Investimento também é coisa de criança - 2021 tem aumento de 47% de CPF’s de crianças e jovens na B3 - TC

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Investimento também é coisa de criança – 2021 tem aumento de 47% de CPF’s de crianças e jovens na B3

12/10/2021 às 8:00

TC School

O assunto “Investimentos” muitas vezes é ligado apenas aos adultos, excluindo crianças e jovens. Esse tabu de não falar sobre dinheiro com as crianças já é coisa do passado e vem sendo desmistificado nos últimos anos. 

Para comemorar o dia das crianças, contamos com a notícia de que até o início de outubro de 2021, a B3 registrou um aumento de 47% de registros de CPF de crianças e adolescentes até 15 anos de idade. 

Esse dado é motivo de comemoração pois reforça que o mundo das finanças está sendo introduzido para todos, em especial às crianças pequenas. Falar de dinheiro também é assunto de criança e apenas dessa forma teremos jovens e adultos capazes de gerir seus recursos financeiros no futuro.

Em comemoração ao dia das crianças trazemos hoje um texto sobre o aumento de cadastros desses mini investidores na bolsa de valores e algumas dicas de como introduzir esses universo para os pequenos. O texto se divide da seguinte forma:

  • Mini investidores na bolsa de valores
  • Importância do assunto para os pequenos
  • Dicas práticas de como apresentar esse universo
  • Conclusão 

dia das crianças

Mini Investidores na bolsa 

Menores de idade podem investir na bolsa?

Apesar de poucas pessoas saberem, não são apenas os adultos que podem efetuar investimentos de renda variável. Menores de idade também podem ter investimentos dada a supervisão de seus pais.

Em linhas gerais, para que uma criança ou adolescente abra uma conta em corretora, são precisos documentos como: 

  • cópia do RG/CPF do menor ( certidão de nascimento é só até 3 anos)
  • cópia do RG/CPF ou CNH do Pai
  • cópia do RG/CPF ou CNH da Mãe
  • cópia do comprovante de residência em nome dos pais ou do menor
  • Ficha cadastral fornecida pela corretora com a assinatura do pai e da mãe

Para que os investimentos sejam realizados, também é preciso observar algumas questões relativas à origem desse recurso. Na maioria dos casos é requerido que o menor tenha conta bancária em nome dele, ou então que tenha ao menos uma conta conjunta com algum dos pais. 

Cada corretora ou instituição deterá particularidades quanto aos processos, documentos necessários e restrições de investimento. É importante ficar por dentro de todos os requisitos e limitações de cada instituição escolhida.

Dados animadores 

Em dezembro de 2020 a B3 registrou 14.720 CPF’s cadastrados de pessoas físicas que possuíam até 15 anos de idade. Já em outubro de 2021, o número saltou para 21.630, revelando um aumento de aproximadamente 47% do início do ano até o início de outubro. Veja na imagem a seguir a evolução em cada ano.

crianças na bolsa de valores

Elaboração própria a partir dos dados da B3 – Perfil Investidores 2020 e Perfil Investidores 2021

Além do aumento geral, nota-se que houve também aumento na inserção das meninas no universo dos investimentos.

De modo geral, a predominância masculina na bolsa de valores é bastante expressiva e se mostra sobressalente às mulheres. Os últimos dados da B3 mostram que atualmente o quantitativo de CPF’s femininos na bolsa é de 27,96% em contraponto a 72,04% CPF’s masculinos.

Sendo assim, os dados revelam uma tendência muito animadora. Apesar do aumento geral de crianças e adolescentes na bolsa ter sido de 47% no total, o quantitativo de meninas saltou em 49% em contraponto a 44% dos meninos. 

Essa inserção de mini investidores no mundo das finanças revela a eficácia dos diversos projetos e movimentos que buscam desmistificar o papel da educação financeira ainda na infância. 

