Comprar agora ou depois? Como evitar ser compulsivo nos gastos - TC

TC School / Educação Financeira

Comprar agora ou depois? A importância de se planejar

16/08/2021 às 16:00

TC School

Comprar compulsivamente é uma questão que devemos tratar quando falamos em educação e psicologia financeira. Somos, por essência, imediatistas. É verdade. Então, como deixar de comprar agora para planejar as finanças?

Não é fácil encontrar pessoas que pensam no longo prazo e que, de maneira racional e emocional, conseguem tomar decisões que não contemplem o prazer imediato. O comum é exatamente ao contrário.

Como justificativa para esse comportamento, partimos de pontos como “não sei se vou estar vivo amanhã” ou “só se vive uma vez”. São frases comuns e que são repetidas como se fosse a mais pura verdade para que o consumo (ou prazer) imediato esteja sempre à frente de qualquer tipo de postergação.

Mas será que essa é a melhor maneira de utilizar seu dinheiro e, além disso, a melhor maneira de se planejar? 

No texto de hoje, falarei sobre essa relação que temos com o prazer imediato, como isso nos prejudica em relação às finanças e as opções que podemos ter para equilibrar essa conta.

Nesse texto você vai encontrar

  • O prazer imediato
  • Pagamento de juros
  • Vale para imóvel?
  • Além do racional

Boa leitura!

comprar

O prazer imediato

“A maioria das pessoas associa dinheiro a prazer imediato. Para mim, ele deve ser acumulado para proporcionar liberdade.”

A frase acima é de T. Harv Eker. Pode ser que apenas pelo nome você não associe imediatamente a quem ele seja. Mas basta lembrar que ele é o autor do clássico Os segredos da mente milionária. E a frase resume bem o espírito deste texto.

Como citei com os exemplos das frases no início do texto, a tendência é que pensemos no dinheiro como um instrumento para nos permitir consumir hoje e agora. Dificilmente temos o pensamento nele para projetos e planos de médio e longo prazo. Priorizamos o prazer imediato e arcamos com os custos dessas decisões ao longo da vida.

Pelo esforço no dia a dia, pelo trabalho constante, pelo dinheiro suado, é natural que busquemos uma compensação. É uma forma de nos gratificarmos pelo que conquistamos. Isso, sem sombra de dúvida, acaba influenciando e potencializando o efeito da busca pelo prazer imediato, que resulta em comprar compulsivamente, no consumo sem muito o que pensar.

Pagamento de juros

Só que o preço que pagamos para ter esse consumo imediato, geralmente, é bem alto. Ele vem em forma de juros, e tendemos a não pensar muito nele. Adquirimos o bem, o serviço, a viagem e ignoramos o custo que será pago por ter que antecipar a compra de algo que não teríamos condição no momento. 

Digo antecipar a compra porque, se não temos o montante necessário para adquirir algo, estamos recorrendo a financiamentos, empréstimo ou parcelas para que essa compra seja antecipada.

Por exemplo, se queremos fazer uma viagem para o exterior, mas não temos os R$ 10 mil necessários (o valor é uma suposição), dividimos em quantas vezes forem necessárias para que caiba no orçamento. Se a divisão tem juros, pouco importa o valor final.

Focamos no valor da parcela mensal para dizer o sim ou não. Se cabe no orçamento, que o prazer seja dado.

O exemplo clássico para esse ponto é a compra de um automóvel (pode fazer também com o de um imóvel, mas falaria mais na sequência). Vamos supor que o valor do carro seja R$ 50 mil, mas que você tenha apenas R$ 20 mil. O que fazer? Buscar o valor restante ou financiar?

Adianto que não há resposta certa, afinal as necessidades são individuais e devem ser analisadas caso a caso. Mas é necessário ter noção do preço que será pago em cada caso.

Se a ideia for buscar somar o valor total, o preço a ser pago é a espera, visto que não terá como comprar imediatamente o bem. Se a opção for o financiamento, o preço é outro.

