Gastos no cartão de crédito: cuidados e dicas na hora das compras - TC

TC School / Educação Financeira

Abre o olho: cuidado com gastos no cartão de crédito

19/08/2021 às 14:51

TC School

O cartão de crédito é um dos maiores – senão o maior – vilão da saúde financeira dos brasileiros.

A culpa, é bom deixar claro, não é dele em si. O erro está na forma como o cartão de crédito é utilizado, que nem sempre é a maneira mais indicada para se relacionar com aquele pedaço de plástico.

Ao invés de um instrumento no controle financeiro pessoal, os cartões de crédito são vistos como uma possibilidade de gastar o dinheiro que não existe. O crédito, do qual tanto os brasileiros gostam.

Para ajudar com a sua educação financeira e finanças pessoais, elencamos alguns tópicos sobre o tema de gastos no cartão de crédito. Mas vamos falar sobre isso hoje com base em um ponto levantado pelo meu amigo Saulo Godoy na semana passada: despesas recorrentes e despesas não recorrentes

Antes de irmos para o texto, dois pontos:

  1. Obrigado pela ideia que me ajudou a ter com sua postagem, Saulo
  2. Assim como os mais diversos temos ligados às finanças comportamentais, este é um daqueles que não existe o certo ou errado. Não existe uma forma que deve ser seguida à risca por todas as pessoas. Os pontos e colocações devem sempre ser avaliados de acordo com a realidade e o conhecimento de cada um.

Dito isto, vamos lá. Nesse texto você vai encontrar:

  • O cartão de crédito
  • Despesas recorrentes 
  • Despesas não recorrentes 

abre o olho

O cartão de crédito

O cartão de crédito é uma invenção com cerca de um século de existência. Ele foi criado nos Estados Unidos na década de 1920, mas com uso bem restrito. Ele era utilizado apenas em alguns estabelecimentos para clientes mais fieis, aqueles que os donos achavam confiáveis. 

Foi por volta da década de 50 que ele começou a se popularizar. Certo dia, Frank MacNamara percebeu que havia esquecido o dinheiro e o talão de cheques para pagar uma conta. Foi aí que surgiu a sacada de um cartão com o nome do proprietário. Esse foi o insight para a criação do The Diners Club. Feito de papel cartão, ele era aceito apenas em 27 restaurantes e utilizado por cerca de 200 pessoas

O primeiro cartão de crédito internacional

Com o passar dos anos, foi se popularizando, ganhando novos adeptos e sendo aceito em novos estabelecimentos. Em 1952, foi criado o primeiro cartão de crédito internacional. Três anos depois, passou a ser feito de plástico. E, por incrível que pareça, o precursor de tudo isso continua existindo, é o Diners Club International

A chegada do cartão de crédito ao Brasil foi no meio da década de 1950. O empresário tcheco Hanus Tauber comprou uma franquia da Diners e propôs sociedade com o brasileiro Horácio Klabin. Em 56, o Diners chegou ao Brasil como um cartão de compras. Mas foi somente em 1968 que o primeiro cartão de crédito de banco foi lançado. Era o Credicard. 

Desde então, o método de pagamento tem evoluído. Grande parte da possibilidade para essa evolução veio após o Plano Real. Com uma moeda estabilizada e inflação controlada, o cartão de crédito se tornou algo mais popular, inclusive com menores taxas e tarifas.

No entanto, após todo esse período, muitos brasileiros ainda se assustam ao falar do cartão de crédito. Muitos têm calafrios, muitos lembram da bola de neve de dívidas que criam.

Despesas recorrentes

A grande mágica que o cartão de crédito exerce é permitir a compra imediata sem a necessidade de ter em mãos o montante necessário para aquela aquisição. Seja com o pagamento ao final do mês – ou quando a fatura chegar – seja com a possibilidade de parcelar a dívida. 

E são esses dois pontos que geram dúvidas, receios e causam muitos problemas para os usuários que não conseguem utilizar de uma maneira mais consciente o cartão. 

Por isso, é fundamental entender que o cartão de crédito não é um cheque em branco. A conta chega e precisa ser paga. Não sendo, os juros são crescentes e mortais. Cuidado!

Para ter uma boa relação com o seu cartão de crédito, aqui colocarei dois pontos importantes para que você possa prestar atenção cada vez que for utilizar o seu cartão. E, dessa forma, ter uma relação mais saudável com ele, podendo extrair os benefícios sem o risco de sofrer com os pontos negativos.