Pesquisadores como Carvalho e Scholz (2018) afirmam que o sistema de educação básica deve incorporar ferramentas para disseminar o conhecimento da área financeira. Sobretudo, para que as crianças e jovens cresçam como adultos com capacidade de análise crítica em suas tomadas de decisões financeiras, é preciso que além da escola os responsáveis busquem aguçar esse interesse.

Importância do assunto para os pequenos

Entender e aplicar os conceitos de uma boa educação financeira é essencial para que os indivíduos possuam qualidade de vida. Entretanto, a aplicação de forma fiel desse conceito ainda é uma irrealidade na sociedade brasileira.

Países como Finlândia e Noruega são referência quando falamos de Educação Financeira. Isso ocorre porque nesses países a instituição dos conceitos financeiros ocorre desde a infância. Segundo a OCDE e a ONU, o sistema público de educação Finlandesa é um dos que mais investem em alfabetização financeira para crianças.

A importância do assunto surge quando percebemos que esses países mencionados possuem um dos maiores índices de desenvolvimento humano. Num mundo com recursos escassos, tal qual o dinheiro, a educação financeira se torna essencial para a gerência de recursos e geração de riqueza através de investimentos e empreendimentos. 

Para que um país se desenvolva é necessário o desenvolvimento também da sua população. Dessa forma, é impossível ter adultos conscientes financeiramente se não existir ensinamento desses conceitos ainda na infância. Conteúdos como consumo consciente, empreendedorismo e liberdade financeira são essenciais para despertar o entendimento e posterior aplicação no dia a dia. 

Dados de uma pesquisa realizada pelo Ibope, revelam que apenas 21% das pessoas tiveram educação financeira até os 12 anos de idade – destes, 45% não compartilham ou passam poucas informações sobre o orçamento da casa para seus filhos.

Essa realidade vem sendo mudada com a propagação dos ensinamentos financeiros para os adultos e as reestruturações desses conceitos repassados às crianças e jovens, que por sua vez, vem inserindo-se no mundo das finanças através dos investimentos, como vimos nos dados da B3. 

Dicas de como apresentar esse universo para as crianças

Agora que você sabe da importância de falar sobre dinheiro e investimentos com as crianças e os jovens, pode estar se perguntando por onde começar. Aqui no TC School existe uma série de gibis educativos que podem ser utilizados para despertar o interesse dos pequenos.

Vocês podem optar por baixar e imprimir os gibis para colorir, sendo uma ótima alternativa para os mais pequenos se divertirem e aprenderem ao mesmo tempo. Ou se optarem, podem ler digitalmente os gibis coloridos e completos aqui em nosso site. 

Além desse momento recreativo com os gibis, é importante estabelecer hábitos cotidianos que demonstrem aos pequenos o valor das coisas e a responsabilidade incorrida na aquisição de dinheiro. Uma ótima atividade que podemos sugerir é a transformação da mesada como um instrumento educativo. Explicamos a dinâmica a seguir:

Mesada educativa

Alguns responsáveis optam por fornecer uma determinada quantia mensalmente ou semanalmente aos filhos, a chamada mesada educativa. É importante que as crianças e os adolescentes exerçam sacrifícios para o recebimento desse dinheiro, de modo que reconheçam um esforço para a obtenção daquela determinada quantia.

Isso instiga o entendimento do valor das coisas e desmistifica a ideia de que podemos ter dinheiro a qualquer tempo de forma fácil e sem sacrifícios. Sendo assim, sugerimos: 