Simulação: carro no valor de R$ 50 mil, com entrada de R$ 20 mil

Como exemplo, utilizarei uma simulação do Bradesco. Um carro no valor de R$ 50 mil, com entrada de R$ 20 mil. 

Elaborado pelo autor.

No afã de fechar o negócio e ter logo o bem à disposição, a tendência é avaliar somente se o valor da parcela, no caso R$ 757,06, cabe no orçamento.

Mas, quanto será pago ao final dos cinco anos?

Essa é uma pergunta que pouco têm a atenção de buscar a resposta.

Nesse caso, o valor total pago pelo financiamento será de R$ 45.423,60. Mais de R$ 15 mil acima do valor financiamento. Ou seja, o preço para se ter o bem imediatamente é de 50% a mais do que o que faltava para fazer a compra à vista, por exemplo.

Essa é a conta, não uma definição do que deve ser feito. A importância de se planejar, nesse caso, é evitar um gasto a mais de R$ 15 mil na compra de um carro de R$ 50 mil. Mas, como falei, há casos e casos. Tudo deve ser levado em consideração, inclusive o preço a ser pago pelo consumo imediato.

Vale para imóvel?

A comparação com a compra de um automóvel é a mais comum a ser feita nesse caso. Mas podemos também levar em consideração na busca pela casa própria.

O sonho de ter um imóvel próprio faz parte da vida de muitos brasileiros, só que, na maioria dos casos, sem o planejamento necessário para tal.

Como vimos acima em relação aos juros pagos no financiamento de um carro, o mesmo acontece em relação ao imóvel, só que com um valor muito, mas muito mais elevado. Por isso requer também um cuidado ainda maior.

É claro que, na realidade brasileira, não é nada fácil (ou comum) que as pessoas consigam juntar o dinheiro necessário para comprar um imóvel sem ter que recorrer aos financiamentos. O financiamento é a primeira opção – e talvez única – de quem decide ter a casa própria. 

Dessa forma, seria ilusório falar que as pessoas deveriam aguardar juntar o montante necessário para a compra de uma casa ou apartamento à vista.

Não é essa a realidade que temos no Brasil. Mas, o planejamento em busca desse objetivo pode auxiliar na diminuição dos juros a serem pagos. 

Com a consciência da compra a ser feita, o processo detalhado e a paciência para não cair na tentação do consumo imediato, é possível reduzir o saldo a ser financiado. Se puder, faça isso, seu dinheiro agradece.

Além do racional

Tudo o que foi levantado acima, refere-se ao lado racional de um consumo.

Ao não ter o valor necessário para uma compra agora, recorremos a opções que nos custam um valor. Esse valor são os juros que serão pagos. Trocamos um preço mais elevado por um produto pela possibilidade de termos a utilização imediata.

Independente de certo ou errado, é um preço que se paga.

Mas essa questão também pode ser levado para melhor o lado emocional. No caso da viagem que citei lá no começo, há uma grande diferença entre viajar com tudo já pago, e viajar e voltar tendo que pagar as parcelas por mais 5, 10 ou 12 meses.

Ao planejar a viagem e acumular o montante necessário antes da data determinada, estamos possibilitando uma memória mais positiva das férias, por exemplo. Ter que pagar as parcelas na sequência nos gera um peso e a associação de que, muitas vezes, a viagem nem merecia aquilo tudo.

Dessa forma, é possível perceber que planejar um consumo nem sempre se refere somente à questão racional. Pode ter uma influência emocional grande também. Mas, da mesma forma, gosto sempre de ressaltar que não há uma obrigação ou definição sobre certo ou errado. 

Em termos financeiros, o melhor a se fazer é postergar o consumo, gastar menos e não comprar de forma compulsiva. Mas isso combina com suas necessidades e possibilidades de acumular o montante necessário? Essa é a pergunta que você deve fazer antes de decisões financeiras que podem cobrar um preço alto pela antecipação do consumo.

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Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista e planejador financeiro
Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

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