mankiw, N. Gregory, (1981), The permanent income hypothesis and the real interest rate, Economics Letters, 7, issue 4, p. 307-311.

Lucca Carlini
Lucca Carlini
Estudante de Economia na UFPE

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