  • Definam com os filhos o valor que será concedido de mesada: é importante estabelecerem um valor que seja adequado a idade e necessidade de cada criança ou jovem. Sendo assim, conversem e entendam a necessidade financeira de cada filho de modo que seja um valor que ambos concordem.
  • Estabeleça com seus filhos um planejamento semanal de tarefas: criem um planejamento que se adeque a realidade e a idade de cada criança/adolescente. As atividades devem ser definidas por dia, podendo ser, por exemplo: o ato de arrumar a cama ou o quarto, ajudar a cuidar dos pets, auxiliar em atividades domésticas ou de outro caráter sob a supervisão dos pais e etc.
  • Atribua pontuações ao fim dos dias: pontuar cada dia de acordo com as atividades que foram cumpridas. Por exemplo, o dia será pontuado com 0 (Não cumpriu nenhuma atividade); 1 (Cumpriu mas faltaram algumas); e 2 (Cumpriu todas as atividades).
  • Ao fim da semana faça a contagem de pontos: acompanhar e pontuar cada dia para que ao fim do planejamento semanal seja contabilizado os pontos.  Posteriormente serão utilizados para pagar a mensalidade de forma equivalente. 
  • Pague a mesada de acordo com o cumprimento do planejamento: supondo um planejamento de 7 dias utilizando as pontuações acima, poderá ser estabelecido que a mesada será paga integralmente (100% do valor acordado anteriormente), caso a semana tenha uma pontuação mínima de 10 pontos, por exemplo. Esses controles e limites devem ser estabelecidos a partir da realidade e limitações de cada família.
  • Conversem sobre a mesada: é muito importante que os filhos tenham orientação sobre como gastar seus recursos. Sendo assim, auxilie seus filhos na tomada de decisões referente ao gasto da mesada. Conversem de forma passiva sobre as intenções dele sob o gasto e oriente-o a realizar seus desejos ou necessidades.

Nessa última etapa é importante ouvir as pretensões de gasto da criança ou jovem para que você consiga direcioná-lo. Por exemplo, caso queira comprar um determinado item, faça a sugestão e auxilie numa pesquisa de preço para optar pela melhor oferta. 

Hora do Mini Investidor

Desmistificar o papel dos investimentos logo na infância é essencial para que eles cresçam com uma mentalidade destrava desse assunto, possibilitando assim que eles reconheçam todas as possibilidades dos contextos financeiros em que esteja inserido.

Sendo assim sugerimos a criação da “hora do mini investidor” no ambiente familiar. Essa atividade visa estabelecer momentos em que os pais ensinem sobre alguns aspectos dos investimentos aos filhos. Serviria como uma extensão da mesada educativa falada anteriormente.

Dessa forma, sugerimos:

  • Defina um dia da semana para conversar e estudar sobre finanças e investimentos: a proposta aqui é trazer o tema de forma simples. Introduzir sobre investimentos de curto e longo prazo, a ideia de investimentos para realização de determinados sonhos ou objetivos. 

A proposta central é trazer naturalidade a esses temas no cotidiano das crianças. Sendo assim, transformar esses momentos em instantes recreativos de compartilhamento de ideias e aprendizados. Para auxiliar os responsáveis nessa missão, temos disponível no TC School o curso gratuito “Guia do Jovem Investidor” que pode ser utilizado como apoio.

Conclusão

O universo das finanças vem se expandido e alcançando cada vez mais pessoas. Um dos públicos mais importantes que devem ser alcançados por esses aprendizados são as crianças e os jovens, pois com eles estão o futuro da nação. Sendo assim, o crescimento de mini investidores na bolsa de valores é uma ótima notícia e prenuncia bons resultados no futuro.

Esse crescimento traz consigo a importância de preparar e educar financeiramente essas crianças e jovens para os diversos contextos financeiros que estarão propensos no agora e no futuro.

Dessa maneira, é importante fornecer instrumentos e modalidades de ensino que desmistificam cada vez o tabu em torno do assunto “dinheiro” para crianças.

Referências

Carvalho, L. A., & Scholz, R. H. (2018). “Se Vê O Básico Do Básico, Quando a Turma Rende”: Cenário Da Educação Financeira No Cotidiano Escolar. Revista Brasileira de Gestão e Inovação, 6(2), 102–125. http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/article/view/5817/pdf

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Iris Sousa
Iris Maria Oliveira de Sousa
Estagiária do Tradersclub | TC School
Graduanda em Ciências Contábeis pela UFPB e membro do projeto Educação Financeira Para Toda a Vida.

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