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Como funciona o venture capital e o venture debt

23/09/2021 às 16:00

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Todas as empresas passam por diversas fases no decorrer do seu ciclo de vida e em cada uma delas há particularidades no que diz respeito ao andamento de suas operações. Dessa forma, empresas em crescimento e com negócios escaláveis se preocupam com os meios de financiamento e acesso a capital que estarão disponíveis a ela.

Nesse contexto, sabemos que existem empresas de capital aberto que negociam ações na bolsa de valores e a compra dessas ações configura uma forma de financiamento. 

Mas e as empresas de capital fechado com grande potencial de crescimento (ou as chamadas startups), como podem buscar esse acesso ao capital? 

Nesse texto você confere duas opções de financiamento para essas empresas: o Venture Capital e Venture Debt. Além de saber como funciona esse tipo de financiamento para os investidores. Assim, o texto se divide nos seguintes tópicos:  

  • O que Venture Capital
  • O que é Venture Debt
  • Como fazer investimentos em Venture Capital e Venture Debt
  • Venture Capital e Venture Debt no mercado brasileiro
  • Conclusão

O que é venture capital? 

Empresas podem buscar financiamento públicos, configurados por aportes financeiros que vêm de instituições como: bancos do governo (como o BNDES); Bancos Estaduais, ou ainda, Agências de fomento (Exemplo: Desenvolve SP, AgeRio). 

Entretanto, as empresas podem optar por financiamentos em fundos que reúnem os recursos de investidores, seja participação pública ou privada). E é exatamente aqui que os Venture Capital (traduzido como Capital de Risco) se enquadram.

Nessa modalidade de financiamento, os chamados Venture Capitalists (Capitalistas de Risco) investem nessas startups em troca de participação acionária, e são gestores ativos que auxiliam os fundadores da empresa na governança e criação de valor e, futuramente, se bem-sucedidos, realizam a venda dessa participação visando retornos relevantes.

Esse tipo de captação de recursos ocorre em rodadas, chamadas rodadas de investimentos. Basicamente, quando uma rodada é realizada, a startup “vende” parte das suas cotas que serão convertidas em ações em uma determinada data. Sendo assim, quanto maior for a quantidade de rodadas, mais o capital dos fundadores tende a se diluir.

O que é venture debt? 

A depender da empresa, nem sempre é interessante realizar tantas rodadas de investimentos, pois o tempo adicional antes de uma primeira rodada de capital até as próximas pode ser importante para evitar que haja uma diluição rápida e elevada do capital da startup em posse dos fundadores (IBRAHIM, 2010).

Dessa forma, o Venture Debt (traduzido como Dívida de Risco) é uma opção adicional que auxilia nessa questão, pois fornece capital sem necessariamente diluir as ações da empresa. É o financiamento via dívida e que normalmente são investidas de um fundo de Venture Capital.

O Venture Debt, financia a startup através de uma dívida não conversível, para empresas que não possuem garantias ou geração de caixa suficientes para obter empréstimos tradicionais.

Além disso, nessa modalidade, o investidor não participa necessariamente da governança da empresa investida, diferentemente do Venture Capital, como vimos anteriormente. 

No Venture Debt, há uma maior facilidade nesse processo de tornar-se investidor de uma startup em comparação ao Venture Capital, pois, em termos gerais, o investidor se limita a fornecer dívidas à empresa. 

Como fazer investimentos em venture capital e venture debt

Como vimos, tanto o Venture Capital quanto o Venture Debt são formas de fornecer financiamento a empresas que apesar de estarem em crescimento, possuem grande potencial para a ascensão (chamadas startups).

Portanto, esse financiamento pode derivar de capital privado, através de gestoras ou investidores pessoa física. 

O Venture Debt é uma maneira alternativa ao Venture Capital e na maioria das vezes as empresas que utilizam o Venture Debt já são ou devem ser investidas de um fundo de Venture Capital. Os investidores pode aportar nessas modalidades através de duas formas:

  • Companhias de Participação ou Fundos de Investimento em Participações (FIPs) (Como são conhecidas): são fundos estruturados para encontrar startups e empresas promissoras, geralmente ainda no início, que possuem alto potencial de crescimento.

Contam com profissionais e gestores na equipe que são especializados em fundos de investimento e captação. Cada fundo determina sua participação em Venture Capital e/ou Venture Debt e o investidor qualificado pode aderir a cotas desses fundos. 

  • Investidores Individuais: são investidores que dispõe de capital próprio e conhecimento suficiente para investir nas startups de forma individual em seu estágio inicial.

Quem opta por essa injeção de capital nessas condições são chamados de investidores-anjo.

Venture Capital e Venture Debt no mercado brasileiro

No Brasil, as primeiras iniciativas relacionadas a investimentos em Venture Capital são datadas de 1974, via programas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES], e pela Financiadora de Estudos e Projetos [Finep] (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial [ABDI], & Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas.

Entretanto, esse mercado no Brasil ainda vem crescendo, acompanhando uma tendência mundial.

Atualmente, o Venture Capital é mais recorrente no Brasil em comparação ao Venture Debt. Ambas modalidades possuem bastante consolidação nos Estados Unidos e Europa e vem ganhando espaço no Brasil.

Entretanto, o Venture Debt vem sendo fomentado em território brasileiro há pouco mais de 2 anos.

O primeiro Fundo de Venture Debt do país, o Brasil Venture Debt I, gerido pela SP Ventures foi lançado em 2019. Atualmente, além do Fundo mencionado, existem também Fundos em Venture Debt de gestoras como Galápagos Capital, Silicon Valley Bank e Fuse Capital, as startups podem buscar esses fundos em busca de captação de recursos.

Já o Venture Capital no Brasil, vem sendo considerado um caminho crescente e líder dentro da América Latina, levando em conta que houve aumento exponencial de investimentos em startups e em especial, com a aceleração da informatização e do empreendedorismo no período da Covid-19 até então. 

Do outro lado, sob o prisma do investidor inicial, vale a ressalva de que os fundos que realizam Venture Capital e Venture Debt são fechados, destinados a investidores qualificados e Investidores Institucionais.

Conclusão

Essas modalidades de investimentos são ótimos catalisadores para possibilitar o aumento de empresas com potencial de ascensão. Diversas empresas vieram utilizando dessas alternativas para escalarem seus negócios.

Empresas como Airbnb, Facebook, Spotify são exemplos de empresas que aderiram ao Venture Capital e Venture Debt nos EUA. No Brasil, esse mercado vem se desenvolvendo e ganhando destaque nos últimos tempos. 

A limitação ao acesso a esse tipo de investimento a investidores qualificados ou institucionais (por parte dos Fundos) justifica-se pela característica desse financiamento, dado que é preciso um conhecimento mais apurado do negócio e do mercado como um todo. Outro fato relevante é que as empresas de tecnologias ganham maior destaque nesse tipo de mercado.

Referências

Agência Brasileira De Desenvolvimento Industrial; Centro De Estudos Em Private Equity E Venture Capital Da Fundação Getúlio Vargas. 2011. A Indústria de Private Equity e Venture Capital, 2º Censo Brasileiro. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/8419/Private_Equi ty_e_Venture_Censo.pdf >. Acesso em: 18 jan. 2018.

IBRAHIM, D. M. 2010. Debt as Venture Capital. University of Illinois Law Review, v. 2010, p 1169-1209.

Iris Sousa
Iris Maria Oliveira de Sousa
Estagiária do Tradersclub | TC School
Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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