Essa dica parte do ponto básico de separar suas despesas entre as recorrentes e não recorrentes

Vamos falar sobre as recorrentes inicialmente. 

As despesas recorrentes são aquelas feitas com constância ao longo do ano. O supermercado, o combustível, a compra de medicamentos de uso contínuo…. São despesas que você tem de maneira constante ao longo do ano.

Veja que não falei sobre o período da recorrência. Ela pode variar entre semanal e semestral, por exemplo. O importante é entender quais são essas despesas que são rotineiras em sua vida. 

Sabendo quais são, você precisa tomar o cuidado para evitar ao máximo o parcelamento. Diria para nunca parcelar. Mas é algo que não posso falar tão taxativamente por causa das realidades diferentes de cada família. Para alguns, parcelar essas compras é a única forma de ter o mercado do mês, por exemplo.

Mas, repito, evite ao máximo esse parcelamento. Se puder, crie uma regra pessoal ou familiar para que as despesas recorrentes nunca sejam parceladas.

O motivo?

Bem, como elas são despesas recorrentes, serão feitas mês após mês, por exemplo. Vou usar o caso do mercado do mês. Supondo que ele custe R$ 500, e você opte por dividir em cinco vezes porque R$ 100 é um valor que cabe no seu orçamento. Só que o mercado será feito todos os meses. E todos os meses a divisão em cinco parcelas. 

No primeiro mês, paga R$ 100. No segundo, R$ 200. No terceiro R$ 300…No quinto mês, chegará a R$ 500. Perceba na tabela abaixo como a bola de neve vai se formando.

JaneiroFevereiroMarçoAbrilMaio
Mercado 1R$ 100R$ 100R$ 100R$ 100R$ 100
Mercado 2R$ 100R$ 100R$ 100R$ 100
Mercado 3R$ 100R$ 100R$ 100
Mercado 4R$ 100R$ 100
Mercado 5R$ 100
Total a pagarR$ 100R$ 200R$ 300R$ 400R$ 500

Vai chegar em um momento que, somente o valor do mercado, será aquele que você não teria condição de pagar à vista. E aí, o que fazer? 

Perceba que utilizei apenas o exemplo de uma compra. Mas, geralmente, o que acontece é que o raciocínio é o mesmo para diversas outras compras com cartão de crédito. Dessa forma, parcelando um pouco de cada coisa, acaba gerando um grande problema em alguns meses. 

Como as despesas recorrentes vão sempre existir e, provavelmente, com valores similares, optar por parcelá-las é um tiro no pé. Você está se livrando de um valor alto no momento para uma dívida que vai acabar se perpetuando em sua fatura e complicando sua situação. Até que chegam os juros. E, para sair deles, é ainda mais difícil. 

Despesas não recorrentes

O mesmo não pode ser dito sobre as despesas não recorrentes. Pode ser o pagamento de uma anuidade (desde que o número máximo de parcelas não supere um ano), uma compra específica de um eletrodoméstico, por exemplo, algo pontual.

Como não são despesas que vão se repetir em um período curto, o problema da bola de neve não vai se repetir nesses casos – o que não quer dizer que não vai sofrer com o acúmulo de compras se não tiver o controle no uso do cartão. 

Mas essas despesas são mais propícias ao parcelamento. Parcelando de maneira programada, você consegue diluir a dívida e manter um fluxo de caixa pessoal melhor ao longo dos meses. Claro que tudo feito com responsabilidade. 

E tem um número ideal de parcelas?

Bem, não tem o número ideal. Tudo vai depender de como está sua fatura. Não deixe que muitas parcelas se acumulem senão no final das contas a fatura fica tão alta quanto se fosse comprar quase tudo à vista. Mas saiba aproveitar essa possibilidade.

Geralmente, antes de perguntar sobre a divisão de uma compra, a primeira pergunta que faço é se tem desconto à vista. Não tendo, pergunto em quantas parcelas posso dividir sem juros. E, na maioria das vezes, vou no máximo delas. 

Assim, mantenho dinheiro em caixa, posso utilizar o valor da forma que mais desejar e diluo essas despesas recorrentes no meu orçamento. Tem funcionado bem comigo.

Só que, como disse, é uma questão muito particular. Não quis aqui passar uma regra, mas dar dicas que acho importante sobre a relação com o dinheiro. Antes de tudo é preciso entender sua realidade. Se o parcelamento é uma opção – não uma condição preponderante para aquela compra – tente adotar o que falei acima. 

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Raphael Carneiro
Raphael Carneiro
Jornalista e planejador financeiro
Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

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